Percy Jackson - Uma Nova Profecia

5 IV - Áqua me ajuda com um disfarce.


Notas iniciais
Façam bom proveito meus queridos semideuses ; )

Como o nosso começo de dia já havia sido bem agitado, e para ajudar a chuva estava começando a engrossar, nós todos concordamos que iriamos atrás da serpente indestrutível depois do almoço ou quando Tainara estivesse 100% melhor, já que graças a Júlio ela estava agora sã e salva dormindo na barraca ao lado dele que acabou desmaiando depois de terminar o feitiço. Enquanto o sátiro tentava mandar uma mensagem de íris para o acampamento, resolvi montar guarda na tentativa de me distrair do que havia ocorrido, porém eram tantas perguntas ainda sem resposta...

Porque justo ela?

O que será que ela estaria fazendo?

Ela, ou melhor, elas iriam me perdoar?

Além da pergunta mais recente...

O que Áqua quer com o sangue da ninfa?

Antes que pudesse pensar em qualquer solução para as minhas dúvidas, ouvi o sátiro conversando com alguém. Comecei a me aproximar e me escondi perto de uma arvore.

-Finalmente consegui falar com você, achei que a chuva iria interferir no sinal e...

—Fale logo Math, você sabe o quanto é perigoso se comunicar por meio de mensagens. O que aconteceu? Onde está o semideus que você iria trazer?

Como assim as mensagens de íris não eram seguras?

Até onde eu sabia era um dos únicos meios de comunicação confiável para um semideus. A chuva estava ficando cada vez mais forte e não conseguia ouvir muito bem o que os dois conversavam, tive que chegar mais perto para entender melhor.

Ele abaixou a cabeça e disse com a voz tremula:

-Ele... O basilisco atacou... eu... e...

Antes que Math (pelo menos eu acho que esse é o nome dele) terminasse ou tentasse terminar de explicar, a voz do outro lado falou:

-Tudo bem, nós não devíamos ter te mandado sozinho nesta missão, o importante é que nada de ruim lhe aconteceu.

-Sim, eu acho.

-Mas porque você não voltou ainda?

-Porque quando o monstro nos atacou um grupo de semideuses apareceu para ajudar.

-Então não foi um caso perdido. Onde eles estão? Quantos são?

-Eles são em três, dois meninos e uma menina, eu acho que estão em suas barracas, mas não sei os nomes nem o porquê estavam sozinhos.

-E de quem são filhos?

-Um deles é filho de Hécate, já os outros não sei.

-Muito bem mais um filho dela, ele será de grande ajuda. Irei mandar mais dois semideuses para trazerem vocês aqui, mas só depois da chuva passar, você sabe o quanto é perigoso sair em um tempo desse.

-Sim eu sei, não se preocupe tomarei conta deles.

-Tome muito cuidado e os avise para que já estejam preparados quando a carona chegar.

-Sim senhor.

Antes de ouvir qualquer outra coisa, me afastei para pensar no que fazer. Eu não podia correr o risco que alguém me reconhecesse e botasse tudo a perder... olhei para cima e vi que a chuva continuava do mesmo jeito e pelo incrível que pareça fiquei mais aliviado.

Já sabia o que fazer, mas antes tinha que acordar aqueles dois e pedir algumas informações á Júlio...

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Depois de ter uma conversa rápida com ambos e ouvir a explicação do sátiro sobre o que aconteceria, fui me encontrar com ela. Chegando em sua arvore á chamei:

-Áqua, estou com a folha.

-Você demorou!

Levei um susto e quando me virei, lá estava ela com as mãos na cintura e batendo um dos pés.

-Desculpa, é que eu precisava voltar antes que fosse tarde demais para a minha amiga e...

-Me poupe dos detalhes, o que eu quero saber é se conseguiu pegar o sangue dela?

-Talvez.

-Como assim?

-Ela ainda está viva eu não consegui matá-la...

-Mas como você conseguiu salvar a sua amiga?

-Não consegui salva-la, pois como eu mataria alguém... Que estava tentando me ajudar?

Abaixei a cabeça e fechei os olhos que já estavam vermelhos de tanto chorar. Ela tirou os braços da cintura e fez uma expressão de compaixão.

-Sinto muito, se tiver algo que eu possa fazer por você...

Funguei um pouco e a encarei, ela tinha um ar de preocupada e estava completamente molhada.

-Bom na verdade, foi por isso que vim.

-É só falar, que eu farei qualquer coisa que estiver no meu alcance.

-Não sei, tenho medo de estar pedindo demais... -Abaixei a cabeça novamente e respirei fundo.

-É claro que não. Pode falar que eu prometo ajudar.

-Promete mesmo?

-Prometo pelo Rio Estige.

Finalmente ela chegou no ponto que eu queria, a encarei nos olhos com a cara mais confiante que conseguia.

-Ótimo. Quero que você me fale a verdade.

Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saia e seu olhar mudou de compaixão á espanto.

-Do que você está falando?

-Por que quer o sangue de Abercrombie? Diga a verdade!

-Por que você quer tanto saber?

-Não interessa, apenas fale.

Ela respirou fundo e encarou os próprios pés.

-É que de acordo com algumas lendas, se você conseguir o sangue da guardiã de uma das flores mais raras do mundo, isso lhe dará o poder de ter um desejo sem regras.

-Isso é mais forte até que os deuses?

