Penas Ao Vento
5 A Ganância com Asas.
Notas iniciais
– Vamos? — uma voz envolvente me faz acordar do meu sono leve, eu abro os olhos e me deparo com um sorriso cafajeste e dois lindos olhos verdes, me endireito no banco — Porque você colocou um adesivo anti possessão na traseira do seu carro?
– Só por precaução, não se sabe o dia de amanhã não é mesmo? E tem mais alguns sigilos escondidos dentro da lataria.
– Como se alguém quisesse possuir esse carrinho de brinquedo que você chama de automóvel, isso não pode ser considerado um carrão — ele fala olhando orgulhoso para o carro preto estacionado ao lado — ele nunca vai ser como a minha garota aqui.
– Graças a Deus — resmunguei baixinho.
Ele me olhou desconfiado e depois entrou dentro do Impala dando partida no mesmo, eu repeti a sua ação, diferentemente do motor do Impala quando ligado, o meu carro não parecia ter alguém embaixo do capô com um problema muito sério de garganta, ele era silencioso.
Depois de alguns segundos Sam entrou no Impala e então nós fomos para a rodovia, liguei o som e The Wall começou a tocar intensamente nos alto-falantes, e então de soslaio eu vejo duas pernas, meu coração deu um pulo e eu olho rapidamente e vejo o Castiel sentado ao meu lado.
– Céus! Castiel que susto!
– Perdoe-me.
– Não foi nada, eu não escutei você chegar, nem senti a sua presença.
Ficamos algum tempo em silencio e Wish You Were Her tocava suavemente.
– Quer que eu dirija para você poder dormir?
– Sabe dirigir? — pergunto desconfiada.
– Talvez — ele olha curioso para mim — um pouco, acho.
Analiso um pouco, que mal há em dar a direção a ele? Ele é um anjo, deve ser mole para ele dirigir um carro, não é?
– Tá, presta bem a atenção — falei olhando para ele — isso é o volante, você move ele para guiar o carro, esses são os pedais, aquele é a embreagem, você pisa fundo para trocar a marcha e tals.. esse é o freio, que obviamente.. freia — eu explicava e dirigia ao mesmo tempo — esse é o acelerador, que acelera o carro e esse negocio aqui é a marcha, você precisa pisar lá para que isso possa funcionar.
– Está bem.
– As marchas funcionam da seguinte maneira, a primeira é a mais forte e a ultima a mais fraca, mas é a mais veloz.
– Entendi, vamos trocar de lugar?
– Sim.
Ele veio na minha direção e eu tirei o pé do acelerador, jogando a perna para o outro lado, me espremi para que ele colocasse uma das pernas para o meu lado, e então eu ri da situação em que nós nos encontrávamos, eu estava encochando ele e o carro diminuía de velocidade, pois ninguém na verdade estava dirigindo. Soltei as duas mãos do volante e ele rapidamente tomou o controle do carro, segurei a porta do passageiro e me puxei para o outro lado, ele se sentou e endireitou o banco, e começou a dirigir, analisei ele por alguns segundos.
– Parece que você sabe mesmo oque faz.
– É, parece — ele vira a cabeça para mim e pende para o lado.
Foi nesse meio tempo que o carro saiu do controle saindo um pouco da estrada, me joguei para o volante e segurei ele firme, e coloquei o carro novamente na rodovia, olhei para ele apavorada.
– Só não perde o foco.
Me virei para o lado e demorei um pouco para dormir, mas foi um sono muito relaxante e revigorante.
Algum Tempo Depois
Abri os olhos assustada, uma energia negativa estava pairando no ar, olhei para o lado e o Castiel estava tenso, os nós de seus dedos estavam esbranquiçados pela tamanha força que ele fazia sobre o volante, suas sobrancelhas estavam franzidas e os seus olhos fixos na grande nuvem negra que se aproximava. Ela era enorme, e se os meus olhos não estiverem me pregando uma peça, eu posso jurar que ela estava se mexendo como se tivesse vida própria, como se fosse um único e gigantesco monstro que esperava a nossa chegada para nos devorar rapidamente, raios azuis e roxos eram produzidos em volta da nuvem e a cidade logo abaixo estava escura, mas no horizonte dava para se avistar raios de luz que estavam sendo cercados pelo breu.
