Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
3 O barqueiro veste Armani
Notas iniciais
O local em que eu estava era extremamente escuro. Escuro e fedido. Assim que meus olhos se acostumaram à escuridão comecei a vasculhar cada canto do lugar para ver se encontrava alguma saída. Era como se eu estivesse no Labirinto de Dédalo, o que é claro era impossível, já que ele havia sido destruído com a ajuda dos meus pais há muitos anos atrás (Sim, eu sabia algumas histórias sobre meus pais é claro, só não queria que ninguém soubesse)
Infelizmente o local estava todo lacrado, não havia saída visível. Comecei a bater nas paredes para ver se alguma delas era oca, se havia alguma passagem por onde eu pudesse escapar. Nada. Com certeza o manticore não precisaria se preocupar em assustar meus pais com minha morte iminente. Mais cinco minutos aqui e eu estaria sufocando.
De repente comecei a ouvir barulhos de batalha lá em cima de mim. Os garotos. Meu coração quase deu dois pulos de preocupação. Comecei a gritar desesperada, na by CouponDropDown\">esperança de que eles estivessem bem e pudessem me ouvir. Fiquei com medo que isso acabasse com meu ar mais rapidamente, mas eu sabia que, se eu estava conseguindo ouvi-los, eles também poderiam me ouvir.
Enquanto gritava eu olhava ao redor para ver se havia alguma coisa que pudesse servir para me ajudar a escapar dali. Nada. Eu estava ficando cada vez mais frustrada. Fui para onde a entrada do Alçapão estava e comecei a bater freneticamente, usando toda a força que pudesse arranjar. Eu estava com o braço machucado por causa de um dos espinhos então não estava conseguindo muita coisa.
De repente meu colar começou a brilhar intensamente. Eu sabia que a luz estava atravessando o alçapão. Ótimo, agora estou delirando por causa da falta de oxigênio ou pelos fungos contidos no mofo desse lugar, foi a única coisa em que eu consegui pensar.
Assim que esse pensamento cruzou minha mente, comecei a ouvir barulhos fortes no alçapão. Como se alguém tivesse tentando abrir, ou melhor, arrombar aquilo.
–Alex- gritei mais forte.
–Penny você está ai?
–Isso não é obvio? Abre logo o alçapão.
Ouvi o som da risada de Tales atrás.
–Ok, é muito bom saber que você está bem. Agora se afaste que nós vamos abrir.
Ouvi um barulho enorme e de repente a porta do alçapão se abriu com muita força. Assim que senti o ar limpo e fresco entrando pelo local, meus pulmões começaram a pegar fogo como se estivessem renascendo.
–Você está bem? –Perguntou Alex me puxando para fora do lugar escuro.
–Sim- disse com dificuldade- Nossa, nunca tinha me dado conta de como respirar faz bem.
Os dois riram da minha cara.
–Não é engraçado- digo olhando feio para os garotos.
– Claro que não! Nós só estamos aliviados de ter você de volta- Tales dá de ombros.
–Mas afinal, o que aconteceu aqui? – Perguntou Alex ainda me segurando.
–Espinheiro, um manticore, parece que ele é um velho amigo dos meus pais.
–Ah bom, era de se imaginar- diz Tales
–Mas e vocês? O que aconteceu? – Encaro os dois.
Alex tem um corte na sobrancelha e um arranhão no braço, mas fora isso está bem. Tales está com um roxo no meio da testa e um pouco de sangue no canto da boca, mas parece ileso também.
–Bom, eu acordei com uns barulhos estranhos e percebi que você não estava na cama. Acordei Tales, viemos correndo procurar você aqui em by CouponDropDown\">baixo, mas quando chegamos só os monstros estavam aqui. Eu...
– Bom Alex ficou descontrolado e partiu para cima do manticore. Devo dizer que ele não teve a menor chance.
– A Dracanae também não. Você precisava ver Tales brigando com ela. Ele deu um pontapé, a Dracanae atacou e ...bom terminamos com os monstros. Começamos a procurar por você, mas não havia nem sinal. Então eu vi uma luz, uma parecida com a do seu colar, só que ela estava mais forte. Foi então que finalmente te achamos.
A voz de Psique cruzou minha mente “O colar vai te guiar para aquilo que mais ama Penny”. Perfeito!
–Ok, ok, que bom que vocês finalmente se acertaram- digo tentando focar na parte positiva.
–Bom, Alex salvou minha vida. E a sua.
–Ah é, estamos quites agora- digo dando de ombros.
–Infelizmente não. Eu me lembro que você matou uma Dracanae quando ela estava prestes a me atacar.
–Ah que seja- Digo me levantando- Vamos, temos que dar o fora daqui o mais rápido o possível.
