Pequenas coisas
1 Parte I - Sentimentos escondidos
Notas iniciais
— Você tem certeza, Lu-chan? — Levy perguntou a Lucy, encolhendo os ombros.
— É claro que tenho! — exclamou Lucy, confiante.
A única coisa que Levy poderia fazer era confiar em sua amiga, afinal, tratava-se de Lucy. Embora estivesse um pouco receosa com a sugestão da amiga, em seu interior, Levy sabia que Lucy estava certa.
— Eu não sei... — Levy começou a dizer, desanimando-se.
— Levy, você sabe como o Gajeel é. Você nunca saberá se não tomar alguma atitude.
Levy suspirou. Ela sabia muito bem como Gajeel Redfox era difícil de lidar. E fora aquele jeito complicado que fizera com que a baixinha caísse aos encantos de Gajeel.
Desde que seu amor platônico pelo dragon slayer lhe pareceu impossível de ignorar, Levy decidiu buscar a ajuda de Lucy — pois, embora fosse uma boa ideia buscar a ajuda de garotos para entender o Sr. Redfox, ela não poderia contar com a ajuda de Jet e Droy, uma vez que, bem... eles mantivessem um amor platônico pela baixinha —, a fim de resolver de uma vez esta situação amorosa.
— É o único jeito fácil? — Levy perguntou, temendo a resposta.
Lucy sorriu com travessura, assentindo para Levy.
Levy suspirou. A sugestão de Lucy não era ruim, parecia uma ótima ideia, no entanto... Levy não sabia se era capaz de ir tão longe. Lucy havia sugerido a ela que convidasse Gajeel para ser parceiro da baixinha numa missão. Apenas os dois. Sem Jet e Droy. Gajeel e Levy sozinhos numa missão. E bem, Levy teria que fazer uma série de testes para descobrir quais eram os sentimentos de Gajeel em relação a ela. Levy não sabia qual era a parte mais difícil: convidar Gajeel ou se arriscar em tentar desvendá-lo durante a missão.
— Então vamos lá, Levy — disse Levy para si mesma.
Lucy e Levy estavam na Fairy Tail, sentadas próximas ao balcão. Normalmente a guilda estaria numa balburdia, porém, muitos membros haviam saído para missões. Os encrenqueiros de plantão — leia-se Natsu e Gray — ainda não haviam chegado de uma missão que, por incrível que pareça, resolveram ir juntos.
Mirajane foi ao balcão com alguns copos de cerveja vazios, aproximando-se das garotas.
— Levy — chamou Mirajane, colocando os copos vazios no balcão. — Jet e Droy passaram aqui há pouco tempo procurando por você.
— O que eles queriam? — Levy perguntou, embora soubesse a resposta.
— Parece que queriam te chamar para uma missão.
— Eles nunca vão sem você a nenhuma missão? — Lucy perguntou, segurando o riso.
— Bem, somos a equipe Shadow Gear — a baixinha sorriu. — Equipes têm que ser unidas, não é?
— Embora todos achem que vocês três estejam num triângulo amoroso, humm... — disse Cana, surgindo atrás de Levy, deixando a frase no ar como se sugerisse algo. — Mira, quero outra garrafa.
Levy corou instantaneamente e Lucy olhou para Cana.
— Gildarts ainda não voltou? Você precisa parar um pouco com a bebedeira.
— Tsc, tsc — Cana balançou a cabeça. Ela sorriu maliciosamente. — Eu apenas disse o que todo mundo acha. — ela foi para uma das mesas logo após Mirajane ter lhe dado uma garrafa de cerveja cheia.
Eu apenas disse o que todo mundo acha. A frase ficou martelando na cabeça de Levy. Será que Gajeel também pensava assim? Será que, talvez, ele realmente sentia algo afetuoso por ela, mas nunca lhe demostrara porque pensava como as outras pessoas, como, por exemplo, que Levy vivia num triângulo amoroso?
— Nós não estamos num triângulo amoroso — Levy resmungou, levemente irritada.
— Nós sabemos que não — disse Mirajane, sorrindo docemente. — Cana estava brincando. Além do mais, eu sei que você não sente pelo Jet e Droy o mesmo que sentem por você. Sei que você meio que... bem... está envolvida em outro.
— Sabe? — Lucy interveio, uma vez que Levy não pôde se pronunciar, pois ficara congelada com a declaração de Mirajane sobre ela saber que Levy estava envolvida em outro.
— Are are, vocês acham que eu não presto atenção? — Mirajane piscou para as duas. — E você também, Lucy.
— Eu o quê?
— Sei que você e o Natsu...
— Mira! — Lucy advertiu, interrompendo Mirajane. — Não me venha com essa história de novo — de repente, o rosto dela esquentou.
Levy soltou uma risadinha.
— Talvez você possa ajudar, Mira — Lucy estreitou os olhos para Levy, em seguida sorriu maliciosamente. — Levy não sabe o que fazer com o Gajeel.
— Ara, então estou mesmo certa — Mirajane se inclinou no balcão, encarando Levy, que estava com os olhos arregalados para Lucy. — Você precisa dizer a ele, Levy.
