Percy Jackson e os Olimpianos A Vingança da Víbora

11 Encontramos alguns amigos e viajamos no deserto


Notas iniciais
Participações novas! Uhuul!

Quando acordei, era de manhã cedo ainda, por volta das seis ou sete horas. Percy dormia ainda, o cabelo bagunçado, cheio de penas de galinha, mas era lindo. Afaguei seus cabelos, com ternura. Alex já estava dirigindo, de noite havia feito uma pausa, mas para nossa sorte, não veio verificar as galinhas. Cole não acordara sequer uma vez, o que deixara Alex com um humor mais tranquilo. A manhã era silenciosa, tirando pelo som da caminhonete e das galinhas eufóricas, o sol suave iluminava a estrada deserta, eu gostava. Sentei-me, mesmo temendo que Alex me visse, mas não viu, os olhos estavam fascinados com a manhã bonita. Estávamos atravessando o rio quando Percy acordou, minhas mãos ainda acariciavam seus cabelos, ele sorriu. Chegou bem perto de meu rosto e sussurrou em meu ouvido:

– Bom dia, Sabidinha.

– Bom dia, Cabeça de Alga.

Ele é insensível! Como pode ceder, Annabeth? Gritava Atena em minha mente. Fiz uma careta.

– Cale a boca! — quando percebi, tinha dito em voz alta, Percy me puxou para baixo, mas Alex, se ouviu, não demonstrou.

– O que foi que eu fiz? — perguntou Percy, franzindo o cenho.

– Ah, você não... é que... — franzi a testa — Atena está me deixando irritada.

– Ah. — disse Percy, depois fez uma cara de cãozinho abandonado.

– Poseidon não tem falado com você ultimamente, né?

– Não... — disse ele, contraindo os lábios. — A última vez que tive algum sinal dele foi em Long Island, quando ele me mandou Arco-Íris.

Eu assenti, senti uma pontada de dor na perna rasgada, olhei para minha perna direita e franzi o cenho. Sério que aquilo ainda doía?

– O que foi? — perguntou Percy, analisando minha expressão.

– Ehn...? Ah, não é nada... quer dizer, é a minha perna.

– Está doendo? — ele disse, pegando minha mão.

– Não muito. — eu disse, tranquilizando a expressão, mas ele continuou olhando minha perna de testa franzida. — Já disse que fica uma gracinha quando está preocupado?

– Já. — ele riu e desviou os olhos.

Passamos algumas horas conversando sobre músicas, livros e campistas. Já deveriam ser dez horas da manhã, chegamos a uma fazenda, Alex acordou Cole, com dificuldade. Percy e eu pulamos para fora da picape, estávamos em algum lugar menos deserto, uma escola, uma igreja e a fazenda era tudo que podíamos ver. Só haviam no máximo dez pessoas andando por ali. Percy e eu nos escondemos atrás de um arbusto na entrada da fazenda, Alex e Cole levaram as galinhas e fecharam os portões.

Pulamos de pé e olhamos em volta.

– Hã — disse Percy, nervoso — onde vamos agora?

Então avistei uma figura conhecida, um garoto pálido, de mais ou menos quatorze anos de idade, os cabelos e olhos negros e usava roupas pretas. Ele vinha de um cruzamento, em nossa direção. Fui até ele e o abracei.

– Nico — disse Percy, quando o garoto parou em sua frente.

– E aí? — disse ele, a voz rouca, mas bonita.

– O que está fazendo aqui? — eu perguntei.

– Thalia me mandou para cá, para que pudesse acompanhá-los até Vancouver, ela tem um plano, mas insistiu que contaria quando chegássemos lá.

– Ah, então... para onde vamos? E como? — perguntou Percy.

– Estamos em um cruzamento na Avenida Maryland e a 125th Avenida. Temos que descer toda a 125th e virar no sentido oeste da Bethany Home Rd. Trouxe, hã... Alguns amigos que podem ajudar.

Antes que eu pudesse perguntar, Blackjack, a sra. O'Leary e Tyson apareceram da Maryland, corri até Tyson e o abracei. Tyson abraçou Percy tão forte que quase o esmagou. Eu estava tão feliz, radiante, por vê-los. Percy parecia com um pouco de repulsa, eu sabia da história dele com Nico, mas não podia ser por isso. Cocei as orelhas da sra. O'Leary. Eu e Percy montamos em Blackjack e Nico e Tyson na sra. O'Leary. Nico foi na frente, eu e Percy no alto, um pouco atrás, seguindo Nico.

– Também senti sua falta. — Percy falava com Blackjack, acariciando sua crina.

