Percy Jackson - Uma Nova Profecia

18 XVI - Tomamos a decisão que parecia ser a correta.


Notas iniciais
Obrigada por continuarem acompanhando ; D

-Isso é bom não é? –Piper falou fixando o olhar em cada um de nós na esperança que concordássemos.

Quiron havia acabado de contar a proposta dos três campistas, e em parte era maravilhosa, pois daria uma folga para todos, mas tinha um pequeno detalhe que nos impedia de querer seguir em frente.

-Mas podemos confiar neles? –Jason suspirou olhando para Piper que o encarava sem acreditar nas palavras do namorado. –Quero dizer, a proposta é muito boa e nos tiraria um grande peso das costas. O fato de terem voltado dos mortos não me incomoda, já passamos por isso na ultima guerra e alguns são nossos amigos. –Ele falou olhando com o canto dos olhos para Hazel que não pareceu notar. –O problema é que morreram como traidores.

-Tudo bem Jason. Mas até onde eu sei o acampamento meio-sangue perdoou á todos os semideuses inimigos que sobreviveram.

-Eu sei Pipes só estou falando que...

-Claro. –Piper desdenhou com a mão. -Para que confiar em traidores não é mesmo?

-Eu não disse que eles...

-Falou sim e todos estão de prova, que nem da vez em que não concordou em salvar Nico di Angelo porque era uma armadilha.

Jason enrijeceu em sua cadeira e Piper o encarava desafiando á contrariar. Fiquei surpreso, eles estavam prestes a começar a brigar e eu nunca havia visto os dois daquele jeito, mas preferia que não acontecesse e Hazel deve ter pensado a mesma coisa, ela os interrompeu e voltou o assunto para o ponto principal.

-Em relação aos campistas, Frank e Annabeth os vigiaram durante todo o dia e não notaram nada de mais.

Olhei para Annabeth que parecia estar em outro mundo, fiquei pensando no que aconteceu na caverna, quando mais uma vez fui surpreendido com o fato de ela chorar, quer dizer, dava para contar nos dedos às vezes em que isso aconteceu, Annabeth era forte e não gostava de demonstrar sentimentos, nem mesmo quando foi obrigada a enfrentar seu maior medo, quebrou o tornozelo, foi puxada para um precipício que nos levou direto ás profundezas do tártaro, andou por uma praia de vidro, bebeu fogo liquido e enfrentou tantos monstros que eu até perdi a conta, derramou poucas lagrimas comparadas as daquela tarde.

A última vez que a vi assim foi anos atrás, quando saímos em uma missão em que ela ficou encarregada de nos liderar por um labirinto e o ultimo verso de sua profecia á fez se derramar em um rio de lagrimas, mas não gostava de pensar muito naquela época que parecia ter ocorrido em outra vida. Ambos estavam confusos, mas depois de tudo que vivemos juntos não há duvidas de que eu preciso dela em minha vida e fazemos parte um do outro, e ninguém até hoje conseguiu nos afastar, nem mesmo Hera com aquele plano de unir os dois acampamentos (longa história) foi capaz de me fazer esquece-la.

Mas ainda sim, se os boatos forem verdade não sei como Annabeth reagiria caso...

Empurrei esses pensamentos para bem longe e resolvi me concentrar na reunião.

-Eu e Annabeth os seguimos e realmente não percebemos nenhum comportamento anormal, só parei na hora do jantar, mas foi porque eles também estavam no pavilhão do refeitório.

Olhei para Jason que parecia estar muito interessado em seus tênis, Piper também não parecia estar com vontade de fazer mais nada além de mexer em seu cabelo refazendo sua trança lateral várias vezes, já Quiron, Hazel e Frank me encaravam esperando que desse a palavra final, me ajeitei na cadeira.

Acho que quando Annabeth não estava disponível eles esperavam que eu falasse as coisas mais inteligentes, até Quiron estava agindo dessa forma nesses últimos meses, claro que eu não gostava muito disso, fiquei com um dos cargos menos importantes no conselho só para não ter que tomar as decisões finais, mas eles não pareciam ter entendido.

