Percy Jackson - Uma Nova Profecia
20 XVIII - Junto mais peças em meu quebra-cabeça.
Notas iniciais
ANNABETH
Os espertos correm perigo, um mau do passado volta para todos assombrar. Siga o triângulo que será o sinal de quem te ajudará.
Minha cabeça estava girando com milhares de perguntas que me atormentavam e enlouqueciam para que eu encontrasse uma resposta.
Detestava não saber o que acontecia ou não ser capaz de controlar minhas emoções e toda aquela situação era feita única e exclusivamente dessas duas coisas.
Rachel levou exatos cinco minutos para despertar depois de revelar Seis Profecias diferentes de uma só vez.
Tentamos manter o assunto mais leve quando a garota despertou, assim como fazíamos em todas as vezes para deixar a situação menos constrangedora para Rachel. Mas daquela vez era nítido que ninguém prestava atenção de fato em qualquer coisa que falávamos.
A concha para o almoço soou e estava prestes a mandar que Percy fosse sem mim, quando Rachel pediu que eu ficasse.
Esperei que todos saíssem para enfim despejar cada uma das minhas duvidas.
-Por que Quiron mandou todos viéssemos? Quer dizer, já aconteceu de outras pessoas estarem por perto, mas era para ser designada apenas para o líder da missão, então achei que você iria falar apenas com um, mas ao invés disso recebemos profecias diferentes. –Comecei a andar de um lado para o outro na esperança de assim organizar meus pensamentos. -Como é possível ter tantas alternativas para apenas uma única missão? Fora que elas não fizeram conexão umas com as outras e ainda não entendi por que raios esse tal de Tobias faz com que eu sinta algo estranho dentro de mim e não é boa nem ruim é apenas... uma sensação... Eu não sei...
—Annabeth?
Parei imediatamente de falar e encarei Rachel que segurava o riso, devia ter falado rápido demais (isso era um sinal claro de que estava andando muito com o Cabeça de Algas), mas ela não pediu que repetisse e com uma calma surpreendente me respondeu.
—Era necessário que ele mandasse todos vocês, pois não terão outra oportunidade dessas tão cedo e antes que você pergunte do que estou falando já vou logo avisando que será algo que terá de descobrir. –Ela ergueu a sobrancelha antecipando minhas falas, então me calei. -Sei que é a primeira vez que isso acontece e realmente foi um pouco confuso até mesmo para mim o fato das profecias não se encaixarem... o que posso lhe contar é que apenas um de vocês possuem as respostas que precisam para o que irão enfrentar a seguir.
—Mas então o que significa a profecia dos outros cinco?
—Ainda vão ser muito importantes, porem não de imediato, por hora vocês devem se preocupar em identificar e sobreviver a correta.
Encarei um ponto especifico de seu tapete. -Entendo.
—E quanto a sua outra pergunta. –Sua voz estava mais suave. -Também senti algo estranho quando vi Tobias pela primeira vez. –A encarei de olhos arregalados e esperei que continuasse. -Na verdade, Tainara e Tobias possuem uma força ao redor deles que impede de ver com clareza.
Ela franziu a testa como se estivesse formando um quebra-cabeça em sua mente e várias peças estavam faltando, era exatamente assim que me sentia nesses últimos meses...
Me sentei novamente frustrada enquanto a observava.
–Eles já morreram?
Balancei a cabeça e lhe contei toda a história dos três campistas. Rachel se sentou na minha frente e ouviu atentamente, porém fez careta ao saber que Júlio também havia morrido e voltado.
—Vocês tem certeza de que ele realmente morreu?
—Todas as histórias são iguais às outras, e tivemos o cuidado de vigiá-los durante o dia todo para ter certeza de que não estavam armando nada.
—Em Tobias e Tainara eu pude sentir que seus corpos ainda não estão totalmente estáveis, mas Júlio... –Ela refletiu um pouco levando a mão ao queixo e franzindo as sobrancelhas. -Não posso dizer isso com certeza, Hazel e Nico seriam mais eficientes nessa parte.
—Quando você fala estável quer dizer que eles ainda não possuem corpos físicos? Como os lares do acampamento júpiter?
