Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro

28 Retorno ao palácio de Hades


Notas iniciais
Eeeei minha gente! Tudo bem com vocês? Então aqui está mais um capitulo. Ai, ai um dia eu consigo postar mais rápido juro. Enfim... espero que gostem.

Eu podia perceber que estava num sonho porque a moça que estava na minha frente usava um vestido cinza da década de 50. E quando eu digo da década de 50, eu quero dizer da década de 1850. As velas enchiam o quarto de uma luz fantasmagórica e deixavam a garota ainda mais pálida do que era. Fiquei imóvel observando seus cabelos negros que iam viam por causa do vento enquanto ela observava aflita a janela.

Tudo estava tão quieto que eu podia jurar que Hipnos tinha acabado de passar por ali. Eu sabia que aquela quietude toda não era bom sinal. Como sempre eu estava certa. De repente alguém entrou apressado no quarto. Uma mulher de meia idade que parecia ser a responsável pela garota. Foi logo arrumando as coisas, como se o mundo fosse acabar se a menina continuasse olhando pela janela.

–Sophie, eu já disse. Você não pode ficar ai. Não se preocupe, nossas legiões estão vencendo. Dizem que aqueles gregos logo estarão de volta ao lugar de onde vieram.

–Não é com nossas legiões que estou preocupada Santana.

A velha lançou um olhar desesperado para Sophie.

–Não ouse pensar nisso. Aquele garoto é nosso inimigo. E você sabe disso.

–Se o amor é cego, não pode acertar o alvo- diz Sophie de forma rebelde. Mas apesar de toda rebeldia, eu podia sentir a dor por trás daquelas palavras.

–Não ouse citar Romeu e Julieta para mim menina. Você sabe exatamente o que aconteceu com eles não sabe? Então trate de esquecer esse grego. Nada de bom pode vir deles. Ou você pode acabar como Julieta se preferir. Não posso garantir que ele vá ter a decência de Romeu.

Sophie finalmente saiu da janela com um suspiro. Eu podia ver a agonia estampada em seu rosto. No entanto, segundos depois seu rosto se ilumina ao ouvir barulhos na janela. A garota novamente vai até lá e deixa alguém entrar.

O Garoto, de mais ou menos 17 anos, está vestindo o uniforme completo da União. Santana faz um barulho seco como se tivesse algo preso na garganta e posso ver que ela está fazendo um esforço enorme para não gritar.

–Por Júpiter menina! O que estão fazendo?- diz ela numa voz esganiçada de desespero.

–Senhora eu vim em paz- diz o garoto antes que a mulher tome qualquer atitude. Sophie, no entanto, está radiante. A garota se atira nos braços do amigo.

–Ah Felipe, pensei que você tivesse morrido.

–Sou um pouco difícil de matar- disse ele abraçando ternamente a garota.

Os dois se abraçam mais uma vez enquanto Santana desesperada tentava afastá-los.

–Mas o que está acontecendo aqui? O que significa... ele tem que ir embora... se sua mãe o escuta...tem que ir...

–Calma- disse Felipe enquanto tentava se afastar dos braços gordos da mulher- Eu vim dar um aviso.

O sorriso de Sophie se apagou na hora.

–Que aviso? Que tipo de aviso?- Perguntou Santana desconfiada.

–Os soldados... Soldados da União, Gregos. Estão vindo para cá. Eles estão prendendo todos no caminho. Homens, mulheres, crianças. Vocês tem que sair daqui.

–Você tem certeza?- Perguntou Sophie.

–Absoluta- o garoto então olha demoradamente para a ama de Sophie- Vai haver uma batalha aqui. Eles estão muito perto. Por favor, leve Sophie daqui. Vá embora com ela.

A mulher arregalou os olhos. Ela estava visivelmente medindo a sinceridade do garoto. Felipe apenas sustentou o olhar da forma mais digna possível.

–Isso não é um truque é? – Apesar da pergunta a observei analisando o quarto, procurando possíveis rotas de fuga.

–Pelos deuses. A única coisa que eu quero é salvá-la. Não me importa quem vai vencer essa maldita guerra. Só quero Sophie segura, deu para entender? E não me importo se tiver que passar por cima de você para fazer isso.

A mulher apenas assentiu.

– ótimo. Onde é a saída mais próxima?

Os três então se apressaram. Era estranho, mas eu senti como se eu também estivesse em perigo e me apressei a segui-los. Não foi difícil sair da casa naquela hora da noite. Não havia muitos guardas guardando o interior da casa. Santana distraia todos eles enquanto Felipe e Sophie saiam pela porta dos fundos.

A noite estava clara e eu podia sentir a brisa de verão soprando pelo ar trazendo um cheiro de coisa queimada que eu logo reconheci como sendo pólvora. A batalha logo chegaria aqui. Tive tanta certeza e quis avisar os dois para irem mais rápido, mas eu sabia que não podia. Os dois pararam sem fôlego na parede dos fundos da casa. Felipe averiguou se não havia ninguém por ali. O sorriso dele me disse que não havia soldados.

