Perdidos entre os mortos
4 Ato 1 — Dia 2
Notas iniciais
Aqui mais um cap. da fic para vocês ^^
Espero, de verdade que curtam.
Boa leitura ^^
O pequeno grupo se deslocava através a plantação lentamente. Todos ali não estavam muito animados com a perspectiva de chegar na cidade, afinal de contas, não teria um hotel
cinco estrelas aguardando eles, muito menos pessoas para darem boas-vindas. Apenas zumbis com sedentos por sangue e carne, que desejavam mais que tudo, matá-los. Era somente
isso que aguardava eles lá. E mesmo assim, tinham de seguir em frente.
Lass caminhava com as mãos nos bolsos, enquanto chutava as pedras que se aventuravam pela frente de seu tênis, ao seu lado, Arme seguia com a cabeça baixa, estava desanimada, e
já não era muito esperançosa com o que poderia acontecer na cidade. O coto de onde antes estivera sua mão, agora estava envolvido por uma gaze, que costumava a ser branca, até
ficar suja com o sangue dela, e ao lado de Arme, Sieghart seguia calmamente.
— Então, o que vocês acham que devemos fazer quando chegar lá? — Lass desviou um pouco da atenção das pedras, para perguntar aos outros.
— Bom... eu acho que devíamos procurar um abrigo... ou quem sabe comida e tudo mais... talvez deve...
—Devemos matar zumbis e sobreviver. — Sieghart interrompeu Arme, enquanto continuava andando sem prestar real atenção na conversa. — É isso ai, ou matamos, ou morremos, simples
assim. — Sieg então parou, e virou-se para Arme. — Se quer um abrigo, pegue uma pá, cave um buraco bem grande, e se enterre lá, estará salva então. — Com um longo suspiro, ele
se virou e voltou a andar.
— Não se importe muito com o que ele diz, viu? — Lass pousou uma das mãos no ombro de Arme, e, pelo leve toque, a garota corou. — Ele fala essas coisas pois precisa parecer
forte, os tempos são difíceis Arme... — Lass deu um suave suspiro, enquanto Arme continuava vermelha, diante as palavras dele. — Você têm que se mostrar forte também, mais cedo
ou mais tarde, você vai ter que entender isso. — Lass deu um leve tapinha nas costas de Arme, e então pôs a mão no bolso novamente, e tratou de seguir Sieghart.
Arme ficou parada por uns instantes, enquanto avaliava as palavras que acabara de ouvir, não precisava ser nenhum gênio, para entender que Lass estava mandando ela crescer. Uma
pequena faísca de irritação cresceu dentro dela, pelo fato de que os únicos homens restantes na face da terra, consideram ela um criança. Porém, tão rápido ela surgiu, logo se
apagou, e então Arme abaixou a cabeça, enquanto dava uma leve corrida, ao lado dos rapazes novamente.
Os três seguiram caminhando durante a manhã, o sol caia sem piedade sobre eles, deixando eles com sede e cansados. Apesar de Lass e Sieghart serem os homens, ambos já
demonstravam sinais de exaustão, enquanto Arme apenas os seguia, em seu transe monótono, o qual a impedia de sequer se sentir cansada, mesmo que sua visão observasse o que estava a sua frente, a mente dela viajava por outros milhares de lugares.
— Vamos parar... — Sieg arfava enquanto dizia as palavras. — Vamos parar naquela cabana ali. — O moreno apontou para uma pequena casa feita de madeira, com uma porta na frente
apenas, e uma janela grande sobre ela.
— Já está cansado Sieg? — Lass voltara a por as mãos nos bolsos, e apesar de sua respiração acelerada o denunciar, ele se esforçava para parecer normal.
Após as palavras dele entretanto, Arme saiu de seu transe, e se virou para observá-lo, perguntando mentalmente sobre o que eles estavam falando.
— Lass, sem brincadeiras agora, acontece que vai ser... — Sieg deu mais uma parada para respirar profundamente. — Acontece que vai ser foda passar de dia pelos zumbis...
— Ma-mas , você está propondo que agente vá durante a noite? — Arme estava perplexa diante a última afirmação de Sieghart, e dentro dela, um medo crescente ameaçava dominá-la.