-Acho que devemos esperar para aceitar a proposta, realmente em ambas as guerras perdoamos e acolhemos os “traidores”, mas Jason está certo, não podemos confiar os nossos acampamentos em pessoas que acabamos de conhecer. Vamos vigia-los 24 horas por dia, se der Frank e Annabeth podem fazer isso, com a ajuda de outros campistas como os de seus chalés quando estiverem juntos.

Todos concordaram com a cabeça, já Annabeth estava do mesmo jeito.

-Muito bem, agora o que nos resta fazer é ter uma boa noite de sono que amanhã será um dia longo.

Quiron falou enquanto ajeitava seus papéis da mesa, nós nos levantamos e começamos a sair, esperei por Annabeth que não parecia estar com pressa, o centauro pediu que eu fosse que ele se encarregaria dela, não gostei muito da ideia, mas Quiron era como um pai para todos e eu confiava em seus conselhos.

Despedi-me de Annabeth e fui direto para meu chalé.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

Meu sonho começou no acampamento, lá estava eu com 12 anos de novo na enorme arena de esgrima, meu antigo professor Luke ensinava a como dar estocadas.

-Mantenha a guarda alta Percy. –Então ele me dava um golpe com a parte chata da lâmina nas costelas. –Não, não tanto assim! –E novamente me golpeava. –Afaste-se. –E de novo.

Quando finalmente demos uma pausa meu rosto estava ensopado de suor e eu ofegava. Então o sonho mudou para a mesa de jantar do Argo II, nós sete estávamos reunidos, provavelmente fazendo algum plano, tudo que eu via eram as bocas se mexendo sem emitir nenhum som. Leo fazia gestos com a mão como se estivesse contando uma piada, fiquei com saudades desses dias, pois por mais que as coisas estivessem ruins, sempre tínhamos alguém para nos alegrar.

O Argo ll desapareceu e deu lugar á uma sala, de inicio não reconheci o lugar, mas então vi Reyna sentada em sua mesa junto com seu dois cães de ouro e prata, ela tinha olheiras ao redor dos olhos como se não dormisse há dias, estava com o olhar distante e sussurrava algo, cheguei mais perto para tentar ouvir, mas só consegui pegar uma parte com sua voz rouca e cansada.

-Preciso encontra-lo. O acampamento precisa dele.

Então alguém bateu na porta e Reyna se recompôs, nem parecia que estava prestes á chorar.

-Pode entrar.

A porta se abriu e um clarão invadiu toda a sala, quando finalmente consegui abrir os olhos, estava em outro local. As nuvens eram vermelhas e o céu era cinza, de longe era possível ouvir lamentos de almas condenadas.

Estava no Mundo inferior nos campos de punição, na minha frente duas garotas penduradas em uma corda que estava por um fio, gemiam de dor, me aproximei e meu sangue ferveu de raiva quando vi Annabeth e Thalia. Corri para salva-las, mas então notei que elas estavam acima de um buraco tão fundo que poderia ir direto as profundezas do Tártaro, antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa alguém começou a falar.

-HAHAHAHA!!! Você acha mesmo que vai a algum lugar? Não tem escapatória, nem para você nem para as pessoas que você ama.

-Não me interessa o quanto fale, sei que o que planejo irá dar certo. E quando tudo acabar vou atrás de você... mas se quiser adiar seu fim, mostrando sua verdadeira identidade e as soltando, posso prometer ser menos cruel.

—HAHAHAHA!!! Ainda ousa me desafiar? Mesmo sabendo que a vida de suas amigas está em minhas mãos? Acho que estava certo desde o começo em suspeitar de que não se importa com ninguém além de si mesmo.

-Você não sabe nada sobre mim! Nem da minha vida, então pare de fazer jogos psicológicos, pois isso não irá funcionar.

—Não estou fazendo jogo nenhum, você ainda não percebeu o que fiz por você? Estou apenas lhe mostrando a realidade de como sua vida foi, assim como um amigo faria, até porquê, como já deve ter notado, sua vida é e sempre será uma completa roda de mentira, desilusão e traição.

Varias imagens começaram a aparecer, muitas delas eu já havia visto ou presenciado, era como um flashback da vida de outra pessoa...

