Notas iniciais
Mais um para essa segunda = )

Estava virando de um lado para o outro na cama me sentindo realmente desconfortável. Tentei arrancar as cobertas, mas por algum motivo até a brisa do lago estava se tornando realmente incomoda. Puxei o travesseiro e cobri o rosto, mas isso não funcionou para abafar as vozes que praticamente gritavam em meus pensamentos.

Quando finalmente cedi à insônia, resolvi dar uma volta pelo acampamento, Annabeth havia dito que Thalia ficaria de guarda hoje, talvez eu pudesse ir ajuda-la, ver se estava indo tudo bem, ter certeza de que nenhum monstro apareceu.

Claro que se eu fizesse isso seria expulso no mesmo instante, pois agora o turno era dela. Mas qualquer opção era melhor do que continuar ali sozinho em meu chalé...

Fechei os olhos em uma última esperança, mas alguma coisa me chamou a atenção. Olhei ao redor no quarto escuro, agucei meus ouvidos e então:

Bangue, Bangue.

Alguém ou alguma coisa estava batendo na minha porta. Levantei-me com contracorrente já em mãos. Caminhei até a entrada, respirei três vezes e abri a porta pronto para um ataque, mas parei imediatamente quando vi um enorme Pégasus negro.

Ei, CHEFE. Sua voz ecoou na minha mente. Esta tentando se livrar de mim?

-Blackjack! Estamos no meio da noite. –Falei um pouco aliviado por ter parado o golpe. –O que está fazendo aqui?

Estava com saudades.

-Nos vimos antes de ontem.

Exatamente! Ele parecia indignado. Há dois dias atrás! E por falar nisso parabéns atrasado chefe, eu tinha guardado as melhores maças do pomar para o senhor, mas como não apareceu tive que comê-las.

—Obrigado, tenho certeza que você ás aproveitou bem mais do que eu. E desculpe não aparecer, mas as coisas estão... complicadas.

Sem problemas Chefe, você é o melhor.

—Não me chame de Chefe.

Claro Chefe. Revirei os olhos e ele continuou. Mas não foi só por isso que eu vim.

-Então por que?

Tem alguém que quer te ver.

—São os animais marinhos precisando da minha ajuda de novo?

Toda vez que estava por perto algum animal aquático me procurava, já perdi as contas de quantas vezes no meio da noite recebi um S.O.S.

Não dessa vez Chefe.

Franzi a sobrancelha. -Então o que é?

Não posso falar, mas o senhor irá gostar muito da surpresa. Agora vamos?

Já falei qual a sensação de cavalgar um cavalo alado?

É simplesmente maravilhoso!

O vento batia em meus cabelos e a brisa marítima dava uma sensação reconfortante, muito diferente do que ocorrera apenas alguns minutos atrás. Blackjack estava me levando a 150Km/h logo acima da superfície da água e tudo não se passava de borrões a minha volta.

Depois de um tempo ele parou.

Chegamos Chefe, é só descer.

-Obrigado, mas não me chame de Chefe.

Ele relinchou e então eu pulei dando uma cambalhota direto na água.

Afundei alguns metros deixando a correnteza me levar, não sabia o que procurava por isso apenas esperei enquanto afundava lentamente. Até hoje ainda não testei a profundidade que posso chegar sem que a pressão me esmague, é bem mais que uma pessoa comum, mas não sei se á um limite e não pretendia descobrir tão cedo.

Depois de alguns segundos senti uma correnteza mais forte se aproximando e resolvi segui-la, ela me levava direto para um precipício, nadei até lá esperando estar indo pelo caminho certo.

No final um homem me encarava com um sorriso cansado no rosto, chegando mais perto pude reconhecê-lo.

-Oi filho.

Fiquei sem palavras, já o havia encontrado algumas vezes, mas fazia meses que ele nem mesmo respondia as minhas oferendas.

-Achei que Zeus tinha proibido os outros de se comunicar e que os deuses nos odiassem.

Ele não pareceu ofendido apenas riu. –Hefesto me ajudou para que não percebam sua presença, ele também esta utilizando essa técnica. –Poseidon fez uma pausa breve. -Sei que estou distante esses últimos meses, mas espero que você entenda Percy, que nem todos estão apoiando a causa de meu irmão, além do mais, se achasse isso não me faria oferendas todas as refeições.

Aquilo não me deixou mais calmo, em certa parte o que ele disse era verdade, mas não iria admitir nada. –O que o senhor precisa me dizer de tão importante que foi necessário quebrar as regras?

-Primeiro, que não deve se preocupar com sua mãe e seu padrasto, cuidei para que nada os machuque.

