Percy Jackson - Uma Nova Profecia
17 XV - Uma parte da profecia é revelada.
Notas iniciais

-Muito bem, o treino acabou e estou impressionado com o desempenho de vocês hoje.
Os campistas deram sorrisos cansados enquanto apertavam a mão do colega. Minha ultima turma do dia eram crianças de 8 anos que mal conseguiam segurar a espada direito e se distraiam facilmente, mas mesmo assim faziam o melhor que podiam e aprendiam muito rápido, para mim, essa era a melhor turma que treinei nesses últimos meses.
Claro que eles não são tão habilidosos quanto os campistas mais velhos, mas são apenas crianças que deveriam estar brincando e estudando, não batalhando pelas suas vidas.
-Professor?
Olhei para a fila de crianças e meus olhos focaram em Arthur, o único com 7 anos de idade em todo o acampamento, ou seja, ele era o mais novo o que o tornava mais fraco também, ao menos na teoria.
Levantei a sobrancelha. -O que eu falei sobre me chamar de professor?
Arthur corou um pouco envergonhado. -Desculpe. Percy?
Sorri em sua direção. -Diga Arthur.
Ele deu um passo a frente mais determinado. -Quando é que iremos matar algum monstro de verdade?
Os outros ficaram inquietos, concordando com ele.
-Não se preocupem, vocês são a ultima defesa do acampamento, caso tudo falhe poderemos contar com os campistas mais corajosos.
Pisquei e apontei para todos eles que começaram á falar ao mesmo tempo, mostrando como matariam e mandariam de volta para o tártaro qualquer um que ousasse destruir o acampamento.
-E quando isso vai acontecer?
-Assim que vocês conseguirem derrotar nosso maior inimigo. –Fiz cara de suspense, enquanto todos se calavam e me olhavam sem entender.
-É o seu enorme cachorro?
Olhei para a senhora O´leary que mastigava tranquilamente um dos bonecos de treino.
-Não, é ainda pior.
Isso fez com que todos arregalassem os olhos e começassem a se mexer desconfortavelmente. Para eles, a Sra. O´leary era o pior de todos aqui no acampamento (isso porque não conheceram a Clarisse na época em que ela enfiava a cabeça dos campistas na privada), isso me divertiu um pouco, olhei para trás e encontrei exatamente quem eu queria.
–Ela amedronta até a minha pobre cachorra, tem cabelos loiros, olhos penetrantes que fazem você se encolher todo e ouvi histórias que foi ela quem ajudou um herói muito legal á derrotar o líder dos titãs.
Isso os deixou mais desconfortados, eles ficaram olhando ao redor e cochichando um para outro quem poderia ser, até que Arthur tomou a frente e disse:
-E que monstro é esse?
-Eu não diria isso se fosse você. Ela não se parece nem um pouco com um monstro, mas é tão má quanto.
-Vocês querem saber o que mais?
Dessa vez eu não havia dito nada, todos pegaram suas espadas de treino e se colocaram em posição de ataque, olhando ao redor a procura da voz.
-Ela tem um namorado super irritante que gosta de por medo em seus alunos.
Annabeth apareceu do meu lado com o boné de inviabilidade em sua mão e um sorriso travesso na cara. Os campistas se assustaram de inicio pelo modo como ela surgiu de repente, mas depois que viram quem era começaram a rir e correram abraça-la quase a derrubando.
Não pude deixar de rir com a cena enquanto observava o quanto eles gostavam dela. Quando enfim a soltaram, ela colocou o braço no meu ombro com um sorriso brilhante.
-Muito bem, a aula acabou, quero que todos estejam prontos antes do jantar, agora eu vou roubar esse cabeça de alga. Ok.
Eles concordaram e se retiraram.
-Então quer dizer que você tem um namorado muito irritante? –Cruzei os braços e a encarei.
Annabeth se afastou. –Irritante é pouco, ele é a pessoa mais insuportável que eu já conheci em toda a minha vida. -Ela me imitou e levantou a sobrancelha me desfiando a duvidar.
A encarei com a minha melhor cara de mal, então puxei sua cintura e comecei a girá-la no ar fazendo-a soltar um gritinho de surpresa.