— Err, garota, o que tem na cidade, são zumbis, e não ninjas — Ele deu um pequeno tapa em sua própia cabeça, enquanto murmurou um sonoro "Duh". — E a não ser que queira ser
recebida, de braços bem abertos, pelos nossos amiguinhos lá, eu aposto que vai preferir ir de noite mesmo. — Sieg cruzou os braços, enquanto seguia caminhando, criando uma
barreira invisível de proteção contra qualquer argumento que fosse.
— Mas...
— Mas nada, porra! — Sieghart agora fuzilava Arme com os olhos, o desprezo transbordando atráves deles. — Se quiser, vai lá, se joga, aposto que todos eles vão adorar um
delicioso pedacinho de Arme. Se não for pedir muito, deixe a...
— Cala a boca Sieg. — Lass segurava o moreno agora pelo colarinho. — Vamos ficar na porra da cabana até de noite, feliz? — O albino soltou então ele, que levou então a mão até o
pescoço, arfando ainda mais agora.
— Lass... faz o favor... e vira um zumbi... pra eu rancar sua cabeça então. — A fala do moreno saia cansada, enquanto ele se arrastava pelo calor sufocante.
— Ainda não Sieg, mas eu vou deixar ela reservada para você, pode deixar.
Eles seguiram lentamente até a construção abandonada, a medida que iam caminhando até lá, o sol castigava eles com temperaturas cada vez mais altas, e uma breve impressão passou pela cabeça de Sieghart, indicando se lá dentro não estaria o completo forno. Os dois garotos se adiantaram na frente de Arme, para chegar na casa.
— Espere aqui fora enquanto agente verifica as coisas por lá. — Lass caminhava de costas enquanto dirigia as palavras para Arme. — Não hesite em gritar se precisar de ajuda.
— Sim... — A pequena apenas concordou positivamente com a cabeça, enquanto encurtava ainda mais o passo, para esperar eles lá fora.
O albino andentrou na casa, e logo se viu em um ambiente completamente escuro. As paredes apesar de intocadas, colecionavam rachaduras e possuíam a tinta branca, já desbotada para um amarelo doentio. A medida que Lass entrava nos quartos, ele via como sentia saudade, do seu antigo cotidiano, até então, ele se deparou com um quarto que aparentemente
pertencia a um adolescente. Pôsters cobriam as paredes, fossem de jogos, ou de mulheres, um computador ainda se encontrava sobre a escrivaninha, e ele foi capaz de achar até um videogame ligado a televisão do quarto, sem contar, no incrível skate que ele encontrou na parede, cujo ele mesmo decidiu pegar.
Como ele sentia saudades daquilo.
Como ele sentia saudades de Elesis.
Pela primeira vez, em duas semanas, ele se deixou levar pelas emoções. Jogou-se na cama, que estava assustadoramente limpa, considerando o estado do resto do mundo, e abafou suas lágrimas ali mesmo, ele precisava descarregar um pouco o sentimento de tristeza dele. Ao menos ele pensava que podia, porém, sentiu duas mãos tocarem seus tornozelos, puxando-o para baixo, com força, e mesmo que ele lutasse contra, logo estava caído da cama.
De frente para Sieghart.
— Qual é seu problema porra?! — Lass chutou com força a barriga de Sieg, que se contorceu pondo a mão sobre seu tórax.
— Caralho... que vontade... de te porrar... — Uma lágrima escorreu pelo rosto de Sieghart, a pancada em seu estômago realmente o pegara desprevenido. — Eu so vim avisar... que achei um lugar pra gente passar a noite. — Sieg fez um aceno de mão, pedindo para Lass acompanhar ele. Os dois atravessaram os corredores da casa novamente, parando na porta apenas para chamar Arme. Sieg passou por uma cozinha que fedia a comida podre, e, abriu uma porta nos fundos.
— Eis aqui, a garagem. — Sieg estendeu a mão para que os outros pudessem ver o local, e realmente, era perfeito.
Havia apenas duas entradas possíveis, sendo uma delas a porta que Sieghart acabara de abrir, e a outra, a saída de veículos. Ela tinha espaço suficiente para acomodar os três, e, no meio dela, sendo admirada pelo moreno, havia uma moto.
Ele se aproximou dela, correndo os dedos pela carroceria, enquanto um sorriso se espalhava em seu rosto.
— Essa belezinha aqui, pode ser muito útil. — Virou-se para Arme e Lass, com um largo sorriso no rosto, enquanto balançava a cabeça de baixo para cima. — Muuuuuito útil.
Lass e Arme se entreolharam, porém ficaram quietos, não adiantava muito discutir com Sieghart.
