Percy Jackson - Uma Nova Profecia

8 VII - Descubro a verdade de como os meus amigos morreram.


Notas iniciais
Oiii meus queridos semideuses = ) Atrasei muito com a postagem dos capitulos. Mas ainda estou aqui e estou muito feliz pelas quase 150 visualizações! ❤️❤️

Estavam todos lá, nós só tínhamos duas horas até o “teste”. Eu podia ver nos olhos dos demais que a ansiedade os deixava nervosos, já tinha todo o plano em minha mente, mas para finalizá-lo faltava apenas uma única coisa.

-Muito bem, agora que os dois estão aqui e Júlio já se certificou de que não irá aparecer ninguém, preciso de um favor.

Como eles permaneceram em silêncio, prossegui:

-Quero saber como foi à morte de vocês.

Ambos me encaram surpresos e assustados ao mesmo tempo, e Tainara tomou a frente.

-Por que isso importa agora?

-Porque vocês sabem como foi a minha, nós nos conhecemos há mais de um ano e tudo o que sei é que vocês provocaram a ira dos deuses e acabaram nos campos de punição, já no meu caso vocês podem ir contar para todo mundo quem eu sou. Fora que quero que confiem em mim.

Eles se encaram por um tempo e achei que iriam virar as costas e sair. Até que Júlio respirou fundo e finalmente cedeu.

-Eu tinha 13 anos quando a Segunda Guerra Mundial começou, o Brasil permaneceu neutro durante os três primeiros anos, mas em 1942, após um navio brasileiro ser atacado o presidente resolveu firmar suas alianças com os Estado Unidos.

Essas simples palavras me fizeram encará-lo surpreso. Júlio era muito mais velho do que eu pensava...

-Meu pai era um dos melhores soldados daquela época e por isso teve a oportunidade de escolher se gostaria de receber o treinamento no Brasil ou na América Do Norte, e é claro que ele ficou com a segunda opção.

Júlio ficou com um olhar sombrio por alguns segundos, mas então sua expressão voltou ao normal quase tão rápido quanto antes.

-Um tempo depois que ele partiu chegou uma carta em nossa casa dizendo que meu pai havia desaparecido.... Minha mãe não derramou uma única lagrima e quase fez uma festa alegando que ele tinha tido o que merecia e que por ela, não deveria voltar nunca mais. –Sua mandíbula travou. -É claro que isso apenas contribuiu para que meu ódio por ela aumentasse....

Os meses se passaram e meu aniversário de 17 anos tinha finalmente chegado e de comemoração, a irmã da minha mãe e sua filha foram em casa fazer os planejamentos e terminar o acordo que meu pai e meu tio haviam começado um pouco antes de partirem...

Tainara o encarou confusa. -Que acordo?

-Naquela época era comum ter casamento arranjado entre primos, pois para eles o que importava era o dinheiro que aquilo iria gerar.

Ela iria dizer mais alguma coisa, mas resolveu deixar que ele prosseguisse.

-Enquanto elas decidiam o que fazer, minha mãe me mandou levar a minha prima dar uma volta, eu no mesmo instante concordei, já que fazia de tudo para escapar de ficar horas ouvindo sobre como tudo seria. Enquanto caminhávamos e conversávamos um grupo de quatro garotos nos parou e disse que era para entregarmos tudo que tínhamos. O problema é que por mais que nossas famílias fossem muito ricas nós dois não saiamos com absolutamente nada de valor, justamente pelo fato de chamar atenção. –Júlio enfiou as mãos no bolso da calça indiferente. -Tentei argumentar, mas três deles me cercaram e bateram enquanto o líder agarrava minha prima, pedi para que parassem e deixassem-na em paz, mas tudo que faziam era rir da minha cara e me bater mais... –Ele fez uma pausa como se tentasse manter a expressão neutra. — Quando ela estava quase sem roupa, não aguentei e gritei...

-E o que aconteceu?

Nós dois falamos em uníssono, já que sua história estava muito interessante e com uma pontada de suspense. Ele suspirou e continuou.