Ela ria mandando que eu a soltasse, mas tudo que fazia era girá-la mais. Porem comecei a ficar zonzo e acabei a derrubando nós dois na grama.
Annabeth ainda estava rindo enquanto seu cabelo recém lavado se esparramava no chão como uma cascata dourada.
Me debrucei encima dela e fiquei a encarando enquanto sua expressão mudava para um sorriso tranquilo... Como queria vê-la desse jeito mais vezes...
-Posso ser irritante, mas sou a pessoa mais feliz do Mundo ao lado da minha sabidinha.
Seu sorriso se ampliou e não aguentei esperar, me abaixei mais e a beijei ali mesmo, no meio do campo de esgrima. Ouvi seu suspiro e isso só fez com que eu aprofundasse nosso beijo até que meus lábios começaram a ficar dormentes e precisei urgente de fôlego.
Ambos estávamos sorrindo quando nos levantamos. Comecei a tirar a grama de seu cabelo enquanto Annabeth passava a mão pela minha roupa de esgrima. Sorrimos novamente quando nossos olhares se cruzaram.
-Achei que iriamos nos encontrar lá. –Falei ainda a encarando.
Annabeth deu de ombros enquanto segurava a minha mão. -Você estava demorando demais, então resolvi vim busca-lo.
É claro que ela veio.
Sorri mais e a puxei para perto dando um beijo em seu cabelo e a arrastando para o vestiário.
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—Realmente está muito bom. –Falei depois de enfiar o ultimo pedaço do meu misto quente na boca.
-Obrigada. –Peguei a garrafa de suco que estava na mão dela e tomei um gole. –Este lugar é tão calmo.
Concordei com a cabeça, estávamos em uma pequena caverna perto de uma gruta que ficava escondida no meio das arvores, os únicos que sabiam disso era eu, Annabeth, Thalia e Grover.
Encontramos esse lugar quando estávamos jogando caça-bandeira, a caverna parece ser encantada, ela muda o clima de acordo com a nossa vontade e tem uma vista perfeita de todo o lago.
Annabeth abriu o pacote de cookies e me ofereceu, enquanto comíamos ela falou:
-Então... Conte-me como foi seu dia de aniversariante.
Contei tudo do meu emocionante dia, ela riu de algumas partes, mas quando cheguei à minha tarde como professor de esgrima, sua expressão mudou.
-O que foi?
-Nada.
-Claro que tem alguma coisa te incomodando e nem tente esconder de mim, eu te conheço desde os 12 anos.
Ela bufou e enfiou o resto do cookie na boca, o que a deixou engraçada, mas contive o riso.
-Você tem que tomar cuidado Percy, os seus poderes estão ficando fora de controle e...
-Pode parar por ai. –Desencostei da pedra e levantei os braços. -Primeiro, sei que não é isso. Segundo, sabe muito bem que eu consigo controlar os meus poderes e terceiro, você não pareceu nem um pouco surpresa quando falei do telefonema da minha mãe e sua expressão só mudou na parte da aula de esgrima com o novo campista Tobias. Então ou você me conta o que está acontecendo ou irei descobrir sozinho.
Achei que ela ia me bater, xingar e sair pisando duro como geralmente acontece, mas dessa vez Annabeth me surpreendeu mais uma vez. Ela me abraçou e começou a chorar.
Fiquei sem reação, estava esperando por golpes ninjas e palavras confusas em grego.
-Ei. Desculpe. Só me diga o que esta acontecendo para que possamos sair dessa juntos. Ok?
Ela fungou, limpou as lagrimas e tomou um longo gole de suco depois me encarou.
-Você esta certo...
-Tudo bem, acho que você deve ter ficado doente. –Ela fechou a cara e me deu um soco no braço. –Ou não.
-Não me provoque senhor Jackson.
-Ok, desculpa, pode continuar.
-Ótimo. –Annabeth olhou para fora da caverna e continuou. –Eu não fiquei surpresa, porque aconteceu a mesma coisa quando liguei para meu pai e com Piper também. Está tudo muito difícil lá fora, os deuses estão descontando sua raiva nos mortais e o pior de tudo é que não podemos fazer nada...