Nesses últimos meses tenho aperfeiçoado minha técnica de desviar de pesadelos, Quiron e Reyna me ajudaram a distorcer os meus sonhos para o que eu quisesse ver, e depois de um tempo era muito fácil fazer isso, mas infelizmente não funcionou daquela vez, mesmo depois de pensar em todos os momentos bons que tive no decorrer da minha vida.

Olhei para a pessoa acorrentada que encarava o vazio, enquanto dava uma gargalhada que antes assustava á todos os seus inimigos.

-Se você é realmente meu amigo, fará o que é certo e irá soltá-las para que possamos resolver isso de outra maneira, estou até levando em consideração desistir de tudo e aceitar as consequências...

-Devo admitir que sua persistência me surpreende, mas como eu disse antes, não adianta tentar, até porquê, você não deve me culpar por tudo isso!

-Eu não...

—Quer mesmo que eu as solte? Se você acha que existe a mínima chance delas te aceitarem de volta está completamente enganado, pois ele estará lá e pode ter certeza que elas irão correr direto para os braços dele!

-De quem...

—Não se faça de idiota. Sabe muito bem de quem estou falando, pois foi ELE quem as tirou de você! Foi ELE que convenceu todos que você amava a te deixar de lado...

-Isso é men...

-É graças a ELE que está aqui...

-Pare...

-Pois foi ELE quem decidiu seu destino uma vez e será o responsável por te trazer de volta ao tártaro!

-Nãããããoooo!!!!!

Acordei com contracorrente em minhas mãos olhando ao redor procurando por uma ameaça, mas ainda era o mesmo chalé de sempre.

Suspirei pesadamente ainda sentindo o corpo todo tremer, então afastei as imagens do sonho de minha mente.

Algo grande estava para acontecer, não sabia se aquilo era real, os sonhos de semideuses poderiam nos mostrar um pouco do futuro, algumas vezes do passado e outras do que estaria ocorrendo...

Mesmo ele sacrificando sua vida para impedir que o titã Cronos se reerguesse ainda sim não foi o suficiente e os deuses não mediram esforços em sua punição.

Meu sangue ferveu e passei a mão no rosto.

O que precisaríamos fazer para mostrar que éramos dignos de descanso?

Mas uma coisa eu tinha certeza, independentemente de qual dessas teorias estivesse certa, este sonho se referia ao meu antigo professor de esgrima, Luke Castellan.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

Depois do café, peguei a lista de afazeres. Havia conversado com Quiron que concordou em deixar Tobias no meu lugar como professor de esgrima pela parte da manhã, então a minha rotina mudou para dar aula de canoagem.

Os ensinei á como sobreviver em um bote com destino as terras antigas ou ao mar de monstros, não que eu desejasse que qualquer um se aventurasse em um desses locais, mas é sempre bom estar prevenido.

A concha soou e todos foram dispensados para o almoço, peguei meu prato e fui direto ao meu lugar, sem passar pela oferenda dessa vez.

Após o almoço, fui para a arena de esgrima, mas antes que pudesse chegar ouvi um grito e segui todos os olhares até o pinheiro de Thalia onde um monstro enorme estava atacando, os filhos de Hécate devem ter pegado no sono.

O bicho tinha cabeça de leão com as jubas sangrentas, cascos e corpo de bode com uma serpente no lugar da cauda, ele rugiu e vários centimanos apareceram. Todos foram a batalha.

Ataquei aos que estavam próximos e segui em direção á Quimera, Jason e Annabeth se juntaram a mim, fiquei aliviado dela estar bem e com um único olhar sabia que pensava o mesmo.

Nós três atacamos, trabalhamos em equipe sabendo qual era o passo um do outro, já havíamos feito isso várias vezes.

Mas as coisas começaram a dar errado quando Jason invocou um raio perto demais de Annabeth que foi jogada para o lado de um centimano, corri em sua direção ignorando o fato do monstro estar jogando seu veneno para me atingir, invoquei uma torrente de água em cima do centimano que acabou virando poeira. Então mantive uma espécie de escudo aquático envolta de mim.

Me aproximei de Annabeth que se levantou mostrando estar tudo bem, porem percebi tarde demais que a Quimera estava muito perto, o escudo aguentaria os primeiros ataques que daria tempo para nos prepararmos. Mas uma corrente de flores o puxou para longe, olhei na direção da nova campista que nos encarava com um sorriso.