-Depois disso eu desmaiei.

Olhei para Tainara para ver se ela havia ficado tão confusa quanto eu, mas a garota tinha os olhos completamente voltados para Júlio.

-Quando acordei, três deles incluindo o líder estavam caídos no chão sem respirar, o quarto havia sumido e minha prima estava em um canto encolhida na parede com lágrimas nos olhos parecendo aterrorizada. –Ele pressionou os lábios. -Fui me aproximando perguntando o que aconteceu, no começo ela nem sequer olhou nos meus olhos, mas depois de quase uma hora de insistência ela se levantou e disse que no caminho contava.... Minha prima disse que após eu dar aquele grito os três que estavam encima de mim foram jogados para o auto, dois deles caíram no chão de cabeça, já o terceiro caiu de costa e saiu correndo pedindo por ajuda, e quando me levantei meus ferimentos tinham sumido, meu cabelo estava verde e meus olhos roxos.... O líder, ao perceber tentou fugir, mas eu o fiz levitar apenas gesticulando com as mãos e quando ele já estava de uma altura alta o suficiente... eu o soltei, depois fui em direção a ela e com um estalar de dedos suas roupas voltaram e desmaiei.

Fechei os olhos por alguns instantes para assimilar tudo o que ele nos contava... Júlio matou três pessoas com uma única manifestação de seu poder fora de controle... Quantas vezes mais isso aconteceu até que ele fosse capaz de controla-los?

-Com essa explicação, fiquei horrorizado comigo mesmo e comecei a pedir desculpas alegando que eu não fazia ideia do que tinha acontecido. Ela me perdoou e disse que acreditava em mim, alegando que eu não faria mal nem a uma mosca... Nós dois concordamos que jamais contaríamos aquilo para ninguém. Assim que voltamos, inventei uma desculpa pela demora, e depois que elas foram embora, fui dormir. –Mais uma pausa. -Naquela noite, sonhei com que havia acontecido e quando acordei de manhã, minha mãe estava gritando e saiu no corredor horrorizada me xingando de todos os nomes possíveis.

No começo não entendi nada, mas ao olhar para o meu quarto e ver que todas as coisas estavam jogadas e a maioria quebradas... –Ele deu de ombros. –Comecei a assimilar o que poderia ter acontecido... sem contar que meu corpo inteiro doía e minha cabeça latejava. Então depois de ficar ouvindo durante um bom tempo os xingos de minha mãe, desejei com todas as forças que eu não conseguisse mais ouvi-la, e no mesmo instante aconteceu e a porta se fechou.

-E o que você fez?

Ela parecia muito interessada na história, ele a encarou com um sorriso travesso e prosseguiu:

-Fugi de casa!

-Como assim você fugiu?

-Eu saí pela janela e fui para a biblioteca.

-Por que?

-Alguma coisa me dizia que eu iria encontrar respostas lá.

Como ela ficou quieta, fiz sinal para que Júlio continuasse:

-Assim que cheguei comecei a procurar em todos os livros respostas sobre o que eu era, mas toda vez que abria algum livro as palavras flutuavam dele e não dava para entender nada, quando estava prestes a desistir a bibliotecária me mostrou um livro empoeirado que estava com o título em grego, mas mesmo assim eu ainda entendi e o abri. A primeira página tinha uma mensagem escrita “Este pertence a Júlio, meu filho”.

Achei estranho, mas comparado a tudo o que tinha acontecido, resolvi continuar. Nas primeiras páginas continha a minha história, desde o momento em que meu pai se encontrou com Hécate, até a hora em que eu estava sentado com o livro aberto em minhas mãos... –Júlio ergueu as mãos como se estivesse revendo toda a história em seu livro. -Nas páginas seguintes tinha um monte de feitiços, como eu não sabia se eles realmente funcionavam, resolvi testar um que me chamou a atenção. Para ter certeza, peguei o livro, sai da biblioteca e me escondi atrás de uma arvore próxima, como ninguém veio atrás me dei por convencido e fui para casa... Chegando lá, encontrei Elisa aos prantos enquanto conversava no sofá da sala com sua irmã, ela estava contando detalhe por detalhe do que ocorrera hoje, e ao que parece eu ainda estava em meu quarto.

