Percy Jackson - Uma Nova Profecia
15 XIII - Viro o mestre da irrigação.
Notas iniciais
Hoje é o dia!
Depois das minhas obrigações irei junto com os outros entrevistar três novos campistas que chegaram ontem a tarde.
Não que eu goste muito desse novo procedimento, mas entendo que é por questões de segurança, além do mais, todos os sátiros, incluindo meu amigo Grover, estão arriscando suas vidas para trazer o maior número de semideuses para ambos os acampamentos...
Levanto da cama e olho ao redor, meu quarto estava precisando de uma boa faxina, havia poeira por todo o lugar, alguns papéis de doce contrabandeados pelo chalé de Hermes, sem contar que fazia quatro dias que eu não arrumava minha cama, mas até que não estava tão ruim assim...
Saindo do banheiro encontro dois papéis encima da cama, o primeiro era minha lista de afazeres, o deixei de lado, pois desde que tudo isso começou minha rotina tem sido sempre a mesma, então não havia necessidade de gastar papel comigo, mas não importa o quanto eu fale isso ao Frank, ele sempre insiste dizendo que pode haver algo diferente no dia e o mínimo que posso fazer é aceitar.
Já o outro bilhete me deixou mais interessado:
“Encontre-me
ao por do sol
No local encantado.”
Beijos. C.A
Sorri e guardei os dois papéis no bolso e fui até o refeitório, chegando caminhei até a mesa de Quiron.
É, você não leu errado, agora que sou algo importante (além de ser semideus em tempo integral) tenho o direito de sentar na mesa dos “lideres” (não de cada chalé e sim das pessoas influentes na casa grande).
-Bom dia Percy. Dormiu bem?
-Bom dia. Melhor impossível, e o senhor?
Ele balançou a cabeça. — Meus parabéns Percy. –Antes que pudesse responder continuou. -Tem algo da sua mãe esperando por você no meu escritório, está junto com o de Paul e o meu.
—Obrigado, mas não precisava.
-Não seja bobo, é claro que eu não deixaria passar uma data tão especial e acho que você irá gostar dos três. –Uma piscada antes que voltasse a atenção novamente para seu café. -E assim que terminar de comer, ligue para sua mãe.
-Com certeza. –Sorri ansioso.
Peguei um dos pratos e imaginei uma montanha de panquecas com mel, depois fui até a fogueira e despejei metade da minha comida para meu pai. Com essa briga acontecendo já não é mais obrigatório fazer oferendas e a maioria dos semideuses desistiu, mas eu ainda sinto que de alguma forma meu pai esta ajudando...
Enquanto voltava vi Quiron abrir o jornal dos humanos, provavelmente deveria estar vendo quantos jovens morreram por causas desconhecidas ou poderia estar dando uma olhada nos nossos investimentos.
Acredite se quiser, agora somos empreendedores, não que seja fácil, mas damos nosso jeito em tudo.
-Perceu Jackson!!
Todos os meus pensamentos voltaram para o refeitório, onde eu estava de pé, com o prato na mão, encarando o nada. Olhei para Quiron e arregalei os olhos.
-Pelo tridente do meu pai. Eu sinto muito Quir...
Ele ergueu uma das mãos para que eu me calasse, quando fiquei quieto Quiron colocou o jornal (que havia sido a única coisa que ficou seca) encima da mesa, passou as mãos no rosto e depois as sacudiu para tirar o excesso de água.
-Tudo bem, Annabeth já havia me alertado sobre essas suas “viagens”, mas é bom tomar cuidado e aprender a controlar seus poderes, se não algo de muito ruim pode acontecer.
Tentei me desculpa, mas ele simplesmente balançou a cabeça, pegou o jornal com as pontas dos dedos e saiu com sua cadeira de rodas em direção á casa grande.
Sentei-me e imediatamente foquei minha atenção naquela erupção de sabor que estava me chamando para devorá-la, mas antes que eu pudesse colocar a primeira garfada na boca, alguém agarrou meu pescoço por trás.
-FELIZ ANIVERSÁRIO PERCY!!!
-O... bri...ga... Piper... não... res...rar.
-O que você disse?
-Amor?
-Sim Jason?
-Eu acho que ele esta sem ar.
-Ops. Foi mal.
Ela se separou e esperou que eu levantasse, assim que fiquei de pé, Piper me abraçou e levou suas mãos direto para minhas orelhas, não deu tempo de impedir, e a garota puxou tão forte que quando ás soltou elas estavam latejando.
Eu devia estar com uma cara muito engraçada, porque os dois não pararam de rir.
-Parabéns vovô.
-Hahaha, você também não esta tão longe.
-Mas pelo menos não pareço um.
Dei um soco em seu braço, foi fraco, mas o suficiente para fazê-lo passar a mão no local.
