Penas Ao Vento
12 Enfim Paz.
Notas iniciais
Os dois me olhavam preocupados e assustados, Castiel estava sentado ao meu lado com o corpo reto e me me olhando sem piscar, Gabriel estava em uma poltrona a minha frente com a boca entreaberta, me levanto rapidamente e pulo no pescoço dele.
– Tive um sonho tão ruim Gabes, vocês não existiam e eu estava casada com um demonio! Ele me levou para a casa dele! Nós tinhamos uma filha! Ele queria... – algumas lagrimas escorreram pelos meu rosto, Gabriel me abraçou firme, olhei para o lado e o Castiel me observava com cara de porta estiquei o braço e puxei ele pela gravata juntando ao abraço – nunca mais me mandem para outra dimenção sem que eu saiba! – apertei os olhos com força – nunca!
Gabriel deu uma longa gargalhada que chamou a atenção do Bobby e dos garotos que vieram até a sala correndo, me abraçando e perguntando se eu estava bem.
– Estou sim, não precisam se preocupar garotos.
– Mas não sente nada de diferente? – o Cass pergunta apertando a minha mão.
– Muito bem Cass, nunca me senti melhor! Mas sabe oque é mais engraçado? Consigo ver as asas de vocês novamente!
E era verdade, mas agora eu podia ver todos os detalhes das asas, aonde começava e acabava as penas, coisa que antes eu só enchergava borroes, eram tão belas, tão delicadas, eu tinha certeza que podia toca-las se eu quisesse.
– Você não nos quer dizer aonde conseguiu aquela adaga? – Gabriel perguntou desconfiado e logo depois colocando um pedaço grande de sorvete na boca.
– Crowley, ele disse que não tinha utilidade para ele.
– Eu disse que não tinha utilidade, ainda.
Todos olharam para o lado, na direção de onde a voz vinha, e vimos o demônio em pessoa, sentado na cadeira da escrivaninha com os pés em cima da mesma que estava atulhada de livros e um computador velho, Dean e Sam empunharam as armas apontando para ele.
– Oque você quer aqui Crowley?
– Calma esquilo – ele diz levantando as mãos – só vim me certificar que o meu plano deu certo, mas me diga como você se sente sendo a mais nova divindade celestial do céu?
– Que?
– Você não notou nada de diferente?
Olho para os lados e vejo grandes asas brancas, elas eram quase tão grandes quanto as do Castiel, eram lindas e delicadas, mas eu não conseguia move-las muito bem, ainda.
– Elas são... lindas – falo adimirando o par de asas que estava grudado as minhas costas.
– Oque são lindas? – Dean pergunta.
– As... minhas asas.
– São lindas mesmo – Castiel diz.
Olho pro chão envergonhada.
– Obrigada.
– Asas?
– Espera, você disse... asas? Tipo as do Castiel? – Dean fala encrédulo – Asas mesmo? Mas nefilim não tem asas!
– Esquilo, deixe de ser ignorante – Crowley falou recebendo um olhar amargo do loiro – Charllote não tem mais alma, ela morreu duas vezes em menos de uma semana. Você acha que uma meia alma aguenta? Ela quase conseguiu bater o seu recorde de morrer seguidamente em menos tempo.
Sam olha para o Gabriel que desvia o olhar para o sorvete fingindo não ter entendido a referencia.
– Você quer dizer que... eu não tenho alma?
– Mas será que vou ter que desenhar para as vadias? – Crowley diz olhando de mim para o Dean – Você não tem mais nada de alma, e não vai conseguir recupera-la. Agora você só tem a sua graça, a de Naya e eu suspeito que a de um outro anjo.
– Como eu posso aguentar tanto poder? Como ele não se dissolve?
– Esse é o poder especial da adaga, ele passa a graça de um anjo modificando-a e fazendo ela pensar que na verdade o seu verdadeiro dono é a pessoa que está recebendo, então ela nunca irá se dissipar ou algo do gênero. Já o seu corpo, ele foi criado para sustentar a graça de um anjo, indiferente da quantidade – Gabriel falou com os olhos fixos ainda no sorvete – você é perfeita para isso, como você pode Crowley?
