Notas iniciais
Olá minha gente! Vocês ainda estão ai? Espero que sim, espero que não tenham me abandonado. Bom, esse é o penúltimo capitulo da temporada. Espero que gostem. Abraços!!!

O acampamento estava em polvorosa. Faltava pouco para os fogos de 4 de julho e todos pareciam estar esperando o dia da independência . Pelo que me contaram, o acampamento fazia uma grande festa, com fogos de artifícios, cantoria a beira da fogueira, representações de batalhas e outras coisas tipicamente greco-americanas. Talvez a palavra mais correta seja Greco-romano-americanas, já que o acampamento Júpiter se juntava a nós todos os anos desde a vitória contra Gaia, mas vamos combinar, é uma palavra muito grande .

Eu podia dizer que todos estavam alegres, parece que o nosso retorno do Tártaro e as festas deram boas histórias para os campistas. Eu podia ver o modo como eles me olhavam. Ainda desconfiavam de minhas habilidades, mas parece que voltar do mundo inferior era considerado um feito digno de nota e o pessoal no acampamento passou a me dar alguma credibilidade.

Os dias que se seguiram a nossa chegada foram inesperadamente tranquilos. Treinos, aulas de grego e latim, monstrologia. Durante a noite minha família, meus amigos e eu sentávamos na casa grande e compartilhávamos histórias de batalhas ou simplesmente jogávamos conversa fora. Eu ainda não tinha certeza de como me sentia a respeito deles, mas eu sabia que tinha que aproveitar cada segundo daqueles momentos por que, mais cedo ou mais tarde, antes que o verão acabasse, eu teria que me juntar aos Menelaus.

Era fácil esquecer isso durante o dia. A noite era outra história. Desde que eu voltara do Hades eu tinha pesadelos todas as noites. A maioria deles envolvia um conflito entre gregos e romanos, Menelaus e seus maus tratos a mestiços. Eu estava indo dormir mais tarde a cada dia e acordava cada vez mais cansada.

Alex e eu estávamos treinando arco e flecha, o que eu detestava por que era péssima. Quase acertei um sátiro que passava por ali, tentando mirar no alvo.

–Bom já é um começo- disse Alex- Pelo menos agora você está tentando mirar, da última vez sua flecha achou que o chão era o alvo.

–Muito engraçado- eu disse mal humorada.

Enquanto treinávamos, não pude deixar de perceber que dois campistas olhavam estranho para Alex. Senti meu sangue ferver ao perceber o motivo, eles o desprezavam por ser mestiço.

–Não ligue para eles- disse Alex me puxando depois do treino- Não vale a pena. Além do mais já estou acostumado.

Senti meu coração apertado.

–Você não deveria estar-falei olhando feio para os outros garotos.

Antes que eu me desse conta, Lara aparece atrás de nós.

–Ei!- soltou, praticamente pulando nas minhas costas- Chegou uma visita na Casa Grande. E ele diz que conhece vocês.

Quando chegamos lá, meu coração deu um salto de alegria. O visitante sorriu de volta. Eu mal podia dizer o quanto estava feliz de ver aqueles cabelos brancos e as roupas surradas.

–Sócrates? O que está fazendo aqui?

– Tempos difíceis requerem ajuda inusitada. Pelo que vejo continua fazendo as perguntas certas pequena filosofa.

Não pude conter o sorriso, até que me lembrei do motivo por ele estar ali. Mas não tinha menor ideia de como alguém como ele poderia nos ser útil. Menelaus não tinham muito respeito por filosofia e homens idosos.

–Sócrates é um velho amigo do acampamento. Fico feliz que possamos contar com seus conselhos desde o final da guerra contra Gaia- Disse Quiron aparecendo de um dos quartos da casa grande.

Sócrates faz uma referência estranha, como se tivesse na frente de algum antigo professor. Percebi que os dois deveriam se conhecer a muito tempo.

– Obrigada Quiron. Sinto muito ter vindo num momento festivo como este para trazer informações sobre a guerra. Porém, tenho certeza de que trago informações extremamente úteis.

–Claro, já mandei chamar os chefes de chalé e todos os nossos conselheiros.

Noticias de guerra, obviamente. Por mais que a vinda de Sócrates me alegrasse eu tinha que admitir que desde que soube que ele estava aqui, sabia que tinham chegado más noticias. Olhei para Alex, ele estava pensando a mesma coisa que eu.

–Quiron, poderíamos ficar para a reunião? Gostaríamos muito de ouvir o que Sócrates tem para dizer.

–Crianças eu não acho uma boa ideia- começou Quiron mas interrompido por Sócrates.

–Na verdade Quiron, eu iria pedir para que Penélope ficasse. Creio que Alexandre também deva ouvir as notícias que tenho.

Quiron olha surpreso para ele, mas apenas anui com a cabeça.

