Percy Jackson - Uma Nova Profecia
4 III - De uma hora para outra minha maior preocupação passa a ser uma flor roxa.
Notas iniciais

Sapatos voadores podem ser uma droga se você só tem um deles.
Você pode encontrar muitas coisas em um passeio para o mundo inferior, mas os dois pés de um all star voador? Pode esquecer!
Encontrar só um já havia sido um feito em tanto (você nem faz ideia o tamanho do tártaro), então fui obrigado a improvisar o outro.
Certa vez eu, Júlio e Tainara estávamos em um covil de ciclopes, e apesar de ter sido muito complicado conseguirmos manda-los de volta para o lugar de onde vieram, lá dentro encontramos alguns pertences de sua última refeição, incluindo um par de sandálias masculinas com a sigla L inserida (provavelmente é a inicial do nome do antigo dono), algumas penas (parecia que a pessoa responsável por aquela quase arte manha não conseguiu terminar seu trabalho) e um relógio (as horas aparecem em 3D e para um filho de Hermes isso é muito legal), graças aos poderes de Júlio nós fizemos nosso próprio “sapato” voador, mas ele não funcionava muito bem.
É por isso que estou tentando fazer minhas pernas pararem de brigar e tentarem sair voando sem o resto do meu corpo, tudo isso enquanto procuro uma ninfa furiosa!
Dez minutos a traz eu estava em choque no acampamento ouvindo a notícia de que minha amiga iria morrer; tudo por minha culpa, já que ela estava de olhos vendados correndo atrás de um monstro cheio de veneno, na esperança de que eu á guiasse para não correr risco nenhum, e graças a mim estava acontecendo exatamente o contrário; e mais uma vez o prêmio de pior amigo vai para.... Adivinhem...
Luke!
A minha sorte é que o Júlio é bem melhor em relação a amizade, e depois de alguns minutos conversando com o sátiro ele teve uma ideia nem um pouco fácil e que eu só teria uma hora para conclui-la. A minha missão era ir em busca uma flor roxa com espinhos vermelhos que aparecia apenas uma vez por ano em lugares diferentes do mundo inteiro (e no resto do ano ela só é encontrada no Brasil), a nossa sorte é que este ano os Estados Unidos foi premiado e graças aos deuses ela está localizada mais ou menos perto do nosso acampamento, mesmo assim não muda o fato de ser muito complicado de procura-la principalmente se for levar em consideração que ela é vigiada por uma ninfa furiosa com um nome muito complicado, mas essa flor é único antidoto para veneno de basilisco.
Então aqui estou tentando voar nessa coisa que não quer me obedecer. Depois de uns segundos no ar resolvo pousar e ir por terra mesmo, quando chego na parte marcada por Júlio escalo a arvore mais alta que encontrei e de lá consigo enxergar três colinas, não muito longe de onde eu estava.
-Deve ser uma dessas. Ele disse que ia ser a primeira das três alinhadas entre si, então só pode ser...
Eu sei que é estranho falar comigo mesmo, mas isso me ajuda a pensar melhor e não tem ninguém por perto para me julgar. Desço da arvore, coloco novamente os “tênis” e torço para dar certo.
-Beleza agora é a hora, não falhem comigo.
Termino de calçá-los e começo a correr, correr, correr, cor....
-Ahhhhhhhhhhh!
O que eu mais temia aconteceu!
Cada perna foi para um lado e o meu corpo virou de ponta cabeça.
Depois de muito tempo consegui voltar ao normal, mas então me deparei com uma arvore e cai no chão feito uma maria-mole.
-Aí que dor! Seu Idiota!
Quando olho para os meus pés percebo que um dos “tênis” não está mais lá, levanto minha cabeça e vejo o “sapato” fujão voando para bem longe.
-Tomara que você bata em uma arvo...
Antes que eu terminasse, a sigla que estava no meio da sandália começou a brilhar e no mesmo instante ele voou em direção a uma arvore e explodiu.
-Burro! Acabou com a missão.
-Com quem você está falando?