Fui para o quintal onde encontrei minha prima que parecia muito concentrada lendo, peguei meu livro e fiz o feitiço para poder voltar a ficar visível, quando ela me viu perguntou o que havia acontecido, expliquei tudo e depois lhe mostrei o livro que apesar dela não conseguir ler, foi interpretando as imagens. –Um quase imperceptível sorriso triste brotou em seus lábios e fiquei com receio de como aquilo iria acabar. -Depois explicou que Elisa tinha ligado desesperada para minha tia pedindo ajuda, alegando que eu era um monstro. Quando elas chegaram, Elisa pediu que ela se retirasse e começaram a conversar, minha prima tentou espiar e ouvir um pouco da conversa, mas como ambas falavam baixo, ficou difícil então ela desistiu e foi se sentar no gramado para esperar que eu chegasse e lhe contasse.

Com tudo revelado nós chegamos à conclusão de que eu não poderia mais voltar para a casa, ela pediu para que eu fizesse o feitiço em nós dois e me levou até uma casa abandonada, duas ruas abaixo da minha, lá ela disse que eu deveria esperar alguns minutos até torna-la visível novamente e que todas as noites era para mim ir até sua casa buscar por roupa e comida, concordei e nos despedimos.

Durante dois meses minha rotina se resumiu em praticar feitiços durante o dia e anoite ir para casa dela, onde eu pegava uma troca de roupa limpa e comida o suficientes para um dia. Às vezes ela me contava as novidades em relação ao meu desaparecimento.... Elisa não tinha dado queixa, foi morar com as duas e vendeu nossa antiga casa, já que depois que meu pai foi dado como morto todas as coisas passaram para o nome dela....

Júlio fez uma pausa e seu olhar ficou distante.

-Em certa noite, quando fui para sua casa, me deparei com a porta aberta, dois policiais na sala conversando com Elisa e subindo as escadas no quarto dela... Havia mais três policiais e minha tia chorava enquanto falava com eles, assim que vi a cena achei que ela tinha sido sequestrada ou coisa pior e depois que todos foram embora voltei para o seu quarto e comecei a procurar pelas minhas próprias pistas, enquanto vasculhava me lembrei de algo.... Certa vez, enquanto conversávamos, começamos a discutir sobre onde escondíamos nossos pertences mais valiosos, e os dela era dentro de seu colchão, ao abri-lo pelo zíper secreto, encontrei uma caixa que dentro tinha seu amuleto da sorte, da qual ela não vivia sem e um bilhete direcionado a mim, nele ela dizia que estava tudo bem e que tinha fugido, mas não explicava o motivo, disse apenas que eu não precisava me preocupar e deveria seguir em frente...-Júlio cruzou os braços como se assim pudesse esconder a sombra que permanecia em seu olhar.

-Usei seu pingente para rastreá-la, porém depois de quatro meses procurando e buscando por respostas sem sucesso algum, resolvi seguir seu conselho e tentei me alistar no exército. Mas descobri que meu pai me protegia até quando não estava no mesmo País e finalmente entendi o motivo pelo qual não fui obrigado a me alistar. Ele era um grande soldado e acabou subindo de cargo rapidamente e com isso manteve contato com o presidente do Brasil e seu último pedido antes de partir foi que eu não poderia ter a permissão de me alistar, para que assim pudesse cuidar de minha mãe e seguir com a minha vida... Isso me deixou irritado e ao mesmo tempo triste, mas não aguentava mais viver naquele lugar onde tudo que me era importante tinha desaparecido, então com identidades falsas e um pouco de magia, consegui e fui mandado para os Estados Unidos. E em quatro meses eu já havia me tornado comandante da minha própria tropa e pela primeira vez em muito tempo tinha finalmente encontrado meu caminho...