O ar foi sugado dos meus pulmões (uma pequena ironia levando em conta onde eu estava). -Como assim? Você os viu?

-Não. Mas mandei alguns dos meus soldados tomarem conta dos dois, com tudo que esta acontecendo não posso deixar que você se distraia.

-Então até o senhor admite que tem alguma coisa de sério acontecendo?

-Nenhum de nós escondeu isso de vocês, meu irmão deixou bem claro desde o inicio qual é o seu objetivo.

-Então por que os restos de vocês não fazem alguma coisa para impedir isso ao invés de apenas ficarem sentados enquanto nós morremos?

Meu tom de voz havia ficado mais baixo e sentia a raiva subindo, até mesmo debaixo da água meu corpo estava ficando quente. Porem ele simplesmente suspirou como se estivesse cansado de discutir esse assunto consigo mesmo.

-Não é tão simples assim filho, eu disse que alguns deuses estão contra, e mesmo eles se encontram indecisos, tem algo estranho acontecendo no Monte Olimpo e está afetando á todos. –Mantive a mesma expressão não me deixando afetar pela forma que ele me chamou. -Não podemos interferir na briga de nossos filhos, mesmo que seja com outro deus... -Continuei calado, encarando o nada. -Pode não parecer, mas eu não te abandonei Percy... –Isso me fez levantar a cabeça para ver sua expressão melancólica. –Estou sempre vigiando você e Tyson.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa um tubarão martelo veio até nós, Poseidon o olhou e como se trocassem uma mensagem silenciosa o animal se afastou.

-Infelizmente tenho que ir. –Sua expressão ficou ainda mais abatida. -Hefesto não pode manter nossa frequência por muito tempo e precisam de mim em meu reino. -Ele estralou os dedos e uma mochila apareceu em suas mãos, depois á estendeu para mim. -Quando você voltar para a superfície terá algumas surpresas e irá precisar disso.

Estendi a mão com certa cautela que não passou despercebida pelo deus. Ignorei e notei que, apesar de estar em baixo da água, mesmo antes de tocá-la ela já estava seca.

-Obrigado por isso e pelos dólares.

-Fico feliz de ter recebido. –Poseidon deu um meio sorriso. -Uma das notas você terá que usar logo, logo, para negociar uma viagem rápida. Agora preciso ir, tome cuidado na hora de enfrentar o monstro, pois apesar de ser da minha propriedade ele não obedece a mim.

Não entendi essa ultima parte, mas tinha a impressão de que teria que descobrir sozinho. Ele começou a se virar, porem lembrei-me de algo.

-Pai! –Poseidon se virou com um grande sorriso.

-Sim filho?

Troquei o peso dos pés um pouco desconfortável. –O senhor disse que deu um jeito de proteger minha mãe e Paul, mas de que exatamente?

Por um segundo, sua expressão ficou um pouco sombria. -Logo você saberá.

-OK. –Não escondi o descontentamento e receio pela resposta, mas mantive a voz o mais normal possível. -E o senhor acha que teria como proteger a família dos outros também?

Ele ergueu uma das sobrancelhas. –Você quer que eu salve a família de cada semideus do acampamento.

Achei que havia abusado de sua boa vontade, mas então lembrei que eles nunca perguntaram se queríamos nos sacrificar para suas batalhas e eu não suportaria a ideia de um dos campistas perder alguém que ama. Continuei quieto o que o fez rir, achei estranho, mas não disse nada.

-Eles não estão em perigo Percy, os deuses querem os semideuses e não suas famílias, eles não irão perder o foco. -Poseidon piscou como se tivesse uma mensagem oculta nessa frase.

-Mas então por que o senhor mandou alguém para protegê-los?

-Porque há exceções, meu irmão sabe que ainda não estou totalmente do seu lado, e alguns outros, ele faria de tudo para nos atingir.

Pensei nos filhos destes deuses. –E o senhor acha que poderia... ficar de olho nessas pessoas?

Poseidon riu e acenou com a cabeça. –Vou ver o que posso fazer. Agora até mais meu filho. E quando chegarem ao porto tenho um presente para vocês, apenas entenda o sinal.

Ele começou a brilhar e tive que virar a cara, pois sabia o que iria acontecer.

Olhei para dentro da mochila e encontrei algumas roupas limpas do acampamento, néctar e ambrosia, alguns dracmas, uma garrafa térmica de água, os salgadinhos e as latas de Coca-Cola que ganhei de presente contrabandeado do Chalé de Hermes. E ainda havia espaço para muita coisa, devia ser uma mochila mágica.

Meu olhar ficou fixo na escuridão que se estendia onde antes o deus se encontrava.

-Obrigado pai.

Notas finais
★♡★