— Dizer o quê? — nervosa, Levy perguntou.
— O que você sente.
No mesmo instante, um burburinho começou na entrada da guilda. As garotas olharam para trás e vislumbraram Natsu e Gajeel adentrando no local, aos berros e trocando alguns socos.
Quando Levy olhava para Gajeel, sentia-se como se fosse derreter como um picolé. Ela não sentia ser capaz de dizer nada a respeito dos sentimentos que nutria por ele. Era como se tudo a respeito fosse bloqueado. Levy começava a imaginar que talvez não fosse boa o suficiente. Quer dizer, ela não tinha um corpão como Lucy, Mirajane ou a Erza... ela era baixinha, minúscula, sem graça. Também não se achava muito forte como seus companheiros de guilda. O que diabos Gajeel veria para se interessar por ela?
Era mesmo um amor platônico. Provavelmente nem valia a pena tomar alguma atitude, como Lucy havia dito.
— Eu não tenho nada a dizer — disse Levy, por fim, virando-se para o balcão. Olhando para Lucy, disse: — Obrigada pela sugestão, Lu-chan, mas... — suspirou, deixando a frase no ar. — É melhor eu procurar o Droy e o Jet.
Quando Levy se levantou do banco, Lucy segurou seu braço.
— Mas Levy-chan, olha ele ali, é a sua chance!
— Lucy está certa — interveio Mirajane. — Você não deve fugir dos seus sentimentos.
Levy soltou o braço das mãos de Lucy e sorriu tristemente.
— Obrigada mesmo, mas... Esqueçam. Talvez não vá valer a pena. Tchau, até mais.
Ela seguiu até a entrada da guilda, onde Natsu e Gajeel discutiam.
— Cale a boca, monte de ferrugem! — Natsu gritou. — Foi você quem entrou no meu caminho quando eu estava dando uma surra no cuequinha!
— Cale a boca você, seu chamuscado! — Gajeel gritou de volta.
— Calem a boca vocês, merdinhas! — Gray gritou, surgindo atrás dos dois dragon slayers. Ele deu um soco na cabeça de Natsu. — Até parece que você estava me dando uma surra, você é que estava apanhando de mim!
Levy pensou em como passaria pelos três encrenqueiros que atrapalhavam a saída da guilda. Ela passou a observar Gajeel, enquanto ele discutia com Natsu e Gray. De qualquer forma ela teria que passar pelo ele...
— Você goxxxxta dele — Happy surgiu ao lado de Levy, fazendo-a dar um pulo.
— Ela gosta de quem? — Lily perguntou, surgindo do outro lado.
— Goxxxta do Gaj---.
Antes que ele terminasse a frase, Gajeel foi lançado em direção ao Happy, fazendo com que os dois caíssem. Happy gemeu de dor e Gajeel xingou alto enquanto Natsu ria monstruosamente.
E Gajeel foi cair bem perto de, bem... De Levy.
E bem... em um momento de surpresa, Levy acabou se movendo, e o rosto de Gajeel meio que ficou entre as pernas da baixinha, e... Talvez tenha sido um momento constrangedor, pois Levy estava usando um vestido um tanto curto.
— Ge-hehe — Gajeel deu uma risadinha. — Eu estava mesmo querendo falar com você, baixinha.
Levy olhou para baixo. Gajeel estava olhando para onde certamente não devia, e Happy, com as bochechas rosadas cheias de ar, segurava uma risada.
Levy instantaneamente ficou vermelha como um pimentão.
— E-eu... — Levy gaguejou, mas nada conseguiu dizer. Ela simplesmente sentiu-se no maior mico de sua existência e saiu correndo para fora da guilda, sem se preocupar em ter sido rude ao empurrar Natsu e Gray para saírem de sua frente.
A baixinha saiu correndo envergonhada diretamente para a Fairy Hills.
— O que foi que deu nela? — Gajeel perguntou, enquanto se levantava. — Saiu correndo como um raio.
— Jura que você não sabe? — comentou Lily, ajudando Gajeel.
— Depois eu é que sou o tarado — Gray murmurou.
— Ah, qual é, eu nem olhei direito, se é disso que estão falando — contrapôs Gajeel, se defendendo. — Pelo menos eu não ando por aí tirando minhas roupas. Nem fico grudado ao Natsu.
— Tá querendo dizer o que com isso? — Natsu se aproximou, apertando o punho, pronto para outra briga.
Lucy, que até então observava tudo de longe, se afastou do balcão e se aproximou dos encrenqueiros.
— Chega de brigas por hoje — ela deu um cascudo na cabeça de Natsu e de Gray. Depois se virou para Gajeel, apontando para ele — E você, vá pedir desculpas a Levy.
— Mas o que foi que eu fiz? — ele ergueu a sobrancelha.
— Você foi um tarado — ela colocou as mãos na cintura. — E se bem ouvi, você quer falar com ela, não é? Então tem pedir desculpas por olhar para onde não devia.
Gajeel resmungou algumas vezes, mas até que a loira irritadiça não estava muito errada. Ele precisava falar com a baixinha.
