Percy Jackson - Uma Nova Profecia
16 XIV - Recebo um presente do meu pai.
Notas iniciais

Estava sentado, olhando pela janela do meu escritório, de lá dava para ver todos os chalés, a torre de escalada e o campo de esgrima, onde vários semideuses treinavam junto com Jason.
Era para eu estar dando aula de grego, mas já estava 30 minutos atrasado e tenho certeza de que meus alunos estavam aliviados de terem aula com a minha substituta, Piper.
A única coisa ruim é que eu não teria nem chance de competir pela casa grande...
Acho que essa última informação não deve estar se encaixando não é mesmo?
Sem problemas, eu explico, mas pra isso terei que voltar um pouco no tempo...
Alguns meses atrás nosso oráculo Rachel lançou uma nova profecia, felizmente apenas Quiron ouviu e ambos concordaram que não era necessário incomodar os outros com mais uma profecia que poderia levar séculos, décadas, anos, ou como somos muito sortudos... Dias para acontecer.
Naquela mesma noite o Sr. D (Dionísio, deus do vinho e ex-diretor do acampamento, como castigo de Zeus), foi convocado para uma reunião urgente no Monte Olimpo. Três dias depois o acampamento foi atacado, as três furi... Quer dizer, benevolentes, atravessaram as barreiras mágicas como se elas nem existissem.
Os campistas que ficam o ano inteiro foram pegos desprevenidos e por sorte não morreram.
Quiron foi checar o pinheiro de Thalia para ter certeza de que ele não havia sido envenenado de novo (aconteceu alguns anos atrás, nosso antigo inimigo Luke tentou controlar uma profecia, acontece que coisas como essas não podem ser modificadas e ele aprendeu isso da pior forma possível, claro que no fim acabou tudo bem, ele fez a coisa certa e está nos campos dos elísios), porem não tinha nada no pinheiro e Peleu o dragão guardião, estava dormindo tranquilamente, assim como o velocino de ouro estava intacto no ultimo galho.
Todos concordaram que havia sido apenas um mal entendido e resolveram esquecer a história.
Não por muito tempo.
Três dias depois o acampamento sofreu seu 2º ataque, só que dessa vez por três cães infernais, Se não fosse pelos sátiros, ninfas e meu querido animal de estimação a Sra. Oleary, que os defenderam com unhas, flautas e dentes, o acampamento estaria perdido.
Quiron imediatamente foi falar com os deuses no 600º andar do Edifício Empire State. Eles se estabelecem onde suas raízes estão mais fortes, neste caso nos Estados Unidos, assim como a entrada para o mundo inferior é em Las Vegas e no Monte Tam (antigo lar dos titãs) em São Francisco.
O problema é que Quiron não conseguiu passar do térreo, ao que parece Zeus fechou o Monte Olimpo novamente. Então foi necessário tomar outra providencia, ele ligou para todos os campistas de verão (incluindo eu e Annabeth) para irmos ao acampamento o quanto antes.
Quando chegamos, já havia se passado três dias e pela 3ª vez fomos atacados. Três touros mecânicos, com dentes bem afiados, soltando raio laser pelos olhos e saindo fogo das narinas (imagino como deve ser dolorido na hora de espirrar, se é que touros mecânicos fazem isso) resolveram fazer parte da festa, a sorte foi que estávamos em maior quantidade e os mandamos de volta para o ferro velho.
Quiron achou que estava na hora de contar sobre a profecia e aproveitou para relatar o que havia acontecido nesses últimos NOVE dias. Não deu para pensar em muita coisa, já que no dia seguinte as caçadoras apareceram no acampamento em busca de proteção, pois quando Zeus fez a convocação isso incluiu Ártemis também que abandonou suas aliadas e as deserdou (ou seja, nada de imortalidade para ninguém), logo em seguida o acampamento Júpiter notificou os repentinos ataques que sofriam.
Resolvemos agir por nós mesmo. Dividimo-nos em turnos em volta de todo o acampamento 24 horas por dia, os filhos de Hefesto aumentaram a produção de armas, desde pequenas adagas até enormes catapultas. O chalé de Dionisio e Deméter aumentaram a colheita de morangos e Quiron triplicou a quantidade de sátiros em busca de novos semideuses pelo mundo todo.
E assim demos continuidade as nossas vidas, os ataques ainda ocorriam, mas os monstros não passavam de meio metro da entrada. Por um tempo começamos á pensar que tudo ficaria bem, a ira de Zeus iria passar e logo, logo tudo voltaria ao normal...
Acontece que os deuses não tinham isso em mente.
