Penance For His Sin

8 You make me feel like I'm free again.


Notas iniciais
Demorei um pouquinho, espero que esteja valendo a pena. D:

Taemin’s POV.

Estava deitado sobre a cama desarrumada, olhando para o teto de meu apartamento. Tive muita sorte por Donghae não perguntar o motivo daquele monte de coisas quebradas por ali, já que estava desnorteado demais para reparar em alguma coisa, e depois estávamos transando e eu estava me dedicando plenamente a proporcionar um prazer grande o suficiente para que ele tirasse qualquer outra coisa de sua cabeça e me quisesse o bastante para que conseguíssemos fazer aquilo até o fim.

Eu queria que MinHo descobrisse que eu estava com alguém, mas não poderia ser por minha boca, ou eu me daria mal com Donghae. Que modo mais fácil de fazer isso acontecer que manter um caso com ele? Quando ele se desse conta, estaria tão envolvido a ponto de não poder mais sair, e Hyuk não se importaria tanto assim, afinal, ele também não era uma das melhores pessoas, e se eu descobrisse qualquer um ou todos seus segredinhos podres, talvez seria mais simples manipular tudo com mais facilidade.

Eu gostava de imaginar coisas, fazer suposições. Eu sentia vontade de contar a Donghae o que eu e MinHo tínhamos, até porque eu sairia como a vítima da história, mas eu ainda não tinha certeza e deveria esperar até que tivesse plena consciência de que estava fazendo a coisa certa. Tudo parecia perdido, mas eu sentia que conseguiria dar a volta por cima.

Mas, antes de tudo, eu precisava contar a Kibum quem MinHo era. Taemin, você precisa ser esperto. Eu não quero que ele sofra tudo o que eu sofri, ninguém merecia isso. O problema era a hora certa, a forma certa de isso acontecer.

Key’s POV.

“Você não quer passar o resto da sua vida com um cara que não sente mais nada por você, e, além de tudo, esteve com outra pessoa sem sequer terminar o relacionamento. Eu sei que não quer!”

“Não quero, Kibum.”Aproximou-se ainda mais de mim, de joelhos sobre a cama, segurando meu rosto com firmeza. Eu tinha certeza que seus dedos marcavam minha pele. Encarou-me com os pequenos olhos ainda menores devido ao choro e levemente avermelhados. “Eu não quero, e esse cara não é você. Kibum, por Deus, você não sente nada por esse garoto, de onde você tirou essa ideia absurda, meu amor?” Suplicava como se dissesse aquilo mais para si mesmo que para mim.

“Não é nenhuma ideia absurda.” Segurei seu pulso, num pedido para que soltasse meu rosto. “Por favor, será que você pode me ouvir? Não quero enganar você.”

“Você não está me enganando!” Sorriu enquanto sentava-se na cama. “Eu sei que você beijou aquele cara, você me disse isso. Sei também que a coisa foi mais que um simples beijo, eu sei, você me contou, mas... Kibum, o verão vai acabar, ele vai voltar pro lugar de onde ele veio e você vai ver que isso foi só uma bobeira, não vale a pena estragar tudo por bobeiras. Pense no que você vai fazer! Você está jogando anos fora por algo que não sabe se vai dar certo, e nós daremos certo. Seja sensato, Kibum, por favor!”

Levantei meu olhar para Jinki, que ainda sorria como se tudo o que eu tivesse contado fosse normal, ou como se não estivesse entendendo que eu havia transado com outro homem e revelado isso a ele. Eu esperava que Jinki sentisse raiva, e não me pedisse para ser sensato. Na verdade, era ele quem não estava sendo nem um pouco sensato.

“Quando o verão acabar, Jinki, eu vou embora com Jonghyun.” Sentenciei, fechando os olhos.

Quando os abri novamente, notei seus olhos me fitando, a respiração aumentando significantemente de velocidade, passando a abrir a boca várias vezes para começar a falar, mas sempre acabava desistindo. As lágrimas molhavam incansavelmente seu rosto bonito, numa angustia tão real que me fazia sentir um pouco desesperado, afinal, era horrível ver alguém sofrer daquele modo por minha causa.

“Eu devia ter te falado isso antes também, eu sei disso. Mas é muito difícil para mim, espero que você me entenda, eu...”