-Agora que as crianças pararam de brincar, tenho algo para te dar. -Ela tirou um envelope do bolso e me entregou. –É meu e de Jason, não é grande coisa, mas espero que goste.
-Poxa, não preci...
-Sava, eu sei, agora vamos pular essa parte e ir ao que interessa. –Piper bateu palmas ainda sorridente.
Abri o envelope e dentro encontrei duas passagens para o Hawaii.
-E ai, gostou? –Sua voz transbordava de empolgação. -Desde que você começou a aprender a surfar vive falando que um dia quer ir para o lugar com as melhores e maiores ondas do Mundo, em uma das ilhas do Hawaii na Costa norte de Oahu tem a onda chamada Pipeline ou como os surfistas abreviam para Pipe e lá as ondas chegam até 30 metros de altura; e a melhor parte é que não tem data então quando tudo isso acabar você e Annabeth podem tirar férias; o que acha?
A encarei sério e no mesmo instante sua expressão mudou. –Tá brincando comigo?
-Na-não, eu achei...
-Piper! Nós dois temos sinônimos diferentes para a palavra “Não é grande coisa”.
Ela riu e começou a dar pulinhos enquanto batia palma.
-Mas é sério eu não posso aceitar.
Piper cruzou os braços e me fulminou com o olhar. –É claro que você vai, isso foi um presente e eu não aceito devoluções. Então fica quieto, guarda essas passagens no bolso agora e vamos sentar para comer.
Meu corpo parou de me obedecer e acabei fazendo exatamente o que ela mandou. Não sei se Piper percebeu que havia utilizado magia em seu tom de voz, mas se notou pareceu não se incomodar; ela e Jason sentaram e começaram á comer.
Enquanto comíamos, Piper contou da vez em que foi lá com seu pai para gravar um filme de ação; ela falava seus locais preferidos e quais eram os melhores pontos turísticos, no meio da conversa Hazel apareceu nos cumprimentou e depois perguntou:
-Cadê a Annabeth?
-Ela me falou ontem que tinha assuntos para resolver de manhã.
-Entendi.
-E o Frank?
-Ele e Bianca devem estar entregando o resto das listas.
-E ele não vai vim comer?
-Não.
Ela falou despreocupada, depois arrancou o pão da mão de Piper, pegou um pedaço e devolveu.
Não ache estranho, essa brincadeira começou entre Annabeth e Piper, mas depois elas incluíram Hazel também e desde então a distraída perde metade da refeição.
Depois Piper continuou contando da vez em que ela acabou atrapalhando um das cenas mais caras do filme do seu pai; todos riram com a história.
-É sério. –Ela falou enquanto riamos- Foi a única cena que concordei em assistir daquele filme e quando percebi lá estava eu com os pés encima da rocha falsa deles, meu pai no chão e o “gigante falso” em cinzas espalhadas pela areia.
-E qual foi sua explicação para isso? –Perguntei rindo.
-Eu usei um pouco da persuasão para convencer á todos de que nada havia acontecido.
-Você? fazendo isso? Como eu queria estar lá para ver. –Ela ficou um pouco vermelha.
-Cale a boca Percy, eu só fiz porque foi necessário e não usei em todos; quem convenceu as outras pessoas foi o treinador Hedge.
-Ele também tinha ido?
-Claro. Ele ainda é o assistente pessoal do meu pai e sempre que possível o acompanha para todos os lugares.
A concha soou, nos levantamos e nos espalhamos. Fui para a casa grande e no caminho encontrei os irmãos Stolls, eles carregavam uma enorme caixa.
-Parabéns Percy!!!
-Obrigado –Eles estenderam a caixa para mim.
-Aqui está, para o herói apenas o melhor. – Connor falou enquanto Travis concordava. Levantei uma das sobrancelhas olhando desconfiado para o presente. -Calma cara, é só um presente, já passamos dessa fase de pegadinhas.
Concordei, o peguei e virei a caixa na direção deles, á abrindo logo em seguida. Depois tudo aconteceu rápido demais, em um segundo os dois estavam cobertos de algas marinhas e estrelas do mar; todos á nossa volta riram, eles ficaram sem reação.
-Realmente. –Devolvi a caixa para um Connor extremamente surpreso. -A fase de boas pegadinhas já passou, mas mesmo assim obrigado pelo maravilhoso presente, isso alegrou meu dia.
Olhei para os dois que xingavam em grego enquanto arrancavam as algas do corpo, os ignorei e continuei andando.
Em todo o caminho fui parado pelos campistas, recebendo presentes e sendo parabenizado, quando finalmente cheguei a casa grande, já haviam se passado dez minutos de atraso.
Deixei tudo em meu escritório depois entrei no de Quiron, que era o único lugar com tecnologia dos humanos no acampamento.
