Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
29 Voltando para casa
Notas iniciais
Quando acordei do meu cochilo a boa noticia era que eu não tinha tido um pesadelo terrível como da última vez. A má... Bom, tente ser acordada por um esqueleto. Eu acho que ele deveria ter sido morto na época da guerra da independência porque fedia como se tivesse estado em um caixão por centenas de ano. Quando se está no Hades você aprende a ser grata pelas pequenas coisas da vida como ser acordada por um zumbi esquelético ao invés de ter virado comida de cão infernal.
Percebi que Tales estava conversando amigavelmente com um dos esqueletos. Alex falava com Thalia que parecia encantada pelo garoto e Nico arrumava umas mochilas enquanto Cindy, que de uma maneira ou de outra nos seguira até o palácio de Hades, brincava em seus pés.
Assim que perceberam que eu finalmente tinha acordado olharam para mim sorrindo. Pareciam esperar que eu dissesse alguma coisa. Se houve um momento na vida em que eu me senti terrível foi esse. Eu nunca tinha liderado nada. A nossa última missão quase acabou em desastre e mesmo assim aqui estavam Alex e Tales me olhando esperançosos. Até mesmo Thalia e Nico estavam aguardando para que eu falasse. E eu sabia que, por mais que eu odiasse isso, logo teria que começar a mentir para eles. Eu tinha feito uma escolha e não havia como voltar atrás. Engoli o desespero e sorri de volta.
–Bom pessoal, agora temos que arranjar um jeito de sair daqui.
–Não diga que vamos ter que nos disfarçar na areia do mundo inferior novamente. – disse Alex com uma careta.
Eu ri com a lembrança.
–O que? Ela fez vocês fazerem isso? Esse sempre foi o sonho da Annabeth , mas com tanta coisa acontecendo quando ela vinha aqui... Sua mãe vai ficar orgulhosa – disse Thalia dando uma gargalhada.
Fiquei feliz de perceber que ela e Nico tinham melhorado muito desde que saímos do Tártaro.
–Isso é trapaça- disse Nico sorrindo- Mas é muito inteligente. No entanto acho que não precisaremos chagar a tanto. Podemos viajar pelas sombras.
–Mas você não pode levar todos nós- digo levantando minha sobrancelha para ele.
–Eu não, mas eles podem.
Quando me viro dou de cara com os mesmos cães infernais que nos trouxeram para Los Angeles. Olho para Alex e percebo que ele está mais branco do que papel.
– Hum, tudo bem. Como eles são três, Você leva Alex. Assim Thalia e eu teremos Tales para nos guiar.
Alex me lançou um olhar agradecido. Comecei a preparar minhas coisas para ir embora, o que consistia em apenas uma mochila. Não havia muita comida e percebi que estava ficando cada vez mais faminta.
Quando cheguei ao salão principal do palácio, fiquei surpresa ao ver Perséfone ao lado de Hades. A Deusa deveria estar aproveitando todo o esplendor do verão fora do mundo inferior. Eu não podia saber quanto tempo tinha passado desde que tínhamos vindo resgatar Thalia e Nico, mas eu tinha certeza de que ainda não estávamos nem em julho.
– Lady Perséfone- disse me curvando educadamente –É uma surpresa encontrá-la aqui nesta época do ano.
Hades deu um muxoxo revoltado.
–Ela está aqui para me vigiar.
Perséfone lançou um olhar feio para ele e se voltou para mim. Achei que viria um sorriso malicioso no rosto da Deusa, que ela estaria com sua expressão normalmente entediada. Entretanto, o que vi foi bem diferente. Ela parecia desesperada para me dizer alguma coisa.
– Olá Perséfone – disse Nico fazendo uma careta- Quanto tempo.
Perséfone apenas lançou um olhar desgostoso para ele e voltou sua atenção para mim.
–Vocês deverão estar preparados. Há uma guerra surgindo e acredito que vocês serão os mais atingidos.
–Guerra?-perguntaram Nico e Thalia sem entender.
Alex ficou pálido. Pude perceber que ele já sabia exatamente que tipo de guerra estava se desenrolando no mundo superior.
–Guera... mas... Por favor, não me diga que os Menelaus...- disse Tales. Ele me olhou sem entender nada.
–Infelizmente eles conseguiram muito poder. Quando estive fora eu percebi o ódio se alastrando como um incêndio no verão.O mundo não será mais o mesmo quando voltarem.
Senti minha cabeça girar e meu corpo perdendo temperatura rapidamente. Eu não iria deixar os Menelaus ganharem assim tão fácil. A cicatriz que Brutus fizera em mim latejou perigosamente, mas não me importei com isso.
–Obrigada Lady Perséfone- disse com sinceridade- somos gratos pelo aviso.