– Isso é? — eu pergunto boquiaberta.
– Sim, nunca vi um encontro tão grande de demônios.
– Isso vai ser difícil.
A nossa frente o Impala , frente a uma linda casa azul claro com um lindo jardim que estava bem no começo na nuvem negra, Castiel faz o mesmo e todos nós saímos dos carros.
– O que iremos ? — Dean pergunta para o Castiel como se ele tivesse todas as respostas do mundo.
– Eu não sei Dean, eu nunca vi algo dessa grandiosidade. Isso nunca aconteceu.
– Vamos ter que ir, já estamos aqui não tem mais volta — Sam fala — temos que detê-los, vamos ver oque o Crowley está aprontando.
– Ele não está aqui — falo observando a grande nuvem sob as nossas cabeças — é alguma coisa diferente.. vamos nos preparar.
Vou no porta mala e pego tudo o que é necessário para matar demônios e a minha espada celestial que eu roubei de um anjo.
– Vamos — Sam fala — tenho certeza de que iremos encontrar as respostas lá no centro.
– Não, tem alguma coisa errada — Castiel me olha confuso — tenho que ir no céu, é urgente.
E dizendo isso ele some no ar.
– Quando mais precisamos dele ele some — Dean fala revirando os olhos.
– Tipico — falei — vamos!
Foi uma longa caminhada, estávamos tensos e a nuvem negra e fedia a enxofre me fazia pensar, quem teria tanto poder para fazer tal coisa? Saber que tudo aquilo era diversos demônios nos observando e esperando o comando de ataque me dava calafrios, no centro da nuvem avia uma falha, um buraco para ser mais especifica, que fazia o contorno do terreno de uma bela casa branca de dois andares, trepadeiras se elevavam delicadamente e as janelas estavam abertas mas as cortinas brancas ocultavam o interior, nos aproximamos pela porta da frente.
– Está fácil de mais — Dean fala.
– É sempre assim, você se acostuma — falei rindo, ele me olha incrédulo.
– Eu estou a mais tempo nesse ramo, eu sei muito bem como é.
– Calem a boca! — Sam falou apontando para a porta com a arma.
Eu vou até a varanda e me encosto na parede ao lado da porta, Dean faz o mesmo do outro lado, nossas armas prontas para o primeiro tiro, postas com a ponta para baixo, mas com o dedo no gatilho, quando Sam ia chutar a porta ela se abre calmamente e um senhor aparece, ele vestia um lindo fraque preto, ele tremia de medo.
– Ol-la senhores, e-entre-em — ele gaguejou — e-estávamos e-esperando você-ês
Olhei para dentro, não tinha nada de diferente no interior, olhei para o Dean mandando uma mensagem silenciosa, ele entrou e bateu no ombro do velho homem como um sinal de afeto.
– Mas é claro que estavam! Não é mesmo Frederik? — ele entrou porta a dentro e nós o seguimos.
– Hanrry, se-enhor.
– Muito bem, Hanrry — ele olha para os lados — nos guie até o anfitrião.
E foi exatamente oque o pobre homem fez, ele nos guiou até uma sala ampla com uma mesa de centro e diversos sofás em volta, uma lareira acesa estava desposta no canto, quando eu vi a figura sentada no sofá o meu corpo gelou, um longo calafriou percorreu por todo o meu corpo, era uma mulher com longos cabelos castanhos lisos, ela era baixa e os seus olhos puxados a deixavam fofa, mas ela não era humana, com um movimento rápido a minha mão voou para a minha faca e eu a empunhei apontando para a asiática, as suas longas asas se encolheram quando ela se esticou e pegou uma forma com bolinhos dento.
