Percy Jackson - Uma Nova Profecia
23 XXI - Perdemos a viagem.
Notas iniciais
-Acho que é por aqui.
-Não, acabamos de sair dessa rua.
Franzi as sobrancelhas e olhei novamente para o mapa. Já é difícil tentar ler palavras em inglês por conta do TDHA, agora imaginem em outra língua. É quase como uma prova surpresa!
Havíamos saído do barco já fazia uma hora e estávamos andando em círculos, tudo por que não achamos um mapa da cidade em inglês.
-O que acha de me deixar dar uma olhada? -Entreguei o mapa á Júlio que o encarou por alguns instantes. –Se estiver certo devemos virar á próxima esquerda, seguir reto, depois virar á esquerda e entrar na direita.
Resolvi não protestar, já que havia perdido os meus pontos como guia na ultima hora.
-Bom, o máximo que vai acontecer é voltarmos ao ponto de partida.
Seguimos o trajeto de Júlio e em menos de cinco minutos estávamos de frente á uma loja de ferramentas. Olhei para o garoto que sorria satisfeito.
-Como você...
-Eu morei no Brasil com meus avós até os seis anos de idade e se você analisar bem, o português de Portugal não é tão diferente.
-Legal, mas você não podia ter dito isso á uma hora atrás? –O olhei indignado o que fez com que risse.
-Eu lhe falei duas vezes, mas você estava tão concentrado que parecia saber exatamente o que fazer.
Queria protestar, mas podia muito bem ter me distraído e não prestado atenção em Júlio então resolvi esquecer e entrar na loja.
Vinte minutos depois estávamos voltando para o barco com todas as coisas da lista, claro que o dono achou estranho dois adolescentes comprarem tudo aquilo de material, porem depois que Júlio lhe mostrou as folhas/dólares que logo em seguida foram convertidos para Euro, não questionou.
Na metade do caminho alguma coisa me chamou a atenção em uma das ruas sem saída e parei imediatamente. Júlio estranhou, mas ficou ao meu lado colocando os materiais no chão para deixar as mãos livres.
Olhei para os lados procurando por algo suspeito e por um segundo achei que estava delirando, mas então um homem com shorts de corrida de náilon e camiseta da Maratona de Nova York começou a se aproximar.
De inicio achei que era apenas um turista fazendo uma corrida matinal, só que o cara foi chegando mais perto até que seus cabelos pretos encaracolados e boa forma ficassem visíveis, com aquele sorriso zombeteiro o reconheci no mesmo instante.
-Hermes? –Fiquei sem reação.
Júlio continuou com a mesma postura pronto para um ataque.
-Como é bom revê-lo Percy. –Então olhou para Júlio. –E vejo que arrumou mais amigos.
Eu não sabia muito bem o que fazer. Há meses que os deuses não tem entrado em contato com ninguém (á não ser algumas exceções), sem mencionar a guerra declarada que eles resolveram fazer contra nós. Mas só nesses últimos dias recebi a visita de dois e a julgar pela postura e sorriso fácil do deus mensageiro, ele também não estava lá para entregar algum aviso de morte de Zeus.
-Este é Júlio, chegou á pouco tempo no acampamento junto com outros dois semideuses.
-E vejo que já resolveram se aventurar em outra missão não é mesmo?
Neste momento lembrei-me do que havíamos passado para chegar até aqui e a raiva tomou conta dos meus sentidos. –Pois é não precisaríamos estar arriscando as nossas vidas se não fosse pela birra de Z...
Ele levantou um dedo apreensivo, olhando para o céu logo em seguida. –Cuidado com o que diz Percy, se já é difícil se esconder da ira de meu pai no acampamento imagine do lado de fora.
Fiquei quieto, infelizmente ele tinha razão. –O que faz aqui? Pensei que haviam proibido á todos de saírem ou se comunicarem.
Hermes deu um sorriso de lado. –Tenho meus meios Percy.
