Pequenas coisas

2 Parte II - Desejando o mesmo


Notas iniciais
Hey, voltei :3 Boa leitura!

Em seu quarto no dormitório Fairy Hills, enrolada numa toalha após um banho quente, Levy repassava na sua cabeça tudo o que havia acontecido anteriormente; sua conversa com Lucy, a intervenção de Cana e Mirajane, até mesmo Happy e Lily... E Gajeel olhando para onde não devia. Realmente, seu dia estava sendo fantástico.

Levy buscou uma roupa em seu guarda-roupa, mas optou por um típico vestido amarelo e, em seguida, secou os cabelos azulados. Após ter se aprontado, Levy se sentou numa poltrona, sem ter mais o que fazer. Ela poderia ler um livro, porém, lembrou-se que saíra tão rapidamente da guilda para seu dormitório que nem teve chance de procurar por seus companheiros de equipe, qual era seu objetivo anterior. Agora poderia ir atrás deles, que, aquela altura, estariam loucos por ainda não terem a encontrado.

Ao seguir pelo corredor para a escadaria que levava ao salão de espera do dormitório, Levy encontrou o quarto de Erza. A porta estava abera por alguns centímetros, de modo que fosse possível ver o que a ruiva fazia lá dentro. Levy deu uma espiada pela fresta e viu que havia várias armaduras espalhadas pelo quarto. Erza deve estar limpando as armaduras, Levy pensou. Quando seguiu com o olhar para onde a ruiva estava, ficou momentaneamente surpresa. Erza estava de pé, segurando um vestido de noiva recém-lavado, admirando-o como se fosse uma joia. Quer dizer, não era todo dia que se via Erza Scarlet admirando algo daquela forma.

Levy abriu lentamente a porta e adentrou no quarto. Erza, percebendo a presença de alguém, se colocou em alerta, mas, quando viu que se tratava de Levy, relaxou.

— Esse vestido é lindo, Erza! — elogiou Levy. — Não sabia que você tinha planos para casar.

Erza corou, desviando o olhar.

— E-eu não t-tenho — disse ela nervosamente. A verdade é que, automaticamente, um rapaz de cabelos azuis surgiu em sua mente. Mas ela não diria nada a Levy, obviamente. — É só que... Bem... Eu o vi na loja e...

Levy deu uma risadinha.

— Entendi, Erza.

— E você planeja se casar, Levy? — perguntou Erza, olhando curiosamente pela janela.

— Bem... — Levy começou, um pouco sem jeito. — Acho que sim. — Na verdade a resposta era sim. SIM. E ela tinha uma ideia de com quem se casaria. Mas, obviamente, ela também não diria nada a Erza.

Erza olhou para a janela do quarto por um momento. Ela desviou a atenção da janela e olhou Levy com a mesma curiosidade.

— Acho que há pessoas lá fora esperando que você saia do dormitório.

A baixinha ergueu a sobrancelha e foi de encontro à janela a fim de dar uma espiada.

O que Levy viu, além de deixá-la surpresa, fez com que ela achasse graça. Recostados numa alta árvore próxima ao dormitório, estava Jet e Droy, com cara de poucos amigos. Provavelmente eles se cansaram de procurá-la e acharam melhor esperar que ela parecesse na Fairy Hills. Certamente também andaram discutindo, porque um estava de costas para o outro. Ah... Levy nunca se cansaria deles. Embora fosse uma complicação viver com os dois parceiros de equipe sempre tentando conquistá-la, sempre seria uma equipe. Sempre ajudariam um ao outro. Sempre precisariam um do outro.

Levy sorriu enquanto pensava. Entretanto, segundos depois, seu sorriso se transformou numa boca aberta. Alguns poucos metros de Jet e Droy, havia outra pessoa recostada numa árvore. Alguém que, certamente, Levy esperava ser o último o estar ali.

Gajeel Redfox.

Nem em um milhão de anos Levy esperava que Gajeel estivesse aguardando por ela recostado numa árvore. Quer dizer, pelo menos achava que ele aguardava por ela, pois, segundo suas lembranças, antes de ela sair correndo da guilda Gajeel havia dito que queria conversar.

Mas ficar esperando ali ao lado de Jet e Droy? Como não achar hilário? E assim como Jet e Droy, Gajeel estava com cara de poucos amigos, o que tornava a coisa ainda mais interessante.

— Você não vai falar com eles? — Erza chamou a atenção de Levy.

