Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
7 A deusa da discórdia invade meus sonhos
Notas iniciais
A primeira coisa que percebi no sonho foi um homem enorme. Seus cabelos ruivos eram da cor do cobre, sua pele era pálida e ele ainda possuía duas grandes asas cobrindo todas as suas costas. Fiquei estática. Eu estava olhando diretamente para Tifão. Seus olhos continham uma fúria que eu nunca tinha visto em ninguém.
A parte superior do seu corpo estava vestida com o que parecia ser um terno. Se não fosse pelo tamanho, eu poderia jurar que ele um daqueles homens poderosos de Wall Street. Pelo tamanho e por suas pernas. Eu acho que alguém deveria ter problemas com quatro cabeças de dragões ao invés de dedos, mas, infelizmente, ele parecia caminhar muito bem. Seus dragões jorravam pequenas quantidades de chamas em cada passo..
Assim que o vi entendi por que os deuses tinham tanto medo do titã. Não era para menos, ele era filho de Gaia e Tártaro, uma espécie de vingança da mãe terra contra os deuses. Meu estômago se revirava só de pensar num monstro como esse se aliando com Octavian. Ele estava em uma espécie de casa abandonada. Pelo calor, eu poderia sentir que eles estavam no sul. Talvez Texas.
–As crianças já estão no mundo inferior senhor- diz Eris alegre.
A deusa estava vestindo um curto vestido preto que servia para acentuar toda a áurea de poder e maldade que ela emanava.
–Ótimo. Vamos esperar que meu querido irmão Crio de um jeito naqueles pestinhas
– Eu espero que sim. Seria imensamente maravilhoso que aqueles três ficassem presos no mundo inferior.
–É verdade. Mas ainda acho que a garota poderia ser muito útil para nós.
–Concordo. Embora, eu dava avisar que ela é imprevisível. Vou usar todos os meus poderes para fazer com que a menina venha para o nosso lado.
–Acho bom Eris. Você sabe o quanto essa garota é valiosa. Ela é a oferenda que minha mãe sonha há anos.
– O problema é que a garota é leal demais. Ela jamais trairia seus amigos. Mesmo tendo decepcionado o coração despedaçado com a ajuda de Afrodite, Penny continuou leal ao neto de Júpiter. Mesmo os pais tendo a abandonado, ela continua venerando os deuses.
–Bom então, você sabe o que tem que fazer.
–Sim senhor. Eu já estou pondo em prática meu delicioso plano. Eu já deixei bem claro que, se não se juntar a nós, seus amigos e sua preciosa família podem pagar o preço .
– Ótimo. Octavian sabe do valor dessa garota?
–Octavian a despreza. Ele acredita que ela seja apenas uma greguinha boba, filha dos seus piores inimigos. Idiota, ele ficou com uma cicatriz da última vez que ousou batalhar contra a filha de Percy Jackson.
– Octavian é astuto, mas é altamente manipulável. Por isso serve tão bem para os nossos propósitos. Depois que eu acabar com os Deuses, vamos precisar colocar alguém como ele chefiando os acampamentos.
Eris deu um sorrisinho astuto. Eu simplesmente odiava aquela deusa.
–Concordo. Foi por isso que o escolhi para iniciarmos nossa vingança. Agora que Romanos e Gregos estão juntos vai ser bem mais fácil.
Uma raiva surda e aguda toma conta de mim. Ela quer destruir tudo o que amo.
–Traga a menina Eris. A filha de Percy Jackson vai nos ser útil. Octavian é um idiota, não sabe do potencial da garota, mas eu sei. Além disso, nada me daria mais prazer do que ter a filha do meu inimigo nas mãos.
–Vou trazer. Vou mostrar a Penny o que ela pode perder se não se aliar a nós.
Tifão me olha diretamente nos olhos.
–Veja neta de Atena- quando ele diz isso, sua voz faz meu sangue todo gelar- Mostre a ela Eris
De repente estou de volta ao acampamento. Meus pais estão sentados com os amigos. Caio, Mirna e Lara estão lá também. Hazel brinca com Nina que está tendo ler um livro em grego. Sorrio de alivio ao vê-los vivos e bem.
