Perdidos

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Uma nova História de Nick.

Barulho, barulho e mais barulho. As pessoas conversam sem parar, riem alto, falam ao mesmo tempo e mesmo assim parecem gostar disso. Eu não. Nunca fui boa em conversa, nunca me interessei pro joga conversa fora. Passo um dia inteiro sem dizer uma palavra, se precisar, o silencio é bom pra mim. Passo no meio de vários jovens sem ser vista, e sem presta atenção neles, eu não ligo pra suas vidas, roupas ou nada do gênero, não me preocupo com que estão pensando de mim, eu sei que não estou aqui pra isso.

Na verdade a escola é pra mim um escape, um tempo em que fico longe de casa do meu pai da minha avó e do louco do meu irmão. Moramos os quatro em uma casa minúscula de quatro comandos em que sou a única responsável por limpa e manter o mais habitável possível.

—Ei cara- grita um garoto ao meu lado, olho pro lado e vejo Will um dos jogadores, ele estar na maioria das minhas aulas. Ele passa por mim, e o vejo da um aperto de mão em um dos seus amigos – Você sumiu ontem cara, perdeu o melhor da reunião.

Eu continuo andando em direção a minha primeira aula, passo pelo grupo enquanto eles continuam a conversa sobre o que é que eles tenham feito ontem à noite.

Eu não tenho nada a ver com esse grupo, com ninguém nessa escola, eu sou a menina pobre bolsista em uma escola cheia de meninos e meninas ricas que vivem uma vida segura sem ter preocupação nenhuma a não ser com que roupa vim á escola e o encontro a noite.

Eu conseguir uma bolsa através de um concurso de redação em minha antiga escola, não fui nem tão boa assim, mas toda escola tem que ter uma pequena cota e como aparentemente fui a melhor da minha antiga turma vim para aqui. Eu poderia ter recusado mais eu ficaria grata em sair de um lugar em que meu irmão também freqüentava um lugar onde eu era conhecida por ser a irmã do valentão drogado.

Estou aqui a mais de três semanas, e sempre faço a mesma coisa, entro na sala assim que chego, sento e conto os minutos que faltam para que os outros apareçam por aqui. Tiro meu caderno e livro de dentro da minha mochila mais do que desgastadas, e coloco em cima da mesa e mi viro pra frente pra pode olha as horas no relógio que fica bem a cima do quadro.

Faltam três minutos pra que a porta abra e os alunos comecem a entra, seguidos pelo professor de biologia. Começo a contar os números, 60..59...58...57...56...55..

Quando faltam menos de trinta segundos, a primeira pessoa entra na sala, é uma garota que não sei o nome, ela olha pra mim, mas parece não me nota, pois continua rindo e conversando quando suas amigas a seguem. Eu fico em silêncio durante toda aula e as outras que seguem. Não tenho amigos ou amigas aqui e não tenho pretensão nenhuma de ter. Quando passo pelo portão de saída pra ir pra casa, esbarro em alguém sem querer, e acabo derramando o café que a menina carregava molhando-nos duas.

—Desculpa- falamos ao mesmo tempo.

—Droga desculpa não devia estar parada tão perto da porta- fala a garota sorrindo pra mim.

Ela é bonita morena, parece ter minha idade, me recordo de já ter visto ela na escola mais não sei seu nome.

—Desculpa também, devia ter mais cuidado ao abrir a porta- falo pra ela.

Ela sorri mais ainda.

—Vamos fazer aquela coisa de “de quem é a culpa”?

Dou um pequeno sorriso pra ela por cortesia.

—Meu nome é Nicole, mas todos me chamam de Nic. Você é a garota nova ne isso?

Eu me balanço a cabeça que sim enquanto balanço minha blusa para que não gurde no meu corpo pelo café derramado nela.

—E como é seu nome?- pergunta ela.

Eu a olho e percebo o interesse dela em mim.

— Meu nome é Varelle.

—Nossa nunca vir ninguém com esse nome mais gostei é bonito.

Aceno mais uma vez com a cabeça.

—Ei Nic você vai agora? Pode mim dar uma carona vim com Will mais ele parece ter algo pra resolver agora- Fala Harry um garoto que sempre vejo na escola, ele sempre estar com Will acho que ele são todos do time de futebol.