Abaixei o escudo e agradecemos, voltando para junto de Jason que estava caído no chão inconsciente, sua expressão era de dor e havia marcas de garras em seu peito.

Piper correu até nós. –Seu filho de Júpiter idiota! Eu disse para me esperar!

Procurei por alguém que pudesse trazer néctar, mas os gritos me fizeram olhar em outra direção.

A Quimera estava chegando perto da casa grande e os campistas mais novos gritavam em desafio com as armas de esgrima nas mãos, eles levaram muito á sério a parte da ultima defesa do acampamento.

-Vão! Eu cuido dele.

Concordamos com Piper e seguimos até o monstro, joguei uma explosão de água o mandando para perto de Tainara que com alguns gestos de mão começou a fazer crescer flores aos pés/cascos da Quimera, Annabeth o distraia para que ele não notasse o que ocorria. Me juntei á ela e em questões de segundos tudo exceto a cabeça do monstro estava coberto. Á olhei impressionado.

-Como você...

Ela deu de ombros. –Sou filha de Perséfone.

Me xinguei mentalmente por isso, era estranho pensar que Perséfone teve uma filha semideusa, poderia confundi-la com alguém do chalé de Deméter.

O monstro rugiu.

-Esta se soltando!!!

Gritou Annabeth.

Uni minhas forças para puxar dentro de mim uma quantidade grande de água. Há muito tempo descobri que não preciso ter água por perto para controla-la e treinei essa técnica nesses últimos anos.

Depois que já havia conseguido o suficiente, joguei tudo na direção da Quimera que tentou intercepta-lo com veneno, foi a distração que precisava, Annabeth ficou invisível e desferiu um golpe mortal no monstro, restando apenas galhos secos e poeira.

Todos estávamos ofegantes, mas não havia tempo de respirar, a batalha continuava as nossas costas...

A luta durou o resto da tarde, parecia que a cada dez que mandávamos para o tártaro, vinte ocupavam seu lugar.

Dois campistas morreram. Um deles era do chalé de Apolo, se chamava Finn, o garoto tinha 14 anos e estava conosco apenas á dois meses, já o outro era do chalé de Ares, havia chegado na semana passada, seu nome era Christofer e tinha 12 anos.

Meu sangue ferveu só de pensar o que raios eles estavam fazendo na luta, os que haviam chegado recentemente e não possuíam treinamento adequado eram mandados para a casa grande durante os ataques, mas todos estavam ocupados demais protegendo o acampamento e tentando salvar suas próprias vidas, então não há quem culpar e confesso que até mesmo eu não gostaria de ficar me escondendo enquanto minha casa era atacada, mas mesmo assim a raiva e o cansaço tomaram conta de mim.

Quiron resolveu que seria melhor queimar as mortalhas no dia seguinte, pois todos já haviam se estressado o suficiente. Ele nos liberou para descansarmos antes do jantar e fui direto para o banheiro do meu chalé deixando mais uma vez as perdas e a batalha para trás...

O banho não durou tanto quanto eu gostaria e Annabeth me convocou para irmos até a sala de reuniões, quando chegamos os outros já estavam lá e Quiron foi direto ao ponto.

-Não podemos ignorar o fato de que o que aconteceu hoje foi um lembrete de que ainda estamos sobre ataque e o chalé 20 não está mais aguentando. –As mortes pairaram sob nós. -O combinado era esperar e observar, mas precisamos de uma resposta e já. –Quiron tinha a voz firme deixando claro que não estava aberto para discussões.

-E tem mais uma coisa.

Todos olharam para mim e ficaram em silêncio, contei á eles a parte do meu sonho em que incluía Reyna, achei melhor não falar do resto, não fazia ideia de qual seria a reação dos outros principalmente de Annabeth.

Frank e Hazel comunicaram que iriam para o acampamento Júpiter logo depois da reunião semanal no dia seguinte. Eles trocaram de lugar com os outros, já que Frank era pretor e Reyna precisava de apoio. Aquilo foi o suficiente para encerrar o assunto, todos concordaram que não havia outra escolha.

Era daquilo que precisávamos.

Pelo menos por enquanto.

Notas finais
★♡★