Ao que parece todo mundo tem
Hermes estava prestes a continuar, mas foi interrompido por duas vozes que começaram a falar na minha cabeça.
Olá Percy, trouxe ratos para mim dessa vez?
George. Martha o repreendeu. de novo pensando em comida?
Não me repreenda até ele me dar os ratos.
-Desculpe, mas estou sem ratos.
Hora essa qual é sua desculpa dessa vez? Estava em outra missão e não achou ratos pelo caminho?
-Na verdade sim.
Ouve silêncio e pensei que havia m desistido, mas então George voltou a falar.
Ah neste caso um porquinho da índia serve.
De novo não. Parece que todo mundo resolveu relembrar daquele incidente de quando eu tinha treze anos!
George pare de me fazer passar vergonha, não vê que há mais alguém aqui?
Está falando daquele menino de cabelos verdes e olhos roxos? Ele pode entrar na conversa caso me tenha trago ratos. E ai garoto?
Júlio ficou olhado para os lados procurando pelas vozes, mas Hermes se irritou e mandou os dois calarem a boca, imediatamente tudo ficou em silêncio.
-Peço desculpas, ultimamente eles têm ficado solitários e mais tagarelas do que nunca.
Me limitei a balançar a cabeça. -Você ainda não disse por que veio até Portugal apenas para falar com a gente.
-Acha que só vim pra cá por isso?
Dei de ombros, ele poderia muito bem ter vindo á mando de Zeus para terminar o serviço das harpias. Apesar de novamente não ter tanta certeza disso.
-Sei o que está pensando, mas se eu quisesse mata-los poderia fazer isso enquanto estavam distraídos com Martha e George, é claro que seu amigo aqui. –Ele apontou para Júlio. — Está bloqueando qualquer poder em um raio de trinta quilômetros, o que tornaria um pouco mais difícil, porém não impossível.
-Posso tornar as coisas mais difíceis para você se quiser.
A voz de Júlio estava descontraída, mas não precisava conhecê-lo para identificar o desafio por trás daquelas palavras.
Hermes deve ter percebido o mesmo, pois sorriu mostrando todos os dentes que tinha. –Não se preocupe com isso, acredito que qualquer um que queira atacá-los de novo já entendeu o recado.
A expressão de Júlio não se alterou e podia sentir o ar a nossa volta mudando conforme a tensão aumentava.
-Só há dois motivos para ter vindo ao nosso encontro. –Chamei sua atenção. –E realmente não estamos interessados. -Levei uma das mãos até meu bolso de forma sutil, porém sabia que ele entenderia o recado.
Hermes ficou alguns segundos em silêncio olhando de um para o outro. O sorriso havia sumido e agora ele analisava o celular que tirara do bolso do shorts.
—Pensei que seu pai havia lhe falado que alguns deuses não estão de acordo com as... novas regras...
-Ele não disse quem eram.
Hermes deu de ombros e nos encarou novamente com o inicio de um sorriso. –Muito esperto da parte dele, cada um deve se pronunciar na hora que achar correta.
Continuei com as mãos no bolso enquanto Hermes olhava para nossos materiais que estavam no chão.
-Sinto muito pelo barco de vocês, e é bom saírem desse Pais o quanto antes, pois se meu pai mandou este ataque foi apenas um aviso, algo pior está por vir.
-Obrigado por avisar o óbvio, agora precisamos ir.
Hermes sorriu novamente. –Realmente, não posso fazer muito por vocês, mas irei mandar ajuda.
Levantei a sobrancelha. –Que tipo de ajuda?
-Vocês saberão assim que voltarem. –Hermes olhou para Júlio por alguns instantes e seu sorriso aumentou. -Agora é melhor irem que o prazo está acabando e seus amigos devem estar preocupados.
Hermes acenou e se virou correndo até o fim da rua para depois simplesmente desaparecer ao se chocar com o ultimo prédio.
Continuamos parados para ter certeza de que não haveria nenhuma surpresa. Júlio balançou a cabeça levemente e pegamos nossas coisas do chão.