– Que gatinha — Dean sussurra com um sorriso nos lábios.
– Até que enfim! Eu não sabia mais se vocês viriam, sentem-se! Eu sou Naya sou um anjo — ela levanta entusiasmada e estende a forma — fiz para vocês!
– Anjo? Você é um homem? — Dean pergunta incrédulo — não acredito..
– Não — falei com calma — anjo é uma palavra unica, digamos assim.. não existe ''anja''.
– Ainda bem.
– Oque está acontecendo? Quem você é de verdade? — perguntei receosa, era verdade que ela era um anjo, mas eu nunca tinha visto aquelas asas, eu nunca tinha visto ela.
– Nada que você precise se preocupar. Eu já falei sou Naya, um anjo.. Eu costumava ser a encarregada de proteger e cuidar do conhecimentos.. bibliotecas.. essas coisas — ela pisca para mim, sorri e pega um bolinho — Ha, vamos.. você humanos são tão mais sociáveis que isso, sentem-se.
– Não! — falei decidida.
– Porque os demônios estão todos aqui? Você se aliou ao Crowley? — perguntou Dean — Oque vocês querem?
– Calma, calma gente.. Eles estão aqui porque eu mandei.. Crowley? Aquele demônio insignificante? Poupe-me.. ele está no lugar de onde ele nunca deveria ter saído — ela sorri — bem, eu quero o céu, simples assim.
– Simples!? — falei — Vocês anjos tem a péssima mania de tentar dominar o cé! Mas será que nunca passou pela cabeça de vocês que o céu não precisa de um maldito anjo mandando? Mas que merda!
Ela se levantou e me encarou.
– Olha aqui pirralha, estou sendo simpática e levemente agradável. Você e os seus amiguinhos ai, não tem poder, moral ou capacidade de me deter, estão sugiro que saiam do meu caminho e eu não os machuco — seus olhos emitiam um brilho feroz — mas se continuarem me incomodando eu te mato, não vai fazer diferença para mim você estar morta ou viva, você é só mais uma mosquinha nesse estrume que é o seu planetinha.
Um brilho forte ilumina a sala e o barulho de asas preenche os meus ouvidos, o meu anjo aparece com um brilho voraz nos olhos.
– Naya! Você desapareceu, pensávamos que estava morta! Oque está fazendo? Está louca? Volte para o céu e para o seu trabalho, esse não é o caminho certo!
– Só volto para lá quando eu estiver mandando, não irei ser subjugada novamente, agora eu tenho o inferno e todas as almas de lá! Junte-se a mim!
– Não! Naya, volte para o céu, se você continuar com isso não poderá voltar atrás.
Ela dá uma longa gargalhada.
– Castiel, esperei décadas para esse momento, se você não quer se juntar a mim, irei mata-lo! — ela berra e avança na direção dele.
No momento em que ela investiu contra ele a casa rangeu e balançou, pelas janelas dava para ver a nuvem se dissipando e entrando nas casas a volta, e então uma onda de pessoas se aproximavam de nós, Henrry o mordomo que agora sustentava grandes olhos negros lutava com o Sam, Dean tentava recuperar a arma enquanto estava sendo estrangulado por uma criancinha, enquanto isso o Cass se defendia e atacava Naya, ela estava rindo e debochando dele, eu me virei para eles e fui para trás dela e peguei a forma que tinha os bolinhos.
– Hei! Ô vaca alada! Saca só os teus bolinhos! — eu levantei a forma o mais alto possível e acerto a cabeça dela, os bolinhos se espalham pela sala e ela se vira e olha furiosamente para mim e me acerta na barriga com a sua espada, eu caio no chão e a minha visão fica embaçada, consigo ver o Castiel encostando em alguma coisa vermelha na parede, então uma mão me agarra no tornozelo e um forte clarão cega os meus olhos.
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