Meia hora depois os lideres de chalé e os conselheiros (que eram na verdade meus pais e a maioria dos seus amigos), estavam na casa grande ao redor da boa e velha mesa de pingue pongue. Sócrates olhou para todos como se estivesse com medo de começar. Eu nunca imaginei que ele fosse tímido e tive que controlar o riso com seu embaraço.

–Bom há hordas de monstros e outras criaturas ressurgindo e se aliando aos Menelaus. Eu os vi quando um bando vinha do norte.

–Eu já disse que odeio o Alasca –ouvi meu pai murmurar para Hazel e Frank que apenas assentiram ficando cada vez mais pálidos.

– E não é só isso. Octavian está escravizando mestiços. Muitas das crianças são órfãos. Ele quer mostrar para os companheiros que eles são seres inferiores e que uma conexão entre os acampamentos não é desejável.

–O que?-Perguntou Alex visivelmente ultrajado.

–Isso não é tudo não é?- Perguntei olhando para Sócrates que estava visivelmente constrangido de ter que dividir essas más noticias.

Eu sabia que a situação estava ruim, eu tinha sonhado com todas essas coisas sobre as quais ele estava nos avisando. Eu sabia que os Menelaus não tinham respeito nenhum por mestiços, nem pelos acampamentos. Se ele veio até aqui veio para dizer muito mais do que ele dissera até agora. Sócrates olhou para mim, como se estivesse avaliando o quanto podia ou não compartilhar.

–Não. Não exatamente. Octavian iniciou uma campanha entre os meios sangues, entre os acampamentos. Ele está alegando que as coisas precisam mudar, dizendo que os antigos pretores foram muito fracos, que se deixaram iludir e que Quiron deve se aposentar, deixar o treinamento dos heróis para alguém... mais jovem, digamos assim.

– Não pode ser- disse minha mãe furiosa- Eu sabia que Octavian era um tremendo idiota mas isso... Superou todas as minhas expectativas.

Tive que concordar com ela. Eu mal conhecia Quiron, mas eu sabia que não havia ninguém melhor para cuidar dos semideuses que o simpático centauro. Embora todos parecessem indignados, eu percebi que alguns dos lideres de chalé, a maioria que eu não conhecia, não parecia tão furiosa assim. Isso fez com que minhas piores suspeitas se confirmassem e minha espinha ficou congelada como se tivesse estado na maior das nevascas.

A reunião durou cerca de mais uma hora. Ficou decidido que os treinos seriam dobrados depois dos fogos, que, se Octavian estava fazendo propaganda contrária a gestão dos acampamentos, nós faríamos campanhas favoráveis e que sátiros seriam enviados para proteger as crianças mestiças. Alex tentou se oferecer para ir com eles, mas Quiron afirmou que ele seria muito mais útil aqui no acampamento. Eu não sei por que, mas fiquei feliz com isso, não gostaria de imaginar Alex por ai, sozinho com um bando de psicopatas atrás dele.

–Por que não damos uma volta você e eu?- Perguntou Sócrates depois da reunião.

Eu mordi o lábio, sabia que nossa conversa não resultaria em alguma coisa boa, já que da última vez ele me dera uns avisos bem macabros, no entanto, eu sabia que tínhamos que conversar.

–Por que não- Sorri para ele.

Era impressionante a diferença do clima na casa grande para o resto dos campistas. Todos eles pareciam entusiasmados, fazendo planos, felizes aproveitando o auge do verão, totalmente inconscientes da pequena guerra que começava a se travar do lado de fora.

–Ah juventude- disse Sócrates olhando pensativo para todos- Não há nada mais poderoso. Inocência, amor, força, ímpeto... e no entanto... toda vez que uma guerra explode ela sempre é a mais prejudicada. Acho que é por isso que acho guerras tão cruéis.

Suspirei, como sempre ele estava certo.

–Você sabia da maioria das coisas que eu contei- afirmou ele me sondando

–Sabia, Infelizmente tenho tido alguns sonhos.

Eu achei que ele iria me perguntar que tipo de sonhos, mas, apesar de ser curioso, Sócrates também foi sensível e não perguntou.

–Você foi bem nas suas missões. Conseguiu resgatar duas almas inocentes do tártaro e trazer todos os seus amigos intactos. Um feito e tanto.

Sorri, ele estava certo. Eu tinha conseguido salvar meus amigos, e isso era mais do que eu poderia esperar.

–Você estava certo Sócrates... Na sua casa, quando me avisou sobre o meu futuro e tudo.

–Minha querida, não se preocupe com isso. Não agora. Quando chegar o momento voltaremos a falar sobre isso. Muito em breve eu receio. Você ainda tem algum tempo não tem?

Assenti com a cabeça, me sentindo cada vez mais miserável por dentro. Observei Nina brincando com outras crianças. Thalia e Nico conversavam com meus pais e seus amigos, alguns campistas filhos de Afrodite passaram falando sobre casais, beijos e fogueiras. Valia a pena morrer para salvar tudo isso não?