Permanecemos alertas durante todo o caminho de volta
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-Você tem certeza?
-Absoluta. –Falei terminando de colocar a nova janela na cabine de controle.
-Onde está essa ajuda?
Annabeth varria o chão do convés enquanto eu falava sobre o encontro com Hermes.
Chegamos uma hora depois das garotas, que após passarem na farmácia ainda fizeram compras de suprimentos, pois de acordo com elas, não poderíamos viver de salgadinhos todos os dias.
Tainara se responsabilizou em fazer o almoço, Thalia continuou cuidando de Tobias que ainda não mostrava sinais de melhoras, enquanto nós três arrumávamos os estragos no barco.
-Hermes disse que estaria aqui quando voltássemos, ás vezes era tudo brincadeira.
-Não acho que um deus se daria ao trabalho de vir tão longe apenas para pregar uma peça em alguém.
Ela terminou de juntar o lixo, enquanto eu checava uma ultima vez se a nova trava da cabine estava funcionando. Olhamos ao redor satisfeitos com nosso trabalho.
-Bom, acho que terminamos.
Annabeth concordou, coloquei os braços em volta de seus ombros e ficamos em silêncio olhando ao redor para ter certeza de que realmente havíamos terminado.
-As harpias fizeram um grande estrago. –Falei e nesse momento Tainara apareceu com um sorriso cansado, então olhou ao redor e ficou surpresa.
-Vocês realmente levaram á sério esse trabalho. Ficou muito bom.
-Obrigado. –Agradecemos juntos.
-Vim chamar para comer.
-Claro, estou morrendo de fome.
-Quando você não está Percy?
Fiz cara de ofendido o que as fez rir, depois nós á seguimos.
O cheiro invadiu meu nariz antes mesmo de entrarmos na cozinha, quando chegamos à mesa muito bem decorada o que fez com que a comida ficasse mais chamativa. Thalia e Júlio já estavam sentados comendo, nos servimos de uma refeição completa, com arroz, feijão, salada de alface (apesar de eu ter tentado recusar Annabeth me fez colocar um pouco no prato descartável) e uma carne chamada parmegiana (que era basicamente um pedaço de bife frito e empanado com queijo e molho de tomate), e para bebermos elas haviam comprado uma garrafa de coca.
De inicio quis trocar tudo, menos a bebida, por um x-tudo ou uma fatia de pizza, mas ao colocar a primeira garfada na boca, eu simplesmente não aguentei e quando me dei conta já estava no segundo prato.
Nem mesmo lembrava a ultima vez que havia comido uma refeição caseira. No acampamento os copos, e agora os pratos, eram encantados e depositavam o que você quisesse e geralmente o mais próximo que eu chegava da comida da minha mãe era quando pedia algo azul.
Durante o almoço Júlio contou para Thalia e Tainara sobre a nossa pequena aventura na cidade de Portugal. Concordamos em esperar até o dia seguinte para partir, pois de acordo com Thalia seria o tempo em que Tobias deveria mostrar sinais de melhoras para pelo menos aguentar uma viagem de barco, além do mais, todos ficaram curiosos para saber que tipo de ajuda Hermes nos mandaria.
Depois Júlio checou uma ultima vez se sua barreira estava ativada e foi descansar um pouco, já que ele não estava se aguentando em pé. Thalia e Annabeth ficaram responsáveis pela limpeza da cozinha enquanto Tainara foi cuidar de Tobias. Resolvi dar uma volta pelas redondezas para ver se encontrava sinal de alguém que pudesse ser a ajuda de Hermes.
Perdi a noção das horas depois da minha quinta volta por todo o perímetro, falei (ou pelo menos tentei) com cada pessoa do cais, até com os seres aquáticos me comuniquei, mas infelizmente nenhum deles parecia ou havia visto alguém ou alguma coisa que poderia ser a grande esperada ajuda que Hermes iria nos enviar.
