Me mudei recentemente para uma nova velha casa com minha mãe.

Nova para mim, velha de idade, a casa estava caindo aos pedaços.

Era um lugar medonho, eu morria de medo de ficar sozinha por lá, mas tudo começou a piorar quando eu descobri que o lugar era muito mais que assustador.

Além de ficar em uma região afastada, os vizinhos eram sinistros, velhos, com caras sinistras, eu evitava ao máximo sair na rua. Como não saia muito, ficava em casa, explorando o lugar novo para mim, descobri coisas impressionantes, coisa de casas antigas, como um antigo porão e um sótão, mas o que me deixou mais encabulada, foi o que encontrei dentro do porão.

Velas vermelhas, pentagramas no chão e nas paredes, bíblia, chifres, imagens aterrorizantes, e acredite se quiser, até ossos. Logo que achei aquilo, contei a minha mãe, que logo se empenhou em tirar tudo aquela tralha de dentro de casa. Aquilo tudo exalava uma energia ruim, só de chegar perto, eu já sentia uma espécie de peso no ar, era aterrorizante. Tudo aquilo só levava a crer que rituais e esse tipo de coisa eram realizados antigamente naquela casa, o que cá entre nós, não ajudou em nada para aumentar meu conceito sobre o lugar.

Depois do ocorrido, comecei a ter pesadelos, alucinações, não aguentava ficar sozinha em casa, o que acontecia a maioria do tempo, já que minha mãe pegava hora extra no trabalho.

Eu ouvia passos no andar de cima da casa, e no andar de baixo, ouvia risos, risos aterrorizantes, como nunca ouvi antes. Chegava ao ponto de ficar debaixo das cobertas em dias de sol.

A situação só piorava.

Certo dia logo após chegar da escola, um dia chuvoso lá fora, escuro, entrei em casa, e me deparei com uma horrível cena. Um gato, morto e estraçalhado bem no meio de minha sala. Fiquei chocada, eu como amo bichanos, entrei em pânico, que tipo de animal poderia ter feito aquilo? Os vizinhos talvez? Eu não duvidava.

Tempo depois desse ocorrido, as coisas só pioravam ainda mais. Coisas saindo do lugar, quadros e fotografias caindo das paredes sem mais nem menos, torneiras ligando sozinhas, luzes piscando, a coisa toda ficou infernal. Infernal é a palavra certa.

Eis que o que irei contar agora, foi o ápice do terror nos meus dias naquela casa.

Uma certa noite após uma happy hour com os amigos da escola, cheguei em casa e a encontrei vazia, mamãe devia estar na casa da vovó, então me joguei no sofá da sala e me pus a ouvir música em meu Ipod. De repente as luzes, novamente começaram a piscar, apagar, acender, inclusive os abajures de parede. Aquilo foi o suficiente para me colocar em pânico.

Já apavorava, paralisada no sofá, sem saber o que fazer, pude ver, a porta, se abrir, sozinha, e um forte cheiro de enxofre invadir a sala.

A vitrola, antiga, fora de funcionamento, começou a tocar. Eu não entendia, como aquilo era possível, o que havia naquela maldita casa?

Corri para meu quarto, corri, corri como se corresse para viver. E na verdade, corria.

Me tranquei em meu quarto, e lá fiquei, até que ouvi a agitação de baixo parar.

Ouvi então passos no corredor de meu quarto, o sangue voltou a gelar.

Três batidas na porta, meu coração ia saindo pela boca, quando:

“Filha?”

Era a voz de meu pai. Desmaiei.

Meu pai, havia morrido 4 meses antes.

Notas finais
Agradeço todo dia pela minha casa não ter um porão!!