— Bom, eu vou dormir, quanto a vocês, que se virem. — Lass resmungou um pouco, porém logo se atirou, de encontro a uma almofada antiga que estava jogada no chão. E apesar de poeira ter voado para todos os lados, ele estava muito ocupado roncando, para se preocupar em espirrar.
— Ah, farei o mesmo. — O moreno se atirou, ao chão, e apesar de todo o desconforto, ele adormeceu ali mesmo.
Arme se aproximou lentamente dele, e deitou atrás das costas do rapaz. A pequena se encolheu em posição fetal, enquanto, estendia uma mão para frente, e com seus dedos, ela envolveu alguns de Sieg. Um pequeno sorriso veio acompanhado do vermelho em seu rosto, e logo a garota adormeceu também.
Mais tarde, Sieghart se mexeu um pouco, devido ao desconforto, e sem querer, deitou-se sobre o braço de Arme, arrancando um grito abafado da garota.
— Ah que merda... desculpe-me. — O moreno pegou o braço da garota, e fez uma pequena massagem nele, enquanto Arme corava ao sentir o toque dele em si.
O rapaz então se levantou lentamente, ainda com um pouco de sono, e enquanto soltava um bocejo preguiçoso, seus olhos encontraram algo conveniente, sobre a mesa. Ele se aproximou dela, e logo pôs as mão no que queria, um quase esgotado maço de cigarros.
— Ah, que sorte... e azar ao mesmo tempo. — Sieg tirou um de dentro da caixa. — É o último.
— Sieg, você têm idade para fumar? — Arme olhava perplexa para o garoto, enquanto ele acendia com um dos fósforos que ele mesmo carregava.
— É sério mesmo que você me perguntou isso? — Sieg deixou o cigarro em sua boca, enquanto botava as mãos na cintura. — Quero dizer, oh meu Deus, não conte pra nimguém, a polícia pode me prender. — Ele balançava agora as mãos no ar, como se estivesse em perigo. — Ah espere! — Sieg ficou boquiaberto, enquanto arregalava os olhos, e por um instante, o cigarro quase caiu de sua boca. — NÓS NÃO TEMOS MAIS POLÍCIA! Oh meu Deus! — O moreno lançou um olhar de desprezo para a garota, enquanto dava um soco na mesa. — Caralho, tem uns milhares de zumbis ali fora, esperando pra me matar, um sol da porra, agente se preocupando em achar alimentos que não estejam podres, e você me vem com um papo de "Ah Sieg, você tem idade para fumar?" — Sieg disse essa última frase com uma voz feminina. Ele já não estava muito paciente com as pérolas de Arme, e cada vez mais ela melhorava a situação. — Putz Arme, se toca também né, vai falar o que agora? "Sieg sabe dirigir motos?". — Novamente fez uma voz feminina na última frase, e, ao dizer ela, foi até a moto no meio da sala.
Lass já estava balbuciando uns chingamentos, enquanto esfregava os olhos para poder acordar, quando sentiu uma brisa tocar-lhe o rosto. Rapidamente abriu os olhos e, viu Sieghart levantando o portão da garagem, enquanto corria para cima da moto de novo.
— Sieg, o que você pretende... — Lass foi interrompido, pelo barulho ensudercedor do cano de descarga da moto. — Sieg, desliga isso, JÁ! — Lass gritou o mais alto que pode, porém o moreno já havia dado partida na moto, e saiu para dar algumas voltas.
De longe, os gritos foram ouvidos, e naquela hora, Arme e Lass sabiam que estavam com problemas, sérios problemas relacionados a zumbis sedentos por sangue e carne.
No mesmo instante, Arme se levantou, e se pôs a procurar uma forma de se defender, por fim, acabou achando um facão enorme no canto da sala, pesado mesmo para ela.
Lass tinha uma de suas mãos no rosto, enquanto murmurava "Eu não sei quem é mais infantil." algo que, por sorte Arme não ouviu.
Porém seus pensamentos foram interrompidos, quando repentinamente, sente uma pontada de dor na perna.
Seus olhos desceram para ver o que eram, e a expectativa o fazia ficar tenso, e quando finalmente viram, ficaram estáticos assim que reconheceram.
Era um Zumbi. Ele aparentava ter a mesma altura que Lass, e o albino poderia apostar que o quarto lá de cima era dele.