Quando finalmente me cansei resolvi voltar para o barco onde logo de cara vi Thalia e Tainara conversando alegremente como se fossem amigas á muito tempo, acenei para as duas e entrei pela porta da cozinha. Não havia ninguém por lá, desci as escadas e vi a porta do quarto de Júlio fechada, o que significava que ele ainda dormia, passei pelo de Annabeth, mas ela não estava lá então por instinto foi para o de Tobias (que antes era o meu, mas deixei que ficasse). Encontrei-a trocando os curativos dele que parecia estar mais pálido do que antes.
-Ele não parece bem.
Ela se assustou e me encarou preocupada. Seus cabelos estavam molhados e havia trocado a roupa laranja desbotada do acampamento por um moletom vermelho.
-Os remédios ainda não fizeram efeito, Thalia falou que agora temos que esperar e torcer.
Annabeth jogou os curativos usados no lixo que estava ao seu lado e guardou o kit de primeiros socorros.
-Bonito o moletom. –Ela baixou a cabeça ficando quase da mesma cor da blusa.
-Obrigada, compramos em uma loja lá na cidade, é que aqui faz frio e eu não me preparei para isso.
-E tinha algum pra mim? Por que foi meu pai quem fez minhas malas e pelo jeito nem mesmo ele sabia que iriamos fazer essa parada de emergência.
Ela riu e apontou para minha mochila que ainda estava no canto do quarto.
-Claro que compramos pra você também.
Não pude deixar de sorrir. –Essa é minha sabidinha, sempre um passo á frente. -Ela pareceu desconfortável. –Ei, está tudo bem?
-Sim, só que... –Annabeth não conseguiu terminar, pois seus olhos focaram em Tobias que ainda estava desmaiado. Estiquei minha mão para que ela se levantasse e a abracei forte.
-Não se preocupe esse cara é duro na queda, não iremos perder ninguém, pode ter certeza que amanhã ele já vai estar se arremessando de alturas incrivelmente mortais de novo.
Isso á fez rir, e percebi que ainda não havíamos conversado á sós desde que voltamos da visita á Rachel e Annabeth ficou na caverna.
-O que você acha de sairmos um pouco procurar por essa ajuda que não chega?
Ela me encarou. –Você não estava fazendo exatamente isso até agora?
Dei de ombros. –Nunca se sabe.
Ela riu balançando a cabeça, isso me deixou feliz. –Eu posso até ir, mas antes vá se lavar, você esta cheirando á peixe.
Cheirei minha camiseta que realmente possuía o odor de peixe podre. –Acho que eu não devia ter me aproximado tanto dos animais aquáticos.
-Eu não faço ideia como você conseguiu essa proeza, mas não se parece nem um pouco com o cheiro do oceano que eu gosto, então, pro chuveiro.
Annabeth jogou minha mochila e subi as escadas para tomar banho no banheiro de cima.
Coloquei uma blusa azul escura por cima da camiseta do acampamento, ela ainda estava com cheiro de nova e fiquei feliz por Annabeth ter comprado roupas mais quentes. Fui até a cozinha onde as três conversavam, o lugar estava quente e agradável, parecia que estavam cozinhando.
-Oi meninas. O que estão fazendo?
Elas me cumprimentaram e Annabeth veio até onde eu estava.
-Tainara está nos ensinando á fazer cookies e em troca Thalia vai mostrar sua famosa receita de muffins.
-Thalia sabe cozinhar? –Debochei, ela mostrou a língua e atacou o pano de prato quente encima de mim, o peguei e joguei de volta.
Todos nós rimos e Annabeth segurou minha mão.
-Vamos?
-Claro. Garotas estou roubando Annabeth por algumas horas, se cuidem e tentem não por fogo na cozinha.
Elas me expulsaram com muitos panos de pratos e ameaças de morte (da parte de Thalia).