— Tá, eu vou — disse ele, enquanto saía da guilda.
Lucy sorriu satisfeita. Era um passo a menos para a Levy.
— Ei, Lucy — Natsu a chamou ao seu lado. Ele estava com uma expressão cansada, enquanto passava uma das mãos nos cabelos rosados. — Estou meio cansado da missão. Happy e eu estamos indo para sua casa.
— Eee? Minha casa de novo? Não!
— É que o Happy e eu dormimos melhor na sua cama — Natsu e Happy seguiram para a saída. — A gente te espera lá — gritou ele, já do lado de fora.
Boquiaberta, Lucy ouviu um burburinho que pareceu uma risada. Quando olhou para trás, viu que Mirajane se divertia a suas custas, sibilando com os lábios “eu disse, não foi?”.
_X_
Enquanto caminhava lentamente pelas ruas de Magnolia, Gajeel pensava em onde Levy poderia estar. Seria complicado encontrá-la devido ao seu tamanho. Lembrou-se de uma vez ter dito a ela que era difícil encontrar alguém de seu tamanho, e que por isso ela não deveria sair de perto dele.
Talvez fosse melhor voltar para a guilda e esperar que ela voltasse, pensou ele. No entanto, no caminho de volta, Gajeel encontrou-se com Jet e Droy, que também buscavam por Levy. Droga, aqueles dois palhaços não davam um desconto. Se eles ficassem grudados à Levy seria meio complicado falar com ela. Gajeel ignorou os dois quando lhe perguntaram se ele havia visto Levy, e continuou seu caminho de volta para a guilda.
Logo em seguida, fora Juvia quem encontrara. Ela, como sempre, estava atrás do Gray. Ela acenou para Gajeel e começou a andar ao seu lado em direção à guilda.
— Então Gray-sama já voltou da missão? — perguntou Juvia, com os olhos brilhando, quando Gajeel disse a ela que o Sr. Cuequinha estava na guilda brigando com o chamuscado. — Juvia está com saudade, precisa vê-lo logo.
— Não entendo como você não se cansa de correr atrás dele — comentou Gajeel, coçando a cabeça. — Ele não disse que gosta de você ou algo do tipo. Então por que insiste?
Juvia baixou o olhar, mas que agora estava menos brilhante.
— Porque a Juvia sabe que, no fundo, Gray-sama sente alguma coisa. Então vale a pena insistir. Quando se há amor, sempre vale a pena.
— Tsc. Você é meio idiota, Juvia.
— Talvez. Mas ainda sim vale a pena. Isso é bem melhor do que se a Juvia escondesse seus sentimentos. Como Gajeel.
Gajeel engoliu em seco pela primeira vez.
— Você, por acaso, viu a Levy por aí? — perguntou ele, mudando de assunto. — Aquela baixinha saiu correndo e não tive tempo de falar com ela.
— Juvia viu Levy entrando na Fairy Hills — respondeu, desconfiada. — Mas Gajeel não pode entrar lá.
— Tudo bem, eu espero ela sair — disse ele, tomando o caminho contrário da guilda, se afastando de Juvia. Ele temia que ela dissesse algo mais que o fizesse ter que mudar de assunto novamente.
— Gajeel — Juvia chamou. — Não se esqueça do que a Juvia disse — e saiu como um raio em direção à guilda, gritando apaixonadamente “Gray-sama! Estou chegando, Gray-sama!”.
Tsc. Gajeel balançou a cabeça. Juvia era maluca. Não tinha que dar ouvidos a ela. Entretanto, algumas coisas que ela havia dito ficaram grudadas na cabeça dele. Isso é bem melhor do que se a Juvia escondesse seus sentimentos. Como Gajeel. Sim, definitivamente, Juvia era maluca. Gajeel não tinha nenhum sentimento para esconder...
Ou tinha?
Claro que não, pensou ele. Gajeel era alguém forte, determinado, duro na queda e tudo o mais... Não precisava de mais nada, além disso. Não precisava do amor doentio do qual Juvia tanto dizia que sentia. Era loucura. Não precisava daquilo mesmo. Nem ferrando.
No entanto... Quando ele se aproximou da Fairy Hills e se recostou numa árvore na esperança de que Levy saísse do dormitório em algum momento... Fez-lhe parar para pensar se, quem sabe, por acaso... Aquela baixinha não significasse alguma coisa. Pois, se não significasse nada, por que é que ele estava indo atrás dela? Por que é que deu ouvido ao seu exceed, quando o mesmo lhe disse para falar com Levy e resolver aquilo de uma vez?
Não fazia sentindo.
Mas de alguma forma, Gajeel soube que ela significava alguma coisa. Ele sentia que significava alguma coisa sempre que a via e que pensava na baixinha de cabelos azuis.
Então, provavelmente, ele insistiria em descobrir, como Juvia havia dito.
Porque poderia valer a pena, embora não fizesse sentido.
Porque, assim como Gray, no fundo, ele se sentisse da mesma forma. Mas não conseguia conciliar a coisa, pois...
Escondia seus sentimentos.
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