Penas Ao Vento
2 Dean Não Sabe Ser Discreto.
Notas iniciais
– Eu sou um anjo Charllote, eu não tenho sentimentos, então não me apaixono.
Eu estava nervosa e com raiva dele, eu sabia que ele tinha sentimentos, então por que ele falou isso? Com os anos que ele viveu entre a humanidade e com a sua graça perdida algumas trilhões de vezes eu sabia que ele tinha sim sentimentos, ele só não sabia identifica-los, ele era igual a mim. Ele olhava fixamente o chaveiro de pokebola que estava pendurado do retrovisor, as minhas mãos estavam tremendo eu não conseguia aguentar as palavras que lutavam para sair de minha boca.
– Você não é um anjo comum Castiel, você é um anjo caído que se rebelou contra os céus! E já perdeu até a sua graça, você é muito humano.. Cass..
– Charllote – ele se vira para mim – eu não sei.. eu..
– O.K. Cass.. desculpa por ter te pressionado, ou mesmo feito essa pergunta, eu sei que não é da minha conta de quem você gosta ou deixa de gostar,mas é que as vezes os nossos sentimentos são tão confusos que nós mal sabemos oque estamos sentindo – eu olho para ele e dou um breve sorriso – pela minha limitada experiência.
– E você? – ele pende a cabeça para o lado.
– Eu.. oque?
– Você gosta de alguém? — ele olha fixamente para mim, eu reluto em desviar o olhar da profunda imensidão azul que era os olhos dele.
– A minha vida não me permite esse tipo de luxo — eu aperto o volante com força e o meu rosto fica vermelho — eu não sei.. acho que estou confusa também..
Conheci Castiel a mais ou menos uns 7 anos depois de chegar nos Estados Unidos, ele sabia oque eu era e eu tinha visto que ele era um anjo, ele me disse que queria ajudar mas eu não confiei nele, e parti para o ataque, mas eu vi que ele era inofensivo e deixei ele contar oque queria e desde então ele vai a caçadas ou simplesmente fica no carro conversando ou escutando musica, ele era o meu melhor amigo, mas de algumas semanas para cá alguma coisa mudou, eu sinto uma grande necessidade de ficar perto dele, eu não gosto quando ele vai para o céu pois eu não tenho certeza se ele vai retornar, sim eu sei que ele é um anjo e é mais forte do que eu, mas... eu não consigo ficar muito tempo sem observa-lo, sem te-lo por perto, sem ver aqueles lindos olhos azuis nos quais eu me perco em pensamentos, eu sinto uma paz interior e a minha barriga começa a borbulhar, como se ela fosso uma chaleira com água fervendo ou com leviatãs dentro, eu nunca havia sentido isso, eu não sabia oque estava acontecendo comigo.
– Charllote, tenho que ir, estão me chamando no céu — ele fala me encarando sem expressão, eu suspiro.
– O.K. nos vemos na casa do Singer — eu olho para ele com tristeza antes de ele desaparecer.
Duas Horas Depois
Pego a barra de chocolate e penso em dividi-la, eu sabia que ele iria aparecer e ai escuto um farfalhar de asas.
– Oi querida Charllote — Gabriel me olha com um sorriso no rosto.
– Olá!! — dou um grande sorriso.
Gabriel era a minha única família, eu tinha adotado ele como ''tio'' digamos assim, ele cuidou de mim desde que eu coloquei os pés para fora daquele maldito orfanato, ele era o único arcanjo que restara, suas asas, seu tamanho e até o seu brilho era superior ao do Castiel, os dois não se importavam de eu ser um Nefilim ou bastarda como os outros gostavam de falar.
– Está indo aonde minha querida?
– Ajudar o Singer e os Winchester, eles são caçadores também.
– Eu te aconselho a dar meia volta e ir o mais longe possível deles e me dar um pedaço desse seu chocolate ai — ele sorri e aponta para o chocolate que estava na minha mão eu estendo o chocolate para ele e ele morde um pedaço.
– Porque você os conhece, eles são traiçoeiros? Mas o Singer parecia tão desesperado em um caçador experiente em matar demônios..
– Eu os conheço sim! Já me prenderam no fogo sagrado, aposto que fariam o mesmo com você, não dá para confiar neles.
– Mas.. eu já ouvi falar deles, eles não me pareciam ruins e o Castiel os conhece, parece que ele tem uma certa amizade com eles — olho para o Gabriel e dou um sorriso.
Não era fácil de se lidar com o Gabriel, pois nas suas horas de lazer ele era o Trickster, ou seja ele era Trickster quase todo o tempo, aposto que os Winchester encontraram ele no momento errado.