Porém, no mesmo instante, o mundo congelou para Arme. Ela viu seu amigo ser mordido na perna, e, não pensou, nada, apenas reagiu, o sangue quente correndo através de suas veias.
Algo dentro dela acabara de despertar, ela desejava mais que tudo proteger ele, ela precisava de Lass, mesmo que fosse somente para sobreviver. E esse algo levou ela a uma loucura.
E então o sangue veio junto com os gritos.
Ela cortou a perna de Lass fora com um golpe apenas de seu facão.
Enquanto ele caia no chão, o mundo parecendo estar em camêra lenta durante estes instantes, até então o baque surdo de seu corpo batendo no solo, acompanhado pelo jato de sangue que saia de sua perna. Ainda se recusando a acreditar no que aconteceu, Arme desferiu um golpe na cabeça do zumbi. Porém isso deve ter afetado os neurônios dela também, pois, no próximo instante, ela estava caída no chão com as mãos sobre a boca, algumas lágrimas escorrendo pelo rosto, e milhares de pensamentos a respeito de como ela poderia ter morrido e as loucuras que fez.
–Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — O grito de Lass foi o suficiente para atrair a atenção de Arme, e ela podia apostar que foi o suficiente para atrair a atenção de vários outros zumbis também.
Rapidamente, ela se ajoelhou ao lado dele, enquanto abraçava o rosto dele de encontro ao seu peito, para abafar o grito. Não saberia dizer quem ficou mais corado, Lass por estar com o rosto entre os seios de Arme, ou ela por ter feito isso.
A mão dela se mantinha firme nele, enquanto ela sentia a blusa umidecer cada vez mais, e mais, devido ás lágrimas do garoto, os gritos dele saíam altos e sonoros, paralelamente ao sangue que jorrava de sua perna. Até Arme sentir algo umidecer a perna dela então.
Sangue.
Uma onda de pânico tomou conta dela, ao se lembrar que tinha cortado a perna de Lass impulsivamente, e que em breve teriam zumbis na garagem, vários zumbis. A pressão foi de mais.
Arme rasgou uma parte de sua blusa, deixando sua barriga de fora, e rapidamente prendeu a circulação de Lass na perna, para estancar o sangramento. Seus olhos vasculharam a garagem, em busca de qualquer coisa que pudesse ajudá-la, remédios, cortador de grama, brinquedos, móveis velhos, vários potes cujo conteúdo ela não sabia, e então ela viu.
O skate.
Arme já podia ouvir os gritos fantasmagóricos dos zumbis, e o ronco da moto cada vez mais próximo, porém, se ela quisesse tirar Lass dali, só tinha uma opção. Correu até o lugar onde Lass pusera o skate, e pegando-o enquanto fechava a porta que vinha da cozinha, a tempo de ouvir algo esbarrando contra ela. Voltou seus olhos para Lass e para a abertura da garagem, e logo viu sombras se arrastando pela estrada, próximas de mais. Correu de volta á Lass, e o pôs seu plano em prática.
— Lass, pode ser difícil, mas confia em mim... e reze por Sieghart. — Arme disse as palavras com uma frieza, que ela julgava impossível de ter.
Logo, ela pôs o skate ao lado de Lass, enquanto segurava o garoto suavemente pelo canto de sua blusa, e o rolou para ficar deitado sobre o skate.
Então, engolindo a ultima gota de sanidade mental, e disparando seu último atrevimento, ela montou em Lass.
— Sieghart! — Antes que Lass pudesse argumentar, a garota impulsionava o skate com as mãos, até a saída da garagem, a tempo de ver Sieghart chegando.
— O meu deus, afinal de contas, o que eu perdi por aqui... Lass, sua perna! — O breve instante em que Sieg lembrou o quão a situação estava ruim, já podia ser conveniente o suficiente, se não tivesse vários zumbis em volta deles.
— Sieg, vira a moto, e apenas ande. — Arme falou decidida.
— E desde quando a pirralha dá as ordens?
— A pirralha só está te pedindo um favor.
Sieghart virou a moto, ao mesmo instante em que Arme segurava na parte de trás dela.
E então a risada do moreno ecoou, enquanto ele dirigia uma moto, na qual uma garota se agarrava, montada em um aleijado, que estava deitado em um skate.
Notas finais
Ando escrevendo essa fic de uma forma diferente da qual eu escrevo as outras normalmente, e espero que estejam curtindo ^^
Bom, se possível, deixem reviews :3
Thx & Cya.
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