Percy Jackson e os Olimpianos A Vingança da Víbora
10 Carona com galinhas e festival de músicas
Notas iniciais
Confesso que eu ri muito ao escrever esse capítulo, escutando Bon Jovi.
No meu sonho, eu estava em uma linda floresta, com cataratas de água salgada, pinheiros, rochas e rios. Eu podia ver a praia por entre as árvores, ao longe, o sol do dia nublado deixava tudo ainda mais bonito. Luke andava em minha direção, vinha da praia.
– Olá, Percy. — então sorriu, um sorriso sincero, aquele mesmo que eu via antes de ele decidir destruir o Olimpo. Luke usava uma calça jeans azul, blusa branca (como a que usava no dia que morreu, mas sem manchas de sangue), e andava descalço. A cicatriz em seu rosto estava bem fraca, que eu só consegui perceber quando ele se aproximou. A pele estava bronzeada, os olhos mais azuis, o cabelo estava mais comprido e bagunçado pelo vento.– O-oi... — consegui gaguejar.– Este é meu lar. — disse ele, com entusiasmo e abriu os braços, apresentando a ilha.– O que está fazendo em Vancouver?Ele contorceu os lábios, pensativo. – Não sei. Eu apareci do nada.– Você está vivo? O que aconteceu? — eu me sentia estúpido fazendo tantas perguntas, mas era a minha chance de saber.– Não sei se estou vivo ou se sou um fantasma, se é isso que pergunta. Eu estive empatado no julgamento, não fui para o Tártaro, mas nem para o Elísio. Então, do nada, apareci aqui. — ele contou, fazendo uma careta ao lembrar.Mas que brincadeira era aquela? Ele empatou no julgamento? Existe isso? Por que Hades o mandaria de volta? Quem era o responsável por aquilo?– Hã... Thalia sabe disso?– Não — disse ele, sentou em um tronco de árvore caído e abaixou a cabeça. Sentei do seu lado e olhei para o lago, como se ele pudesse refletir meus pensamentos. — Equídna. — foi só isso o que eu disse, esperando que ele dissesse algo sobre ela.– Pouco depois que eu vim para cá... Inquietações surgiram pela floresta, ataques a viajantes e animais, troncos se partindo e... — ele se interrompeu, engolindo em seco. — o mar...– O que tem o mar? — perguntei, alarmado.– Um redemoinho, quero dizer, um redemoinho imenso. Era muito fundo, eu pude ver daquela distância. — ele disse, ao apontar para uma rocha distante. – Eu sei o que aconteceu. — eu disse. Luke me olhou alarmado. — Equídna abriu passagem para o mundo vivo com as próprias mãos... Nico di Angelo teve uma convulsão.Ele suspirou, apavorado.– Percy... ela quer o seu sangue... ela quer utilizá-lo para fortalecer seu templo, que será sua fonte de força... Ela queria que eu traísse vocês... de novo. — ele disse essa última parte relutante. – E você vai?– Não... e ela vai me matar.– Em cinco dias...Luke me observou, por um instante. Seus olhos azuis pareciam tão frágeis, a ponto de quebrar a qualquer momento. Eu não me lembrava da última vez que tive uma conversa particular e civilizada com Luke. Eu queria perguntar se ele voltaria para May Castellan, mas não queria levantar o assunto, isso só traria tensão. Acordar com o som de um bebê chorando não era o que eu queria, mas quando se está num lugar público, é inevitável... Annabeth ainda estava me abraçando, dormindo, acho, mas quando tirei a mão de seu corpo, ela disse:– Bom dia Cabeça de Alga. — eu ri.– Bom dia Sabidinha. Que horas são?– Dez horas — ela disse.Olhei pela janela, passavamos por uma cidade ensolarada e não muito movimentada.– Mindland, no Texas. — explicou Annabeth — Mais ou menos em duas horas estaremos no Arizona..– Uau. — foi tudo o que eu consegui dizer. Já haviamos voado por Nova Jersey, Carolina do Sul, Georgia, Alabama, Tenessee, Mississippi, Louisiana, e estávamos saíndo do Texas, para Novo México, que não era tão grande e era o único estado que faltava para chegarmos no Arizona. Uma nuvem de chuva (é isso mesmo, uma nuvem de chuva) trouxe algumas comidas azuis para nós, sorrimos. Depois de alguns minutos, contei a Annabeth meu sonho, em que encontrei Luke na Ilha de Vancouver. Ela ficou boquiaberta então quando se recuperou, disse:– Equídna era conhecida por atacar muitos viajantes. Ela morava em uma caverna, na Síria ou no Peloponeso, deve ter encontrado alguma legal em Vancouver. – Ah.Olhei pela janela de novo, já estavamos no Novo México, e estava chovendo. Annabeth pousou a cabeça em meu ombro e fechou os olhos. Senti os olhos das pessoas em nós. Provavelmente pensavam que eramos namorados, hã... eu não sabia bem o que dizer da minha relação com Annabeth, óbviamente, eramos mais que amigos, mas também não eramos namorados... eu acho. Ela me deixava muito confuso. Ficamos um bom tempo em silêncio. Até que Zeus nos avisou pelos alto-falantes que já iriamos pousar. Olhei para baixo, estávamos pousando em um aeroporto, uma placa o identificava como Aeroporto Internacional Phoenix Sky Harbor. Andamos na via Leste Sky Harbor Blvd até o centro da cidade, o sol estava bem forte, comum para Phoenix. Pegamos um ônibus até o Van Burest Estação de Metro. A rádio que tocava no ônibus, era um noticiário, e dizia que os moradores de algumas cidades da Ilha de Vancouver viam movimentações estranhas na natureza, ataques a viajantes... Eu e Annabeth nos olhamos.