– Está avisada — ele tira um pirulito do bolço abre ele e coloca na boca e depois abre as sua enormes asas — bem, tenho que ir o dever me chama, se cuida querida, me chama se acontecer qualquer coisa, ou se o Winchester mais velho colocar as mãos em você, O.K.?
– Está bem, Gabes — tento esconder o sorriso que aparece em meus lábios — até.
Ele some deixando no banco um bolo pequeno e um café expresso, se eu engordar vai ser culpa dele pelo menos, mas eu acho que irei dar para os Winchester, já que eu estou indo visita-los é bom não chegar de mão vazia.
Depois de duas horas de viagem eu cheguei em Sioux Falls, aonde o Singer morava olhei para o céu e pensei em chamar o Castiel, talvez com ele por perto eu me sentisse mais segura, mas eu senti que ele não iria vir naquele momento, cheguei no ferro velho e estacionei perto de um Impala preto muito bem cuidado, peguei o bolo e o café e fui em direção a velha casa, antes mesmo de eu bater na porta um homem alto de cabelo castanho cumprido a abre me dando um leve susto.
– Olá, você deve ser a Charllote Walker, quer ajuda? — ele pergunta levantando as sobrancelhas e apontando para o bolo e o café.
– A sim, bem o bolo é para vocês... e você é o.. — digo dando o bolo para ele.
– Sam Winchester, pode entrar — disse ele me conduzindo a sala.
– Ela vai querer uma cerveja? — perguntou alguém da cozinha.
– Quer uma cerveja? — ele perguntou sorrindo para mim.
– Não bebo — falo levantando o café para dizer que eu tinha trazido a minha própria bebida.
Vejo pelo canto de olho alguém descendo as escadas e se aproximando.
– Opa que gatinha! — um homem loiro de olhos verdes e um pouco mais baixo que o Sam aparece e se encosta na parede me olhando fixamente — sou Dean Winchester, estou as suas ordens — ele pisca para mim — princesa.
Aquilo me deu uma ânsia de vomito, odeio homens desse tipo, odeio quando eles são nojentos e vulgares.
– Dean! Se controle — o irmão parece notar que eu estava com cara de medo e tenta controlar o Dean.
Um homem com cabelo marrom claro e alguns fios grisalhos e barba comprida aparece com algumas garrafas de cerveja e distribui para os meninos, eu pego o café e tomo um gole demorado.
– Olá Charllote, eu sou o Bobby Singer.
– Então.. qual é o problema? — pergunto me dirigindo ao Bobby.
– Demônios. Eles estão assustadoramente quietos de umas quatro semanas para cá.
– Por todo o país? — Eu me aproximo mais, agora a conversa tomou um rumo divertido.
– Por todo o mundo! Eles não deram as caras, não fazem pactos ou matam pessoas — Sam fala.
– Isso é pior do que ter demônios matando pessoas, eles podem estar tramando alguma coisa grande — tomo outro gole — muito suspeito, e o que vocês tem em mente?
Escuto asas batendo e os dois irmãos levam um susto com a aparição repentina do meu anjo, ele olha para todos e depois fixa o seus olhos em mim, era impressão minha ou... eles estão com um brilho diferente?
– Esse é o nosso amigo Castiel, que adora chegar de surpresa com a sua entrada triunfal — Dean fala com ironia — ele é um anjo mas não se preocupe, ele não irá machuca-la.
– Eu a conheço Dean — Castiel pende a cabeça para o lado — eu não a machucaria e também não faço entradas triunfais, eu só.. chego.
– Dean você não é o único que tem amigos angelicais, mesmo eu sendo uma Nefilim isso não me impede de ter amigos, mesmo que eles sejam anjos.
– Mas eles não deveriam te odiar? por você ser fruto de uma relação proibida — Dean fala e o Sam dá uma cutucada forte nas costelas dele.
– Não sou fruto de uma relação proibida, até porque no meu caso é raro de acontecer, eu sou filha de Nefilins, meus pais é que são fruto de uma relação proibida — o colar que estava pendurado no meu pescoço queima, eu odiava falar ou lembrar dos meus pais.. isso me fazia ficar nervosa — tudo bem lá no céu Cass?
Com o canto de olho vejo o Dean cutucar de leve Sam e depois abrir um sorriso exageradamente grande, e pelo visto o movimento não foi notado pelo inocente Castiel que me olhava com um olhar profundo e calmo.
– Sim, nada que você precise se preocupar — ele pende a cabeça para o lado, eu adorava quando ele fazia isso.
– Vocês não vão parar de se encarar? — Dean fala com uma voz maliciosa.
– A Charllote faz isso comigo, já observei alguns humanos e isso é comum — ele pende a cabeça pensativo e sorri para mim — me proporciona uma sensação.. diferente..
Fale com o autor