Tento me aproximar deles, mas não consigo. Começo a chamá-los pelos nomes mas nenhum deles me escuta.
–Não adianta criança. Eles não podem ouvir você.
Olho para trás e me deparo com Eris, me dando seu melhor sorriso astuto e me observando de forma perspicaz.
–O que você quer? Eu não vou me aliar a você.
–Ah Penélope. Eu acho tão fofinho o jeito que você é impetuosa. Tão imprudente. Ir ao mundo inferior para resgatar dois semideuses? Ai, ai. Essa foi a coisa mais estúpida que eu já vi um herói fazer. E olha que eles sempre estão fazendo coisas estúpidas.
–O que você quer Eris? Diga logo- A raiva está me dominando. Não devo deixá-la ganhar assim.
– Eu vim aqui negociar com você. Eu sei que você nunca trairia seus amigos. Infelizmente, não faz parte da sua natureza. Mas protegê-los? Isso está tão entranhado em você. E vou lhe dizer garota, para uma neta de Atena isso não é nada sábio.
– O que você entende de sabedoria Eris? A única coisa que sabe é criar disputas, ódio. Isso é antítese da sabedoria Lady- digo com o maior desprezo que posso.
–Você está certa. Mas se existe algo que aprendi todos esses anos foi o quanto as pessoas podem se tornar estúpidas quando se trata de proteger aqueles que amam. Está vendo o Frank Zhang ali? Ele pularia da próxima ponte se Hazel ou um dos seus filhos pedissem. Jason? Ah ele morreria por Piper e Alex. Qualquer um faria isso. Por qualquer um presente aqui.
– E daí Eris? E por isso que eles vão vencer vocês. Eles têm algo que vocês não têm.
A Deusa apenas sorri para mim, como se eu estivesse sendo ingênua.
–Está vendo aquela cicatriz no braço do seu pai?
Assim que ela apontou percebi uma cicatriz em forma de meia lua no braço do meu pai. Me perguntei com não havia notado antes?
– O que tem ela?- Perguntou confusa
–Sabe como ela a conseguiu? Protegendo você Penny. Um monstro atacou você uma noite. Um bebê como você é o presente que todos os monstros sonham. Percy quase morreu. Ficou três dias desacordado. No fim, Zeus não conseguiu mais esconder a próxima grande profecia dos Heróis. Eles não a sabem toda, claro. Apenas decidiram que era melhor manter as crianças seguras. Com guardiões, que no momento certo, as levariam de volta para os acampamentos.
–Pai!- sussurro olhando para figura sorridente do lado da minha mãe.
–Você faria de tudo para protegê-los não é mesmo Penny?
–O que você quer Eris?- Pergunto pela milésima vez
–Você não percebe? Se você continuar com eles, sendo tão leal, Penny querida, você apenas vai dar a seus queridos uma morte mais rápida e dolorosa.
–Eu não sou idiota Eris. Sei muito bem que qualquer um deles pode acabar com vocês em segundos. Eles já fizeram isso antes,vão fazer de novo.
– Ah Penny, Tifão não é algo com que eles possam lidar. Até mesmo os deuses tem medo dele. E,além disso, sempre há mortes. Você pode evitar isso. Pode até trazer paz aos acampamentos.
–Se eu trair eles não vai fazer nenhuma diferença Eris! Procure alguém mais fácil de manipular
–Vou lhe fazer uma proposta Penny. Você nos ajuda a dominar os acampamentos, nos ajuda a conseguir o poder que tanto queremos, e eles ficarão a salvo. Todos eles. Seus amigos, seus pais. Nenhum sangue será derramado. Eu posso fazer com que eles tenham uma vida segura e deprimente como mortal.
–Você está blefando Eris. Me deixe em paz. Venham, tentem dominar os acampamentos e eu juro que vou mandar você para o Tártaro pessoalmente.