Ela assentiu para Erza, ainda surpresa, e voltou a seguir para a escadaria. Sem perceber, ela desceu as escadas correndo. Num minuto depois, Levy estava parada na porta de entrada da Fairy Hills, buscando pelos rapazes.

E lá estavam eles.

Levy começou a desacelerar o passo. É claro que ela não queria parecer eufórica na frente dos rapazes. Sorte ou azar, fora Gajeel quem percebeu primeiro a presença da moça.

— Ei nanica — chamou ele, se espreguiçando. De repente a expressão de poucos amigos foi sumindo do seu rosto, adquirindo curiosidade. — Achei que você não fosse sair de lá nunca.

— Levy! — Droy e Jet exclamaram ao mesmo tempo. — Que bom encontramos você.

— Ah, qual é — Gajeel resmungou ao se levantar do chão. — Eu cheguei aqui primeiro, babacas.

— Mas nós temos que falar com a Levy — disse Jet, encarando Gajeel de longe.

— Quem chegou primeiro mesmo? — Gajeel perguntou, sorrindo de lado. Jet e Droy resmungaram frustradamente em resposta. — Então calem a boca. Eu falo com ela primeiro. Vocês esperem aqui.

Antes que Levy pudesse dizer o que estava achando daquela cena toda, Gajeel passou um dos braços em volta dos ombros dela, levando-a para longe dos dois rapazes e fazendo com que eles soltassem mais resmungos frustrados. E Levy? Levy se sentiu tão quente com aquele braço em volta de seus ombros que teve medo que de Gajeel percebesse ou que associasse aquilo a ele.

Os dois seguiram para os fundos da Fairy Hills. Assim que lá chegaram, Gajeel soltou os ombros de Levy e afastou-se alguns centímetros. Interiormente, Levy se lamentava por aquela sensação de conforto fervente não ter durado por mais um bom tempo.

— Então — começou Levy. Fora um milagre ela ter encontrado a própria voz. — O que você quer falar comigo?

Gajeel encarou Levy, parecendo se divertir.

— A loirinha disse que eu devia pedir desculpas — ele revirou os olhos. — Mas você não ficou brava com aquilo, certo? Eu vim aqui para perguntar...

— Não, não fiquei — respondeu Levy, cortando a frase de Gajeel.

— Pois bem — continuou Gajeel. — Eu queria saber se, é, bom... — ele levou uma das mãos à nunca. — Se...

Era impressão de Levy ou Gajeel estava ficando... Corado?

Foi então que algo acertou a cabeça de Levy. Não de verdade. Mas foi como se uma lâmpada tivesse se acendido acima da cabeça de dela. Levy se lembrou do que Lucy lhe dissera sobre chamar Gajeel para uma missão. Aquele era o momento perfeito! Os dois estavam sozinhos, então não tinha por que Levy se sentir envergonhada.

Bom, exceto que ela estava sozinha com Gajeel.

Enquanto Gajeel se enrolava em dizer o que queria, Levy não sabia se seguia com a ideia ou se recuava. Poxa, ela não sabia mesmo o que fazer. Contudo, sabia que se perdesse aquela chance, não teria mais coragem para fazer aquilo. E, qual é, ela só precisava convidá-lo. Era fácil. Uma missão hiper/mega simples. E no fundo Levy sabia que um dia ela teria que tomar atitudes bem mais complicadas. Se não começasse agora, certamente se enrolaria muito futuramente. Se não tomasse coragem para fazer aquela merda de convite, nunca saberia o que Gajeel sentia por ela.

Isso a torturaria pelo resto de seus dias.

Então algo se acendeu em Levy. Ela esqueceu-se de sua insegurança e começou a soltar as palavras:

— E-eu também queria falar com você.

Neste momento, Gajeel parou de se enrolar e ergueu uma sobrancelha.

— Queria?

Levy assentiu.

— É uma pena que, se eu tentar dizer, vou acabar me enrolando como você — ela riu nervosamente.

Gajeel respirou fundo. Fechou os olhos por um momento e os abriu. Ele franziu a testa.

— Ok. Chega de me enrolar. Acho que se eu não falar você também não fala. Então vamos lá...

Levy esticou os pés e mordeu os labos levemente. Ai. Ele ia falar. Seja lá o que fosse. Ele ia falar.

—... eu queria saber se você quer ir em uma missão comigo.

Os pés de Levy baixaram. Ela abriu a boca. As palavras se perderam.

