Notas iniciais
Leiam com cuidado todas as informações contidas na ficha. Selecionarei apenas as melhores.

Esse capítulo será curto, pois apenas poderei continuar com os personagens.

(notas finais)

Boa leitura!

O Museu Americano de História Natural era, com certeza, um dos lugares mais interessantes de Nova York. Como era costumeiro, George chegou ali bem cedo, pegando seu grande chaveiro e procurando a chave correta. Abrindo cuidadosamente a porta dos fundos do museu, adentrou o lugar, ainda escuro, e que, mesmo depois de anos trabalhando ali, ainda causava-lhe arrepios. Era o inspetor do local, e seu serviço era cuidar para que tudo estivesse em ordem quando o museu fosse aberto. Era um homem calvo, uma barriga protuberante por sobre o uniforme. Já era velho, um dos mais experientes ali, mas ninguém achava que fosse deixar o cargo tão cedo.

Colocou a caixa de rosquinhas que comprara embaixo do braço, e se pôs a caminhar pelo lugar, empunhando uma lanterna. Iluminando os fósseis, eles até chegavam a parecer reais, os enormes dentes arreganhados em um rosnado congelado no tempo. Aqueles montes de ossos sempre o assustavam. Continuou o caminho, inspecionando tudo com a lanterna, quando sentiu que havia alguém atrás de si. Virou-se, apontando a lanterna para o rosto jovem da sua colega de trabalho.

- Trisha, um dia você ainda me mata do coração. — Disse o homem, uma das mãos sombre o peito, onde o coração batia aceleradamente.

A mulher olhou reprovadora para a caixa de rosquinhas em sua mão.

- Tenho certeza disso, ainda mais se você continuar com essa alimentação. Já não é um garoto, Sr. Miller. — Trisha olhou em volta, estremecendo. — Vamos, já está na hora de abrir o museu.

O velho seguiu-a até a entrada principal, e não deixava de pensar que ela se preocupava mais com ele que a própria filha, que sumira no mundo, deixando apenas um bilhete dizendo que não a procurasse. Desde então, vivia sozinho. E não era incomum que de vez em quando George fosse para o hospital, com problemas de pressão alta. Afinal, não era mais um garoto.

O museu foi aberto, e George sentou-se em uma poltrona, no seu escritório. Não tinha muito o que fazer ali. Trisha era a guia, e logo encontrariam alguém para substituí-lo. Não sabia ao certo o porquê de ainda não o terem feito. Estendeu-se na poltrona, levando uma rosquinha à boca, mas antes que pudesse concluir a ação ouviu uma comoção vir do lado de fora. Levantou-se, não sabia ao certo se feliz de ser útil, ou triste por ter que resolver algum problema.

Chegando lá, viu um velho, que gritava coisas inteligíveis para qualquer um que pudesse ouvir. Muitos não estavam gostando, e um homem foi para cima do homem estranho quando este tocou de forma pouco inocente a namorada. George balançou a cabeça. Não era a primeira vez que aquele velho aparecia ali, e decidiu que a melhor coisa seria ligar para a polícia. Uma multidão já formava-se para ver o que se passava, e George pegou o pequeno telefone preto e antigo do museu, discando os números. Antes que pudesse chamar, porém, escutou o intruso amaldiçoar em uma língua estranha, e quando olhou novamente para sua mão o telefone não estava mais lá.

Repentinamente, tudo ficou silencioso, embora ele pudesse ver as pessoas ali. As coisas foram sumindo aos poucos, e logo ele estava em um lugar completamente escuro. A primeira coisa que pensou é que acabara de ter um ataque cardíaco, e se não estava morto, estava em algum tipo de coma. Apertou forte os olhos, e manteve-os fechados por um longo momento, até sentir uma brisa suave em seu rosto, e o cheiro de terra no ar.

Abriu os olhos, olhando em volta. Já não estava no museu. Apenas via árvores estranhas, e ouvia sons de animais, acompanhados de passos pesados. Levantou-se com dificuldade, sentindo-se tonto, e percebeu que outras pessoas também surgiam ali, do mesmo modo que ele.

O que estaria acontecendo? E que lugar era aquele?

Respirou fundo, sentindo um cheiro peculiar de natureza e esterco animal, o que não era nem um pouco comum em Nova York, sua cidade natal. A cada vez mais pensava que havia morrido. Talvez ali fosse o paraíso, afinal.

Mal sabia George que estava muito enganado.

O lugar mais se aproximava de inferno.

Notas finais
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