O sol iluminava as casas com sua luz matinal, devo dizer que viajavamos no meio da Avenida 125th, já que estava deserta, o que estranhei, mas lembrei que estávamos praticamente no fim do mundo, o lugar quase não tinha comércio ou casas. A sra. O'Leary acelerou um pouco, Blackjack seguiu seu ritmo. Não viamos nada, só estrada, mas continuamos até o bairro Bethany Estates South. Viramos na Bethany Home Rd, entramos no Dreaming Summit, já iamos virar na Camelback Rd, mas descemos na Norte Litchfield Rd, no Litchfield Park, porque avistamos um restaurante e Blackjack já cedia ao cansaço, a sra. O'Leary não parecia tão cansada, mas era afetada pelo sol excessivo, e descansou com Blackjack, do lado de fora do restaurante, no estacionamento.

O exterior tinha uma cor creme, haviam três residências, um salão, um depósito e a lanchonete, entramos no do meio, a lanchonete. Uma placa amarela e vermelha estava escrito Ground Control: Coffee, Wine, Gelato. Bem esperto, as cores vermelho e amarelo despertam fome nas pessoas, por isso Mc Donalds, Pizza Hut, Bob's e Burger King tem estas cores. Seu interior era até bonito. As luminárias do teto eram interessantes, tinham formato de guarda-chuva, e no centro pendia um cano branco com uma lâmpada. Devo comentar que o lugar tinha muitas bebidas alcoólicas. Estantes com garrafas por todos os lados, caixas com garrafas de vidros. No centro havia um balcão circular, neste só havia cafés. Cafeteiras, pós de café, grãos de café, filtros de café, muitas garrafas e copos de café, dois computadores e duas balconistas. Nas paredes do lugar, que eram brancas, eram espalhadas pinturas coloridas em quadros. As janelas eram grandes. No canto havia outro balcão, esse para bebidas alcoólicas, com cadeiras finas ao redor.

Nico e Percy se dirigiram até as balconistas enquanto eu apreciava o lugar. Uma rádio tocava Panic! At The Disco — I Write Sins Not Tragedies, tá, agora adivinhe o porque eu conhecia essa música. Eu ri comigo mesma. Tyson também admirava o local.

– Hã... — Nico ficou confuso.

– Annabeth, Tyson, o que vão querer? — perguntou Percy.

– Hã... café...? — eu disse, boiando.

– Eu também quero isso. — disse Tyson.

Percy riu, se virou e falou algo para uma das mulheres, que era baixa, morena, olhos chocolate e cabelos de cor semelhante.

Acho que Nico também conhecia a música, porque balançava a cabeça suavemente no ritmo da música. E então começou a tocar My Chemical Romance — Welcome to the Black Parade. E deixe-me adivinhar, Nico gostava desta música, hã... você só precisa ver o clipe para saber o porque. Percy e Nico, virados para o balcão, cantarolavam a música, se balançando. Eu ri, baixinho desta vez.

Nico se virou, estava com dois copos nas mãos, colocou um em minha mão e esperou Percy, que colocou um café na mão de Tyson e pegou outro para ele. Então fomos até uma mesa de madeira, sentei-me em um sofá grande que tinha uma forma que se encaixava com as colunas atrás. Percy sentou-se do meu lado, Nico do outro.Tyson sentou-se do lado de Percy. Tomamos os cafés em silêncio, compramos alguns donuts para a viagem, Percy jogou um para Blackjack e outro para a sra. O'Leary. Nico guardou um pacote na mochila (que só agora eu tinha notado que ele levara) e Percy guardou outro na sua.

Então saímos e voltamos a viagem. Viajar por aquelas estradas desertas e ensolaradas me lembravam da música Na Na Na de My Chemical Romance, não ria. Tá, quanto mais eu ficava com Percy, mais eu pensava em músicas... e no mar. E agora, com ele me abraçando, seu cheiro de mar me dominando, eu me sentia mais que confortável.

Viramos na Camelback Rd, acho que nunca estive em lugares tão desertos quanto aquele, pareciamos que iamos do nada a lugar nenhum, tudo o que eu podia ver eram montanhas e árvores a nossa frente. Ficamos um bom tempo viajando, entramos na estrada que era mais deserta ainda. Então algo apareceu em nossa frente... um Leão de Neméia. A sra. O'Leary parou tão bruscamente que podia ter arranhado as patas.

– Ah, droga! — gritou Nico, furioso.

O Leão esperou, como se não quisesse nos matar, mas só nos testar. Blackjack nos deixou no asfalto e voou para longe, como de costume. A sra. O'Leary rosnava, e preparava as presas para abocanhar o Leão de Nemeia, mas eu sabia que não funcionaria, já que a pele do leão é invulnerável.

Nico tirou sua espada da bolsa (não faço a mínima ideia de como coube lá), refletindo o brilho preto em seus olhos, e apontou para o leão, mais como defesa do que ataque. A sra. O'Leary estava prestes a avançar, mas Nico gritou:

– Fique! — ela não teve escolha a não ser obedecer.

Percy exibiu contracorrente e apontou a lâmina para o leão. Eu tirei as facas e curvei um pouco os braços, pronta para espetar.