–Ah Penny. Não dê sua resposta, não ainda. Eu posso ajudá-los nessa missão no mundo inferior. Não odeio sua família como os outros. Apenas quero poder. Mas já que você duvida de nós, vou lhe mostrar o que posso fazer. Até seu prazo expirar, espero que você entenda bem por que a queremos tanto, e como você pode machucar seus amigos ficando ao lado deles.
A deusa estrala os dedos e de repente a casa grande parece ser atingida por um terremoto. Vidros se racham, caindo por cima de todos ali. Fogo começa a se espalhar pela casa. Eles gritam e não consigo evitar. Grito junto.
–Não!
– Isso é só começo Penny. Vejo você daqui a um mês, ou quando decidir aceitar minha ajuda no mundo inferior.
–Eris, pare!
Mas ela não me ouve mais. A deusa desapareceu, mas ainda escuto os gritos. Alguém chama meu nome e percebo que é Tales. Acordo e seu rosto apavorado está me encarando.
–Penny, acorde! Estamos sendo atacados.
–O que?- Pergunto ainda meio atordoada.
–Estamos sendo atacados!- ele grita com mais urgência.
Me levanto depressa e pego minha espada. Fúrias, pelo menos umas cinco delas, vêm em nossa direção.
–Você estava certa. Pegar aquela água foi muito fácil- diz Harriet tentando atacar uma delas.
– Droga!- digo atacando.
Elas parecem estar furiosas. Acerto uma bem no meio da barriga, o monstro vira pó. Assim que acabo com ela outra toma seu lugar. Não sei como vamos conseguir com tantas. Olho para meus amigos. Tales está lutando bem, embora eu consiga ver alguns arranhões em seus braços. Harriet é uma guerreira experiente e faz o possível para manter os monstros afastados de nós, já que ela possui a vantagem de não se machucar.
Quando acho que estamos conseguindo vencer os monstros de repente escuto um grito atrás de mim.
–Penny!- diz Tales
Ele se mete entre as minhas costas e uma das Fúrias que iria me atacar pela retaguarda. Tudo acontece em câmera lenta. Eu dou um golpe na cabeça da última fúria, enquanto vejo outra arranhado feio o peito de Tales. O garoto ainda consegue lançar uma flecha no monstro que vira pó.
Corro até ele.
–Tales! Você está bem?
–É claro que estou! Você acha mesmo que eu ia morrer aqui?
Tales dá uma risadinha, mas consigo ver que sente muita dor. Abro seu casaco para ver onde a fúria o machucou. Eu queria ter matado aquela fúria pessoalmente! O corte é muito fundo.
–Tales! Por que você fez isso?
–Eu... acho que não conseguiria mais encontrar o caminho de volta se você não estivesse aqui.
Sinto meu coração despedaçando em mil pedacinhos. Ouço a voz da deusa de discórdia ecoando em minha cabeça “Você apenas vai dar a seus queridos uma morte mais rápida e dolorosa”. Maldita Eris!
Harriet se aproxima de nós.
–Não se preocupe Penny. Ele vai ficar bem.
Harriet tem o poder de me fazer sair do transe. Pego um pouco de Néctar e Ambrósia e dou para Tales. Harriet me ajuda a fazer um curativo. Enquanto cuidamos de Tales, de vez em quando paro para observar seus olhos. Graças aos deuses eles estão atentos.
Quando o olho meu rosto esquenta, começo a entender por que ele fez isso. Lembro dele dizendo que as coisas ficam mais complicadas quando se gosta de alguém do outro acampamento. Maldita Afrodite! Nesse momento odeio todos os deuses e seus joguinhos. Tenho vontade de me sentar e apenas chorar e gritar com todos eles. Mas não posso fazer isso, não agora. Então apenas sorrio de volta para Tales.
Quando terminamos, Harriet dá um suspiro aliviado.
–Bom, acho que ele vai ficar bem.
Sorrio olhando nos olhos de Tales.
–É claro que ele vai ficar. Eu vou garantir isso.
Ele me olha feliz e adormece. Enquanto isso, velo seu sono, tentando entender como as coisas ficaram tão complicadas e pensando nos meus pais e nos meus amigos do acampamento, implorando para que eles estivessem bem.
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