—Sim eu já estou indo, na verdade já estava indo pro carro quando acabei me chocando com Varelle, a garota nova- Nicole se volta pra mim novamente- Varelle esse é meu irmão Harry.

—Oi- digo baixo, acenando pro garoto.

Ele parece se dar conta que estou ali, ele se vira na minha direção.

—Ah, oi- Ele me olha com um sorriso na cara- Você é a gata nova.

Sua irmã rir batendo no braço dele.

— Não liga pra ele- fala Nicole- Ele só pensa coisas idiotas, então só consegue fala coisas idiotas.

—Que coisa idiota, só disse que ela é gata, mais ela é gata não estou mentindo- fala ele olhando pra mim.

Na mesma hora sinto meu rosto esquenta.

—Para estar deixando a garota constrangida- fala Nicole, me deixando com mais vergonha ainda.

— Ta entendi, sou Harry, pra em conhecer você gata- fala sorrindo.

Não sei o que falar só pego na mão que ele estende, mais quando faço isso ele plantar um pequeno beijo na minha bochecha direita.

Nessa hora ouço o som inconfundível da lata velha do meu irmão. Afasto-me de Harry quando ouço meu irmão gritando do carro.

—ELLE- Grita o louco do meu irmão.

—Eu tenho que ir, desculpa pelo café- falo pra Nicole seguindo pro carro do meu irmão.

—Ei espera- Ela fala puxando uma folha, escreve algo lá e me entrega.

—Esse é meu endereço vou dar uma festa da piscina amanhã, vai ser coisa simples se quiser aparecer vai ser ótimo.

Eu pego o papel que ela me oferece e aceno mais uma vez com a cabeça.

—ANDA LOGO GAROTA, NÃO TENHO O DIA TODO- Grita meu irmão novamente.

Corro pra o carro, varias pessoas olham pra mim e pro meu irmão e seu carro que não tem nada haver com os outros carros estacionados ali.

—Desculpa, uma garota esbarrou em mim e acabei derramando seu café- falo me sentando no lado do passageiro e fechando a porta.

—E quem era o riquinho te beijando princesa?- Pergunta o melhor amigo do meu irmão, Green aparecendo sentado atrás no carro. Olho dele para meu irmão que finge dirigir sem ouvir o que estamos falando, mas sei que é mentira.

—Não é ninguém, era só o irmão da menina, ela apresentou a gente só isso- falo olhando pra frente.

Green da risada e se joga no banco.

—Ah sim, pois não gostei nada de ver um cara tocando minha garota.

—Não sou sua garota- falo pra ele.

Desde que tenho 14 anos Green fala como gosta de mim e como sou sua garota, não gosto nada disso. Uma vez ele tentou algo comigo quando estava sozinha em casa mais acertei a cabeça dele com uma panela, meu irmão não pareceu gosta do que ele fez e isso nunca mais se repetiu, mas ele nunca cansa de fazer comentários idiotas.

— Já que estar nessa escola você bem que podia arrumar um riquinho pra liberar uma graninha por alguns favores seus- Fala meu irmão. Green ri novamente.

—Se for algo profissional não ligo não princesa- Fala Green.

Eu olho pra John meu irmão, indignada.

—Estar insinuando que eu me prostitua?- Pergunto.

—Uma boa grana não feria mal, e já que você não curte nenhum dos meus amigos por serem pobres, pensei que os riquinhos dessa sua escola de merda iam estar a sua altura.

Eu entendo sua ironia, ele sempre fala que eu tenho mania de grandeza, só porque não faço viver como ele espera que eu viva.

Eu sempre me senti diferente do meu irmão, meu pai e minha avó. Nunca tivemos as mesmas idéias, nunca cheguei perto de droga e nunca fiz algo ilegal, como eles.

John e eu somos filhos do mesmo pai, mais com mães diferentes, sua mãe era uma viciada que morreu quando ele tinha 2 meses de vida, ai não demorou muito meu pai Paul se casou com minha mãe mais ela também não ficou por muito tempo, quando eu tinha 6 anos vi ela fugindo com o açougueiro da nossa rua, ela saiu depois do café da manhã me deixando sozinha em casa, quando meu pai chegou a noite, quebrou tudo quando descobriu o que aconteceu. Duas semanas depois estávamos todos morando com minha avó uma ex-prostituta viciada que tem como lazer me fazer se senti uma escrava.

