Notas iniciais
Mais um pela demora ; D

Lá estava eu novamente naquela sala escura, vendo a vida das duas pessoas mais importantes para mim, por um fio. Ouço aquela risada ecoar por todo o local.

-HAHAHAHA!!! Você acha mesmo que vai a algum lugar? Não tem escapatória, nem para você nem para as pessoas que você ama.

-Não me interessa o quanto fale, sei que o que planejo irá dar certo. E quando tudo acabar vou atrás de você... mas se quiser adiar seu fim, mostrando sua verdadeira identidade e as soltando, posso prometer ser menos cruel.

—HAHAHAHA!!! Ainda ousa me desafiar? Mesmo sabendo que a vida de suas amigas está em minhas mãos? Acho que estava certo desde o começo em suspeitar de que não se importa com ninguém além de si mesmo.

-Você não sabe nada sobre mim! Nem da minha vida, então pare de fazer jogos psicológicos, pois isso não irá funcionar.

—Não estou fazendo jogo nenhum, você ainda não percebeu o que fiz por você? Estou apenas lhe mostrando a realidade de como sua vida foi, assim como um amigo faria, até porquê, como já deve ter notado, sua vida é e sempre será uma completa roda de mentira, desilusão e traição.

Várias imagens começaram a passar na minha frente, provando a teoria daquela coisa. Em uma delas mostrava minha mãe enlouquecendo após tentar ser o novo oráculo e fracassando miseravelmente, enquanto Hermes, que já sabia de todos os riscos, a abandonou por completo...

Em outra, apareceu eu no meu último dia de vida, quando pedi para Percy me entregar sua espada para que depois pudesse enfia-la em mim mesmo...

Fechei os olhos na esperança de que elas sumissem, mas as imagens continuaram passando em minha mente...

Cada momento de traições e mentiras... toda a minha vida se resumindo a isso...

Depois um tempo, consegui afastá-las e tentei recuperar o pouco de concentração que ainda tinha.

Gargalhei alto para que deixasse claro que ele ainda não havia conseguido me ferir como desejava. Então abri os olhos e encarei o completo vazio.

-Se você é realmente meu amigo, fará o que é certo e irá soltá-las para que possamos resolver isso de outra maneira, estou até levando em consideração desistir de tudo e aceitar as consequências...

-Devo admitir que sua persistência me surpreende, mas como eu disse antes, não adianta tentar, até porquê, você não deve me culpar por tudo isso!

-Eu não...

—Quer mesmo que eu as solte? Se você acha que existe a mínima chance delas te aceitarem de volta está completamente enganado, pois ele estará lá e pode ter certeza que elas irão correr direto para os braços dele!

-De quem...

—Não se faça de idiota. Sabe muito bem de quem estou falando, pois foi ELE quem as tirou de você! Foi ELE que convenceu todos que você amava a te deixar de lado...

-Isso é men...

-É graças a ELE que está aqui...

-Pare...

-Pois foi ELE quem decidiu seu destino uma vez e será o responsável por te trazer de volta ao tártaro!

-Nãããããoooo!!!!!

Acordei em um pulo na cama do chalé de Hermes (desta vez estava encima dela e não embaixo), olhei em volta na esperança de não ter ninguém lá, e para a minha alegria as camas estavam todas arrumadas e nenhum sinal de qualquer pessoa (pelo menos era o que eu pensava), esfreguei as mãos no rosto que estava molhado de suor, me levantei e fui em direção ao banheiro.

Enquanto tomava banho, fiquei pensando no que havia acontecido na noite anterior...

Depois da nossa pequena reunião atrás do chalé de Perséfone, fomos em direção ao teste que para a minha surpresa não foi tãaao ruim assim, é claro que fomos entrevistados separadamente o que era óbvio, mas nós conversamos depois e constatei que estava tudo bem. O único problema foi no momento em que contamos que já havíamos morrido, porém, como nossa história era convincente, eles nos agradeceram e disseram que era uma honra nos ter no acampamento, depois disso fomos comer e como tínhamos perdido o caça a bandeira, seguimos para nossos chalés.

Saindo do banheiro encontrei minha cama arrumada e uma muda de roupas limpas encima dela, me vesti, fui para fora e olhei no relógio.

08h30min

Fiquei feliz por ter acordado cedo desta vez. Caminhei até o refeitório onde comecei a procurar pelos dois, mas então me lembrei de que cada um tem que sentar-se à mesa correta, por isso fui até a mesa de Hermes onde todos os meus “irmãos” conversavam. Sentei na ponta e peguei um dos pratos que estavam próximos, imaginando duas fatias de pizza de constela (acredite esse sabor existe e é um dos meus preferidos) com um copo de Coca-Cola.

Enquanto saboreava meu café da manhã senti que alguém me observava, porém não encontrei o responsável, é claro que tenho suspeitas de ser Connor Stoll, pois nas raras ocasiões em que o encarava ele desviava o olhar e fingia estar conversando, tive medo de que estivesse desconfiando de algo e por mais que pareça impossível, não duvido de nada depois do primeiro dia...