—Não exatamente, os lares são espíritos de ancestrais de romanos mortos séculos atrás, eles não voltaram a vida e seus “corpos” são feitos de névoa roxa. O caso dos dois é que por terem retornado ainda não estão completamente fixos aqui na terra o que faz com que algumas vezes acabem atravessando coisas ou desapareçam por alguns segundos, pois o Mundo inferior os está puxando para lá novamente, principalmente se for levar em consideração que eles fugiram. –Rachel deu de ombros, ainda pensativa. -Claro que com o tempo caso consigam enganar Thanatos, seus corpos se estabilizam e acostumam-se novamente, mas para que isso ocorra é necessário magia e pode demorar...
—Mas Hazel também fugiu.
—Era diferente, ela teve a ajuda de Nico e mesmo que não pareça, Hades lhe deu uma “mãozinha” ao tirá-la da lista. –Pressionei os lábios e Rachel se recostou no travesseiro. -Acho que nunca ouvi casos como o dos dois, apenas li em alguns livros, dizem que existem semideuses que aprenderam a conviver com aquilo e acabaram usando a “instabilidade” á seu favor.
Me aproximei mais. -Você esta dizendo que já aconteceu algo parecido?
—Sim e não. –Ergui a sobrancelha e ela continuou. -Nos livros que li houve um semideus que, após fugir da morte, ele aprendeu a controlar seu corpo para que desaparecesse ou atravessasse o que quisesse e em qualquer hora. Mas sua história não acabou muito bem, Thanatos o encontrou e o mandou direto aos campos de punição.
—Onde você leu isso?
Ela deu de ombros como se não fosse importante, depois se levantou e pegou dois pratos que vieram da cozinha do acampamento.
Rachel nem sempre ia comer com a gente durante as refeições então Quiron permitia que em sua caverna houvesse uma cozinha sendo tudo o mais confortável possível.
Apesar da minha curiosidade com relação ao livro, não havia comido o suficiente de manhã e tampouco apreciei os biscoitos que Rachel nos dera, então desejei ter a comida caseira do meu pai, era raro quando ele sentia vontade de preparar a refeição, mas ainda sim era maravilhosa e como os pratos e copos eram enfeitiçados para lhe servir do que você desejasse, foi o mais próximo da minha casa que consegui chegar.
—Você falou que sentia isso apenas de Tobias e Tainara, mas e Júlio?
Ela me entregou um copo e se sentou novamente. –Eu simplesmente não senti que ele estivesse morto, mas como você disse, Júlio é um semideus filho de Hécate, às vezes se recuperou mais rápido que os outros por ser a fonte da magia.
Concordei com a cabeça, embora não achasse que fosse só isso, mas infelizmente sabia que ela não daria todas as respostas.
Enquanto comíamos Rachel me contou como havia sido estudar na escola que seu pai obrigou, é claro que para seu alivio e ao mesmo tempo medo ele permitiu que ela frequentasse a escola do acampamento, mas apenas porque Quiron foi conversar com ele e do jeito que as coisas estavam não podíamos arriscar sua vida do lado de fora.
Suas histórias eram hilárias e me ajudaram a esquecer por vinte minutos o que estava acontecendo.
Consegui ouvir o barulho da concha indicando que o almoço havia acabado. Rachel se levantou e pegou nossos pratos levando até sua cozinha, como eles se limpavam sozinhos ela apenas os guardou. Fiquei de pé e fui caminhando até a saída da caverna.
Do lado de fora o céu estava azul, sem muitas nuvens, com o sol quente e uma brisa suave, nem parecia que eu estava prestes a partir em mais uma missão...
Rachel apareceu para se despedir, nos abraçamos e ela me entregou uma mochila da loja do acampamento, dentro havia tudo que um semideus precisava, roupas limpas, uma corda, ambrosia e uma garrafa térmica de água.
Sorri agradecida, pois havia esquecido de preparar minhas coisas. O que definitivamente não aconteceria em outras ocasiões.
—Boa sorte. Tomem cuidado. E tentem não morrer.
—Obrigada, mas não prometo nada.
Ela riu e depois disso corri em direção á colina onde os outros me esperavam.
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Algumas horas depois...
Depois do incidente na lanchonete, o resto do dia foi tranquilo, apesar de ainda ter achado estranho o fato de Percy aceitar o barco de um completo desconhecido sem nem pensar duas vezes, mas isso era algo que eu deixaria para interroga-lo mais tarde.