“Como você consegue? Você é um monstro, um filho da puta, covarde maldito.” Ele me interrompeu, começando a gritar e a se levantar da cama. “Acabou de fazer amor comigo nessa cama e agora vem me anunciar que vai pra sei lá onde com outro viadinho que você conheceu aqui nas férias? É isso? Um verão, um único e maldito verão foi o bastante para fazer você perceber que não quer mais nada com a pessoa que passou todos esses anos ao seu lado? O que aquele cara tem que fez você esquecer todas as vezes que estivemos juntos? Kibum, pelo amor de Deus, você não pode esquecer tudo assim! Esqueceu que descobrimos tudo juntos, que tivemos nossa primeira vez juntos, que fui a primeira pessoa em tudo na sua vida, só pode ter esquecido! Kibum... O que foi isso tudo para você? Foi tão insignificante assim, que me troca pelo primeiro que aparece na sua? Eu preciso de uma resposta.”

Franzi o cenho, ouvindo suas perguntas e gritos que pareciam querer me ensurdecer. Sua voz saía tão alta e embargada pelo choro, fazendo-me ter dificuldade em entender o que ele estava dizendo. Mas eu sentia tanta dor, que talvez ele estivesse certo, talvez eu fosse realmente um monstro covarde que merecia ouvir tudo que ele tinha para dizer ou talvez merecesse até ficar sozinho para o resto da minha vida por tudo isso.

“Eu sinto muito, Onew.” Murmurei. Não sabia o que dizer além daquilo, não havia nada para dizer. Eu havia conhecido Jonghyun e me apaixonado, mas mesmo assim continuava dormindo com Jinki, tentando sentir a mesma coisa de antes, numa tentativa de perceber que era tudo um mal entendido. A verdade era que eu tentei fugir disso, mas não conseguia. O único rosto que eu queria ver pela manhã era o de Jonghyun, não o de Jinki; e era justamente este o que estava lá, exigindo um sentimento que não existia mais dentro de mim. No final de tudo, isso seria o melhor para ambos.

“Sentir muito não muda nada.” Gritou novamente, vestindo uma camiseta. “Não muda a vergonha de dizer para as pessoas que perguntarem e até para as que não perguntarem o que aconteceu conosco. Eu não consigo entender, não consigo ver como uma pessoa consegue deixar tudo o que ama ou o que tem por causa de alguém que sequer conhece.”

Ele estava certo, eu nem podia tentar algum argumento contra os dele. Iria deixar tudo que eu amava por um amor maior, que eu tinha certeza que seria capaz de suprir todos os outros, porque era uma coisa que eu sequer imaginava que existia, e tinha certeza que ia valer a pena.

“Você não precisa contar nada a ninguém. Pode inventar o que quiser, ninguém precisa saber a verdade se isso te incomoda tanto, jamais vou te desmentir.” Na verdade, eu não me importava em ficar mal visto diante de todos.

“Pois eu vou dizer a verdade. Só eu não podia ver, não é?” Ironizou com lágrimas nos olhos. Eu sabia que estava doendo nele dizer todas essas coisas, mas a raiva não o deixava se preocupar nem com a própria dor. “Você nunca escondeu seu jeito.” Disse com escárnio, e eu tentava entender o que exatamente o que ele queria dizer. “Todos vão saber que você não aguentou se prender a apenas uma pessoa, quero dizer, qualquer um podia ver a vadia que você é e sempre foi. Você sempre deixou transparecer que precisava e preferia ficar de quatro para qualquer outro homem do que para mim. Todos vão saber, está ouvindo?” Aumentava ainda mais o tom de voz ao que eu me vestia e pegava minhas coisas jogadas na escrivaninha.

“Já chega, Jinki.”

“Não, não. Você vai ver, todos vão saber quem você é. Só que... A única coisa que me desanima um pouco, é que ninguém vai se surpreender, você sempre foi assim, todos já tinham visto... E eu me recusava a ver tudo, eu era a única pessoa. Quem sabe você não se insinuou pra alguém que conhecêssemos? Eu não duvidaria nada se...”