Após o café, Frank me entregou a lista de afazeres do dia. Aparentemente Percy havia conseguido convencer a todos de que eu não precisava mais de treinamento, então acabei assumindo o cargo de professor de esgrima na parte da manhã o que era bom, levando em conta que precisava urgente descarregar o estresse daquele pesadelo.

Cheguei ao campo de treinamento e logo despachei a ideia de descontar em alguém durante a luta, já que meus oponentes não tinha mais de 12 anos...

Estavam todos uniformizados, segurando a espada e capacete. Pressionei os lábios e coloquei minha melhor mascara com direito a um super sorriso, então comecei meu trabalho.

Depois de lutar com cada um individualmente, fiz com que batalhassem entre si para testar suas habilidades e durante a manhã inteira enquanto os treinava senti que novamente alguém me observava, e de novo não tive sucesso em saber quem era.

A concha para o almoço soou, então dispensei eles e comecei a preencher os formulários do progresso de cada um dos vinte meio-sangues que treinei. Quando terminei, fui para o refeitório onde me sentei na ponta de novo sem que ninguém me notasse, peguei um prato, imaginei um lanche de bacon com um copo de Coca-Cola e durante o almoço aquela sensação de que me observavam não saiu de mim, o que fez com que passasse a maior parte do tempo olhando para todos os lados a procura de algo suspeito...

Quando terminei e estava indo em direção a aula de arco e flecha, houve um berro enorme e senti o acampamento tremer, olhei para todos os lados até meus olhos pousarem na colina onde o pinheiro de Thalia se encontrava e me deparar com um monstro enorme que estava destruindo tudo à sua volta.

A gritaria dos semideuses começou enquanto corriam as pressas para impedir o ataque. Mas só sai do meu transe depois de ouvir a voz de Annabeth ao meu lado que estava levando todas as crianças até a casa grande.

Não faço a mínima ideia de como ela veio parar aqui, mas não tive muito tempo de pensar, porém, antes de empunhar minha espada, me lembrei de que ela não era realmente minha e que alguém poderia suspeitar, então segui o grupo de semideuses que se encaminhavam para um armazém, lá peguei a primeira espada que vi pela frente e fui em direção à batalha que estava acontecendo.

Mas assim que me aproximei, não tive tempo de fazer nada, já que com um berro do monstro (que identifiquei ser a Quimera), vários outros saíram de trás dele, eles tinham cem mãos e cinquenta cabeças (eram os Hecatônquiros, mais conhecidos como os Centimanos), sempre achei que existiam apenas três deles, mas pelo jeito estava errado.

Enquanto lutava comecei a procurar por meus amigos e a primeira que vi foi Tainara que estava amarrando um dos Centimanos com um monte de flores e depois de preso por completo ela fez um simples gesto que o pulverizou, então olhou satisfeita pelo que fez e depois me encarou com um sorriso, não pude deixar de retribui-lo.

O problema era que, enquanto me distraia, um monstro tentou me acertar pelas costas, a sorte foi que Thalia apareceu e acabou com ele, me xinguei mentalmente por minha distração e a agradeci com um gesto de cabeça que ela retribuiu e partiu para o próximo. Levantei e comecei a fazer uma das poucas coisas em que era realmente bom.

A luta durou a tarde inteira, mas finalmente conseguimos mandar todos de volta para o tártaro, é claro que os méritos iam realmente para os que acabaram com o maior monstro, que seriam eles nada mais nada menos que Percy Jackson, Jason Grace, Annabeth Chase e até Tainara os ajudou, me senti um pouco envergonhado por isso, mas fiquei muito orgulhoso da minha amiga e feliz por nenhum deles ter se ferido gravemente.

É claro que todos contribuíram e mataram os Centimanos (que também deram um enorme trabalho).

No fim da tarde, algumas pessoas choravam pela perda de alguém, outros apenas os olhavam com tristeza (nem imagino quantas vezes passaram por isso), e depois que arrumamos toda a bagunça da luta, cada um foi para seu respectivo chalé, na esperança de poder tomar um banho...

Tinha exatamente dez chuveiros no banheiro (um em cada box), para quarenta semideuses (tudo bem que comparado à quantidade que existia anos atrás, o número diminuiu drasticamente), achei que seria uma discussão tremenda para ver quem iria primeiro, porém todos concordaram em deixar que as meninas fossem na frente, sobrando vinte e dois meninos que fizeram um sorteio mais do que justo para se pôr uma ordem certa, tinha sido escalado para a primeira leva de banho, mas cedi minha vez para outro e acabei indo parar na terceira rodada.

Depois do banho encontrei uma muda de roupa limpa encima da minha cama, me troquei e fui em direção ao refeitório onde Quiron iria nos dar um aviso importante.

Chegando, procurei pela mesa de Tainara e lá me sentei, ela olhou espantada para mim.

-Sabia que eles irão perceber alguma coisa de diferente na minha mesa?