Eu esqueço que a floresta é um lugar grande cheio de sátiros e ninfas, e não dá para ter uma conversa calma entre mim e um “tênis” sem que alguém atrapalhe.
Começo a me virar e me deparo com uma ninfa verde igual ao cabelo de Júlio, cabelos pretos e lisos, olhos castanhos brilhantes e um vestido todo florido, aparentemente estava muito furiosa, mas não era a ninfa que eu procurava.
-Estou falando sozinho, não está vendo?
-Se eu realmente estivesse vendo não estaria perguntando, mas havia me esquecido como os semideuses podem ser convencidos e arrogantes, ia te oferecer ajuda, porém já que você está se dando tão bem assim com seus brinquedinhos vou embora.
Se ela soubesse o quanto estou irritado não faria isso, a minha vontade naquele momento era de manda-la diretamente para o tártaro, mas infelizmente eu precisava de ajuda.
-Espera!!!
Ela parou se virou em minha direção e disse:
-Mudou de ideia, meio-sangue?
-Primeiro meu nome é Luke, segundo como você sabe que sou um semideus?
-É óbvio, um mortal comum não poderia ter me visto, nem teria acesso a tênis como o que está no seu pé e sinceramente. Só vocês para saírem no meio de um tempo como esse.
Dito isso ele apontou o indicador para o céu. Era para estar se iniciando o dia, porém ainda parecia madrugada, isso provavelmente são sinais da irritação de Zeus por alguma coisa qualquer.
-Tudo bem, mas por que você quer me ajudar?
-Porque eu não tenho mais nada para fazer e estou entediada. E meu nome é Áqua.
-Prazer. Então, como você pretende me ajudar?
-Primeiro, eu tenho que saber para onde você quer ir e qual a sua missão.
-Tenho quer ir naquela primeira colina, para poder encontrar uma flor roxa com espinhos vermelhos que está sendo guardada por uma ninfa super furiosa com um nome muito estranho, acho que é Aber com bie, ou Abreacombie, Abre...
-Abercrombie?
-Isso. Essa mesma. E detalhe, tenho menos de uma hora para fazer isso antes que uma amiga minha se vá...
-Quanto tempo exatamente?
Aperto em um botão do lado do relógio e as horas aparecem, e vejo que perdi mais tempo do que deveria.
-Trinta minutos!
-Tudo bem, posso te mandar para lá agora mesmo, e assim que você recuperar a flor espete seu dedo em um dos espinhos e diga para onde quer ir, mas em troca eu quero que você faça algo por mim.
-Imaginei. O que você quer?
-Para pegar a flor você terá que matar a ninfa.
-Sim, e daí?
-Daí que antes de matá-la quero que colha um pouco de seu sangue e traga para mim.
-Tem dois porém. Primeiro, com o que eu vou pegar o sangue e segundo, como vou colher ele sem que ela tente me matar?
Ela arrancou uma folha de sua arvore, á enrolou, pegou uma fita de seu cabelo e amarrou a folha.
-Toma, mas cuidado para não amassar, quando você conseguir lhe causar um pequeno ferimento apenas encoste a folha no local.
-Tudo bem, mas e o segundo porém?
-Você é um semideus, dê seu jeito. E é melhor ir logo, pois quanto mais tempo perde comigo, menos a sua amiga tem.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela jogou um pozinho muito estranho em cima de mim e tudo se escureceu.
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Imagine que você está no meio da floresta conversando com uma ninfa e ela joga um monte de purpurina na sua cabeça, e de uma hora para outra o local muda e no lugar daquela ninfa outra aparece, só não tão amigável e com um nome muito difícil de pronunciar!
Espero que essa imagem fique apenas em sua cabeça, porque ao vivo não é nada legal. Fora o mal-estar pós-tele-transporte que faz com que você não consiga nem enxergar o seu oponente direito.
Quando a tontura finalmente passou vi que a ninfa tinha desaparecido.
-Para onde ela foi?
Dei uma olhada pela colina e percebi que do topo dela dava para se enxergar a floresta inteira e um pouco da cidade. Continuei a dar voltas, mas não vi nem sinal da ninfa ou da flor. Olhei no relógio e o medo tomou conta de mim, então resolvi provoca-la até ela aparecer.