A pequena risada que brotou dos seus lábios deixava claro que sua alegria durou pouco...

-Em Julho de 1944, as tropas brasileiras, incluindo a minha, haviam sido mandadas para a Itália, foi lá que “comemorei” meu aniversário de 18 anos e depois do meu turno de guarda, enquanto dormia sonhei com aquele maldito dia novamente, quando acordei todos estavam caídos no chão sem vida...

Pressionei os lábios e fechei os olhos novamente não aguentando ver a dor que brotou no olhar de Júlio.

-Olhei para aquela cena horrorizado e acabei perdendo a cabeça... –Ele suspirou cansado como se não quisesse continuar, mas mesmo assim prosseguiu. -O problema foi que estávamos espiando o acampamento alemão e esse meu showzinho deu ao inimigo uma vantagem da qual eles aproveitaram, mas como disse, eu estava sem controle, e comecei a matar qualquer um que entrava em meu caminho, é claro que isso não agradou nada aos deuses. E um belo dia enquanto dava meus ataques matinais uma flecha cheia de veneno me acertou em cheio o que me proporcionou vários dias de dor, até que finalmente eu morri, fui para os campos de punição e o resto vocês já sabem.

Todos ficaram em silêncio sem saber o que falar, olhei no relógio e vi que ainda tínhamos uma hora até o “teste” começar, tempo o suficiente para Tainara contar sua história, é claro que depois da revelação de Júlio ela já não parecia muito a fim de contar, mas alguém tinha que quebrar o silencio e foi ela quem o fez.

-E você não viu mais sua prima?

-Não!

-Nem soube dela?

-Eu sei que quatro meses é pouco para deixar de procurar, mas eu já havia juntado provas o suficiente para ter certeza de que ela estava bem.

Tainara ficou com expressão de dúvida, mas fiz sinal para que deixasse pra lá. Nós dois havíamos notado a falha no discurso de Júlio em relação ao desaparecimento de sua prima, e alguns outros detalhes, mas concordamos que ele já tinha sofrido o suficiente para ter que passar pelo interrogatório novamente.

Para tirar um pouco do clima pesado resolvi fazer uma pergunta que provavelmente todos adorariam saber.

-Júlio e desde quando você é assim?

-Assim como?

-Com esse seus olhos e cabelo um pouco... eh... hãa... você entendeu.

Ele deu risada. -Sabia que vocês iriam me perguntar. Isso meu caro amigo, foi um presente de aniversário. Quando fiz 18 e tive aquele ataque, meu cabelo e olhos ficaram dessa cor e nunca mais voltaram ao normal. E antes que vocês me perguntem que cor ele era, vou logo dizendo que era completamente normal, então fiquem esperando alguma coisa estranha, Ok? –Concordamos– Meus olhos e cabelos eram castanhos claros.

Era difícil de imaginar ele com outra cor de cabelo e olhos, já que eu estava acostumado com tudo aquilo. Depois de mais alguns minutos de silêncio, Tainara respirou fundo e começou a contar sua história.

-Vou logo avisando que não sou nada boa em contar histórias, principalmente uma que nunca contei a ninguém.

Concordamos com a cabeça e depois de respirar mais algumas vezes, ela começou...

-Eu era da tribo tupi-guarani, meu pai era o líder e eu tinha uma irmã chamada Naiá, minha mãe nunca gostou muito de mim, e vocês já devem imaginar o porquê, mas naquela época eu não fazia ideia...

Um meio sorriso despontou de seus lábios. –Nós duas éramos muito próximas e ela, por ser a mais velha, tinha minha total admiração. Um dia estávamos ouvindo histórias de lendas dos nossos deuses e naquela noite minha “avó” contava a famosa história do lendário deus da lua.

Toda vez em que ele se escondia nas montanhas era porque a lua havia levado com sigo uma jovem índia de sua escolha para transforma-la em estrela. E minha irmã adorava essa história, já eu nunca acreditei muito nisso, principalmente pelo fato de meu pai sempre ter me ensinado sobre deuses gregos, outro motivo de minha mãe não ir muito com a minha cara... –Tainara deu de ombros. -Enfim, como vocês sabem, na mitologia grega a lua é a deusa Ártemis e por mais que eu tentasse convencer Naiá disso ela nunca me ouvia, alegando que um dia o grande príncipe iria vir busca-la.