Ele não estava lá e encima da mesa havia três caixas de tamanhos diferentes, passei por elas, peguei o telefone e disquei o número que sabia de cor. Uma voz feminina atendeu.
-Percy?
-Sim, mas como...
-Gravei o número do acampamento no indicador de chamadas, mas isso não importa. Nem acredito que seja você. Esta tudo bem? O acampamento tem sido atacado com frequência? Estão todos bem? E Annabeth? Tem se alimentado corretamente? Há bastante néctar e ambrosia? As harpias não estão te perseguindo né? Que saudades, Paul esta do meu lado, você não...
-Mãe?
-Fala filho.
-Uma pergunta de cada vez por favor.
-Desculpe. –Um riso genuíno saiu da outra linha e meu coração aquiesceu com o som. -É que estou tão feliz de você ter ligado.
-Eu sei. Também estou com muita saudade. –Tomei folego e continuei. –Eu estou bem. Faz três dias que nenhum monstro ataca. Annabeth e os outros também estão ótimos. Temos néctar e ambrosia o suficiente para mais um mês e as harpias não mexem comigo.
-Que bom, assim fico mais tranquila. Você recebeu os presentes?
-Sim obrigado.
-E o que achou deles?
-Eu ainda não abri.
-Por quê?
-Resolvi te ligar primeiro.
-Own. Fico muito feliz, mas eu acho que Paul vai ter um enfarte caso você não abra o dele logo.
-Tudo bem.
Ri com o bufar de meu padrasto que consegui escutar daqui e me estiquei para pegar a ultima caixa; ela era bem pequena e com uma das mãos abri o presente...
Era uma... chave?
-E então gostou? –Ela parecia ansiosa.
-Siiim!!
-Eu sabia! –Ela falou com alguém, provavelmente com Paul. –Eu disse que você ia gostar, mas ele ficou todo nervoso e...
-Mãe?
-Fala.
-Só me responda uma coisa.
-Claro filho.
-Essa chave seria pra?
-Como assim? Pra você poder dirigir seu carro novo óbvio.
Arregalei os olhos. Tudo bem que havia sido um pouco lerdo, mas ainda estava tentando assimilar suas ultimas palavras...
“Seu carro novo”... Meu?
-Meu?
-Claro! Pra quem mais seria?
-Nossa não sei nem o que dizer.
-Não precisa, só o fato de você estar bem já nos deixa felizes. Infelizmente você vai ter que esperar para ver o carro, mas logo, logo será resolvido.
-Com certeza, como eu disse da ultima vez, assim que tudo acabar a primeira coisa que irei fazer é passar vários dias com a minha maravilhosa mãe e querido padrasto.
-Isso mesmo, assim que tudo acabar você estará conosco.
Sua voz ficou mais distante como se ela estivesse falando isso mais para si mesma do que para mim, mas com a rapidez que a voz mudou, ela voltou a ser a mesma Sally de sempre.
-Mas enquanto isso não acontece, o que acha de abrir o meu pres...
Sua respiração falhou, levantei as sobrancelhas. –Mãe esta tudo bem?
Ouvi alguns barulhos estranhos.
-Percy, você esta ai? Não consigo...
-Mãe? Mamãe? Mãe!!!
Comecei á gritar no telefone, a ligação caiu, cerrei os punhos e bati com força na mesa. Ouvi alguns gritos do lado de fora, mas antes que eu pudesse sair ver o que acontecia, Quiron apareceu na porta.
-Outro ataque?
-Sim. –Tentei sair, mas ele bloqueou a passagem. -Não precisa se preocupar com isso.
-O que? –Ele me ignorou.
–Você estava falando com a sua mãe? –Balancei a cabeça. –A ligação caiu não é mesmo?
Levantei a sobrancelha. –Sim, mas...
-Você se estressou um pouco. –Ele olhou para as minhas mãos que ainda estavam fechadas. –O “ataque” que tivemos agora, foi apenas consequência da irritação de certo semideus que acabou estourando os canos de irrigação das plantações.
Arregalei os olhos. –Não foi intencional, desculpa.
Ele balançou a cabeça e se dirigiu até sua mesa. -Não tem problema, já estava na hora das plantas serem regadas mesmo. -Ele fez uma pausa. –Claro que os filhos de Deméter não ficaram muito felizes, mas...
-Isso não importa agora. –O cortei ainda preocupado. –Quiron, minha mãe...
-Não ligue muito pra isso, as coisas estão cada vez piores no mundo lá fora, as tempestades estão mais fortes e isso interfere bastante no sinal.
—Mas...
-Ela esta bem não se preocupe. –Quiron sorriu para me tranquilizar
Eu ia protestar, mas ele me olhou mostrando que o assunto estava encerrado. Peguei meus presentes, agradeci e sai da sala.
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