-Quiron me falou que as tempestades estão piorando.
-Exatamente.
-Você acha que nossos pais correm perigo?
-Ainda não, eles estão apenas mostrando quem é que manda, assustando as pessoas.
-Eu não entendo. –Me recostei novamente e esperei que ela se aconchegasse em meu peito.
-Estamos no meio de mais uma grande profecia, e elas estão acontecendo tão perto umas das outras que chega a assustar. –Annabeth começou a passar a mão sob meu braço que estava a sua volta.
-Quem serão os escolhidos dessa vez?
-Eu não sei, entrou tantos campistas novos que fica difícil, e ainda tem a possibilidade de ser um romano.
-Bom, pelo menos os deuses estão cumprindo com a parte deles.
Ela balançou a cabeça, pegou um mini bolo azul da cesta de piquenique, partiu ao meio e me entregou um pedaço.
-Obrigado, foi você que fez?
-Dessa vez foi apenas Tyson.
-Ele esteve aqui? –Me endireitei olhando para a frente como se o grandão pudesse aparecer naquele instante.
-Sim, chegou hoje cedo, ele estava louco para te ver, mas não queria incomodá-lo no seu “trabalho”, então enquanto esperava fez esse bolo. –Annabeth sorriu enfiando o próprio pedaço na boca.
-E depois do almoço, por que não foi falar comigo?
-Ele recebeu uma mensagem urgente de Nico.
-Nico? -Fiquei um pouco surpreso, fazia dois meses que ele não dava noticias, desde que havia ido para o Mundo inferior, na tentativa de falar com Hades.
-Também fiquei surpresa, mas pelo que Nico disse as coisas estão ainda piores no palácio do seu pai, que aparentemente é o único deus que ainda não se juntou a causa de Zeus.
-E o que ele queria com Tyson?
-Ele pediu para Tyson levar algum objeto muito importante que estava com Hazel, não faço a mínima ideia do que era, mas parecia urgente.
-Tudo bem, mas por que pra ele?
Ela deu de ombros. –Não se preocupe, Hazel foi junto, ele prometeu voltar antes do nosso teste de sabedoria.
Levantei a sobrancelha. –Teste de sabedoria?
-É como ele chama a nossa reunião com os novos campistas que chegam, Tyson acha que só os mais inteligentes podem ficar no acampamento.
-Claro que acha. –Sorri com o canto dos lábios e comi meu pedaço. -Mas não é só isso.
Annabeth me encarou sem entender. –Como assim?
-Você ainda não me disse o que eu realmente quero saber.
Ela levantou as sobrancelhas. -Sério que você vai insistir com isso?
-Sim.
Annabeth bufou fazendo com que uma mecha de seu cabelo voasse e caísse em seu olho de novo.
-Escute Percy. Eu ainda não tenho certeza de nada, nesses últimos dias ando tendo sonhos estranhos envolvendo coisas perturbadoras.
-Então me fale o que é para que eu possa te ajudar.
-O problema é que eu ainda não juntei todas as peças, preciso primeiro ter certeza, mas não se preocupe que você será o primeiro, a saber, Ok?
-Ok. –Fechei a cara, mas ela fingiu não perceber, então me abraçou e agradeceu.
Resolvi mudar de assunto enquanto nos acomodávamos de novo. –Me conte como foi seu dia.
Annabeth suspirou feliz. -Cumpri com todas as minhas obrigações, falei com Rachel e Tyson e depois com Andressa.
-Elas já voltaram?
-Sim, as coisas não estão tão ruins assim, os nossos compradores renovaram o contrato e há mais pessoas interessadas.
-Isso é muito bom.
-Com certeza.
-E qual é a má noticia?
Silêncio.
-Elas encontraram um sátiro no caminho de volta...
-E?
-Morto...
Meu coração disparou. –E como ele era?
-Não foi possível identifica-lo, além do cabelo encaracolado e a camiseta do acampamento.
Fiquei um pouco mais rígido. -Como assim?
O silêncio pesou novamente.
-O sátiro foi encontrado desfigurado na floresta...
-O que? –Á encarei e ela parecia desconfortável com o assunto.
-Andressa falou que ele pode ter sido esmagado por um ciclope.
