Perdidos Em Nova Iorque
22 Estranhando-se
Notas iniciais
Hermione chegara mais cedo no serviço naquela manhã. Ligou seu computador e lá mesmo tomou seu café e seu donut que comprara na cafeteria como de costume.
Passara muita maquiagem para esconder as olheiras das noites mal dormidas desde o final de semana, mas os olhos vermelhos ela não podia disfarçar... Havia chorado demais.
Focou em seu trabalho para esquecer todos os problemas, dúvidas e angústias que não rodeavam apenas a sua mente, mas também — principalmente — seu coração. Passara o final de semana inteiro pensando em Rony. O beijo que ele tinha lhe dado bagunçara completamente seus pensamentos e sentimentos. Pensava que já não sentia mais nada pelo rapaz, há pouco tempo ela tinha cogitado a ideia de ainda estar apaixonada por ele. Mas se convencera de aquilo era uma bobagem, ela tinha um noivo e era por ele que devia se apaixonar.
Porém, o tempo excessivo que estava passando com o ruivo a convencia cada vez mais do contrário. Eles passavam praticamente a madrugada inteira conversando! Já tinha perdido a conta de quantas vezes ela chegara no serviço sonolenta pelas noites em claro. Eles também saiam bastante juntos. Antes só se viam fora do serviço quando Hermione tinha um novo evento para cobrir, mas agora quase sempre o ruivo ligava para ela a convidando para ir ao cinema ou jantar fora, e ela sempre aceitava.
Todos aqueles acontecimentos a faziam se sentir ainda mais culpada. Sabia que não havia sido infiel a Vítor em momento algum, mas após o beijo que recebeu e que feliz ou infelizmente correspondeu, ela se sentia uma completa idiota, e era exatamente por isso que ela estava evitando ao máximo encontrar-se com Rony. Ela o vira poucas vezes naquela semana, sempre ao longe para não precisar trocar palavra alguma com ele. Estava determinada a seguir aquele ritmo: evitá-lo até quando conseguisse.
(...)
Rony estava no elevador junto com Draco já que vieram juntos no carro do loiro para o serviço. Enquanto o elevador subia até o andar em que os dois desceriam Draco cantarolava e Rony pensava no que faria quando chegasse.
Ele estava cogitando a ideia de acabar logo com aquele estranhamento entre ele e Hermione de uma vez. Pensava em ir até a mesa dela e tentar conversar, pois não tivera uma oportunidade sequer de trocar qualquer palavra com ela e aquilo estava o matando. Ele se sentia extremamente mal por tê-la beijado. Ela estava noiva, ele tinha sido um completo canalha com Vítor por ter feito aquilo. Mas não conseguira conter-se, o desejo falou mais alto e ele ainda era apenas um mero mortal perdidamente apaixonado por Hermione.
Sabia que o que fizera tinha sido errado, e se considerava um babaca por não se arrepender de tal ato. Se tivesse outra oportunidade ele a beijaria de novo, de novo e de novo. E era exatamente por isso que queria conversar com ela. Ela parecia querer o mesmo que ele, pois tinha o correspondido. Permitira que a beijasse e o retribuíra! Não estava tentando jogar a culpa em cima da garota, mas sabia que uma parcela daquela culpa que estava sentindo ela devia estar sentindo também.
— Planeta Terra chamado Rony Weasley, planeta Terra chamando Rony Weasley! — ele ouviu Draco dizer o tirando de seus devaneios.
— Ãhn? O que foi?
— Você estava em outro planeta, cara!
— Desculpe. Só estou cheio de coisas na cabeça!
— Que tipo de coisas? — Draco perguntou e Rony respirou fundo. Não aguentava mais guardar aquele segredo para si, teria que contar a alguém antes que enlouquecesse!
— Draco, tem uma coisa que vocês não sabem sobre mim e a HERMIONE! — disse o nome dela um pouco mais alto quando a porta do elevador se abriu e ele deu de cara com ela.
— Oi, Mi! Já está aqui? E eu achando que Rony e eu tínhamos nos adiantado! — Draco dissera indo abraçar Hermione fora do elevador.
— Oi, Draco. Bom dia. — respondeu nervosa quando o amigo a soltou.
— Onde está indo?
— Bem, eu... Eu... Minerva me viu comendo donuts e pediu que eu comprasse para ela também já que está estressada e está precisando de um pouco de açúcar e... Acho melhor eu ir logo! — ela disse entrando no elevador que Rony segurava as portas.
— Pode ir indo na frente, Draco. Eu quero conversar com a Mione. — Rony disse.
— Mas você não estava falando comigo? — Draco perguntou.
— Rony eu estou ocupada, tenho que ir logo. Essa conversa não pode ficar pra outra hora? — perguntou evitando olhá-lo.
— Não, não pode! Vai indo na frente, Draco...
— Não, Draco! Pode ficar!
— Não pode não. Vai indo lá, cara...
— Draco fica!
— Draco, vai indo na frente...
— Meninos me desculpem, mas eu realmente tenho que ir logo antes que a Minerva fique mais estressada ainda, então depois a gente se vê! — ela dissera saindo do elevador indo pegar as escadas.
— Hermione! — saíra do elevador, mas sabia que tentar ir atrás dela seria uma atitude em vão. Ela não falaria com ele naquele momento, teria que esperar outra ocasião.
— O que houve aqui? — Draco perguntou.
— Nada!
— Ela está te evitando é isso mesmo? O que foi que você fez pra ela, ein Ronald?
— Já disse: nada.
— Então por que ela está assim?
— Por nada, Draco.
— Está do jeito que estava quando você chegou aqui. Espero que não estejam arrumando encrenca por aí, ein.
— Já disse que não aconteceu nada, Draco!
— Está bem, está bem! Mas o que você ia me falar que eu ainda não sei?
— Também não era nada! Quer saber, Draco? Vamos ir trabalhar que ganhamos mais!
— Bem que eu queria que fosse verdade. Um aumento cairia muito bem agora! — Draco dissera seguindo Rony que a passadas largas e pesadas entrou no setor.
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