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Estátua

Queria tanto ser como você

Pois você nada sente

Apesar de ter esta aparência triste

Tristeza não há

Não há dor

E nem lágrimas escorrendo

Não há amor

E nem um coração batendo

Apesar desta aparência séria

Com nada você se importa

Nem o tédio te atinge

O medo não lhe aflige

Mas às vezes parece que você até finge

Me ensine a ser como você

Fria e insensível

Imortal

Um belo anjo de pedra

Uma homenagem

Um alguém

Porém sem corpo e sem alma

Você é tão superior

Mesmo sem ter um cérebro

Nós, pobres mortais

Não somos nada perto de tua grandeza

Sua Majestade

Os humanos ainda choram e fazem chorar

Amam e às vezes são amados

São vítimas e algozes

São seres tão fracos e oprimidos

Presos em seus interiores vazios

Você não...

Você presencia cada sentimento

Cada ação

Cada momento

Cada estação

Ali, imóvel... Sem nada a dizer ou sentir

Não quero mais amar

Não quero mais chorar

Não quero mais sofrer

Me machucar e machucar quem está próximo

Ensine-me a ser frígida como você

A não lamentar pelo sangue derramado

Pela vida perdida

Pelo coração chagado