—Que papel é esse na sua mão?- Perguntou Green.

Eu escondo o papel rapidamente o colocando no bolso traseiro da minha calça.

Meu irmão vira o rosto pra mim.

—O que estar escondendo Elle?- Perguntou John.

—Nada é uma anotação da ultima aula- falo apressadamente tentando não deixar obvia minha mentira.

— Por que sinto que estar escondendo algo?- falar meu irmão virando o rosto pra mim rapidamente enquanto dirigi pra casa.

Eu suspiro me sentido uma idiota por não conseguir esconder nada dele, nem sei por que estou escondendo o convite dele, nem tem nenhuma forma que eu vá a essa festa.

—Desembucha garota- fala John. Green continua rindo atrás de nós, ele sempre fica assim quando chapado.

—Aquela garota, a que derramou café em mim- Solto devagar- Ela vai dar uma festa da piscina amanhã e me convidou, o papel é o endereço dela. Mas não tem importância eu não vou mesmo.

—Então porque estava escondendo de mim?- Pergunta.

—Eu não sei- digo olhando através da janela.

—Acho que deve ir- fala ele- falo serio quando digo que deveria arrumar um cara nessa escola, é o mais perto que vai chegar desse nível.

— Eu não vou dar um golpe em um garoto qualquer só porque ele é rico.

—E por que não? Você pensa que vai continua sem ajudar em casa por muito tempo, pensa que vai leva a vida como a vadia da sua mãe, que não fazia nada o dia todo a não ser colocando ponta no pai?

—Eu não sou minha mãe- falo com raiva- E eu ajudo em casa eu faço tudo lá só não consigo trabalho de um turno só e você e papai não me deixaram trabalhar na lanchonete da Jô quando ela me ofereceu o emprego meio período.

—Você não ia trabalha pra aquela vaca, que se acha a santa do bairro.

Jô era uma senhora de 50 e poucos anos, ela era muito legal comigo desde quando eu era criança e me mudei pra casa da minha avó, ela sempre me dava roupas que suas filhas não usavam mais. À um mês ela tinha me oferecido a vaga de garçonete mais meu pai e irmão não deixaram eu aceitar o emprego. Jô não escondia como não gostava do meu pai e do meu irmão, certa vez ela até bateu em John quando ele entrou em sua lanchonete aprontando uma, fazendo o que ele mais sabe fazer, ser um idiota.

—Só pensa, posso ir com você na festa- Fala John sorrindo- Podia até experimentar uma daquelas bonecas que tem lá na sua escola.

—Eu não preciso pensar, não vou a lugar nenhum com você.

O silencio se faz até que chegamos em casa, saiu do carro sem dizer mais nada e entro em casa.

O cheiro de cigarro me recebe assim que entro largo minha mochila em cima do sofá velho e sigo pra cozinha, aonde sei que vou encontra minha avó. Não que ela a use pra cozinhar mais ela adora fumar sentada a mesa próximo a uma janela que dar pro fundo da casa.

—Eu cheguei vó- falo pra ela que levanta um olhar pra mim de que não se importa.

Ela é uma senhora de 61 anos, mais sua idade não influencia na sua maldade, percebo em seu rosto traços de uma mulher amargurada, que não teve escolha na vida a não ser se vender pra bêbados e drogados enquanto tentava sobreviver. Ela não gosta nenhum pouco de mim, ela odiava a minha mãe por tudo que fez com meu pai, então ela passava os seus dias fazendo o possível para que minha vida fosse um inferno.

—Seu irmão te trouxe?- pergunta ela.

—Sim- falo abrindo a geladeira para pegar um pouco de água.

—Você que quis estudar naquela escola de riquinhos, então você que arrumasse um jeito de volta pra casa, não alugaria seu pobre irmão.

Ela Criou John desde que ele nasceu, eu nunca os tinha visto antes de vim mora aqui, quando cheguei John já era seu pequeno garoto, e eu a filha da vagabunda que arrasou o coração do meu pai.

Não preciso responder não a nada que diga que a faça tira uma ideia ruim sobre mim de sua cabeça.

—Eu não me importo vó, é até divertido ver aqueles riquinhos me olhando com cara de medo.

Minha avó ri seus olhos brilhando com carinho quando olha pra John.

—Só você garoto pra dizer esse tipo de coisa.