Ainda estava claro quando saímos do barco. Andamos pelo deque enquanto ela me falava o que havia descoberto de Tainara, que assim como Júlio também era brasileira e conseguiu se comunicar com as pessoas de Portugal. No fim a garota era muito legal e divertida e Annabeth não tinha mais suspeitas.
-Você acha mesmo que ela é confiável?
-Eu á estou seguindo desde o acampamento, e ela não demonstrou sinais de ser uma ameaça, você sabe que um dos motivos de eu ter aceitado vir foi porque Thalia se ofereceu e para ficar de olho neles. E sinceramente? Acho que a profecia pode estar invertendo os fatos.
Fiquei pensativo por alguns instantes. -Realmente eles não parecem pessoas ruins, mas você sabe que as aparências enganam, e em relação à profecia as linhas podem não estar conectadas.
-Foi isso que estive pensando... -Ela deixou a frase morrer, esperei terminar, mas após alguns minutos de silêncio resolvi quebra-lo.
-E sobre o que você e Rachel falaram?
-Muitas coisas, ela me contou o que fazia na escola preparatória para moças.
-E o que mais?
Paramos em um banco e ficamos observando as pessoas, Annabeth me contou toda a sua conversa com Rachel e disse que havia ficado com mais duvidas do que antes de se encontrarem.
-Você sabe como isso tudo funciona. Claro que Rachel não poderia dar todas as respostas. –Passei o braço por cima de seu ombro e a puxei ´para mais perto.
-Eu sei, mas a parte boa é que juntei mais algumas peças no quebra-cabeça.
Levante a sobrancelha a encarando. -Quebra-cabeça?
Um leve sorriso passou por seus lábios. -Desde que tudo começou venho tentado entender e juntar as peças soltas.
-E como está se saindo?
-Depois de tantos meses cheguei á conclusão que não sou tão boa assim. –Ri lhe dando um peteleco no nariz e a fazendo rir também. -Mas acho que fiz algum progresso.
-Já é um salto muito bom.
Ela concordou e encostou a cabeça em meu peito, seu cabelo cacheado assumiu um tom dourado na luz de fim de tarde e cheirava á rosas. A abracei mais forte e desejei que aquele momento durasse para sempre, mas o ar gélido que balançou nossos cabelos acabou com o encanto.
-E você acha que eu entenderia ou poderia ajudar nesse seu quebra-cabeça?
Ela me encarou com seus olhos cinza brilhantes. –Eu disse que você seria o primeiro, a saber.
-É eu sei.
Fiquei sem saber o que dizer, ás vezes sentia que ela não confiava em mim, sei que parece loucura se for levar em conta que passamos por muitas (repito muitas) coisas juntos.
-Sabia que eu te amo né?
Á olhei com um sorriso bobo no rosto. –Também te amo sabidinha.
-E confio em você mais do que em mim mesma Percy e só peço um pouco de paciência...
Coloquei as mãos em seu rosto o que á fez parar. –Que tal nós apenas aproveitarmos esse momento e deixarmos as preocupações para quando voltarmos?
Ela concordou e se aproximou ainda mais. Estávamos a centímetros de distância e todo o frio de repente havia sumido.
Rocei nossos lábios e senti sua respiração se acelerar. Eu simplesmente adorava todos os sons que Annabeth fazia e o gemido de prazer que ela soltou assim que comecei a beijá-la me fez esquecer até mesmo que estávamos em público.
Nos afastamos juntos tomando um pouco de fôlego. Observei as bochechas coradas de Annabeth enquanto ela puxava o celular do bolso da calça.
Semideuses e tecnologia não combinavam, era como se estivéssemos mandando um sinal á todos os monstros como se disséssemos:
“Ei, estamos bem aqui, que tal um lanchinho grátis?”.
Mas alguns campistas quebravam as regras e mantinham um desses aparelhos para emergência.
-Já são 18:00, precisamos voltar. –Ela pareceu hesitar como se ainda não quisesse ir.
Também não queria voltar para a realidade ainda, mas suspirei cansado.