–Você está bem?- perguntou ele para Sophie que parecia sem fôlego.

–Estou. Só... Temos que saber para onde vamos agora.

–Tem uma cabana há uns dois kilometros pela floresta. Vi quando passei com o resto das tropas ontem. Você pode ir para lá. Estará salva. Pelo menos por enquanto.

–E você? – Perguntou Sophie com a voz embargada.

–Volto para buscar você depois. Quando estiver tudo calmo.

–Se você não voltar...

–Você saberá que estou no mundo inferior.

–Felipe... cuidado.

O Garoto não responde. Apenas puxa Sophie para um beijo. Eu não deveria estar interrompendo um momento como esse não é mesmo? Mas eu sentia que tinha que ver isso. Sentia que aquele momento pertencia a mim também. Os dois continuam apressados caminhando na clareira entre a casa e a floresta. Sinto um tiro de arma pesada passando bem em cima da minha cabeça e com desespero percebo que os dois estão encurralados.

– Mas se não temos um azulzinho bem no meio da gente.

–Não — grita Sophie- Ele não é inimigo

–Não é inimigo? Você nega que é um soldado da união? E quem é essa menina tola?- Perguntou o soldado apontado a arma diretamente para o peito de Felipe.

Mas nenhum dos soldados deu atenção a ela. E havia mais de dez todos cercando o casal. Sophie se dirigiu a um homem de alta patente, perto do soldado que estava apontando a arma para Felipe .

–Pai ele veio para me salvar, por favor. Não o machuque

– Sophie, volte já para casa, Isso não é lugar para uma mocinha.

Um soldado jovem pega Sophie pelos braços e a separa de Felipe que tenta inutilmente agarrá-la.

–Pai, Não!

–Sophie, você está envergonhando seu pai na frente da legião- diz o soldado jovem que está agarrando Sophie. Marcel era seu nome. Vi o bordado no uniforme.

–Largue ela seu imundo- Disse Felipe- Deixe que eu a leve para um lugar seguro. Vai haver uma batalha, ela não pode ficar aqui.

Mas Felipe não pode fazer nada por que um barulho ensurdecedor tomou conta do campo. Tropas da União invadiram o local deixando o casal bem no meio do fogo cruzado. Eu sentia meu coração correndo descompassado, enquanto as tropas se enfrentavam. Felipe tentou levar Sophie para longe dali, mas foi impedido por um soco do soldado que segurara Sophie.

–Marcel, pare! – Gritou Sophie.

–É isso o que nós fazemos com gregos imundos- diz ele enquanto apontava sua colt para Felipe.

Então o sonho se tornou mais lento. Vi a bala saindo da arma de Marcel, vi Sophie se atirando em cima de Felipe e vi quando os dois foram atingidos. Imóveis permaneceram como um só no meio do campo. Senti as lágrimas correndo ferozmente do meu rosto, enquanto Marcel era atingido nas costas por um sátiro que trabalhava para união.

Antes que eu pudesse me ater ao que tinha acontecido uma presença dourada do meu lado chamou minha atenção. Dois deuses estavam observando a cena, conversando. Percebi que eram Zeus e Afrodite.

– O que você fez Afrodite? Meus dois filhos estão mortos por sua culpa – A voz de Zeus estava perigosamente encolerizada, mas Afrodite parecia estranhamente calma.

–Não fui eu meu senhor. Não se pode culpar o amor por todas as coisas ruins que acontecem. Eles morreram defendendo um ao outro. Tão bonito! Eu sinto que posso chorar- diz a deusa teatralmente.

–Chega! Isso tem que acabar. Essa guerra terá um fim. E nenhum lado jamais saberá sobre o outro.

–Acha que essa é a atitude mais sensata?- perguntou Afrodite – Acredita que isso será suficiente?

–Será. É o único jeito. Vou garantir que os caminhos deles jamais se cruzem novamente.

Me encolhi enquanto o deus saia apressado para convocar uma reunião no Olimpo.

Afrodite olhava diretamente para mim.

–Sophie estava certa. Eles não podem se esconder do amor para sempre. Podem?

Acordo com um grito. Todas as lembranças da nossa batalha e do pesadelo inundando minha mente. Era como se eu tivesse sido atropelado por dezenas de feras ferozes e caído de alturas enormes. Claro, tudo isso tinha acontecido mesmo.

Abri meus olhos e com um resmungo percebi que estávamos no palácio de Hades novamente. Isso já estava começando a se tornar um padrão.

–Sabe- disse uma voz grave atrás de mim- Isso está começando a se tornar um padrão. E está começando a me irritar.