De um dia para o outro jovens e crianças do mundo inteiro começaram á morrer e os sátiros não voltavam mais para o acampamento. Os ataques ficaram piores, não era mais três monstros da mesma espécie, agora eram de 9 á 18 monstros, três de cada, e pra piorar ainda mais, ficamos sem lucros.
A nossa renda sempre foi a venda de morangos para o Monte Olimpo e os restaurantes de Nova York (só que desde que tudo começou perdemos metade delas) e por algum motivo (que suspeito ser Dionisio) os restaurantes começaram á comprar de outro fornecedor, o que não nos ajudou muito em nossa expansão (com o aumento dos semideuses ampliamos não só os chalés como também o acampamento, pois apesar de tudo os deuses ainda tinham uma promessa para cumprir).
Todos pensaram que aquele era o fim, não tinha como sobrevivermos daquele jeito.
Mais uma vez, estávamos errados.
Durante dois meses, os filhos de Hécate procuraram por algo que pudesse nos ajudar, e finalmente encontraram um feitiço muito antigo de proteção. Se resumia basicamente em defender o que você quisesse de alguma outra coisa, com isso foi possível defender ambos os acampamentos e ainda ajudou a resolver dois dos nossos problemas, a única coisa ruim é que o feitiço tinha data de validade, pois sugava toda a energia dos filhos de Hécate, que se tornavam inúteis em uma batalha corpo á corpo, mas isso não era o pior. Quando a barreira acabava, os monstros atacavam á todo o vapor, claro que não esperávamos chegar á esse ponto, sempre que possível matávamos aqueles que estavam visíveis, além de utilizá-los como parte das nossas atividade diárias...
O terceiro problema era um pouquinho mais complicado, foram necessários os chalés de Dionisio, Demeter, Apolo e Afrodite, que juntos, de alguma forma (não me pergunte qual) fizeram uma poção que dava aos nossos morangos “superpoderes”. Eles não saem voando e soltando raio-laser, é muito melhor que isso (pelo menos nas condições em que nos encontrávamos). Na verdade deu tão certo que resolvemos ampliar os negócios, além de morangos, cultivamos também arroz, cevada, milho, pera, maça e uva.
Sei que é meio sarcástico a parte das uvas, mas depois de analisarmos, as regras proibiam apenas do senhor D de ter contato com qualquer coisa relacionado á vinho e agora que ele não está mais aqui, não há nada que nos impeça de fazer isso, além do mais, possuímos um ótimo fabricante de vinho (sim, é o Pólux) e agora somos mundialmente conhecidos pelo fato dos nossos alimentos não estragarem em uma viagem de até um mês e durarem dois anos fora da geladeira. E acabou que conseguimos todos os nossos fregueses mortais e muitos outros pelo mundo todo graças as duas caçadoras que viajavam como nossas empresárias.
Você deve estar se perguntando, como foi resolvido o caso dos sátiros? E por que as duas caçadoras não são atingidas pelos deuses? E o que tudo isso tem haver com a competição pela casa grande?
Primeiro, como eu havia mencionado, o chalé 20 deu um jeito de proteger ambos os acampamentos, acontece que não adiantava nada se os semideuses e sátiros continuassem desaparecendo, então eles arrumaram uma forma de transferir o feitiço para correntes que eram entregues aos sátiros antes deles partirem, cada um recebia três, sendo possível camuflar tanto os buscadores quanto os semideuses. Acontece que assim como a barreira o feitiço não é para sempre e algumas vezes ocorrem perdas, mas comparado á como era antes, não é nem um pouco ruim.
Segundo, Andressa e Edvine eram mortais, quer dizer, antes de se juntarem á caça, e quando tudo isso aconteceu elas, assim como todas as outras, perderam o dom da imortalidade, ou seja, os deuses não se importam muito com “meras humanas”. E como não existe mais a proteção do pinheiro de Thalia nada impede que mortais entrem no acampamento.
E terceiro, com tudo isso acontecendo acabamos entrando em uma rotina enjoativa e cansativa, estava até parecendo escola militar, sem contar que não podíamos mais ver nossos parentes e com o passar do tempo o humor dos campistas também mudou e não era nada fácil resolver cada briga que havia entre os chalés.
Então um belo dia Quiron teve a brilhante ideia de criar um novo jogo, ele acontecia durante a semana, era dividido em três partes e quem ganhasse passava todo o final de semana na casa grande com direito á dois acompanhantes.
Funcionava mais ou menos desse jeito:
1ª etapa- Tarefas (ocorriam de segunda á quinta á tarde): cada campista recebia uma lista com todas as suas obrigações diárias, tendo que cumpri-las na ordem e horários certos. Fora que para os semideuses que ainda estudavam era algo á mais na lista, eles tinham que estar com as notas perfeitas (isso mesmo, agora o acampamento contava com um grau completo de ensino, a escola era desde o ensino básico até o colegial).