Rangi os dentes. –Faz quanto tempo?
-Dois dias.
Senti meu rosto esquentar. Cerrei os punhos e estava com uma enorme vontade de socar tudo, apesar de saber que não daria muito certo descontar minha raiva nas paredes.
-Eu sei o que você esta pensando Percy, mas não é o Grover.
-Como pode ter tanta certeza? Faz...
-Três dias desde a ultima noticia, mas quando ele entrou em contato estava no Brasil e suspeitava de dois jovens que poderiam ser semideuses e assim que ele tivesse certeza voltaria para o acampamento. Isso aconteceu á apenas três dias, não tem como em menos de 24 horas Grover ter confirmado tudo, falado com eles e arrumado um jeito de voltar para Nova York.
-Você não sabe. Já fizemos coisas mais perigosas em menos tempo.
-Eu sei, mas Grover esta bem e logo, logo ele estará de volta.
Me forcei a acreditar. -Tudo bem, mesmo que não seja Grover, ainda sim é um dos nossos e não podemos fazer nada.
Annabeth pressionou os lábios tentando soar positiva. -O chalé de Hécate deu um jeito de mantê-los seguros.
-Não é o suficiente. Eles estão se cansando com mais facilidade, precisamos agir e rápido.
Ela ia dizer algo, mas a concha soou. Estava na hora do jantar.
Annabeth pegou tudo, se levantou e me ofereceu sua mão.
-Vamos cabeça de alga, ainda temos muito que fazer.
É claro que temos.
Coloquei a mão no bolso onde o apito, o envelope, as passagens e as chaves do meu novo carro pesavam como um lembrete. Estava louco para mostrar tudo isso á Annabeth, mas não aqui.
Peguei sua mão e saímos juntos da caverna, olhei para a lua e senti um arrepio como se alguém estivesse nos observando.
-Esta tudo bem?
-Sim.
-Vamos?
-Sim, mas não para o refeitório.
Ela me olhou confusa. -O que você esta aprontando Percy?
-Nada. –Ela levantou a sobrancelha o que me fez rir. –O que acha de jantar bolo de aniversário azul?
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A concha soou novamente, saímos do escritório e fomos até a sala de reuniões, sentamos em nossos lugares, Annabeth me olhou e segurou o riso.
-Que foi?
-Sua cara esta azul.
-Quê?
Ela revirou os olhos, levantou, pegou um pedaço de papel da mesa de canto e limpou meu nariz com um aperto leve.
-Obrigado. –Passei a mão na cara o que á fez rir. A porta se abriu e Frank e Hazel entraram.
-Feliz Aniversário Percy!!! –Os dois falaram juntos.
-Obrigado!!! –Sorri abertamente para eles.
-Eu só não falei nada antes porque estava esperando o Frank.
-Não se preocupe. –Ela me abraçou e retribui o gesto.
-Desculpa não dar nada é que...
—Ei. –Me afastei e a encarei sério. -Pare com isso, eu não me importo, fico feliz de terem lembrado.
Ela sorriu e sentou ao lado de Frank que fez um toquinho como cumprimento, logo em seguida Piper e Jason apareceram e sentaram. Olhei para Hazel.
-Sabe onde Tyson esta?
Ela pareceu um pouco sem jeito. –Depois que chegamos ele recebeu uma mensagem urgente do acampamento Júpiter e pediu para que eu o levasse, Tyson não ligou de viajar pelas sombras, seu irmão é muito corajoso.
-É eu sei.
Abaixei a cabeça, parecia um pouco egoísta da minha parte querer ele perto de mim com tudo isso acontecendo, mas ainda sim Tyson era meu irmão e fazia um mês que eu não o via.
-O acampamento está com problemas? –Olhei para Jason que parecia muito preocupado.
-Eles receberam outro ataque e os semideuses não estão se dando muito bem, Reyna está tentando manter tudo sobre controle, mas ela me perguntou quando um de nós poderá ir lá para ajudar.
-Se tudo ocorrer como o previsto, vamos para lá amanhã mesmo. –Frank se recostou na cadeira parecendo estar com milhares de coisas na cabeça.
-Eu e Jason podemos ir também. –Piper falou para o pretor que assentiu.