– Isso vai ser fácil. — disse Percy, em tom sarcástico. Como se lembrasse de uma cena. — Annabeth, pegue os donuts.

A princípio pensei: Pra que diabos os donuts vão servir? mas então raciocinei e abri a bolsa enquanto Nico e Percy distraiam o leão, brincando de espetá-lo, Tyson acalmava a sra. O'Leary. Peguei o pacote de donuts e joguei um para o leão que abriu a boca e engoliu, mas não em tempo suficiente para que Percy ou Nico pudessem furá-lo. Vi, pelo canto do olho, Tyson aproximando-se furtivamente do monstro, pronto para pular e agarrar seu pescoço, entrei em desespero, eu queria gritar para que ele saísse dali, mas eu sabia o que tinha que fazer: Eu tenho que distrair esse leão.

Eu hipnotizava o leão, balançando um donut em sua frente, então joguei três. Tyson pulou e agarrou o pescoço do leão, com força. Percy e Nico, espetaram o Leão de Nemeia ao mesmo tempo, na boca, com perfeição. Ele se desfez em uma pele de leão, como a que Heracles usara em uma história.

– A quanto tempo não vejo um desses. — disse Percy, sarcástico, enquanto pegava a pele do leão.

Nico ergueu as sombrancelhas.

– Tá, isso foi mesmo fácil.

Então aconteceu o que eu temia. A névoa começou a se formar.

– Percy! O anel! — eu gritei. Esperava que ele entendesse o que eu quis dizer.

Nico estava perto de mim, eu corri e peguei seu braço, apertei tão forte que ele gemeu. Coloquei o colar na nossa frente e uma barreira azul e transparente se formou em nossa frente, espantando a névoa, pude ver Percy com Tyson e a sra. O'Leary, fazendo o mesmo.

A névoa foi embora, graças aos deuses funcionou. Engoli um grito de euforia e medo.

– Hã... Acho que já pode soltar meu braço. — disse Nico, a expressão confusa.

– Desculpe. — eu disse.

– O que, realmente, aconteceu aqui?

– Bom, aquela névoa maluca e esquisita pode te ferir, o meu colar e o anel de Percy a detem, mas só temos um colar e um anel, achei que não funcionaria, mas funcionou.

Ele ergueu uma sombrancelha.

– Blackjack, já pode voltar! — gritou Percy.

Então depois de alguns segundos, Blackjack voltou, tocou os cascos no chão e veio até Percy, trotando. Encarou cada um de nós, e se virou de lado, esperando que montássemos nele. Percy montou no pégaso e me ofereceu a mão, a segurei e subi em Blackjack. Nico subiu em sra. O'Leary e teve que dar um tapinha na cabeça de Tyson, para que ele saísse do estado de transe e montasse no cão infernal.

Continuamos a viagem, vimos um carro verde, o motorista nos olhou de testa franzida, mas voltou os olhos para a estrada. Então já surgia mais árvores com folhas na copa e cruzamentos. Viamos alguns postes de fios elétricos, e uma abertura para um túnel, apareciam mais residências e carros, o que me deixava mais esperançosa. Eu conseguia ver um rio do lado da estrada, o que não poderia ver se estivesse em solo, por causa das plantas que agora a ladeavam. Eu sentia que o sol sugava toda a minha energia, eu estava ficando cansada, peguei a garrafa de néctar na bolsa e tomei um gole, sim, a garrafa ainda estava pouco mais avançada que a metade.

Agora viamos canos e hortas, um lago bem fino e rente a estrada, carros e pareciamos estar bem mais perto das montanhas, eu podia vê-las com mais nitidez. O céu estava mais nublado, como se fosse cair uma chuva, rezei para Zeus que não chovesse. Então depois de alguns minutos, o céu clareou de novo, um azul profundo. Passamos por algumas fazendas, descemos na N Citrus Rd e cruzamos na Indian School Rd, parecia que nunca chegariamos a nada. Passamos pelas montanhas, uma escola... Coloquei a cabeça no ombro de Percy e gemi.

– Tudo bem? — ele perguntou, puxando minha mão para a frente de seu corpo.

– Parece que nunca vamos chegar em nada. — ele não tentou me animar, provavelmente porque pensasse o mesmo. Passavamos por casas simples, escolas... mas o que eu queria era chegar na cidade e pegar um metro direto para San Francisco. — Ahn... Nico.

– Sim? — disse ele, com tranquilidade.

– Onde estamos? — ele olhou para algo em sua mão, não pude ver o que era.

– Estamos entrando em Blythe, California.

– Deuses... Isso é possível? — murmurei.

– Espera só chegar a noite — disse ele, irônico.

Percy estava com a mente distante, olhava para o horizonte, os olhos verde-mar voltaram-se para mim quando perceberam meu olhar. Eu sorri e pousei a cabeça em seu ombro novamente.

Notas finais
Não consegui me conter, tive que colocar o Nico na história, porque ♥ ne