Não terminou a frase, atingi a palma de minha mão em sua face molhada pelas lágrimas, fazendo-o parar de falar e perder um pouco do equilíbrio. Fiquei arrependido no mesmo instante que seus olhos atordoados encontraram os meus, vendo fúria por cada milímetro. Foi horrível encarar aquele rosto, ouvir todos aqueles absurdos deixando seus lábios que eu já havia beijado um milhão de vezes nos últimos anos, e que agora só soletravam sentenças sujas que causavam repulsa em mim mesmo. Como Jinki podia?

“Por que diabos você me bateu?” Continuou gritando, ainda mais descontrolado que antes. “Como você ousa botar essa mão maldita em mim, seu bastardo? Eu tenho nojo de você!”

Saí do quarto no mesmo instante, as lágrimas enchendo meus olhos e me fazendo enxergar com dificuldade. Meu coração doía, minha cabeça rodava e eu sentia como se estivesse desmoronando com a voz de Jinki ainda ecoando na minha cabeça. Eu queria sumir dali o quanto antes.

O som da campainha fez com que eu despertasse de meus pensamentos, ao que eu me levantava do sofá. As lembranças ainda me faziam sentir a mesma angustia que havia sentido há anos atrás. E, a cada vez que relembrava esse dia, estranhava ainda mais sua educada recepção.

Apertei o passo em direção à porta quando a campainha foi tocada pela segunda vez, ao que apressei em destrancá-la, deparando-me com um MinHo extremamente sensual do outro lado do umbral. Usava um jeans claro e uma camiseta branca bem larga, os cabelos levemente bagunçados davam-lhe um tom ainda mais natural. Sua imagem dissipou instantaneamente a de Jinki que ainda estava abrigando minha mente cansada. Eu só queria tocá-lo e beijá-lo, sentir seu cheiro que tanto me satisfazia por todos os dias da minha vida.

“Boa noite, Key.” Sorriu, ao que eu puxava-o para mais perto e beijava sua face, enquanto ele tentava fechar a porta desajeitadamente. Caminhávamos em direção ao sofá enquanto trocávamos beijos, mas não deixei que a rota se completasse.

Eu não queria que fizéssemos nada ali de novo, preferia que fosse em minha cama. Era tão diferente, não sabia explicar como e nem o porquê, mas eu tinha uma vontade incômoda de envolver MinHo e mantê-lo em segurança.

Meu quarto não estava preparado o bastante, pois eu havia pensado nisso no mesmo instante que o vi e o abracei com tanta necessidade. Levá-lo para o meu quarto era uma representação metafórica disso. E eu só queria esquecer de tudo e seguir em frente, queria que Jinki e Jonghyun fossem apenas dois fantasmas que minha mente não havia digerido, apenas isso.

Quando me deixei cair sobre os lençóis brancos – MinHo sobre mim, comprimindo nossos corpos, segurando-me pelos cabelos e atacando meus lábios com a característica precisão – era só ele que eu sentia. Meus sentidos não funcionavam para nada ao redor. A janela estava fechada para que eu não visse nada além de seus grandes, belos e escuros olhos, e tudo estava silencioso para que nada me tomasse os ouvidos além de sua respiração. Ele movia-se sobre meu corpo num ritmo delicioso e descompassado, separando minhas pernas para se encaixar em mim. Beijava-me e tocava cada milímetro de meu corpo, como se minha pele tivesse o gosto e o cheiro de algo que ele gostasse muito, ao que eu apenas me permitia fechar os olhos e sentir tudo com a maior intensidade possível. Não havia nada que eu quisesse mais que senti-lo por completo naquela noite, porque eu queria muito acreditar que era real, que estava acontecendo de novo.

~

Eu não tinha coragem de dizer nada. Estávamos em completo silêncio, interrompido apenas pela respiração morna de MinHo, que acariciava meus cabelos de forma completamente devagar, seus longos dedos deslizando por cada fio, como se estivesse sentindo cada mínima textura.

O jeito como ele me tocava, como fazia as coisas, era tão encantador que eu não mais temia dizer que estava me apaixonando rápida e intensamente. Era perigoso trilhar por esse caminho que eu tão bem conhecia o trajeto, bem como seu final. Mas eu queria viver aquilo mais que tudo nesse mundo. A cada toque seu em qualquer parte de meu corpo, eu me sentia como se precisasse aconchegar-me cada vez mais em seus braços, tocar meu rosto na curva de seu pescoço. Eu rezava para que seu cheiro permanecesse nos meus lençóis por muito tempo, tempo o bastante até que ele voltasse a repousar ali. O que me amedrontava é que eu não fazia ideia de quando isso iria acontecer de novo.

