É normal, toda criança, vai ter, tem, ou já teve um amigo imaginário.
O ruim, é quando a situação foge do controle.
E foi exatamente isso que aconteceu com meu filho, e eu.
Na época, meu filho tinha apenas sete anos, ideias vagando sem rumo em sua pequena cabeça, como toda criança de sete anos deve ser, ideais que nenhum adulto leva muito a sério, até certo ponto.
Da noite pro dia, meu filho começou com essa fixação por esse alguém invisível que só ele via: Max, era esse o nome do amigo imaginário de meu filho.
Eis que a brincadeira preferida de meu filho, era um jogo de tabuleiro chamado “Quem sou eu?” consistia numa placa de madeira, com pequenas faces que se deslocavam nela, e o objetivo era adivinhar as faces do oponente. Meu filho passava tardes com aquele jogo, mas o mais estranho nisso tudo, é que o jogo necessitava duas pessoas para jogar, porém, meu filho não via problema em jogar sozinho. Aí começaram as minhas preocupações!
Eu frequentemente perguntava, se não era entediante jogar sozinho, e ele, toda vez respondia, que não estava jogando sozinho.
A princípio, relevei, era um menino de 7 anos, ele transpirava imaginação.
A situação mudou, quando, eu constantemente o pegava falando sozinho, muitas vezes, sobre assuntos muito estranhos.
Certa vez o peguei conversando com “alguém” que somente ele via, o assunto, nada menos que as facas da cozinha. Aquilo me aterrorizou, meu filho não poderia estar criando tudo aquilo na cabeça, logo suspeitei que fosse algum colega da escola.
Fui ter com a professora uma conversa séria, sobre o comportamento de meu filho em casa, e como ele era na escola. Fiquei mais surpresa ainda, a professora me contou que, passado um tempo, meu filho começou a agir de modo estranho, se afastar dos colegas, fazer desenhos estranhos, a professora até achou melhor encaminha-lo a psicóloga.
Posso dizer que as idas a psicóloga não ajudaram em nada meu filho, ele só piorava seu comportamento, começou a dizer palavrões, palavras estranhas, zombar dos colegas, eu não o reconhecia mais.
Meu pânico atingiu o ápice quando, certa vez, ao entrar no quarto de meu filho, me deparo com a parede toda manchada de vermelho, o que tempo depois eu descobriria ser o sangue do nosso gato, que encontrei morto no quintal, mas o mais assustador nisso tudo, era o que estava escrito de certa forma, entre as manchas da parede: “MAX”.
Aquilo tinha ido longe demais, tive uma conversa séria com meu filho, falando que já era hora daquilo parar, já tinha ido longe demais, longe o suficiente. A reação dele me deixou fora de mim, ele gritou comigo, arremessou coisas contra mim, aquele não era meu filho, algo o tinha transformado.
Na noite desse mesmo dia, chorei sem saber o que fazer, mãe solteira que não conseguia controlar o próprio filho, eu estava à beira da depressão.
No outro dia, foi quando minha vida acabou, aquele, eu considero como o ultimo dia de minha vida.
Ao acordar pela manhã, meu filho havia sumido, sumido, para nunca mais ser encontrado.
Enquanto chorava, encostada a porta do quarto dele, um evento que marcou minha vida ocorreu.
O jogo de tabuleiro, aquele que meu filho amava, começou a ser jogado, sozinho, ou quem sabe, não sozinho, porém o mais espantoso era que, a foto que se levantava no tabuleiro, era a foto de meu filho.
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