-É. Foi tudo perca de um tempo precioso que não temos. Perdemos a viagem mais uma vez.
Annabeth se inclinou em minha direção e me beijou. –Passamos toda a tarde juntos e conhecemos um novo Pais. –Seus olhos brilhavam. -Não foi tão perdida afinal de contas.
Não pude deixa de sorrir e a beijei novamente. -Bom vendo por esse lado, concordo plenamente.
Ela riu e estendeu sua mão para levantarmos juntos. –Vamos cabeça de alga, tenho certeza que há uma surpresa no esperando no barco.
Ás vezes me assustava com o senso de adivinhações da Annabeth.
Antes de chegarmos perto do barco vi que havia alguma coisa errada. Duas pessoas estavam paradas na frente da rampa de embarque, acenando em nossa direção.
Entrei em alerta, peguei contra corrente ainda em forma de caneta e comecei á procurar por mais coisas suspeitas. O local estava praticamente vazio, todos os marinheiros e pescadores já haviam encerrado o expediente.
Annabeth segurou meu braço.
-Você consegui sentir? Não são monstros.
Concentrei-me em sentir o odor dos dois, mas ela estava certa, não havia nada.
Alguns monstros conseguem camuflar seu cheiro e passam despercebidos, nós somos treinados para tentar identifica-los e desde que eu e Annabeth voltamos do Tártaro nossos sentidos ficaram ainda mais aguçados para essas coisas. E definitivamente não havia monstros por perto.
Conforme nos aproximávamos vi o homem, ele é alguns centímetros mais alto que eu, estava de terno, tinha cabelos e olhos pretos e uma expressão serena no rosto. A mulher ao seu lado parecia ser sua esposa, tinha a altura de Annabeth, seus olhos castanhos claros emanavam felicidade e os cabelos pretos caiam por cima do seu sobre tudo vermelho.
Quando estávamos á um metro de distância eles pararam e o homem falou.
-Finalmente vocês chegaram, achei que haviam nos passado a informação errada estamos aqui á horas.
A mulher riu. –Não seja bobo querido, faz apenas dez minutos.
-Só isso? Como o tempo está passando devagar, mas de qualquer forma pensamos em entrar, porém resolvemos esperar que todos chegassem.
Olhei para Annabeth que também não entendia nada.
-Tudo bem, mas quem são vocês exatamente?
Os dois riram. –Onde estão nossos modos? Desculpe, sei que para vocês semideuses é sempre bom saber com quem estão falando. Meu nome é Larissa e esse é meu marido Carlos. Á propósito seu moletom é muito bonito, eu adoro vermelho como você deve ter notado.
-Obrigada. –Ela respondeu desconfiada.
-Por nada, Annabeth.
Ela apertou minha mão, segurei mais firme contra corrente. Como eles sabiam quem somos? Geralmente isso é sinal de alerta, mas Larissa e Carlos não parece nomes de monstros ou deuses. Porém isso não era motivo para baixar a guarda.
Carlos olhou para minha mão e deu um sorriso simpático.
-Vocês devem estar achando que somos uma ameaça, é que quando minha esposa começa á falar nem mesmo os deuses conseguem faze-la parar.
Odiava quando não sabia quem era o inimigo. Eles não cheiravam á monstros e também não pareciam ser deuses, mas duvidava que fossem mortais, estava quase destampando contra corrente e acabando logo com aquilo antes que as coisas piorassem.
-Ele está exagerando. –Larissa bateu levemente no braço de Carlos. –Mas não viemos aqui para jogar conversa fora.
-E qual é o motivo então?
Annabeth estava com uma das mãos na cintura onde sua espada de dente de Drakon (um pequeno presente de um gigante que nos ajudou a sair do Tártaro) estava escondida.
Os dois sorriram juntos. Tudo bem, estava preparado, geralmente é nessas horas que eles se transformam em monstros e lutamos.
-Viemos em nome do nosso amigo mensageiro.
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