2ª etapa- novo caça a bandeiras (quinta á noite): os que passassem da etapa anterior eram mandados para a arena de esportes onde cada campista tinha sua própria bandeira e precisava tomar e derrotar o adversário. Claro que não podíamos arriscar perder mais ninguém, por isso é obrigatório que cada competidor use uma roupa completa de esgrima, modificada pelo chalé de Hefesto, e se a arma do adversário atingir um ponto especifico da armadura (não me pergunte qual, pois cada um escolhe o seu) ela acende uma luz vermelha e a pessoa é desclassificada e perde sua bandeira, no final tem que ter restado três competidores que recebem um banquete enorme e imunidade das tarefas no dia seguinte, para se prepararem para a próxima etapa. Os dois últimos perdedores da parte dois, lideravam a caça-bandeira normal durante uma semana inteira.
3ª etapa (sexta á tarde): cada finalista escolhia um monstro para combater, isso pode parecer um pouco perigoso, mas qualquer um de nós pode convidar um monstro para entrar no acampamento (isso aconteceu comigo no meu primeiro ano aqui, alguém invocou um cão infernal que quase me matou). Apesar de ser arriscado é uma ótima maneira de treinarmos, fora que eles só podem escolher monstros que estão em nossa lista.
Depois, um por um dos finalistas luta com o escolhido e quem derrota-lo mais rápido ganha, raramente acontece dos monstros machucarem gravemente os semideuses e só nestes casos interferimos. A plateia é a jurada em caso de empate, então eles decidem por habilidade e técnicas utilizadas durante a batalha. O vencedor ganha uma coroa de louros e o premio final. Os outros dois competidores que conseguiram chegar até essa parte, ganham uma medalha de honra e um banquete maior ainda em sua homenagem.
É basicamente isso que esta acontecendo no momento, estamos nos virando do jeito que dá, os deuses estão cada vez piores e nossas famílias podem estar correndo perigo...
Mandei esses pensamentos para longe. Não queria nem imaginar o que poderia acontecer...
Balancei a cabeça e resolvi me concentrar nos presentes que estavam na minha frente.
Abri o da minha mãe e imediatamente o cheiro da antiga doceria que ela trabalhava encheu o ar com um aroma maravilhoso. Olhei dentro da caixa e encontrei uma bolsa de couro cheia de dracmas, uma nota de 50 dólares, um pote azul e um medalhão de ouro, esse foi o primeiro que peguei a superfície era lisa e atrás tinha algo escrito em grego; foi fácil de traduzir: “Com muito amor, de sua família”. Dentro do medalhão havia duas fotos, de um lado estava minha mãe, eu e Paul, todos com roupas vermelhas e verdes iguais e do outro lado estava Thalia, Annabeth e eu fazendo careta.
Sorri com as lembranças daqueles dias.
O fechei e coloquei junto com meu cordão de contas do acampamento. Peguei o pote azul que era o motivo daquele cheiro maravilhoso e quando abri, meu estômago roncou tão alto que deve ter dado para ouvir do acampamento Júpiter.
Um pedaço enorme de bolo azul estava me deixando com água na boca.
-Vou devorá-lo daqui a pouco.
Coloquei o pote encima da mesa e peguei o presente de Quiron. Abri a caixa e a primeira coisa que peguei foi o envelope azul marinho, olhei para a caligrafia e meu coração falhou uma batida...
Depois de tantos meses ele finalmente deu um sinal de que ainda se importava, pelo menos era isso que eu esperava, hesitei antes de abri-lo, não podia esperar muita coisa, provavelmente era algum lembrete de que eu deveria me preparar, como da ultima vez.
Depois de uma breve discussão comigo mesmo a curiosidade venceu.
Encontrei dois dólares de areia dentro do envelope e um papel com quatro palavras:
Use-os na hora certa.
Dei de ombro e guardei o envelope no bolso, pelo menos foi um dólar a mais do que quando fiz 15 anos, quem sabe ano que vem ele me dê três dólares de areia.
Na caixa também havia um apito de ferro, achei um pouco estranho, mas depois de anos aprendi que nem sempre tudo é o que parece principalmente vindo de seres mitológicos.
Um barulho ecoou por todo lugar, olhei no relógio e vi que era hora do almoço depois dei uma olhada na minha sala com todos aqueles presentes que provavelmente me deixariam ocupado por um tempo. Resolvi começar minhas tarefas depois do almoço, com a aula de esgrima. Assim quando a hora chegasse eu poderia contar tudo á minha campista preferida.
Com esse ultimo pensamento coloquei a mão na massa e comecei a ver os outros presentes.
Fale com o autor