Logo que embarcamos distribui tarefas para que todos se mantivessem ocupados e distraídos, espero que estejam se saindo melhor do que eu nessa ultima parte...
Já havia pilotado navios muito maiores que esses e bem mais complicados (como por exemplo, o construído pelo meu amigo Leo, o Argo II), então não tive problemas em entender seu funcionamento, Thalia estava ao meu lado olhando atentamente para o mapa, mas parecia perdida em seus próprios pensamentos.
Desde o ultimo ocorrido ela não havia falado muito, nem mesmo na hora de contar sua versão da história. Ainda tinha minhas duvidas do que realmente aconteceu, apenas pelo modo como Tobias falou já dava para saber que não era tudo.
Minha visita a Rachel não foi tão esclarecedora como gostaria, realmente o fato dela ter sentido a presença de morte perto deles não me surpreendia, Hazel falou a mesma coisa assim que chegaram e suas teorias foram confirmadas no dia seguinte, mas não era isso que sentia quando estava perto dele. Era mais como curiosidade e desconfiança, do porquê ele aparecer em todos os meus sonhos há pelo menos quatro meses, e o fato de ter participado da guerra contra os titãs apenas reforça a ideia de que ele irá ser muito importante, só não sei se isso é bom...
—O que aconteceu na lanchonete?
Ela me encarou por um momento sem entender, como se tivesse acabado de acordar de um transe.
Thalia nunca foi de mudanças e parecia a mesma desde quando a conheci, claro que se não tivesse se juntado as caçadoras seria bem mais velha. Então confesso que me surpreendi quando ela resolveu deixar seu cabelo crescer. Ainda não me acostumei com isso, era como se estivesse tentando deixar sua antiga vida de lado quando tomou essa decisão como um recomeço...
Para mim estava bom, sua personalidade não havia mudado e isso que importava.
-Nós contamos o que aconteceu.
-Não. Quem contou foi o Tobias, você quase não abriu a boca.
-Mas não tem muito que dizer. –Um dar de ombros despreocupado. -Passei a maior parte do tempo presa em um aquário idiota.
-Tudo bem, mas você deve se lembrar de alguma coisa, o que aconteceu exatamente antes daquilo?
-Eu e Tobias percebemos quando a garçonete se transformou em uma empusa, foi rápido, mas o suficiente para agirmos, meu plano era que ele a distraísse para que eu pudesse investigar, mas depois que passei pela porta e entrei na cozinha, encontrei alguns telquines, os matei e quando ia voltar chama-los alguma coisa me acertou.
-E?
-Nada. –Seu olhar estava vazio. -Acordei no chão, molhada com Tobias ao meu lado.
-Não foi só isso.
-Claro que foi! –Ela franziu a sobrancelha com um toque de raiva.
-Thalia Grace eu sei que está me escondendo alguma coisa!
Ela respirou fundo e me encarou, seus olhos azuis e eletrizantes botariam medo em qualquer um, mas a conhecia desde os meus 7 anos e sei que não faria nada, ao menos não para mim.
-Eu não me lembro! –Ela finalmente cedeu. -Apenas de algumas vozes, parecia que estava dormindo, nem consegui prevenir o golpe que me derrubou.
-E o que você ouviu? –Tentei soar mais suave.
Ela franziu as sobrancelhas tentando se lembrar. –Uma voz que com certeza não era humana e parecia ser masculina, estava falando com alguém, dando ordens, acho que para me levar e prender, mas eles estavam com medo.
-De que?
-Não sei direito, acho que começava com L ou P... isso parecia assustá-los, mas então eu não consegui mais ouvir, depois do que pareceu uma eternidade outra voz tomou lugar, essa era humana, e tudo que disse foi que tinha uma surpresa para o Tobias e que logo seu segredo seria revelado.
-Que segredo? –Foi a minha vez de franzir a sobrancelha.
-Eu não sei. –Thalia disparou. -Ele não disse, mas aquilo parecia deixa-lo feliz, então tudo ficou em silêncio e sentia que iria morrer, meus pulmões começaram a arder...
-Então eles já haviam te colocado no aquário.
Um aceno de cabeça. -Depois ouvi Tobias por perto gritando, então meus sentidos voltaram aos poucos.
-E?
Vi seu rosto ficar vermelho e me surpreendi, principalmente com o silêncio que se alastrou por um tempo.