A deusa sorriu para mim. Como acontecera com Hades, sabia que ela estava ciente de que eu voltaria. A deusa sabia que eu estava morrendo.
–Penélope, lembre-se de que tem uma divida comigo. Psique deixou claro que você teria que nos ajudar quando o momento chegasse. Agora ele chegou. Por favor, quando chegar a hora, proteja o que é meu.
Assenti, sabendo do que ela estava falando e ignorando os olhares interrogativos dos meus amigos. Tirésias me falou que ela tinha um filho, Perséfone estava pedindo que eu o protegesse. Como eu faria isso, bom suponho que os deuses não se importam com detalhes menores como me dizer exatamente quem era que eu tinha que proteger, ou como encontrá-lo. Felizmente, meus amigos não questionaram o pedido da deusa.
–Bom, acredito que estejam prontos para ir- disse Hades.
–Estamos pai- disse Nico se fazendo uma mesura de despedida.
–Suponho- disse o deus olhando para o filho- Que você não queira voltar a sua antiga função de conselheiro.
Nico olhou para Thalia.
– Seria uma honra, mas não agora. Se o que Perséfone disse é verdade, estão precisando de mim no mundo superior.
Hades suspirou.
–Você sempre escolheu ajudar meus irmãos e lutar lutas que não são nossas, Bom espero que tenham sorte. Há grandes batalhas esperando por vocês lá em cima.
–Então estaremos preparados- disse Thalia segurando firme a mão de Nico.
Sem mais delongas estávamos prontos para partir. Os cães infernais já estavam esperando por nós e não havia mais nada a dizer. Alex e Nico sumiram nas sombras sem que eu percebesse e subi num dos cães infernais.
– Você e seu pai adoram esses bichinhos não é mesmo ?- Disse Thalia subindo desajeitadamente em cão infernal de pelo marrom do meu lado.
Sorri para ela.
–Vamos lá garota para o acampamento meio sangue-disse para o cão infernal no qual eu tinha subido.
Senti o inconfundível puxão no estômago e de repente estava correndo no meio da escuridão em cima de um cachorro que parecia ter saído dos meus piores pesadelos. Apesar de tudo isso, não tive medo. Olhei para trás e só vi borrões que eu sabia serem Thalia e Tales. Uma repentina paz me invadiu. As sombras estavam me levando para casa.
Quando finalmente saímos do mundo inferior senti uma lufada de ar invadindo meus pulmões. Era como renascer. Tudo parecia novo. Embora estivéssemos nas sombras, a luz do sol já se fazia sentir deixando minha pele com um formigamento gostoso, como se estivesse me dando as boas vindas.
A melhor de se viajar pelas sombras é que é um dos modos mais rápidos de se chegar a algum lugar. Não demorou muito mais do que meia hora e senti a brisa suave do mar de Long Island soprando.
Os cães arfaram e caíram na areia junto com a gente. O mar parecia agitado e percebi que era o final da tarde, já que o sol estava quase sumindo. Se eu não tivesse estatelada na areia diria que era uma visão linda.
Olhei para os lados, meus amigos estavam se levantando lentamente. Nico e Alex estavam tomando um ar a uns poucos metros de nós.
– Conseguimos, nós chegamos- disse Alex. O garoto parecia completamente feliz.
Tales sorria sem parar e Thalia e Nico pareciam que duas crianças que estavam vendo o mundo pela primeira vez.
Então Alex faz uma coisa que me surpreendeu. Ele veio até a mim gritando feliz e antes que eu me de conta estava me girando no ar.
–Pare Alex- digo mal contendo as gargalhadas.
–Conseguimos, conseguimos-disse ele- Saímos do mundo inferior.
Ele corre até Thalia e começa a dançar com ela. Posso ver que meus quatro amigos estão para além da felicidade.
Observo enquanto eles comemoram. É tão bom vê-los desse jeito que quero aproveitar cada segundo para guardar essa imagem. O aperto no meu peito de ter que abandoná-los em breve fica menor assim.
–Penny- disse uma voz que fez meu coração soltar pela boca.
Virei para trás e dei de cara com um homem de olhos verdes. Percebi que ele ainda parecia muito cansado. As olheiras dele pareciam mais acentuadas desde a última vez que o vira e seu sorriso sarcástico parecia conter muita preocupação.
–Pai?
–Deuses... vocês voltaram? Santo Poseindon!- diz ele me abraçando- Nós ficamos tão preocupados. Você está bem? Não está ferida? Sua mãe e eu temos tidos sonhos horríveis e ...
–Pai eu estou bem.
Ele me abraça de novo, dessa vez mais forte
– Sua mãe vai ficar tão feliz!- Diz ele mal se contendo- Temos que voltar para casa grande... ela vai ficar louca.