– Eu salvei ela – ele fala levemente alterado – ela me deve isso! Quando ela estava presa na caixa, lá no inferno, quem você acha que a salvou? Quem colocou a alma dela no corpo?
– Na verdade eu me tirei sozinha da caixa, e depois salvei você.
– Isso foi só um detalhe – ele faz um gesto com a mão de indiferença.
– Mas porque você me salvou afinal de contas? Ainda não consigo entender. – falei desconfiada – sendo que os nossos ultimos encontros não eram tão amigaveis assim, eu só te salver lá no inferno porque eu precisava da sua ajuda, então fizemos um trato que já foi comprido.
– Eu já te disse – ele revira os olhos – você vai me ajudar no futuro.
– Eu não irei trabalhar para você, se é isso que você quer.
– Não diretamente minha querida, não diretamente – ele ri – pelo geito você não está bem informada, oque é ótimo.
– Informada? Como assim? – Castiel levanta olhando para ele – oque tem de tão importante assim?
– Odeio dizer isso, mas.. o trabalho me chama.
– Não vá antes de me explicar oque está acontecendo!
– Até mais, vadias – ele me olha e sorri debochadamente depois estala os dedos e some.
– Desgraçado – revirei os olhos.
– Son of a Bitch – Dean fala alto.
– Será que você pode voar? – Sam fala pensativo
– Provavelmente – diz Gabriel – é só questão de tempo. Vai conseguir fazer coisas que não fazia quando era uma Nefilim.
– Acho que preciso de uma cerveja – Dean fala com cara de espanto.
– Acho que também quero – falo.
Depois de ter contado a história, assim por cima, sem muitos detalhes Dean chega com a cerveja e eu tomo um pequeno gole.
– Não é tão ruim assim.
– Você já tinha tomado antes de virar anjo? – Castiel pergunta.
– Não, nunca.
– Deve ser por isso, agora você só vai sentir o gosto das células, que por sinal é bem sem graça, já o alimento que você comeu vai continuar com o gosto, porque na verdade vai ser a sua imaginação e não o seu paladar.
– Há, que pena... – falo tristemente.
Continuamos a conversar e rir, botando os assuntos em dia.
– Char, me desculpe... ela me disse que você estava segura e viva, ela me prometeu.... me perdoa.
Eu o abracei e ele leva um susto pelo ato espontâneo de minha parte, mas logo se recompõe e me abraça e eu me aninho em seu peito, ficamos assim por um bom tempo, então Gabriel foi embora dizendo que precisava se divertir um pouco, também dei tchau aos caçadores e deisse que se precisasse de qualquer coisa era só me ligar, eles nos acompanharam até a porta.
– Me diz que você cuidou bem do meu carro – olhei séria para o loiro.
– Claro! Está lá – ele aponta para um carro azul.
– Vamos Cass?
– Vai lá cachorrão – Dean falou com uma cara maliciosa.
Olhei para os dois e dei de ombros relevando o comentário.
– Até mais garota – Bobby falou sorrindo – boa sorte com a nova vida de anjo.
– Tchau Charllote – Sam falou me abraçando – se cuida, viu?
– Tchau – falei sorrindo e puxando o anjo pela manga do sobretudo até o carro.
– Acho que isso é seu – Castiel entrega a minha corrente de ouro que era um coração com asas pequeno que abria e revelava uma foto em preto e branco de dois adultos se abraçando, uma mulher e um homem, a mulher segurava um pequeno bebê que estava com os braços estendidos na direção do rosto da mulher, os dois estavam sorrindo e olhando fixamente para a câmera, eles estavam na frente de uma velha arvore em um parque que naquele dia parecia bem calmo, uma lagrima escorreu e eu sorri – peguei escondido no dia que a Naya te levou.
– Obrigada Cass, obrigada mesmo.
Coloquei a corrente e limpei a lagrima.
– Aonde vamos?
Entramos no carro e dou partida no mesmo.
– Não tenho certeza, talvez caçar ou comprar uma roupa nova e comer alguma coisa, aproveitar esse pequeno tempo de paz – falei sorrindo.
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