–Então minha cara- disse ele seguindo meu olhar- Eu a aconselho a aproveitar essa paz... ela não vai durar muito .

Sem dizer mais nada ele faz seu caminho de volta para a Casa Grande.

– O que ele queria?- Perguntou Alex surgindo atrás de mim.

Tenho que revirar os olhos, ninguém pode ter uma conversa privada nesse acampamento não? Apenas faço um sinal para que ele me siga em direção a parede de escalada. Se há uma guerra vindo, é melhor treinarmos.

–Nada importante Só queria saber como estou- disse dando de ombros, enquanto andávamos.

Percebi que Alex estava ficando vermelho e parecia querer me dizer alguma coisa. Olhei desconfiada para ele.

–Hum.. Penny, eu... queria te perguntar uma coisa. Os fogos... os campistas podem...você sabe..

–Ei vocês dois- diz Nina correndo até nós e se atirando nos meus braços- Vão treinar? Por que eu quero treinar esgrima...

Tive que rir da disposição da pequena.

–OK, Nina. Vamos ver do que você é capaz- disse olhando para ela como se a tivesse analisando.

Ela tomou um ar cômico de alguém disposto a ser testado. Alex olhou para nós prestes a dizer algo mas suspirou e resolveu nos seguir até a arena, onde passamos mais brincando com Nina do que treinando.

E a semana se passou assim, tranquila. Toda vez que eu avistava Sócrates no acampamento eu via com um lembrete de que logo essa paz acabaria.

Na manhã do dia 4 de julho eu acordei depois de um longo pesadelo envolvendo mais um casal greco-romano tentando fugir de alguém. Eu já estava ficando cada vez mais acostumada com isso. Alex estava parado na beira da minha cama com a cara de alguém que estava prestar a aprontar algo.

–Bom dia bela adormecida!- disse ele me dando um sorriso maroto.

–Alex, o que está fazendo aqui?- perguntei indignada com sua invasão de privacidade. Ele infelizmente desviou do travesseiro que eu joguei nele com muita facilidade.

–Calma ai, calma ai. Você é bem humorada de manhã não é?

–O.QUE. VOCÊ. QUER?- Disse com mais raiva do que pretendia.

–Você esqueceu que hoje é o dia dos fogos? Temos um belo dia pela frente, depois a noite vai estar linda e...

–Me deixa em paz Alex! –disse me escondendo debaixo da coberta-Você não tem que arrumar as coisas para uma noite mágica com seu par? Alguma garota loira, alta e magra? Vá logo.

–Meu par é você sua louca!!!- disse ele rindo.

Eu tirei as cobertas da minha cara olhando totalmente confusa para ele. Caramba, esse garoto às vezes me deixava à beira de um ataque. Ele aproveitou minha confusão para me arrastar para o banheiro.

–Vá se arrumar, coloque roupas bem confortáveis.

Olhei com raiva para ele, como ele ousava me dar ordens? Me tirar da cama cedo... às 11h da manhã? Quanta audácia. Olhei para ele novamente e ele parecia uma criança prestes a sair para o primeiro passeio. Argh!

–Ok, ok vá indo, já te encontro no pavilhão

O plano de Alex para um feriado divertido de independência consistia em um passeio de floresta, uma tarde boa na praia com todos os nossos amigos. Tales nos observava de vez em quando mas apenas me lançava um sorriso tímido. Descobri que Mirna e Lara tinham medo da água, o que era hilário. Eu os assustei até o a morte ficando cerca de 15 minutos debaixo do mar. Quando eles perceberam que eu estava sã e salva e rindo muito da cara deles todos fizeram uma espécie de guerra de comida contra Penny.

Voltamos para os chalés por volta das sete horas da noite totalmente cansados de um belo dia na praia. Eu estava com a roupa cheia de pasta de amendoim, o que era muita maldade dos meus amigos.

– Ei domadora, vejo você na fogueira!- Disse Alex me dando um aceno antes de entrar no chalé.

Não sei por que, mas algo me fez parar e observar enquanto ele voltava para seu chalé para se arrumar para a fogueira. Seus cabelos loiros perfeitamente cortados balançavam de uma forma estranha por causa do vento, o que deixava toda a cena mais surreal.

Quando entrei no chalé de Poseidon achei que ele estaria totalmente desocupado, no entanto, uma mulher de cabelos castanhos claros e olhos de uma cor que era impossível de distinguir estava me esperando no quarto junto com Sócrates. Afrodite.

– Olá minha querida- disse Afrodite sorrindo- É uma pena que você tenha que partir agora, meu neto ficará de coração partido.

– Partir? O quê...- pergunto confusa olhando para os dois.

–Chegou a hora querida- disse a deusa com naturalidade- Você deve se preparar para deixar o acampamento.

Notas finais
E ai, o que acharam? Espero que tenham gostado. Por favor, preciso saber o que vocês estão achando da história e se realmente querem uma nova temporada. Abraços a todos!!!