Pequenos Momentos Winchester e Cia
7 Diga-me o que compras, e te direi quem és.
Notas iniciais

— Sam, pelo amor de Deus, onde você está? — Dean falou irritado para si mesmo, fechando o celular com raiva.
A sua voz demonstrava um leve desespero e seu olhar varria o local em todas as direções com uma nota latente de pânico.
Há praticamente meia hora tinha se separado do Sam e apesar de se esforçar bastante e procurar muito, não via nem leve sombra do irmão.
— Que porra! Como a gente se perde de um cara de quase dois metros de altura? - Perguntou-se, encarando zangado o celular, ligando para Sam novamente e ouvindo do outro lado a irritante mensagem de sem sinal.
Aquilo já estava se tornando tragicômico. Por que simplesmente não tinham parado para fazer compras em qualquer merda de loja de beira de estrada, ou em qualquer posto de gasolina fuleiro?
Mas nãããão... Sammy o fizera parar na maior loja de conveniências do país. Num labirinto fudido do tamanho de um campo de futebol, com tanta coisa que se não se sabia onde ir primeiro, ou pior, onde ficava a saída.
Dean respirou com força, sacudiu a cabeça e como caçador experiente que era, começou a analisar a situação e levar em consideração a natureza de sua “caça”.
—Onde Sam poderia ter ido num lugar como aquele?— pensou olhando para a placa logo acima de sua cabeça.
— Certo— Continuou a pensar lendo o que estava escrito ali— O maldito não estava lhe procurando, por que se estivesse, já deveria ter lhe encontrado. Afinal, onde um Winchester macho de verdade estaria numa loja onde se encontrava de tudo?
Resposta óbvia: "Armas e Munições", dizia a placa sobre sua cabeça.
Mas o Sam, ele acabaria parando num lugar totalmente diferente e inusitado.
Dean pensou na sessão infantil, ou a de roupas femininas, mas é claro que mais por piada que por realmente achar que o irmão estaria lá.
Porque não tinham simplesmente feito uma lista como toda a pessoa normal? Teriam economizado tempo e provavelmente já teriam ido embora.
— Odeio fazer compras. – Murmurou entre dentes começando a caminhar em direção a sessão de roupas masculinas.
Sam mencionara algo sobre precisar de peças novas. E Dean já tinha percebido da última vez que lavara as roupas, que as cuecas dos dois estavam meio velhinhas, sem falar nas camisetas.
Distraído tirou duas boxers do cabide mais próximo olhando o tamanho pensando em levar algumas.
— GG para mim – Falou pegando essas duas e procurando mais no fundo – Acho que XGG para o Sam... Deus que coisa mais gay. – Falou largando as malditas no cabide e se afastando corado. Amava seu irmão, dera sua vida pela dele, mas aquilo já era demais.
Parado em meio as araras carregadas de camisas, chamando atenção das pessoas que iam e vinham, não só pela altura, mas por ser o homem mais gato do local, Dean resolveu ligar seu instinto para situações extremas Winchester. Estava na hora de tomar uma atitude. Decidido começou a se dirigir a saída pensando esperar o maldito do irmão no carro, ao som de AC/DC. Mas parou ao escutar o anúncio no auto-falante.
— Sr. Dean Robinson, seu irmão lhe aguarda na sessão 12.
Anunciaram duas vezes. E ele escutou fulo da vida e extremamente envergonhado.
Caminhou entre os largos corredores, virando à direita e a esquerda, seguindo a numeração das placas, pensando em como seu irmão era idiota... Anúncio no auto-falante? Robinson — Perdidos no Espaço? Babaca!
Enfim chegou a sessão 12 – Produtos Perecíveis.
E lá estava ele perto de uma senhora de idade, um carrinho do lado, a imagem perfeita de um comprador nada anônimo com aquela altura toda.
— Cara, onde você se meteu? – Disseram ao mesmo tempo, como sempre.