“Em que está pensando?” Apertou-me contra seu corpo, ao que eu transpassava um braço a sua volta para abraça-lo.

“Em quando você vai voltar para cá quando for embora.” Respondi depressa.

“Ainda bem. Já estava preocupado em quando você voltaria a me convidar.” Puxou-me para cima de seu corpo, me apoiei em um de meus cotovelos, o qual estava encostado no colchão macio. Agora olhava diretamente em seus olhos, e tudo que eu via era a paz que eu precisava para me manter tranquilo.

“Não precisa de convite, eu quero você aqui todos os dias.” Suas mãos dançavam por minhas costas enquanto ele sorria.

Ele suspirou fundo, ajeitando-se sob meu corpo, e eu sabia que tinha algo que estava deixando-o incomodado. Umedeceu seus lábios devagar para então falar: “Eu não sou uma boa pessoa, Kibum. Não quero te decepcionar.”

O encarei de volta, tentando entender o que queria dizer com aquilo. Estar perto dele me transmitia toda a paz que eu tinha perdido por todo esse tempo, e precisava que ele entendesse isso ao invés de ficar me dizendo besteiras. Ele tinha todos os motivos para me tratar como lixo, se realmente fosse uma má pessoa, mas me tratava da melhor forma possível.

“Você já decepcionou alguém que não merecia?” Acenei positivamente com a cabeça. “Sou tão displicente que sequer percebo quando magoo alguém, o quanto magoo. Elas simplesmente estão do meu lado num dia e no outro não estão, como se eu fosse... Bom, não sei o que é, mas sempre estou decepcionando alguém, e não quero que aconteça a mesma coisa com você.”

Ouvi tudo o que ele dizia, notando a dor que se fazia presente em sua voz e seus olhos. Eu estava disposto a fazer qualquer coisa e correr qualquer risco para não deixa-lo simplesmente sair de minha vida.

“Só quero que saiba que quero te ajudar no que você precisar e não digo isso da boca pra fora. O que você me faz sentir é tão maravilhoso, MinHo. Eu fiz tudo errado até agora, mas você me faz sentir como se eu pudesse fazer tudo de novo e acertar dessa vez, como se eu tivesse uma segunda chance e tudo isso é muito bom para deixar passar.”

Pegou-me nos braços e seus lábios tocaram os meus. Eu precisava absorver aquilo tudo, precisava guardar cada um de seus movimentos, a temperatura de seu corpo macio. Porque, bem dentro de mim, alguma coisa se fazia presente, não me deixando esquecer que poderia ser a última vez. Eu não sabia dizer, sequer pensar o motivo disso tudo. Era apenas como se uma voz interna ecoasse bem no fundo da minha mente, pedindo para registrar tudo como se fosse a última obra de arte de um artista divino em seu dia de maior inspiração, talvez até a última que aquele artista seria capaz de produzir.

Então, o abracei com muita força, e ele me segurou mais forte ainda, beijando minhas têmporas, confortando-me. Eu sentia vontade de nunca deixa-lo sair daqui.


Taemin’s POV.

Acordei zonzo, ainda vestindo a roupa do dia anterior. Tinha adormecido sem perceber.

Donghae ainda não tinha me ligado de volta. Com certeza Hyukjae havia retornado e tinha me tirado de sua mente. Aquele prepotente estava me dando nos nervos. Ele vinha atrapalhando minha vida de forma indireta fazia muito tempo. Ele provavelmente tinha um pouco de ciúme de nós, afinal, éramos próximos desde que entramos na faculdade e Hyuk era especialista em deixa-lo sozinho para suas viagens. Eu devia me manter presente para que Donghae visse em mim todas as coisas que seu namoradinho egoísta era incapaz de oferecer.

Pensava assim quando a campainha tocou, me pregando um pequeno susto. Passei as mãos pelos cabelos, tentando arrumá-los levemente, esfregando os olhos. Corri até a porta, tentando ver quem era pelo olho mágico, ao mesmo tempo em que não pude evitar um sorriso. Donghae estava ali.