O tempo foi passando e as dúvidas de minha irmã acabaram se tornando mais certezas, porém ela me escondia alguma coisa, e certa noite enquanto tentava dormir, ouvi um barulho, quando abri os olhos vi Naiá saindo de nossa oca em silêncio, achei estranho e resolvi ir atrás dela.

Quando finalmente a alcancei ela estava encarando o lago... eu a chamei mais de uma vez e como não me respondia, fui me aproximando, assim que a chamei já perto dela, Naiá se virou com uma expressão séria, porém calma, perguntei a ela se estava tudo bem, mas não obtinha respostas e depois de um longo tempo Naiá finalmente voltou a si e percebeu onde estava.

Tainara pressionou os lábios como se não tivesse do quanto queria revelar. -No caminho de volta a tribo tentei arrancar respostas dela, mas não tive sucesso e com isso voltamos sem dizer nada a ninguém.

Os dias se tornaram meses e nós já não éramos tão próximas assim... todas as vezes em que eu a seguia ocorria sempre a mesma coisa... Naiá ficava com o olhar vidrado na água e depois fingia que nada aconteceu...

Então um dia tudo voltou a ser como era e minha irmã me disse algo que ficou em minha memória até hoje. Ela, antes de comermos, olhou nos meus olhos e falou em uma língua que ninguém entendeu...

“Δεν τα παρατούν ποτέ, γιατί ο χρόνος σας έρχεται”.

-Desculpa a pergunta, mas o meu grego está enferrujado, o que isso significa mesmo?

-Nunca desista, pois sua hora está chegando.

Júlio estava sério enquanto encarava o chão e quando nos olhou, não disse mais nada. Tainara concordou com a cabeça e depois de um tempo em silêncio continuou.

-Naquela noite eu acabei pegando no sono e não consegui segui-la... no dia seguinte ela não estava em nossa oca, a tribo inteira começou a procura-la pela floresta e fui até o lago em que Naiá costumava ir todas as noites, chegando lá vi uma planta nova que em seu meio continha uma flor branca fechada, olhei em volta chamando pelo seu nome, mas não adiantou, pois novamente ela me ignorava, fiquei naquele lago até escurecer na esperança que minha irmã aparecesse, mas... –Tainara desviou o olhar e respirou fundo. -A única coisa que vi de diferente foi à flor se abrindo com a luz do luar que refletia em suas pétalas... mesmo ela não aparecendo passei a noite inteira e metade do dia seguinte lá, até que vi fumaça vindo de minha tribo e fui obrigada a voltar.

Foi a minha vez de pressionar os lábios, já imaginando o rumo que a história iria tomar.

-Assim que cheguei presenciei uma cena horrível... –Seus olhos castanhos começaram a brilhar enquanto continha as lagrimas. -Todas as ocas estavam em chamas e as pessoas saiam de lá desesperadas, olhei procurando pelos meus pais. A primeira que vi foi minha mãe caída no chão, enquanto soluçava, me aproximei dela e a chamei, mas naquele momento ela cuspiu as palavras em minha cara, dizendo que os deuses me castigariam pelo que eu havia feito e que eu jamais seria sua filha e antes dela me mandar embora deu um tapa no meu rosto... eu a encarei muito assustada para fazer qualquer coisa e com muita raiva virei às costas e fui para um lugar do qual apenas uma pessoa, tirando eu, conhecia.

-E onde era?

-Em uma caverna que ficava a alguns metros de distância da minha aldeia, ela era escondida pelas arvores enormes e foi meu pai que a encontrou e confiou esse segredo apenas a mim.

-Entendi.

-Quando entrei meu pai já estava me esperando, ele tinha um sorriso triste no rosto e assim que me aproximei mais fui surpreendida por um abraço apertado e aconchegante, depois disso, nós sentamos e ele me contou tudo...