John ri novamente e caminha em direção a geladeira parando ao meu lado, ele pega o vaso de água da minha mão que pretendia beber e leva a boca bebendo longos goles.

— Ainda mais se não fosse buscá-la, nunca ficaríamos sabendo que a garotinha aqui estar fazendo sucesso na nova escola- Fala John.

Fico tensa na mesma hora.

—Como assim- pergunta minha avó.

—John- Sussurro pedindo pra que ele não continue com aquilo, mas ele me ignora.

— Hoje achei um garoto beijando ela, e agora ela tem um convite pra uma festa na piscina.

Minha avó me olhando buscando mais algum tipo de informação.

—Que tipo de beijo?- pergunta ela- E quem era o garoto?

Decido dizer alguma coisa rápido antes que meu irmão aumente ainda mais a história.

—Eu esbarrei hoje em uma garota, Nicole, ai ela acabou derramando café em nós duas, ai seu irmão chegou e ela nos apresentou. O que John viu foi um beijo no rosto nada demais, e depois ela me convidou pra ir em sua festa na piscina amanhã, mais eu não vou.

Minha vó olha pra mim, e percebo que estar pensando em algo.

—E porque não iria?- fala ela- Seria muito bem que arrumasse um garoto com dinheiro, talvez essa sua nova escola seja o melhor que você poderia fazer.

— Foi isso que eu falei pra ela- fala John dando um passo pra frente confirmando com a cabeça- Por isso que eu te amo vó você pensa como eu.

Minha vó ri novamente amando o comentário idiota do meu irmão.

—Eu te treinei bem- Responde ela.

Para piora a situação meu pai atravessa a porta da frente bêbado como sempre, ele é outro que não suporta olhar pra mim, ele diz que meus cabelos loiros o lembram da minha mãe.

—E ai pai- Fala John, abrindo denovo a geladeira pra pegar uma cerveja. Incrível nessa casa falta comida mais não falta cerveja.

— E ai...ai... meu garoto- Fala meu pai enquanto tropeça pra dentro de casa.

—Tenho novidades sobre a sua filhinha- fala minha avó- Talvez ela seja o nosso bilhete de loteria.

—Do que é que você estar falando- pergunta meu pai tendo muito interesse, olhando pra mim.

—Ela estar chamando atenção na nova escola e lá tem garotos de família muito rica, e ela até foi convidada pra uma festa amanhã.

—Eu não estou chamando atenção, em três semanas foi a primeira vez que alguém falou comigo.

Minha vó olha pra mim como se eu fosse burra.

—Ninguém convida ninguém pra uma festa, a não ser que a ache remotamente interessante. E por mais que eu não queria admiti aquela vaca da sua mãe era bonita e você com esses cabelos e olhos chamam muita atenção

Lembro-me do tal Harry dizendo que eu era gata.

—Eu não vou a está festa- falo ,mais ninguém parece me ouvi.

— Eu que o diga, estou cansado de ouvir meus amigos falando como queriam traçar minha irmã.

Encolho-me com esse comentário.

—Então o seu plano é que ela der um golpe em algum garoto rico- Pergunta meu pai.

— Isso ai- Fala minha Avó.

Olho pra todos na cozinha chocada.

—Eu não vou fazer isso, nem vou naquela festa amanhã, não vou me vender por dinheiro.

Mal termino de fala e meu corpo é prensado nos armários pelo meu pai que paira em cima de mim fervendo de raiva.

—Você faz o que mandamos e na hora que quisemos, então é isso que você vai fazer vai trazer dinheiro pra essa casa, e não estou falando de mixaria.- Ele fala e eu só consigo olhar pra ele atônita.

—E amanhã você vai aquela festa comigo- fala meu irmão bastante serio.

Eu olho do meu irmão para o meu pai, e por ultimo pra minha avó.

Eu aceno com a cabeça.

—Ta bom eu vou- falo baixinho.

Meu pai me solta e eu me afasto andando de costa em direção ao meu quarto que divido com John.

— Mais tente não ser tão esquisita, precisa conversar com os garotos- fala minha avó.

—Eu estarei lá para guiá-la- fala John.

Assim eu fecho a porta do quarto me fico lá até que meus pensamentos de ódio contra minha família diminuam.

Notas finais
Espero que gostem comentem e recomendem.
vamos nessa.