Percy Jackson e os Olimpianos A Vingança da Víbora
12 A deusa da sabedoria não é tão sábia
Notas iniciais
POV. THALIA
Eu, Artémis e as caçadoras, passamos um tempo em Vancouver, caçando os monstros e observando a movimentação crescer. Eu vi muitas coisas estranhas, ao vivo e em sonhos, ouvi coisas estranhas, e não pude entender muita coisa. Pouco depois de Percy e Annabeth partirem, chegamos no Acampamento Meio-Sangue, mas nosso único objetivo não era contatar os dois. Mandei o Nico e Tyson atrás deles, para que pudessem ajuda-los a chegar em Vancouver. Contatei Zeus, para que cedesse ao menos uma vez. Mas a verdade é que eu tenho um plano, você também só saberá quando a hora chegar, sinto muito por isso.
Eu estava na sala da Casa Grande, com Artémis, sentada ao meu lado, Quíron no outro sofá e as caçadoras e alguns campistas amarrotando a sala.
– Nico já entrou em contato? — perguntou Quíron.
– Não, mas acho que se estivessem com altos problemas, já teriam contatado. — disse Artémis, calma.
– Confio em Nico. — eu disse. — E Tyson, Blackjack e a sra. O'Leary estão lá para ajudar.
Quíron relaxou a expressão.
– Eles são inteligentes, já saíram em outras missões, vai ficar tudo bem. — ele disse. Eu ri bem alto. Todos me olharam como se tivesse feito algum gesto obsceno. Fala sério! Quíron deveria dizer aquilo para si mesmo. Então suspirei e parei de rir.
– Tudo bem, estão liberados. — disse Dionísio, que nem prestara atenção na conversa um minuto sequer, tudo o que queria era distância daquele bando de crianças, eu sabia que era assim que ele pensava. Quíron permaneceu calmo. Eu detestava isso, ele nunca brigava com ninguém, ele sempre tinha que ficar calmo e deixar que tudo se resolvesse sozinho.
Os campistas saíram da Casa, eu fui junto. As caçadoras não gostavam de ficar no acampamento, com rapazes, e os filhos de Ares começando uma briga o tempo todo. Vinham reclamar comigo ou com Artémis, mas repetiamos todas as vezes "É necessário", "Só mais um dia" ou coisas do tipo, eu já estava cansada daquilo.
Eu sentia saudades de Percy e Annabeth. Caminhei até meu chalé e me isolei lá. Olhava o painel de fotos na parede, algumas fotos de mim, Luke e Annabeth quando crianças. Outras mais recentes, eu e Percy, eu e Annabeth, eu e as caçadoras e a minha favorita... Eu, Percy, Annabeth, Grover e Nico, em uma vez que passeamos juntos em Manhattan.
Ouvi o som de cascos trotando, Grover bateu na porta.
– Pode entrar Grover! — eu disse, me levantando.
– Hã — ele disse, colocando a cabeça dentro do Chalé — tem alguém querendo ver você.
Franzi o cenho e o segui até a Casa Grande.
Uma mulher esperava ao lado de Quíron, na varanda. A mulher tinha belos cabelos escuros e cacheados, usava uma armadura (embora não estivesse em uma batalha ou com armas) por cima de uma túnica branca e comprida, seus olhos leitosos, eram antigos e sábios, azuis e cinzentos.
– Atena. — eu disse, me sentindo meio estúpida, porque era óbvio. A deusa sorriu, triunfante.
– Aí está você irmãzinha. — ela disse. — Vamos dar uma caminhada.
Ela desceu da varanda e parou do meu lado, depois começou a andar, lentamente, eu a acompanhei.
– Eu sei que tem um bom plano para derrotar a víbora. — ela murmurou. — Você é uma garota inteligente, Thalia. Diferente do filho de Poseidon. — ela disse, com repulsa e nojo nas palavras.
– Olhe, não estou tentando ser melhor que ninguém, Percy é meu amigo.
Ela suspirou, inconformada, como se já tivesse ouvido aquilo muitas vezes.
– Mesmo assim... Eu sei que incluiu Percy em seu plano, e o achei bom, mas quero que me faça um favor...
– Que favor? — perguntei, emburrada.
– Elimine Percy Jackson.
– O quê? Você é louca! Maníaca! Eu não vou matar Percy! — a raiva dentro de mim explodiu. Eu estava gritando com uma deusa. Ela pareceu incomodada e olhou para os lados, provavelmente desejando que niguém tivesse escutado.
– Não quero que mate o garoto, quero que elimine. — sussurrou ela.
– Não! — eu gritei.
– É só por um tempo, quando isso acabar, pode trazê-lo de volta. E eu lhe contaria algumas coisas sobre Luke em troca. — ao ouvir o nome, paralisei.
– Mas Luke morreu. — ela deu de ombros.
– Talvez sim, talvez não...
– Mesmo assim, Percy é meu amigo! E eu preciso dele!
– Bom... achei que gostaria de saber das coisas que tenho para contar... pode ajudar.
Eu fechei os olhos, tentando me acalmar, mas só serviu para lembrar de tudo o que ela havia dito, e me deixar mais furiosa. Abri os olhos, um raio atingiu a deusa. Eu fiquei apavorada com o que tinha feito. Ela se levantou, furiosa. E então me olhou nos olhos.
– É isso mesmo o que você quer? Vou deixá-la pensar.
Eu tapei os olhos com as mãos, quando os abri de novo, Atena havia desaparecido.
Corri para meu chalé e empunhei Aegis, depois corri para o lago e me joguei, de roupa e tudo. Sai e me encostei em uma árvore, abaixei a cabeça nos joelhos.
Aquela era mesmo Atena? A deusa da sabedoria não estava sendo sábia. E o que ela havia dito sobre Luke? Ele estava morto, certo? O pior é que eu sentia que teria que fazer o que Atena solicitara, de uma forma ou de outra, mas como eliminaria Percy? Ah deuses, não acredito que acabei de pensar nisso! Ivoluntáriamente, comecei a soluçar. Esfreguei as lágrimas que escapavam com as mãos. Levantei-me e chutei Aegis dentro do lago, para mim ele era inútil naquele momento, e um presente de Atena...
– Thalia? — chamou Will Solace, o rosto com uma estampa de preocupação. — O que houve?
– A deusa... — foi tudo o que consegui dizer. Esfreguei os olhos, borrando todo o lápis de olho.
– Atena? O que ela fez?
– Não posso falar mais sobre isso! — eu disse, desesperada.
– Tudo bem... hã, mas você pode pegar uma gripe assim.
Dei de ombros e fiz uma expressão de indiferença.
– Venha. — ele disse, me puxando por um braço.
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