-Ele estava me abraçando muito feliz.... Depois que me contou o que fez, fomos em busca dos responsáveis, mas então tudo estava como antes e vocês não sabiam de nada.
Concordei com a cabeça. Ela não parecia se lembrar de mais nada, era óbvio que eles estavam em busca de Tobias e á usaram como isca, mas essa parte eu não entendia...
Eles poderiam ter pegado Tainara ou Júlio que o conhecem á mais tempo...
Ou talvez só a tivessem sequestrado por estar no lugar certo, mas na hora errada...
Havia uma peça faltando...
—Como foi que Tobias te salvou?
Ela fez uma careta. –Não lembro.
—Ele não falou?
Thalia balançou a cabeça. Ela havia se afogado e comecei a lembrar dos procedimentos que o acampamento ensinava...
Arregalei os olhos e á encarei. -E se não foi por acaso o fato de você ter sido pega?
Suas sobrancelhas se arquearam. -Como assim? Você acha que eu era o alvo?
Mantive as mãos no leme e olhei para a frente pensativa. -Eles deixaram bem claro que queriam ferir Tobias, mas aparentemente precisavam de uma distração para que ele não percebesse o que estaria acontecendo.
A encarei com o canto dos olhos e vi um lampejo de compreensão em sua expressão. -Eles me usaram para atingi-lo e deixa-lo vulnerável, mas não faz sentido porque mandaram apenas um monstro para ataca-lo e ele á matou! –Seus olhos semicerraram enquanto tentava entender. -E porque me pegaram como isca sendo que eu mal o conheço?
—Se o ataque foi planejado então já andavam observando á todos nós e chegamos juntos na lanchonete.
—Sim, mas se nos observavam saberiam que Tobias e eu mal nos falamos.
—Isso não é verdade. Ontem à noite você me contou que ficou de guarda e Tobias também apareceu lá, falou que ficaram conversando como se fossem amigos e não entendia o porquê teve essa facilidade de se comunicar com um completo estranho. –Pude ver as engrenagens em sua cabeça, assim como na minha. -Não achei que seria importante, até porque a conversa não envolveu nada além de algumas de suas aventuras como caçadora, mas então na reunião você simplesmente se candidatou para essa missão com semideuses que poderiam ser inimigos. E agora ficou toda vermelha quando falou que ele te abraçou...
Esperei para ver sua reação que naquele momento era neutra. Então me virei para ela novamente e fui mais afundo.
-Tem alguma coisa entre você e o Tobias? -Ela não respondeu. Continuei a persistir. –Se estiver acontecendo alguma coisa e quem quer que esteja nos vigiando saiba então foi por isso que você foi pega, de certa forma também era um alvo.
-Annabeth. –Sua voz era tranquila e tão neutra quanto a expressão. -Não há nada entre nós dois, até porque não se esqueça que sou uma caçadora e nunca irei quebrar meu juramento.
Mas seus olhos não eram capazes de esconder tão bem, ao menos para mim, e pude identificar a hesitação neles, tão pequena que passaria despercebida para qualquer outro.
-Você era uma caçadora e deixou claro que abandonou o posto quando parou de usar sua tiara prateada de líder. –Fiz uma pausa. -Nós vimos o que aconteceu com as caçadoras, as que não morreram antes de chegarem no acampamento abandonaram seus lugares e se tornaram o que eram antes.
-Nem todas, e elas precisam de uma líder.
-Da ultima vez que lhe perguntei havia nove e você passou a liderança para Edvine, porque não estava completamente comprometida com elas.
-Tudo bem Annabeth, mesmo que eu tenha desistido de ser caçadora, que diferença faz? Eu nunca quis isso e você sabe. –Thalia soltou um pouco exasperada. -Mas aprendi a amar minha nova família junto com a caça e não vou abandoná-las. –Seus olhos brilharam como que para confirmar. -Além do mais, não vejo o que isso tem a ver com o Tobias.
-Tem tudo a ver Thalia. –Me virei completamente agora abandonando o leme. -Se eles estiverem nos observando e visto vocês dois juntos então foi por isso que te sequestraram.
Ela ainda não estava convencida. -Mas nós conversamos uma vez e foi no acampamento. Ou seja, para estarem nos observando significa que estavam por perto...