Olhei diretamente para Hades que estava sentado seu trono com uma cara de tédio eterno. Ás vezes eu tinha pena dele. Ser deus é difícil, ainda mais o deus do mundo inferior. Tédio.

–Pai- disse Nico se levantando fraco- O que... Deuses. Morremos é isso? Pelo menos não estamos mais no tártaro.

–Não. Francamente Nico, para um filho do deus do mundo inferior você deixa muito a desejar. Claro,o cheiro de vocês deve confundi-lo. Devo dizer, vocês estão fedendo mais do que cem mortos juntos.

–Ah é bom ver você também. Obrigada tio. Uma cama quentinha seria muito bom agora- digo com raiva para o deus.

– Não me tente Penélope. Posso arrumar uma cama vitalícia para você no meu reino se esses for o seu desejo- diz ele me sondando. O brilho nos olhos me disse que ele já sabia qual era meu destino e o que eu tinha feito.

Engoli em seco.

–Ah não obrigada.

–Como viemos parar aqui? Eu só me lembro de ter sido esmagado por um centímano e depois...

–Bom, parece que a neta de Atena deu um jeito nisso- disse Hades displicentemente.

Senti tanta raiva que tive vontade de enviar o deus dos mortos para ter uma conversinha bem pessoal com a medusa. Meus amigos me olharam espantados. Eu podia ver a pergunta estampada nos olhos deles. Eles com certeza estavam se perguntando como eu havia conseguido derrotar os monstros e como viemos parar aqui. Eu não podia contar. Só de olhar para eles eu me lembrava do que iria perder. Além disso, o sonho não saia da minha cabeça. Eu tinha certeza de que meu pesadelo tinha sido mandando por Eris. Eu sabia que ela iria me atormentar o máximo até me ter onde ela queria, junto com os Menelaus.

– Acho que vocês merecem descansar. Perséfone me daria um sermão se não cuidasse bem de vocês então...

Hades estalou os dedos e um monte de esqueletos apareceu. Eles colocaram cobertores em cima dos meus amigos. Os servos de Hades os puxavam como se quisessem levá-los para algum lugar.

–Não se preocupem, eles só querem nos banhar- disse Nico- vamos tomar banho e dormir um pouco acho que todos precisamos.

Eu definitivamente estava cansada. Um banho seria muito bom. Mas dormir.... Eu ainda me lembrava daquele pesadelo muito bem para conseguir dormir. No entanto, nenhum dos servos de Hades se aproximou de mim e o senhor do mundo inferior me olhou de uma maneira que deixou claro que precisava falar comigo. Ele fez um sinal para que eu me aproximasse enquanto os outros saiam. Fingi não notar os olhares curiosos dos meus amigos para mim.

–Hum, Penny, você vem? – disse Alex tentando se desvencilhar de um dos esqueletos.

– Daqui a pouco- Sorri, tentando fingir que tudo estava bem. Percebi que estava fazendo isso nos últimos tempos- Preciso falar com Hades.

Alex me lança um olhar preocupado, mas para meu alivio não fala nada e apenas segue os outros.

–Então, parece que Tártaro terá mais uma alma .

–Como você sabe?- Perguntei levantando as sobrancelha- O Tártaro não faz parte dos seus domínios faz?

–Por favor menina. Não me subestime. Eu posso sentir quando alguém está morto, ou morrendo no seu caso.

Senti o nó se apertando ainda mais em meu estômago.

–É parece então que você já sabe dos sacrifícios que tive que fazer.

–Sei. Inclusive da sua escolha. Está ciente de que os deuses não poderão ajudá-la não é mesmo? A guerra entre romanos e gregos é uma coisa. Mas se você se aliar aos Menelaus estará se aliando a Tifão. Nem mesmo seus avós poderão protegê-la.

–Eu sei, estou ciente. Parece que as parcas não me deixaram escolha.

O deus suspirou.

–Não vou fingir que lhe desejo sorte pequena heroína. Não gosto dos descendentes dos meus irmãos.

Apenas assenti. Não fazia sentido negar que eu também não tinha lá muito apreço pelo deus.

–Como sairemos do mundo inferior? O senhor pode nos ajudar?

–Acredito que possam encontrar uma maneira sozinhos. Principalmente agora que contam com meu filho.

–Obrigada- tentei não fingir desapontamento- E obrigada por não contar para eles.

–Eles vão descobrir de uma maneira mais dolorosa, mas não tenho o direito de intervir.

Um esqueleto veio para trás de mim com um cobertor. Não tinha percebido como meu corpo estava tão dolorido até ter ele por o tecido por cima de mim. Um tempo depois quando encontrei os outros eles pareciam mais descansados e mais limpos, embora não tenhamos tomado um “banho” de verdade. Sorri para eles enquanto me recostava em local para adormecer. Daríamos um jeito de voltar para casa, como sempre faziams e pelo menos eles poderiam ficar.

Notas finais
Então? o que acharam? Espero que tenham gostado. beijoos