Quiron apareceu com a nova campista e o assunto acabou.
Á cumprimentamos e ela se sentou, a menina parecia um pouco desconfortável, ela estava com os longos cabelos pretos em formato de trança, usava uma calça jeans escura com a camiseta do acampamento, seu rosto possuía traços indígenas assim como os de Piper e seus olhos eram castanhos penetrantes.
-Muito bem, agora que estão todos aqui podemos dar inicio á reunião. Eu sou Quiron, o diretor do acampamento.
Todos nós nos apresentamos e Quiron continuou:
-Tainara apresente-se e nos conte um pouco sobre você, por favor.
-Meu nome é Tainara, tenho 18 anos, sou filha de Perséfone. Meu pai morreu quando eu tinha 13 anos e fugi da casa dos meus avós, fiquei andando sem rumo até que encontrei um garoto chamado Luke.
Annabeth prendeu a respiração e arregalou os olhos, na verdade todos estavam surpresos com a revelação... Ela era um dos muitos semideuses que se juntou á Cronos.
O silêncio se alastrou um pouco e Quiron pediu para que continuasse.
-Ele me ofereceu um lugar seguro e treinamento adequado e tudo o que eu tinha que fazer era me juntar á ele. No começo parecia ser a coisa certa, mas conforme os anos se passaram eu comecei a ver o que realmente estava acontecendo...
-E o que você fez?
-Nada... Quer dizer, durante aquele tempo eu fiz dois amigos que concordavam comigo.
-Júlio e Tobias?
-Sim, o problema foi que não sabíamos como desistir...
-E o que vocês fizeram?
-Percy. Deixe ela terminar, depois fazemos as perguntas.
-Foi mal, me empolguei. –Eles riram o que diminuiu a tensão na sala, Quiron pediu para que ela continuasse.
-Nós armamos um plano para escapar, mas antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, Júlio foi convocado para participar de uma missão, nenhum de nós sabia o que era e o plano seria irmos embora assim que ele voltasse. A questão é que Júlio não voltou mais e nós só descobrimos tarde demais que nossos planos haviam dado errado.... Depois eu e Tobias tentamos fugir mais algumas vezes, mas éramos pegos e castigados. –Ela estremeceu, provavelmente lembrando-se dos ocorridos. –Cronos não podia arriscar perder forças, então ele resolveu nos separar. Tobias foi mandado junto com a maior parte do exército para Manhattan onde iriam esperar para destruir o Monte Olimpo, já eu fiquei no Princesa Andrômeda. O titã havia sido informado de que o navio seria atacado e nos preparou para isso...
Meu coração parou, uma sensação de frio passou por todo o meu corpo, não precisava ouvir o resto para saber do que ela estava falando...
A noite em que eu e Beckendorf invadimos o Princesa Andrômeda, o navio fantasma de Luke, até onde eu sabia não foram muitos os sobreviventes da explosão que provocamos. Charles sacrificou sua vida na tentativa de matar Cronos, o plano falhou, mas reduziu um pouco o número de monstros e de... semideuses... que enfrentamos em Manhattan.
Voltei a olhar para Tainara.
-... Depois que o navio explodiu fui parar no Mundo inferior onde os juízes me deram a sentença e me enviaram aos campos de punição. -Ela se remexeu nervosa na cadeira. -Acho que um tempo depois. –Tainara franziu as sobrancelhas tentando lembrar. –As horas eram um pouco confusas, mas pareceu se passar uma eternidade quando as coisas lá começaram a ficar estranhas. Os fantasmas estavam fugindo, consegui escapar e por sorte encontrei Júlio e Tobias que também fugiram, então Júlio fez um feitiço de proteção para que ninguém viesse atrás de nós.
A sala ficou em silêncio, não estávamos surpresos pelo fato dela ter voltado dos mortos, isso aconteceu muito durante a batalha contra Gaia, nossa amiga Hazel é de 1940 (longa história), o problema é que a maioria dos que voltaram não eram muito amigáveis, principalmente se for levar em consideração da época em que eles morreram...