-Sim. Ela existe desde a criação de tudo e Zeus já tentou destruí-la várias vezes, mas nunca conseguiu, então ele colocou sobre a proteção de uma de suas ninfas preferidas e jogou um feitiço nela da qual fazia com que tivesse que mudar de local constantemente, assim ninguém á encontraria e achariam que era tudo uma lenda. Porém alguns foram atrás da flor, mas como nunca voltaram para confirmar a história todos passaram a temer e acreditar que era tudo invenção.

-E por que você mesma não foi atrás dela?

-Eu tinha medo do que aconteceria, não sou tão forte e muito menos sei como segurar uma espada. Na maioria das lendas dizem que ela se transforma em uma pessoa que você ama muito e isso te torna fraco fazendo com que ela consiga te matar.

-Se sabia que era quase impossível matá-la, por que me mandou pegar o sangue? Só para se livrar de outro semideus?

-Não! Você é a primeira pessoa para qual eu peço e só fiz isso porque já estava indo atrás dela mesmo. E também... não tinha como você morrer.

Um arrepio imenso passou por todo o meu corpo (e não foi por causa da chuva). Como assim eu não podia morrer?

-Do que você está falando?

-Não tem como uma pessoa que já está morta, morrer de novo.

Foi minha vez de me assustar. Não tinha como ela saber que eu havia morrido, e outra eu não estou morto (tudo bem que o meu corpo buga toda hora, mas isso é só temporário).

-Como assim?

-Vai me dizer que não sabia? Nós ninfas temos o poder de identificar os vivos dos mortos, isso vem de muito tempo, acho que foi obra de Hades para facilitar o trabalho de Thanatos.

-Como vocês sabendo facilitaria o trabalho de Tana...

Foi aí que caiu a ficha.

-Você contou pra ele?

-Claro que não! Se eu contasse ele viria atrás de você e não daria tempo de pegar a flor, nem de salvar sua amiga. E por isso o poder dela não te afetou.

-Na verdade pegou sim, ela quase conseguiu me enganar.

-Não esse poder.

Fiz uma cara de dúvida, ela revirou os olhos e continuou:

-Depois que ela te distrai, começa a fase de persuasão e sonolência, isso faz você enxergar apenas o que ela quer e depois de um tempo, já não consegue mais diferenciar o real do imaginário e com isso ela dá o ataque final e te mata, mas como você está morto o feitiço passou direto, já que ele precisa de algo sólido para se estabilizar.

Depois de sua explicação, abri um grande sorriso e agradeci mentalmente á Júlio por não ter conseguido materializar o meu corpo totalmente, fazendo com que eu passasse despercebido pelo ataque da ninfa e voltando a se estabilizar na hora em que precisei matá-la.

Depois de um tempo em silêncio ela prosseguiu:

-Mas de nada adiantou, já que você não conseguiu!

-Sim, porém ainda não sei como você ficaria com o desejo.

-Teria que ser entregue de bom grado.

-Mas Zeus só não me matou porque não sabe que voltei dos mortos.

-Exatamente.

-E se caísse em suas mãos ele iria perceber e poderia puni-la.

-Sim, mas é um risco que eu tenho que correr.

-E qual seria o seu pedido?

-O meu maior sonho é não ter que depender de uma arvore pra viver. Eu quero ser livre de qualquer obrigação como ninfa ou outro ser mágico. Quero ser uma mortal e poder começar minha vida do zero.

Por um lado eu entendi o que Áqua queria, também gostaria de dar um replay em minha vida e fazer tudo diferente. E com isso senti a folha ficar mais pesada em meu bolso, e de repente percebi que tudo isso seria possível sem eu ter que me arriscar para provar que mudei, pra mostrar as pessoas que amo que vim para ajudar e que me arrependo por tudo...

Então tomei minha decisão.

-E todo esse poder está em minhas mãos, certo?

-Sim...

-Seria fácil para mim beber o sangue e todos os meus problemas sumiriam?

-Se for esse o seu desejo, mas antes você tem que matá-la.

Sua voz era de puro ódio, desprezo e uma profunda tristeza. Ela tinha certeza do que eu faria e suas esperanças provavelmente já haviam sumido.

-Eu até poderia fazer isso, mas só tem um problema...

-E qual seria?

-Pense comigo, se eu acabar com todas as suas esperanças para me apossar do desejo e ter uma segunda chance com todos que magoei, não daria muito certo, já que eu estaria traindo a confiança de uma amiga e isso não me tornaria melhor do que era. -Fiz uma pausa. -E outra coisa, isso seria fácil demais e como você percebeu, eu não gosto de nada fácil.

Tirei a folha do bolso e sacudi em minhas mãos, no mesmo instante ela abriu um enorme sorriso e me abraçou, é claro que não ousou pegar a folha, já que nós dois sabíamos o que aconteceria.

-Obrigada, obrigada, obrigada! Você não sabe o quanto estou feliz! Mas achei que ela ainda estava viva.

-Eu sei, pode falar, sou um ótimo ator.

Ela caiu na gargalhada, uma risada tão boa que fez com que eu a acompanhasse, depois me abraçou mais uma vez.

-Obrigada de novo, só queria me despedir antes de partir, já que eu não faço ideia se irei me lembrar de você quando tudo acontecer, mas antes gostaria de saber se posso fazer algo para agradecer.

-Gostaria de dizer que não.

-Mas?

Olhei para cima, com tudo acontecendo eu mal havia percebido que a chuva tinha parado, o que significava que meu tempo estava acabando, tinha que agir rápido antes que eles chegassem...

-Preciso de um disfarce!

Ela me olhou com um grande sorriso no rosto e disse:

-Vou ver o que posso fazer.

Notas finais
★♡★