Ele queria... Convidá-la para uma missão? Era isso mesmo?

— Você está... — Levy começou a dizer, incrédula. — Falando sério?

— É claro que estou — ele franziu a testa novamente. — Por que acha que é brincadeira?

Não dava mesmo para acreditar. Era exatamente isso o que Levy queria.

— Com tantas pessoas mais fortes que eu na guilda, por que você me chamaria? — perguntou ela, desviando o olhar e tentando parecer indiferente. Puxa. Puxa! Não dava para pensar direito!

— Não fale como se você fosse menos que nada — Gajeel a advertiu. — Eu quis te chamar porque... Você já me ajudou, lembra?

Levy poderia ter se lembrado de outras situações em que ajudara Gajeel. Mas apenas uma única situação surgiu em sua mente.

— Como quando nós estávamos no quartel da Tártaros e...

— É, eu lembro — Levy apressou-se em cortá-lo. Já era o bastava que ela tivesse se lembrado de ter feito aquilo. Não precisava que Gajeel dissesse que ela fez aquilo. Quer dizer, para ele podia ter sido apenas respiração boca-a-boca. Entretanto, para Levy tinha sido meio que... bem, talvez ela tenha tirado proveito da situação, embora estivesse desesperada em ajudar Gajeel.

— Pois é. Era isso o que e queria dizer. Agora diz você.

Levy piscou algumas vezes.

— Dizer o quê?

— O que você disse que ia dizer.

— Ah. Eu ia dizer a mesma coisa — ela engoliu em seco. — Queria te chamar para uma missão.

Os cantos da boca de Gajeel se ergueram.

— Ge-hehe. Parece que desejamos a mesma coisa, no fim das contas.

Levy deu um pequeno sorriso. Só que no fundo ela queria poder gritar o quanto estava agradecida por ele ter dito primeiro. E também queria sair correndo para agradecer Lucy. Ah, ainda não dava para acreditar naquilo.

— Você pode escolher o trabalho, se quiser — Gajeel sugeriu.

— Claro — respondeu sorrindo. — E eu... — quando Levy começou a falar, ouviu os berros de Jet e Droy. Eles estavam ficando nervosos com a demora dela. Oh céus. — É melhor eu ouvir aqueles dois logo. E... Amanhã eu falo com você na guilda. Sobre a missão. A gente pode... escolher juntos. Se estiver tudo bem para você.

— Tanto faz — respondeu ele. Gajeel ficou inexpressivo aos ouvir mais gritos de Droy e Jet. — É melhor você ir, baixinha.

Levy assentiu e se despediu de Gajeel. Enquanto caminhava para longe dele, Levy evitou olhar para trás. Se Gajeel visse o enorme sorriso no rosto dela, iria querer saber o porquê, e ela não saberá o que dizer, além de que se enrolaria toda e estragaria as coisas. Melhor deixar as coisas como estavam.

Porque estavam ótimas.

— Levy — Droy chamou quando a baixinha se aproximou dos dois. — Há tempo estamos te procurando. Encontramos um trabalho perfeito para nós três...

— Desculpem meninos — disse Levy, ainda sorrindo, sem se preocupar em esconder. — Não vai dar. Mas obrigada por se preocuparem em me convidar. Quem sabe na próxima? — Levy deu um beijo na bochecha de cada um e seguiu caminho para longe da Fairy Hills, deixando Jet e Droy surpresos e frustrados.

O caminho que Levy seguia era o da casa de sua amiga. Depois de tudo, ela precisava urgentemente falar com Lucy. Enquanto seguia pelo caminho, uma frase permaneceu pairando nos pensamentos de Levy.

Parece que desejamos a mesma coisa, no fim das contas.

Notas finais
Então, para quem não acompanha o mangá pode ser que se percam um pouco quando "respiração boca-a-boca" for mencionado no capítulo. Isso é referente ao capítulo 396 do mangá, quando Levy salva Gajeel de ir pro beleléu ao "beijá-lo", pois ele estava ficando sem ar. É, foi respiração boca-a-boca, mas também foi beijo, porque beijo é quando duas bocas se encostam, certo? :v Mas como foi muito suspeito porque ela podia ter usado a magia dela para criar ar e eu sou super shipper, pra mim a Levy-chan beijou o Gajeel sim. O safado até quis mais. Enfim, é isso. Espero que tenham gostado. Com o próximo ou mais dois capítulos eu encerro. Até a próxima :D