Dean levantou a mão e apontou o dedo para o mais novo, o sacudindo em um gesto típico seu.
— Vamos parar com essa merda de falarmos juntos, isso me deixa puto.
— Onde você foi parar? – Sam perguntou se aproximando, empurrando o carrinho de compras com alguns itens de higiene pessoal.
— Munições. – Falou mostrando os dois pacotes que carregava antes de jogá-los de qualquer jeito no carrinho. — Precisamos de mais cartuchos, eu te disse.
— Merda Dean, não ia deixar para comprar isso por último?
— Desculpe amor, pensei que munição era nossa prioridade e não shampoo de tutti-frutti e cuecas. – falou no seu tom mais doce com ironia.
— Eu te disse que precisava, as minhas estão velhas demais. Ou você não percebeu?
A senhora parada atrás do Sam deu uma olhada para os dois jovens altos e bonitões sacudindo a cabeça e se retirando discretamente, enquanto murmurava algo como “que desperdício”.
— Maninho, eu não reparo nem nas minhas, acha que vou reparar nas de outro cara? – Falou virando o rosto para ele não notar seu sorriso sem graça e seu olhar de “eu não acredito nisso”.
— Ah! Deixa para lá. Peguei algumas para você também.
— E meu shampoo...
— ... Neutro-para-cabelos-sem-muita-frescura, como você costuma dizer? Já peguei.
— Certo falta o sal. – Dean falou virando-se para a prateleira atrás de si.
A mesma era de cima a baixo, tomada pelos mais diferentes tipos de pacotes, sacos e caixas de sal.
— Quê que é isso cara? Quando dizem que se pode encontrar de tudo aqui não tão de brincadeira não. – Se aproximou da prateleira pegando um pacote – Sal Kosher, sal marinho... Sal de aipo?
Olhou surpreso para o irmão, arqueando a sobrancelha
— Coisa de gourmet. – Sam respondeu pegando um pacote onde lia-se “Sal light”, colocando no carrinho.
—Epa, para tudo... Sal light? – Dean perguntou incrédulo, abrindo os braços e arregalando os olhos.
— Está em promoção, vamos economizar.
— Nós não vamos comprar isso.
— Dean, deixa de ser idiota! O preço está ótimo e é só sal.
Dean tirou o pacote do carrinho e colocou na prateleira,
— É uma questão de princípios. Não vou comprar, nem carregar minhas armas, nem atirar em um fantasma, nem macular o meu carro com qualquer coisa que seja light ou outra dessas merdas afrescalhadas... Já me basta você.
— Você parece um homem das cavernas. Hoje em dia ninguém liga para isso não. E ser cuidadoso com o que se come e com você mesmo, não significa que você é gay.
Dean olhou para Sam sério.
— Acontece irmãozinho, que o troglodita aqui gosta de ser bruto. E mais... Gosto e quero que as pessoas saibam que sou. Então, nada melhor que mostrar isso da forma mais óbvia possível no nosso ramo – falou pegando um pacote de cinco quilos e apontou para as palavras escritas toscamente ali. — Principalmente para os outros caçadores. Ou o que você pensa que iriam dizer de nós, se abrissem o porta malas de meu baby e encontrassem ali sal defumado? – Falou apontando para um pacote dourado e preto na prateleira, a altura de sua cabeça. Aproveitando que o mais novo ainda estava processando as suas afirmações, colocou o pacote que segurava no carrinho.
— Já não basta a má impressão que passamos para qualquer pessoa que não sabe que somos irmãos... E convenhamos, até para quem sabe?
Dean encarou o irmão com seu olhar mais debochado. Nesse instante, Sam se lembrou de todos os momentos constrangedores que viveram ao longo daqueles cinco anos de estrada, quase toda vez que foram alugar um quarto de hotel.
Sorrindo do olhar de compreensão no rosto do outro, Dean agarrou determinado mais dois pacotes de sal grosso, no que foi pronta e rapidamente imitado pelo irmão.
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