Thalia me encarou e já sabíamos a resposta.
Precisávamos avisar Quiron e os outros.
-Há um espião no acampamento!
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Tudo começou do mesmo jeito que das outras vezes.
Percy, Grover e eu nos ajoelhamos ao lado do corpo quase sem vida de um semideus.
-Boa... Lâmina -Ele gemeu e depois focou os olhos em mim. -Você sabia. Eu quase a matei, mas você sabia...
-Psiu. –Minha voz estava tremula e o pavor tomou conta do meu corpo. –No fim você foi um herói. Luke. Irá para o Elísio.
Dizer seu nome em voz alta fez meu coração quebrar, Thalia não estava aqui para se despedir e isso aumentou um pouco minha culpa. Ele sacudiu a cabeça fracamente.
-Estou pensando... No renascer. Tentar três vezes. Ilha dos Abençoados.
Funguei um pouco tentando conter as lagrimas. –Você sempre exigiu muito de si mesmo.
Ele ergueu sua mão queimada e eu á toquei, estava muito quente e sangrando.
-Você... –Fez uma pausa e tossiu, deixando os lábios vermelhos. –Você me amava?
Aquelas palavras me acertaram em cheio. Vinha me fazendo essa mesma pergunta desde os meus doze anos quando o vi se voltar contra os deuses e até mesmo antes disso quando Thalia desapareceu...
Eu sabia que ele a amava e notei isso no dia em que se tornou caçadora e ambos lutaram. Até aquela época eu ainda tinha esperanças de que ele gostasse de mim como parte de sua família e era essa a resposta...
Continuei á olhá-lo e enxuguei as lágrimas que insistiam em cair.
-Houve um tempo em que pensei... Bem, pensei...
Não pude evitar olhar para Percy que parecia acabado com toda a situação, mas ainda sim meu coração se acelerou ao saber que pelo menos ele estava vivo e independentemente do que acontecesse eu nunca mais iria querer sair do seu lado. Foquei em Luke que parecia já saber da resposta.
–Você era como um irmão para mim Luke. Mas não o amava.
Ele assentiu, e deu um pequeno sorriso que aparentemente apenas eu notei, pois logo em seguida sua expressão mudou para dor.
Nós dois sabíamos o que sentíamos um pelo outro, mas apenas tentamos nos enganar, meu coração pertence á Percy e mesmo que ele parecesse gostar de outra não iria desistir, assim como Luke e Thalia sempre se amaram, porém foram orgulhosos demais para perceber isso antes, e agora ela nem mesmo estava aqui...
Voltei a prestar atenção quando vi que os deuses haviam entrado na sala, Poseidon olhou para Percy.
-Percy. O que... O que é isto?
Continuei encarando Luke que agora estava com os olhos fechados e eu soube naquele momento que nunca mais veria aquela imensidão azul novamente.
A imagem tremeluziu no momento em que Percy pediu por uma mortalha para Luke...
Tudo desapareceu e deu lugar a uma floresta.
Estava de noite e havia um pequeno acampamento montado no meio das arvores, me aproximei e vi três pessoas sentadas em um circulo tentando ver alguma coisa, como estava escuro não consegui enxerga-los muito bem, mas os reconheci pelo cabelo verde e os olhos roxos que pareciam duas lanternas, o do meio obviamente era Júlio e os outros dois que mais pareciam sombras provavelmente eram Tobias e Tainara, eles olhavam fixamente para um livro.
Chegando mais perto vi que um dos garotos tinha cabelo loiro, o que achei estranho, pois então não era Tobias, tentei focar minha visão e acabei vendo o vislumbre de uma cicatriz, dei vários passos para trás sem saber se tinha visto corretamente, mas antes que pudesse me aproximar tudo ficou escuro de novo.
Aos poucos as coisas ficaram claras e me encontrei na colina do acampamento Meio-Sangue, tudo parecia muito calmo, olhei para o lado e vi Tobias com um enorme sorriso no rosto, ele estava correndo para se encontrar com Thalia, mas parou na metade do caminho e acenou para que eu o seguisse, sem controlar meu corpo corri até eles, rindo tão alto que era possível ouvir de bem longe, então Percy apareceu ao lado de Thalia e ambos sorriam para nós que agora estávamos lado á lado correndo contra o vento.