Ele começa a me puxar mas somos interrompidos por um grito de Nico
–Percy! Hey Percy! É você?- diz Nico correndo até nós, seguido de Thalia.
Meu pai corre para abraçar os amigos.
–Cara! É tão bom ver vocês!- diz ele abraçando Nico.
–Você tá muito velho cabeça de alga- diz Thalia com uma expressão cômica analisando meu pai.
–Muito engraçado cara de pinheiro. Você não tem ideia...
Os três começam uma conversa animada.
–Hey gente! Acho que temos que ir para casa grande sabe....- disse Alex chamando a atenção de todo mundo.
–Vamos, todos estão lá na casa grande. Estão organizando a festa dos fogos de 4 de julho que é semana que vem.
– Pai, a guerra, Perséfone disse...
–Teremos tempo suficiente para falar da guerra. Agora tudo o que me importa é que você está aqui.
Senti uma inevitável vontade de chorar. Seria desesperador deixar todos eles. Principalmente quando meu pai diz coisas como essas.
–E- diz ele se voltando para Alex- Não pense que não vi você girando minha filha. Temos muito o que conversar mocinho.
Thalia e nico caem na gargalhada e meu rosto esquenta terrivelmente. Pais podem ser extremamente embaraçosos de vez em quando.
Assim que chegamos lá, somos saudados por gritos e abraços de todos. Minha mãe me enche de perguntas e faz questão de examinar todo o meu corpo. Foi desconcertante ter ela me abraçando a cada duas palavras, mas eu acho que podia me acostumar.
Tio Leo me deu tapinhas nas costas.
–Essa é a minha garota, minha garota!
Piper e Jason não paravam de abraçar Alex, enquanto Caio dava tapinhas na cabeça do irmão em frente aos pais. Até Reyna parecia extremamente feliz. Quiron apenas observa a cena sorrindo de orelha a orelha.
Uma vozinha chama minha atenção. Parada a alguns metros de nós está Nina. Ela está chamando meu nome. Sem pensar corro em direção a ela e abraço bem forte.
–Ei Nina! Como você está?
A garotinha simplesmente sorri e me abraça mais forte.
–Você voltou. Você disse que voltaria.
–Claro que voltei- digo enquanto meu coração derretia ao olhar a pequenininha- E trouxe duas pessoas comigo que acho que você vai querer conhecer.
O rosto dela se ilumina como se estivesse numa manhã de natal.
–Você trouxe eles- Seus olhos estão de um azul tão parecido com os de Thalia . Percebo que ela está assustada. Ela agarra minha mão tremendo.
–E se eles não gostarem de mim- ela pergunta tão baixinho que mal escuto.
Me abaixo para ficar do tamanho dela e olhá-la nos olhos.
–É impossível não gostar de você Nina.
Ela continuou segurando forte minha mão, mas percebi que ela está mais calma.
Vamos em direção aos outros que parecem estar girando em uma galáxia de felicidade. A primeira a perceber Nina é Thalia. Vejo seu rosto se iluminar ao olhar a menina. Nico Percebe o rosto da mulher então olha a garotinha.
–Acho que vocês precisam conhecer alguém – digo, sem saber exatamente como agir.
Há um momento de silêncio, então como se fossem um só os dois correm até ela. E tudo descongela. Todos estão sorrindo. Nico e Thalia estão conversando loucamente com Nina que apenas sorri para eles e de vez em quando lança olhares alegres para mim. Piper vem até a mim e me agradece infinitamente por ter trazido o filho dela de volta.
–Mãe, eu também tenho mérito sabia- diz ele indignado para ela. Piper apenas pisca para mim e volta sua atenção completamente para Jason e o filho. Lara e Mirna não demoram muito a chegar na casa grande e me dar abraços, dizendo que estavam com saudades.
Não percebi que estava tão feliz de voltar para o Acampamento meio sangue até agora. Não sabia que podia sentir saudades de um lugar e de pessoas que mal conhecia.
–Parabéns Penélope- disse Quiron- Vocês conseguiram voltar para casa.
Olhei para minha família e meus amigos. Quiron tinha razão. Há um mês atrás eu duvidaria disso, mas aqui estava eu, me sentindo completa pela primeira vez na vida. Eu sabia que o acampamento não era realmente minha casa, eu teria que deixar esse lugar em breve. Sabia que daqui há um tempo, todas essas pessoas que eu amava tanto, estariam me odiando.
Apesar disso, ao ver todos ali tão felizes, decidi que eu iria aproveitar o máximo ao tempo que tivesse com eles. Aproveitaria o máximo minha família. Então, me voltei para Quiron.
–É, você tem razão. Conseguimos. Estamos em casa.
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