Quando chemagos na estação de metro, pegamos um metro que ia para a Avenida Montebello. Ficamos calados por um tempo, eu esperava que algo nos atacasse, mas nada acontecia. Annabeth mudava de expressão tão rápido que parecia que sua mente estava em guerra, me perguntei se ela conversava com sua mãe. Ao pensar nisso, lembrei-me que a última vez que vira Poseidon já fazia três meses. A agitação de batalhas voltara a Atlântida, deveria ser por isso.Adormeci no banco.POV. ANNABETHMinha mãe falava em minha mente, me deixando irritada, na maioria das vezes. Mandava comentários sujos sobre Percy, Poseidon e tudo o que ela não gostava, eu queria mandá-la calar a boca, mas iria parecer uma idiota falando com o nada. O sonho que eu tive com ela naquela noite, a conversa não fora nada agradável, ela fazia ameaças para Percy, e pedia que eu não me aproximasse mais, mas era inevitável. Atena as vezes parecia mais Ares do que ela mesma, quando se tratava de Poseidon então... mas o que os fizera ter tanto ódio assim? Uma única disputa por Atenas? Já haviam passado mais de um milênio, eles não poderiam entrar em um acordo? O pior de tudo é que ela descontava a raiva em Percy, Poseidon nunca me fizera nenhuma ameaça. Ás vezes, os deuses pareciam mais humanos ainda, Atena era a deusa da sabedoria, mas nem sempre ela foi tão sábia, nem justa (desculpe por isso, mãe), como quando criou o concurso de beleza que provocara a guerra entre Tróia e o governo da Grécia. O modo como Zeus agira, tornando-se piloto de avião, era estranho para um deus, ele dera o braço a torcer para Thalia e Atena, mesmo sendo o senhor dos céus. Zeus e Poseidon também tinham uma rixa terrível, Atena o fizera ceder, por que ela não cedia também? Abri os olhos, Percy dormia como um bebê no banco, a cabeça encostada na janela. Suspirei baixinho. Ele é machista e desonesto! dizia Atena, em minha mente, mas eu não sabia se ela falava de Percy ou Poseidon, decidi ignorar, coloquei minha mão na de Percy e encostei a cabeça em seu ombro. Acordei alguns minutos depois que Percy, ele ficou em silêncio. Eu estava preocupada, ele pareceu mal-humorado há um tempo, quero dizer, seu sarcasmo excessivo parecia guardado em um baú empoeirado. Em partes eu me sentia culpada. Eu queria beijá-lo, mas não seria legal fazer aquilo sem nenhum clima antes e agarrá-lo em um transporte público. Atena bufava em minha mente, ás vezes eu tinha que olhar para os lados, para me certificar de que não havia nenhum cachorro dentro do metro.Percy cantarolava algo como "To be hurt, to feel lost, to be left out in the dark...". Saimos no final da Avenida Montebello, Percy ainda cantarolava Simple Plan e observava o lugar a sua volta, como se só agora tivesse reparado que saímos do metro. Então me lembrei.– Hã... Percy, acho que não temos dinheiro suficiente para alugar um quarto. Ele passou as mãos nos cabelos e uniu as sombrancelhas.– Ah, deuses...– Como vamos continuar a viagem? — perguntei, mas me senti culpada. Essa pergunta só serviria para deixá-lo mais nervoso.Ele deu de ombros, e me puxou pelo pulso. Andamos no sentido Avenida 55 Norte e viramos na Bethany Home Rd, sem fazer nem ideia de onde iriamos chegar com toda aquela caminhada. Passamos pelo Bonsall Park Sul e Norte, pelo Shopping Center Plaza Sixtyseven, andamos tanto, cansamos e bebemos um pouco de néctar, então as ruas ficaram desertas, o céu estava escuro, e não sabiamos mais o que fazer. Então ouvimos dois homens conversando, enquanto descansávamos na calçada. – Essas galinhas não vão fugir, rapaz? — perguntou um homem de pele morena, cabelos pretos e olhos escuros, usava um chapéu de palha, camisas xadrez e calças esfarrapadas, parecia que ia para alguma festa tipica. Ele fumava em cima do outro, que tentava disfarçar a intoxicação.