Foi durante a Guerra de Cronos. Os três foram mandados para os campos de punição por ficarem do lado errado. Isso me deixou revoltado, nenhum deles teve culpa do que aconteceu, todos foram manipulados por Cronos, até mesmo Luke se deixou levar por um pequeno ódio que possuía de seu pai. Quando a guerra acabou, os semideuses “inimigos” ganharam uma segunda chance no acampamento, mas nunca havia me perguntado o que teria acontecido com os que morreram como traidores. Porem eu deveria ter imaginado que os deuses não teriam clemencia...
-Percy você ainda está aqui? –Olhei para Annabeth que tentava não rir, provavelmente eu deveria estar com cara de paisagem.
-Perdi alguma coisa?
Ela revirou os olhos, mas antes de responder, um menino entrou na sala.
Nesses últimos anos tenho aperfeiçoado minhas táticas de ler as pessoas, isso ajuda muito na hora de diferenciar o inimigo do bonzinho.
Neste caso, esse campista (que imaginei ser o Júlio), usava calça e a camiseta do acampamento, era um pouco alto e magro (não esquelético e doentio como Octavian), seu jeito de andar e a postura ereta o faziam lembrar um soldado, com o corpo atlético como se tivesse recebido treinamento especial, parecia ser o tipo de cara que você não gostaria como inimigo.
Foi o que pensei até ver sua cara, ele usava uma touca verde que cobria todo o cabelo, mas quando Júlio se sentou vi que na verdade não havia nada em sua cabeça além de seu próprio cabelo que realmente era verde, imaginei que não seria bom ele ficar perto dos Pégasus...
Seu olho era roxo e brilhante o que não combinava com a postura e expressão de um militar, mas achei melhor deixar esse comentário apenas para mim.
Apresentamo-nos assim como da primeira vez e então ele começou a contar sua história.
Júlio morava com seus avós até que um dia sua casa foi invadida por monstros que o levaram até Luke, obrigando-o a participar de seu exército, em troca seus avós iriam viver. No tempo que passou lá, descobriu sua origem e conheceu outros dois semideuses (Tobias e Tainara), que juntos resolveram fugir, mas antes que pudessem completar seu plano foi mandado para uma guerra em um labirinto, de acordo com Júlio, ele não chegou ao seu destino, pois a primeira horda de monstros voltou correndo alegando que um deus estava ajudando o inimigo, e um pouco antes deles chegarem no final, todo o labirinto foi destruído. Depois sua história ficou igual á de Tainara, ele morreu, foi para os campos de punição, fugiu e fez um feitiço de rastreamento para encontrar seus amigos.
Como ninguém fez perguntas Quiron o liberou e pediu para chamar Tobias.
Eu não havia reparado nele antes, o garoto (de 21 anos) era mais ou menos do meu tamanho, usava shorts ao invés de calça e uma camiseta sem mangas do acampamento deixando que seus músculos aparecessem, tinha cabelos pretos e olhos castanhos, parecia um semideus comum, mas alguma coisa nele era familiar... apesar de não saber de onde essa ideia surgiu.
Fizemos o mesmo procedimento como das primeiras vezes então ele contou sua versão da história.
Tobias morava com a mãe que sempre foi uma pessoa muito boa e legal, quando ele falou isso parecia estar sentindo um gosto amargo na boca, mas como ninguém mais reparou achei que era coisa da minha cabeça.
Ela morreu em um acidente de carro quando ele tinha 7 anos, fugiu do seu lar adotivo, mas foi pego por um policial um tempo depois e mandado para outro lugar, depois de alguns anos Tobias fugiu da sua nova casa e dessa vez quem o encontrou foi Luke que lhe mostrou toda a verdade o convencendo de entrar para seu exército.
Depois disso sua história ficou igual a dos outros dois, a única diferença foi que ele morreu na batalha final em Manhattan.
Quando terminou, Quiron agradeceu e permitiu que ele saísse.
Toda a sala ficou em silêncio depois disso, olhei ao redor e percebi que estavam tentando juntar as peças que faltavam do quebra-cabeça. No mesmo instante um trecho da profecia veio a minha mente e percebi que estávamos prestes a embarcar em mais uma jornada muito perigosa.
Três da morte irão surgir.
O que carrega a marca dos titãs á todos irá trair.
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