-Relaxa, com tudo que aconteceu hoje ninguém vai ligar para uma pequena coisa como essa, até porquê, olha em volta, eles não estão nem aí para gente.

Fiz um gesto com o braço, do qual ela acompanhou, realmente até eu me espantei com o silencio que emanava de todas as mesas, enquanto as pessoas ali presentes estavam com o olhar fixo em seus pratos.

-Tudo bem, se você diz, além do mais é muito chato comer sozinha.

Na mesa só tinha um único prato, já que apenas Tainara quem comia lá, ela me ofereceu sua gororoba chamada de sururu, mas recusei, já que não estava com um pingo de fome.

-Você não se cansa desse prato? –Cochichei para ela.

-Claro que não. –Tainara rebateu. -Me cansei foi dessa comida toda gordurosa que vocês adoram comer, o sururu é meu prato preferido e pretendo saboreá-lo sempre que possível.

-Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

Ela deu um leve sorriso e continuou comendo, logo em seguida Júlio se sentou ao lado dela, ele estava com olheiras muito fundas, parecia até que não dormia há dias, fiquei preocupado e quis saber o que tinha acontecido, mas ele deu um largo sorriso para nós dois e perguntou o que havia perdido, cada um contou a sua versão da história e depois Quiron apareceu chamando a atenção de todos (o que não foi muito difícil, já que nós éramos os únicos a conversar, baixinho, mas mesmo assim...).

-Em primeiro lugar quero parabenizar a todos pelo ótimo desempenho na batalha de hoje, e apesar das perdas, devemos ficar felizes, pois não foram muitas.

Um sorriso triste brotou em seus lábios e só naquele momento notei o quanto Quiron parecia mais velho... O que era de se espantar levando em conta que ele deveria ser imortal...

-Amanhã serão feitos os devidos ritos funerários, e por hoje se preocupem apenas em ter uma boa refeição e descansar... E mais uma coisa, devido ao ocorrido, o caça a bandeiras está cancelado, tenham uma boa noite.

Dito isso, ele foi embora do refeitório e todas as pessoas começaram a conversar, como se nada tivesse acontecido, resolvemos seguir o mesmo exemplo.

Tainara ofereceu seu prato para que Júlio pudesse comer (pelo fato dele ser magico, o prato se limpava automaticamente), ele aceitou, fechou os olhos, enquanto uma comida com um formato de gota de chuva se materializou em seu prato.

-Que raios de comida é essa?

-Isso meu caro amigo se chama coxinha, e é um ótimo tipo de salgado se você não sabe.

-Não entendo de onde vocês arrumam tantas ideias de comidas “diferentes”.

-Antes que você fale qualquer outra coisa prove apenas uma e se não gostar pode falar o que quiser.

Revirei os olhos e peguei uma daquelas gotas, dei uma mordida e não tinha palavras para descrever o gosto daquilo, era simplesmente uma...

-Delicia!

Eles deram risada da minha cara que provavelmente deveria estar muito engraçada, os acompanhei e peguei mais uma coxinha, foi à vez de Júlio revirar os olhos, ele pegou o prato e colocou no meio da mesa para que todos pudéssemos pegar. Tainara resistiu, alegando que estava cheia demais, porém depois que Júlio quase enfiou uma em sua boca, ela resolveu aceitar e por mais que insistisse dizendo estar cheia, nos ajudou a acabar com as coxinhas.

Enquanto comíamos e conversávamos, Frank se aproximou da gente.

-Com licença. Quiron pediu para que vocês se dirijam a casa grande assim que terminarem de comer.

Concordamos e lhe oferecemos uma coxinha, mas ele recusou e se retirou, terminamos de comer e fizemos o que Frank havia pedido, fiquei nervoso para saber qual seria o assunto, porém caso fosse algo grave que colocasse nossas vidas em risco, meu plano teria que ser posto em ação.

Olhei para eles na esperança de ver algum sinal de que realmente fariam o que pedi, porém, tudo que recebi foram olhares vagos que logo em seguida baixaram a cabeça. Os ignorei e voltei a encarar a porta, não importava o que eles achavam, aquela era uma decisão minha e eles prometeram pelo Rio Estige.

Respirei fundo e bati na porta, alguns segundos depois ela se abriu, entramos e ele fez um gesto para nos sentarmos no mesmo sofá em que ficamos alguns dias atrás.

-Bom, como vocês devem ter notado a nossa situação é crítica e precisamos urgentemente de um plano.

Ele não esperou respondermos e depois de um longo gole em seu café, continuou:

-Depois de conversarmos muito, todos concordamos que podemos confiar em vocês, então sem mais delongas gostaríamos de saber o que falta para que o feitiço seja feito?

Nos entreolhamos e não pude deixar de sorrir, dei um leve suspiro e comecei a contar tudo o que seria necessário para a invocação.

Estava muito feliz por estarem todos bem e saber que já havia dado mais um passo em meu plano...

Agora a vida parecia, de certa forma, estar me dando mais uma chance, estou caminhando a uma nova fase e assim como essa, irei ganhar...

Não importa o que aconteça!

Notas finais
★♡★