Apressamos-nos em cuidar dos ferimentos, pegar nossas coisas e mais alguns suprimentos. O cara podia ser feio, mas a despensa do Dr. Espinheiro era fantástica. Assim que saímos para rua percebo o quanto esta parte de Los Angeles é movimentada. Havia inúmeros turistas caminhando tranquilamente, homens vendendo camisetas, bonés e cartões postais.
–Vem, vamos por aqui- diz Tales apontando para uma ruazinha que ficava a esquerda.
Começamos a andar e logo o movimento começou a diminuir. Também percebi que a rua ficava cada vez mais empoeirada. Meu colar também começou a brilhar com mais força. Com certeza estávamos cada vez mais perto do mundo inferior. Tales também sentia isso, por que ele parecia ir ficando mais sério a cada minuto.
De repente paramos enfrente de um prédio. “Estúdios M.A.C”. O prédio parecia estar abandonado, já que dava para ver que ele não passava por uma reforma há anos.
–É aqui- diz Tales
–Você tem certeza?- Sinto um arrepio ao imaginar que nós finalmente pudéssemos ter chego ao Mundo Inferior
–Absoluta- diz ele sério.
–Bom, aqui vamos nós- falo, tomando coragem para abrir a porta.
Entramos no que parecia ser uma sala de espera. Havia um homem, que supôs ser Coronte, vestido com um belo terno e com uma expressão de absoluto tédio. Percebi que as pessoas que estavam na sala não eram bem... Pessoas. Eram mais almas. E a maioria tinha uma moeda na mão.
– O que fazemos agora?- Pergunto para Tales.
–Bom, acho que temos que negociar com Coronte.
–Ah é. Isso vai ser interessante- diz Alex
Aproximamos-nos do homem atrás da mesinha. Quando chegamos perto ele nem ao menos se dá o trabalho de nos olhar.
–Vocês vão ter que esperar até o próximo século. Esta remessa já está cheia
–Não podemos esperar até o próximo século – digo
Coronte finalmente levanta os olhos.
– Vocês são vivos.
– Por enquanto sim- falo olhando diretamente para o homem.
–Vivos não são permitidos. Se quiserem entrar no mundo inferior façam o favor de voltar aqui mortos.
–Infelizmente senhor, nós não podemos morrer e voltar. Quer dizer, vamos morrer, mas de preferência daqui há 50 anos, só que não temos todo esse tempo entende- diz Alex perdendo a paciência.
–Bom, vocês vão ter que ter- diz ele voltado a analisar uma papelada.
–Senhor Coronte, eu sou o neto de Plutão. Acho que você não vai gostar se eu fizer uma reclamação direta não é?
Coronte olha diretamente para Tales.
–Você está tentando me ameaçar criança?
– Não, só estou avisando- diz Tales firme.
–Pois eu vou deixar você avisado que aqui não há exclusividade. Você pode ser neto do chefe, mas não tem nenhum privilégio aqui.
–Ok, está bem. Foi mal, eu só estava tentando- diz Tales constrangido.
–Podemos negociar mais ternos italianos para você- diz Alex.
Coronte olha para Alex, avaliando o garoto.
–Hum, assim podemos começar a conversar.
Alex dá um sorrisinho vitorioso. Essa é ótima, o Barqueiro veste Armani!
– Quero mais dez ternos, avisem o chefe por favor. Mas vocês vão ter que pagar minha gorjeta mesmo assim- diz ele desconfiado.
– Não se preocupe. Pagaremos o dobro.
–Ok, ótimo. Esperem por aqui. Chamo vocês daqui a uma meia hora.
Nos dirigimos para o fundo da sala e sentamos perto de duas almas. Elas pareciam estar esperando ali desde sempre.
– Como você sabia sobre os ternos? –Perguntei espantada para Alex.
– Bom, foi algo que seu pai me contou sabe, quando conversamos sobre a missão- diz ele sorrindo- Ele é um cara muito legal, você deveria saber disso.
Eu olho para ele meio assustada. Imaginar ele conversando amigavelmente com meu pai me deixa nervosa, não sei por quê.
Meia hora depois, uma meia hora que pareceu ser meio século, Coronte anuncia uma nova viagem. Nos três nos entreolhamos e caminhamos em direção ao barqueiro. Entregamos o pagamento de Coronte e ele nos dá um sorrisinho maroto de volta.
–Bom, vamos lá. Lembrem-se de ficarem escondidos. Aconselho que se lembrem de Ulisses. Boa sorte garotos. Vejam pelo lado positivo, se morrerem já estarão no lugar certo.
Com essas palavras animadoras Tales e Alex entram no barco.
–É isso ai. Vamos acabar logo com isso- digo seguindo os garotos-Próxima parada, mundo inferior.
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Bjooos
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