Quando finalmente chegamos até eles começamos a rir descontroladamente, no meu interior não fazia ideia do que tudo aquilo significava, eu simplesmente estava agindo daquela forma. Feliz por estarmos todos juntos.
Então olhei para Tobias que havia desaparecido dando lugar á Luke, eles tinham a mesma altura, porte físico e ar de quem estava brincando, mas sabia a hora certa para agir... Se não fosse pelos olhos e cabelos eu poderia confundi-los facilmente. Mas antes que me desse conta, a imagem de Luke desapareceu e Tobias apareceu novamente, olhei para Percy que me encarava com olhar sonhador, queria beija-lo aqui e agora mesmo que só em sonho, mas cometi o erro de olhar novamente para Tobias que mais uma vez se tornou Luke...
Porem a felicidade nele se fora, seu corpo agora estava preso com correntes que lhe injetavam um liquido.
Arregalei os olhos e dei alguns passos para trás com as mãos na boca, procurei por Percy e Thalia, mas eles haviam sumido, me forcei a correr até Luke, porém fui empurrada para trás por uma barreira invisível e cai no chão batendo a cabeça.
Minha visão embaçou, mas me levantei, Luke me encarou com uma expressão tão dolorosa que foi como se tivesse levado um tapa na cara.
-Annabeth... –Ele falou com a voz rouca. –Minha irmã... –Luke tossiu e fez expressão de dor. –Sinto muito... Não mantive a promessa...
Eu queria gritar, mas nenhum som saia.
Então tudo desapareceu como se fosse um retrato se quebrando ao cair no chão.
Acordei em um pulo e olhei ao redor.
Suspirei quando vi que ainda estava no quarto do barco, era pequeno com uma cama e uma janela redonda bem alta onde refletia a luz do luar, mas parecia o melhor lugar do Mundo no momento.
Passei as mãos no rosto sentindo as lagrimas secando. Os pesadelos estavam ficando piores. Isso me fez lembrar de um sonho que tive dois dias antes dos novos campistas chegarem... quase a mesma coisa, mas eu estava nos campos de punição...
Levantei e fui no banheiro. Abri a torneira e comecei a lavar o rosto na esperança de que a água fria levasse embora as lembranças.
Depois de repetir esse processo até que meus dedos estivessem dormentes e meu corpo arrepiado de frio, fechei a torneira e suspirei alto.
Foi só um sonho Annabeth...
Voltei para o meu quarto e vesti uma blusa tentando manter o foco no que fazia. Sabia que voltar para a cama não era uma opção então caminhei até a que não possuía separação da pequena sala onde em um sofá Tobias estava dormindo tranquilamente. Evitei olhar para ele também.
Peguei minha garrafa de água da geladeira e fui para fora até a cabine de controle. O barco ainda estava indo á uma velocidade considerável, não sei como Percy conseguiu mantê-la mesmo dormindo.
Seus poderes estavam aumentando cada vez mais.
Chegando na cabine, Thalia ainda pilotava a mandei dormir que eu iria assumir, ela não protestou e foi embora.
Fiquei encarando o mar, estava tudo tão calmo que até mesmo consegui esquecer por um tempo os pesadelos.
Percy conseguiu negociar com os espíritos do Oceano para que nos levassem em segurança, no começo eu não entendia como iria conseguir, mas ele havia me contado sobre o presente e a conversa com seu pai e resolvi confiar em meu namorado que nessas horas deveria estar babando em seu quarto, fiquei tentada a ir acorda-lo para me fazer companhia.
Não pude deixar de sorrir com a lembrança do dia em que o treinador Hedge (um sátiro baixinho e viciado em golpes de Karatê que havia nos acompanhado em nossa jornada para as terras antigas) ficou furioso em nos encontrar no celeiro do Argo II.
Acho que se ele não estivesse ocupado demais com seu pequeno sátiro (ele era casado com uma ninfa dos ventos chamada Mellie) e as buscas por novos campistas, provavelmente não iria hesitar em vir conosco.
Mas Percy deveria estar exausto, já que não havia dormido na noite anterior então resolvi deixa-lo e ficar um pouco com os meus próprios pensamentos.
Com essa noite havia juntado mais peça para esse quebra-cabeça que nunca se completava, mas eu sentia que estava perto...
Respirei o ar puro e suspirei.
-Amanhã é outro dia Annabeth.
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