Percy Jackson Filmes
30 Thalia ou Percy
Ponto de Vista de Annabeth
— Agora eu posso saber o que foi aquilo? – perguntei para Thalia, enquanto a seguia para o chalé de Zeus. Ela permaneceu quieta, mas sua expressão demonstrava aborrecimento. Eu não tinha certeza se ela estava zangada com si mesma ou com outro indivíduo.
Sinceramente, o dia de hoje entrou para a minha lista de dias mais aterradores da vida. Ver meus dois melhores amigos em uma luta de proporções fatais era uma experiência abissal e irrepetível.
— Thalia! Olha para mim – pedi, puxando-a pelos ombros, já havíamos chegado na entrada do chalé – eu sei que não está sendo fácil, principalmente agora com a morte da sua mãe... – ela tentou forçar o caminho por mim, mas continuei bloqueando — ...você não pode descontar sua cólera nos outros...
— Você sabe que não está sendo fácil? Você? — as feições de Thalia expressaram raiva incrédula – O que você sabe sobre perder a mãe?
“Foi você que fugiu da sua mãe” era o que eu queria ter respondido, mas me refreei. Eu não queria começar uma discussão com Thalia apesar de ser exatamente o que estávamos fazendo. O que eu sabia sobre perder a mãe? Minha mãe pode ser imortal, mas não significa que ela esteja ao meu lado quando preciso. Tentei não sentir-me magoada com as palavras de Thalia. Eu sabia que ela estava abalada demais e que sua agressividade era sua maneira de mostrar o quanto estava sofrendo.
— Isso tudo é muito recente – falei, me referindo à volta de Thalia e a descoberta sobre o acidente de carro da mãe dela — você tem que segurar a onda, eu estou do seu lado para o que você precisar.
Ela suspirou e olhou para os céus, talvez esperando que Zeus lhe desse paciência.
— Certo – disse ela simplesmente, e passou por mim, fechando a porta do chalé após entrar.
— Voltarei depois para ver como você está! – bradei para que ela pudesse me ouvir.
Andei em direção ao meu chalé, pensando em como estaria Percy. Thalia se exaltou na luta, e tudo que ele fez foi se defender com seus poderes. Incríveis poderes por sinal, eu nunca havia visto Percy criar um furacão. Mas fazia sentido, por ele ser o filho de Poseidon.
Entrei no meu chalé, ainda tinha que me arrumar para a fogueira.
Ω
Como esperado, todos em volta do Acampamento, estavam criando rodas de conversa para especular sobre o incidente Thalia X Percy.
Grover parecia estar se divertindo contando sua própria versão dos acontecimentos para as ninfas e os outros sátiros ao redor dele.
— Estou falando à vocês, se eu tivesse chegado lá a tempo...
Tyson estava ao lado dele e parecia agradado de estar perto de tantas pessoas. Pelo menos algo positivo.
Andei até Clarisse que estava sentada em um banco, virando alguns goles de néctar enquanto ouvia alguma coisa de um cara alto e musculoso que estava em pé na frente dela, provavelmente outro filho de Ares.
— Sherman, eu já disse que não estou nem ai para isso...
O rapaz se afastou, tempestuoso.
— Problemas? – perguntei à Clarisse quando alcancei-a.
Ela tomou outro gole de néctar, chacoalhando o liquido dentro da boca antes de engoli-lo. Emitiu um barulho de satisfação quando terminou.
— Nada que eu não possa resolver depois.
Sentei no banco ao lado dela.
— Em outras circunstâncias, os campistas teriam se revoltado por não ter uma equipe vencedora, mas olha só – Clarisse indicou as pessoas conversando – foi a coisa mais atrativa que aconteceu em muito tempo.
— Mas não foi nada legal – refutei.
— Deveria dizer isso à Thalia.
— Já disse – inteirei.
— Diga de novo – aconselhou Clarisse.
Olhei para ela. Imagino como seria Thalia e Clarisse entrando em uma discussão. As duas se matariam.
— Ela está passando por muita coisa ultimamente.
— Tipo o que? – perguntou Clarisse.
Determinei mentalmente que a trama “mãe da Thalia” seria apenas assunto da filha de Zeus. Se ela quisesse que alguém soubesse disso, teria dito alguma coisa.
— Tipo... as questões pessoais dela – respondi. Clarisse pareceu entender que eu não falaria mais nada à respeito.
Ficamos em silêncio por alguns minutos até Clarisse quebra-lo.