-Abercrombie... apareça, eu não vou te machucar, você pode me emprestar sua flor só um pouquinho?
Tudo que eu ouvia era o vento forte que batia no meu rosto como se me lembrando de que o tempo estava acabando.
-Apareça sua ninfa medrosa, chata, irritante e feia!
-Feia, eu? Por que você não me vê pessoalmente e aí me fala como eu sou.
Bem na minha frente surge um brilho intenso e forte que quase me cega; e com isso começa a se materializar uma menina com longos cabelos negros, olhos azuis e um manto branco que balançava com o vento, e por um instante vi a imagem de uma antiga amiga, mas as minhas dúvidas se confirmaram ao ouvir sua voz.
-Olá. O que quer de mim?
Fiquei sem forças para responder, por um instante o mundo a minha volta girou e nada mais fazia sentido.
Como ela estava lá?
O que tinha acontecido?
Depois de quase uma eternidade em um silêncio perturbador, reuni um pouco das forças que me restavam para ter certeza do que acontecia.
-Tha-Thalia?
Ela deu um leve sorriso e disse:
-Ah, então você se lembra de mim? É claro que sou eu.
-Não pode ser.
-Como não? Estou bem na sua frente.
Ela estendeu os braços sobre o próprio corpo como que para enfatizar o fato de ser quem realmente dizia.
-Mas você é uma caçadora de Artémis e não uma ninfa!
-Pois é, para você ver. Eu tento ajudar os deuses e por um pequeno deslize eles me transformam em uma ninfa guardiã.
Pisquei várias vezes tentando me convencer de que aquilo não era real, mas ela era tão parecida que chegava até a assustar!
Porém, se analisasse bem, a Thalia que eu conheço nunca usaria um vestido daqueles, e tinha outra coisa que me intrigava muito, mas precisava ter certeza se a minha teoria estava correta...
-Há quanto tempo não te via! Tanta coisa mudou, e eu preciso muito da sua ajuda.
-Diga meu bom amigo, o que posso fazer por você?
-Deixe que eu leve a flor roxa, para poder salvar a vida de uma amiga.
-Você sabe que não posso.
-Claro que pode, nenhum deus precisa ficar sabendo, você nunca se recusou a me ajudar.
-Eu sei disso, mas são ordens diretas de Zeus e eu não posso desobedece-lo.
Me aproximei dela, e já tinha conseguido a resposta que queria, e naquele momento minha vontade era de esganá-la com as próprias mãos, mas me segurei e continuei a aproximar-me, até que consegui enxergar bem no fundo daqueles olhos azuis.
-Eu entendo perfeitamente. Então me faça outro favor?
-Claro!
No mesmo instante eu a derrubei no chão e lhe desferi um golpe no braço, e antes que ela pudesse terminar o grito de dor encostei a folha no sangue que escorria.
-Nunca mais finja ser ela!
As minhas palavras eram de puro ódio, e depois daquilo, sua imagem tremeu e no lugar da falsa Thalia apareceu uma mulher de cabelos curtos, meio alaranjados, com a pele negra e olhos brancos, e quando falou seus dentes eram afiados, sua voz era de espanto, mas carregava muito ódio e rancor.
-Como você....
-Onde está a flor?
Ela me encarou nos olhos e deu uma gargalhada tão profunda que fez com que tremesse a colina inteira.
-Acha que pode me vencer, semideus de araque? Você nunca irá conseguir pegar a flor! Muitos tentaram, mas todos viraram o meu almoço.
-Só tem um probleminha... você fala demais!
Dito isso, peguei a espada e lhe deferi um golpe no coração, ela me encarou uma última vez antes de desaparecer e em seu lugar aparecer uma flor roxa com espinhos bem vermelhos.
Guardei a espada e cavei um buraco em volta da flor para leva-la com a raiz, já que eu não fazia ideia em que Júlio a usaria. Passei a planta para a outra mão e espetei o meu dedo em um dos espinhos pensando onde queria ir e um segundo depois tudo se escureceu.
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