Percy Jackson Filmes
20 Treinar e Treinar
Ponto de Vista de Clarisse
Os meus feitos na Torneio ainda eram comentados ao redor do Acampamento. Achei estranho as pessoas terem demorado para perceber que eu sou incrível, mas elas tiveram pouco tempo para tirarem essa conclusão, estão perdoadas nesse caso.
De todo jeito, havia conseguido meu prestigio, agora só falta receber uma missão, só que dessa vez, algo seriamente perigoso. Eu preciso de uma missão mais importante do que a que o Jackson fez. Dessa forma eu eliminaria toda e qualquer visão heroica que as pessoas têm dele.
O caso é que alguma competição está para acontecer, pois os treinos se alteraram de uma hora para a outra. Vem aí um curso de treinamento super competitivo. Vi Percy treinando sem parar.
Aquele patético do Jackson acha mesmo que qualquer coisa que Chase ensine à ele vai ajudar. Estava lá na área de treinamento com a namoradinha filha de Atena praticando esgrima.
Ainda assim, penso eu que o Sr. D e o centauro Quíron estão preparando alguma coisa diferente dessa vez. Talvez uma corrida de bigas. Ou não. Para mim, tanto faz. Venha o que vier.
As três horas da tarde, estávamos no campo mais extenso e aberto do Acampamento, bem perto do lugar onde treinamos arco e flecha. Era a hora do arremesso de lanças. Eu jogo a lança mais longe que todos aqui do Acampamento. Tentei contar ao meu pai. Sem resposta. Legal. Sério, eu não esperava que ele respondesse. Não esperava. Ele é um deus muito ocupado.
A parte mais estranha do arremesso de lanças foi a conversa que tive com Chris Rodriguez.
— Oi, Clarisse – cumprimentou ele. Eu estava afiando a ponta da lança quando notei ele do meu lado.
— Rodriguez – cumprimentei de volta. Depois me preparei para arremessar a lança ao longe.
— 400 metros – disse Rodriguez.
— O que? – perguntei franzindo a testa.
— Lance a 400 metros – respondeu ele.
Bufei.
— Essa é a distância máxima que você consegue pensar? – perguntei jogando a lança com toda a força. Ela foi parar na área de 600 metros. Me virei para Rodriguez – faça melhor.
Ele riu.
— Ah... não. Vou deixar esse tipo de glória com você – disse ele. Depois se sentou relaxadamente no chão, os olhos apertados observavam tudo à volta. Ele parecia satisfeito.
Fiquei encarando ele por quase 10 segundos.
— Que foi? – perguntou ele.
— Você vai ficar aí? Não vai treinar? – perguntei de volta.
— Agora, não. Vou ficar aqui observando você treinar e talvez aprender alguns truques. O que acha?
— Truques? – eu ri – não há truques. Apenas as minhas habilidades naturais. Algo que não se pode aprender – peguei uma outra lança e chequei se a ponta estava bem afiada – mas fique à vontade para observar.
Às quatro horas da tarde, eu já estava treinando nos novos obstáculos elaborados por Quíron. O leso do Jackson estava na minha sessão de salto nas toras de madeiras. Excelente. Treino e diversão ao mesmo tempo.
— Jackson, como vai? Já deixou de ser patético? – perguntei a ele. Me equilibrava em uma das toras.
Ele me ignorou.
— Sabe, todos falam agora... se foi mesmo você que recuperou o raio ou... Castellan entregou a você por pena – disse eu, ofegante pelo esforço de pular para outra tora e desviar de um dos objetos que voavam de todos os lados.
Ele continuou me ignorando. Vamos ver por quanto tempo.
— Só acho que... sua mãe teve sorte de Chase e Underwood terem acompanhado você na... Ei! – o desgraçado chutou o cabo de sustento da minha tora, para não me quebrar lá embaixo, segurei um dos cabos de segurança que estavam por ali.
— Vai com calma, Clarisse. Você pode acabar caindo, e ninguém quer que isso aconteça – disse Jackson. Filho de uma...
— Então é assim? – perguntei a ele – vamos ver, otário.
Golpeei um dos cabos de sustentação das toras dele. Ele segurou firme para não cair e começou a competir comigo tentando me derrubar. Os outros campistas pararam o que faziam e começaram a observar a nossa disputa.
Ouvi patas de cavalo lá embaixo. Droga.
— Vocês dois tem ótimo equilíbrio, mas o exercício não consiste em derrubar o outro, desçam já daí – ordenou Quíron.
Suspirei mal-humorada. Fui até a corda lateral e desci por ela.
O centauro se aproximou de mim e de Jackson que já havia acabado de descer.
— Deveria coloca-los de castigo – disse Quíron, percebi que ele se dirigia mais para mim do que para Jackson. Claro, porque a cria de Poseidon continua sendo o favorito do centauro mesmo depois de tudo que aconteceu. Mas eu não ia deixar essa passar.
— Não fui eu que comecei... – tentei, mas Quíron me interrompeu.
— Não importa Srta. La Rue. Querem se matar? Pelo menos esperem uma competição apropriada para isso, não no meu treinamento.
— Desculpe Quíron – pediu Jackson, patético. Eu não pediria desculpas por nada.
O centauro suspirou.
— Tenho certeza que está arrependido, assim como a Srta. La Rue – Quíron ergueu uma sobrancelha para mim. Não, não estou nem um pouco arrependida.
Olhei para os lados procurando pelo Sr. D em algum lugar. Ele não me repreenderia tão injustamente.
— Agora, não vai ser exatamente um castigo, mas quero os dois ajudando o diretor Dionísio na Casa Grande, ele precisa de ajuda com alguns caixotes de vinho – disse Quíron.
Quando pedi pelo Sr. D, não passou pela minha mente ter que fazer favores para ele.
— Tudo bem – disse Percy. Bufei, claro que está tudo bem para esse otário, já estava acostumado a ser empregado do Sr. D
Tive que andar o caminho todo até a Casa Grande ao lado de Jackson, pelo menos faria essa caminhada valer a pena para mim.
— Como está a sua mãe, Jackson? – perguntei. Não estava dando a mínima para a mãe dele, só queria provoca-lo mesmo.
— Está ótima, sabe, graças a mim – respondeu ele. Tive que rir disso.
— Claro – disse a ele.
Do nada, Jackson começou a rir.
— Qual a graça, babaca? – perguntei.
— O motivo de implicar tanto comigo – respondeu ele.
— Porque você é patético. Achei que soubesse – dãh.
Ele olhou para mim.
— Ou porque você – Jackson me indicou com o dedo – gosta de mim – ele apontou o dedo para si mesmo.
“Você gosta de mim” “Você gosta de mim” “Você gosta de...”
Comecei a rir ali mesmo.
— É Jackson, é isso aí. Eu estou amarradona em você – ri de novo – otário.
De todas as imbecilidades que já saíram da boca de Jackson, essa foi a maior. Eu gostando dele? Eu? Eu? Pft, perdedores não fazem o meu tipo. E certamente Jackson não faz o meu tipo. Chase pode até ter caído em seja lá qual encanto esse estúpido tenha. Mas eu não sou a Chase.
E eu não sei porque gastei tanto tempo pensando nisso...
Quarenta minutos depois de ficar carregando os caixotes de vinho que o Sr. D não tomaria tão cedo, fui dispensada pelo deus. Ser a campista favorita do diretor do Acampamento tem suas vantagens. Dei um sorriso vitorioso à Jackson e murmurei “otário” no ouvido dele antes de sair pela porta da Casa Grande.
Pelo menos, daria tempo de fazer flexões antes do jantar.
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