— Vou levar o jantar para Percy – notificou a filha de Ares em tom despreocupado, se levantando do banco.
Puxei-a de volta pelo braço, surpreendendo tanto ela quanto eu com o ato. Seus olhos passaram da minha mão para o meu rosto.
— O que foi? – perguntou ela.
— Por que? – questionei, ignorando a pergunta dela.
— Por que o que?
— Por que você vai levar o jantar de Percy? – eu quis saber.
Ela bufou como se fosse ridículo dar explicações.
— Se depender da disponibilidade de Grover e Tyson, essa noite Percy vai passar fome – respondeu ela. Olhei rapidamente para ver meus dois amigos conversando divertidamente com três ninfas.
— E o que faz você pensar que eu não posso ir ao invés deles? – perguntei.
— Você leva o jantar de Thalia, eu levo o de Percy – determinou Clarisse.
Eu não sei o que mais me perturbou, Clarisse se oferecendo para fazer um favor à Percy ou o fato de ela ter passado a chama-lo pelo nome no lugar de “Jackson”. Eu realmente não estava gostando dessa aproximação, dessa intimidade...
— Isso incomoda você? – perguntou Clarisse, provocativa.
— Não.
— Não? – ela ergueu as sobrancelhas.
Soltei o braço dela.
— Diga à Percy que em trinta minutos eu vou ao chalé dele – pedi, retornando seu tom provocativo. Levantei-me do banco, indo em direção ao banquete para buscar o jantar de Thalia.
Deixei a área da fogueira, a caminho do chalé de minha amiga, pensando em como eu podia sequer permitir que o fato de Clarisse se importar com Percy pudesse me enfadar. Ela apenas... percebeu o quanto ele era um cara legal e resolveu não ser mais tão rude.
No princípio eu achei isso, mas e se ela estivesse começando a gostar dele? Não aquele “gostar” estilo “amigo”, mas o meu tipo de gostar. Talvez fosse aquele caso clichê, que a garota trata o cara mal porque no fundo ela o adora. E se olharmos por um ângulo diferente, eu tratei Percy mal quando o conheci, não como Clarisse, mas definitivamente eu não fui legal e agora... bem, digamos que eu esteja profundamente afeiçoada a ele. E se esse fosse o caso de Clarisse...
— Vai ficar aí parada ou o quê? – perguntou uma voz, que eu reconheci pertencer à Thalia. Olhei em volta, constatando com surpresa que já estava há três passos do chalé. A filha de Zeus estava do lado de fora, sentada em um toco de carvalho bem cortado. Sua expressão era melancólica.
— Lembro de Quíron ter mandado você ficar dentro do chalé. O que faz aqui fora? – perguntei.
— Pensando se eu estou ou não sentada em cima de uma dríade – ela olhou melhor para o carvalho cortado – ou o que era uma dríade.
Eu não tinha como saber, a única árvore por quem demonstrei afeto foi Thalia nesses últimos anos.
— Melhor entrarmos, mesmo que você não se importe com as ordens que recebe – falei.
Thalia não disse nada, mas continuou ali.
— Tudo bem, então... aqui, seu jantar – andei até Thalia e entreguei a refeição à ela.
— Você ainda está zangada comigo – foi uma observação.
— Não estou – assegurei, parada ao lado dela como um poste.
Eu realmente não estava zangada com Thalia, o que me afetava era a prosa que eu havia tido com Clarisse minutos atrás. Aquilo me deixou tensa.
— Bom, eu tenho que ir – anunciei. Antes que eu pudesse me afastar, Thalia segurou a barra da minha blusa.
— Espera, por favor – ela olhou para as estrelas – Olha, mesmo correndo o risco de soar vulnerável, eu... preciso de companhia. Você pode ficar aqui?
Eu sabia que Thalia conseguia muito bem ficar sozinha em dias comuns, mas com os acontecimentos recentes e os atritos de hoje fizeram com que eu considerasse a possibilidade de talvez Thalia estar necessitada de atenção. Mas... eu havia dito a Clarisse que encontraria Percy logo depois de vir aqui. Eu realmente queria muito vê-lo. Eu precisava vê-lo.
Suspirei com tamanha indecisão. Thalia ou Percy.
— Certo, mas vamos entrar antes que você acabe se enrascando por estar aqui fora.
O olhar de Thalia serenou. Ela se levantou do toco de carvalho, e andamos em direção ao seu chalé.
Coloquei as necessidades de Thalia acima das minhas, como uma boa amiga faria. Mas eu teria desculpas a dar quando encontrasse Percy.
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