– Eh... Não vão não. — respondeu. Tinha os cabelos bagunçados e compridos, de um tom não tão claro de loiro, os olhos eram bem azuis como os de o céu de uma tarde sem nuvens, por um instante ele até me lembrou o Kurt Cobain. Suas roupas eram esfarrapadas, moletom velho e calças detonadas. Os dois estavam encostados em uma caminhonete azul ford antiga. A caçamba era fechada de todos os lados, haviam umas cinco galinhas no minimo.– Está bem, vamos para Falcon View, pela Avenida Glendale, você dirige. — disse o moreno, o loiro assentiu e abriu a porta do motorista e sentou no banco, o outro foi para o banco do passageiro. Percy puxou meu braço e eu já sabia o que ele estava pensando, embora não gostasse muito da ideia, mas era a nossa melhor opção. Andamos furtivamente até a caminhonete, enquanto os dois discutiam algo e reviravam um mapa várias vezes.– Cole, é este o caminho certo! — disse o louro, apontando para o mapa.– Ah, Alex, é aquele ali! — disse Cole.– Se formos pegar este caminho chegaremos em dois mil e cinquenta, e chegaremos em Maryvale e não Falcon View.– Está bem! — disse Cole, embora estivesse emburrado ao ceder.Percy subiu na caçamba e depois me puxou. As galinhas se agitaram, mas não nos atacaram, nos deitamos e cobrimos com uma lona que estava lá. Alex olhou para trás, unindo as sombrancelhas, mas depois relaxou a expressão e voltou-se para o volante. – Está esperando o quê? — perguntou Cole, ainda nervoso.Alex não respondeu e deu a partida, a caminhonete era barulhenta. Eu ri baixinho, e Percy fez o mesmo. Então ele me abraçou, eu ia beijá-lo, mas uma galinha louca resolveu nos atacar. Rimos mais, Alex e Cole não escutaram, o barulho da caminhonete abafava nossos risos e o barulho das galinhas. Cole ligou o rádio e começou a cantar junto com a música que tocava, OneRepublic — Counting Stars. "Lately I've been, I've been losing sleep, dreaming about the things that we could be..." Ele cantava tão mal que ás vezes Alex desviava os olhos da estrada e o encarava, franzindo o cenho. Eu e Percy riamos muito, Percy cantava junto e eu ria.Enquanto Cole se confundia com a letra, Percy sabia de cor. "Everything that kills me makes me feel alive...". Riamos tanto que meu estômago doia, Atena já havia desistido de bufar e reclamar em minha mente. Quando começou a tocar Maroon 5 — She Will Be Loved, rimos mais ainda. Cole cantava tão mal que até as galinhas se agitavam, Alex ia desligar a rádio, mas Cole lhe deu um tapa na mão. Continuou cantando e se confundindo com a letra, eu tinha vontade de chorar de rir. Uma mulher andava na rua, e se assustou quando a caminhonete passou, ficou olhando de testa franzida. Depois de Lady Antebellum — Need you now, Hoobastank — The Reason, Jason Mraz — I Won't Give Up, Leona Lewis — Bleeding Love e Evanescence — Call me when you're sober, Cole finalmente dormiu como um bebê. Alex agradeceu a Deus e cantou algumas músicas em tom baixo, ele cantava bem melhor que Cole, e ouvia músicas como Nirvana, Three Days Grace, Guns N' Roses, Bon Jovi e Thirty Seconds to Mars, Percy relaxou e me abraçou de novo, tocava Bon Jovi — I'll be there for you. Percy sabia a letra de todas as músicas que tocavam, eu sorria sem parar. Depois de cantarmos todas as músicas, dormimos, estavamos tão cansados que não nos importamos de dormir no meio de galinhas malucas e o ronco de Cole e da caminhonete.
Notas finais
O que acharam bb's? Mandem reviews, please, preciso de motivação, neah?
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