“Há alguns anos atrás, quando Naiá ainda era bem pequena, fui batalhar contra a tribo inimiga que estava acabando com nossa colheita. Depois de quase perdermos tudo, finalmente vencemos, mas o problema é que não tinha mais plantas para nossos remédios nem para nos alimentarmos, ficamos desesperados e pedimos ao deuses por ajuda... muitas pessoas morreram Tainara e outras ficaram tão doentes que era inevitável seu falecimento, sua irmã também se incluía nessas pessoas... então decidi que sairia em busca de mais alimentos e caso encontrasse terra fértil e animais, voltaria e nós começaríamos a caminhada. Fiquei muitos sóis e luas em busca de algo, e quando estava prestes a perder as esperanças... eu vi uma mulher de cara pálida e com alguma coisa que cobria todo seu corpo.

Aquela mulher me ajudou e guiou até um local melhor para plantio, e com isso eu fiz algo que tinha certeza que um dia seria castigado...

Mas no momento não me preocupei, quando voltei levei toda a tribo para a nossa nova moradia, lá encontramos plantas e curamos todos os doentes, tudo estava bem novamente e mais luas se passaram quando recebi a visita da cara pálida de novo, mas ela trazia outro presente pra mim....

-Era você, não era?

-Sim! Meu pai disse que foi um dos presentes mais lindos que ele já havia ganhado, o problema é que eu não havia nascido da “mulher” dele ou de alguém de sua tribo...

“Junto com você ela me entregou também um objeto muito estranho que dizia ser chamado de colar. Mandou-me que o plantasse na terra próxima ao rio e de lá sairia muitas plantas, eu o fiz e apesar de muitos contratempos, conseguimos manter a aldeia e vocês duas seguras, mas o problema é que caso não fosse feita as devidas oferendas aos mais novos deuses das quais foi muito difícil convence-los de que eles existiam, o caos iria se espalhar em tudo.

-E quem não fez as oferendas?

-O certo seria os lideres fazerem, mas sua mãe nunca concordou com isso e tudo que se faz tem um preço.

-Por isso Naiá sumiu?

-Eu acredito que ela foi em busca de seu destino, assim como irá acontecer com você quando chegar a hora”.

-Nós dois passamos o dia e a noite inteira lá, conversando e tirando todas às dúvidas necessárias, e quando o dia clareou ele voltou para a tribo na tentativa de acalmar as coisas e prometeu que assim que estivesse tudo certo, voltaria me buscar...

Ela sorriu tristemente e cruzou os braços.

-Claro que depois de muitos dias acabei voltando e me deparei com um extremo vazio, tudo que se via eram as ocas destruídas e corpos caídos no chão.... Procurei pelo responsável em toda a floresta, e quanto mais fundo eu ia mais coisa encontrava e meus poderes iam se desenvolvendo conforme o tempo, assim como minha raiva pelo assassino... Depois de um tempo eu o encontrei e... Bem... Digamos apenas que quando o “matei” ele não ficou muito feliz com isso e revidou, o que fez com eu parasse nos campos de punição e assim como Júlio disse, o resto da história vocês já sabem.

Ficamos em silencio por um tempo para absorver tudo, realmente ela parecia esconder vários pontos da história, que provavelmente não descobriríamos tão cedo assim, mas por hora estava bom o suficiente para que meu plano desse certo.

Contei a eles a história resumida sobre a Guerra de Cronos e o que poderiam falar.

Olhei no relógio. Tínhamos mais dez minutos, esperava que fosse o suficiente para convencê-los de meu segundo plano...

-Tudo bem, agora que está tudo resolvido eu preciso de mais um favor antes de dar o horário.

Eles me encararam e assentiram. Respirei fundo e fui direto ao ponto, na esperança de que caso falasse rápido eles não conseguiriam raciocinar muito bem e concordariam com o plano que provavelmente salvaria suas vidas, já a minha não tenho tanta certeza...

Notas finais
★♡★