Penance For His Sin
9 Call me a boy, tell I blur...
"... Cause sick hearts deal fine
With wasting their times."
Taemin’s POV.
Ali estava Donghae, vestindo suas roupas simples, com uma cesta de café da manhã nos braços. Sorriu para mim assim que abri a porta, seus adoráveis dentes caninos dando-lhe um ar infantil. Sorri de volta quando ele entrou devagar, a passos curtos, depositando a cesta sobre a mesa da cozinha.
“Vim me desculpar por ontem...” Ele começou, a voz baixa.
Olhei-o, atônito, sem entender exatamente do que ele estava falando. Diante do meu silêncio, tornou a falar:
“Saí sem me despedir direito, não quero que pense que te usei.” Abaixou o olhar, encarando os próprios pés enquanto eu sentia vontade de rir. Quem foi que usou quem? “Não dormi com você só pra... Você sabe. Eu quis você de verdade, me sinto muito atraído por você, Taemin...”
Encarei-o, tentando não gargalhar.
“Donghae, eu... Também me sinto muito atraído por você, mas não quero te prejudicar em nada. Você sabe...” Comecei, tentando colocar certa inocência na voz. “...Não quero estragar nossa amizade, nem piorar suas coisas com o Hyuk, mas também não quero ignorar isso tudo que está acontecendo entre nós.” Andei em sua direção, pousando as mãos em seus ombros.
Esperava que ele me beijasse em seguida para que eu pudesse me fazer de difícil. E então seria a hora de contar tudo sobre as sujeiras do MinHo. Em seguida, consequentemente, Donghae pensaria em Hyuk... E veria que todos são uma corja. Na verdade, era o que eu pretendia fazê-lo pensar.
“Taemin, eu realmente não quero que você se sinta usado.” Dizia devagar.
“Já entendi, Donghae, não me senti usado.” Respondi depressa, suspirando.
“Porque tudo o que aconteceu foi um erro horrível.” Completou a frase, me fazendo sentir uma pontada no estômago no mesmo instante. Minha vontade de revirar os olhos e chacoalha-lo até que parasse com essa conversa toda sumia lentamente. Que rumo isso estava tomando?
“Não foi um erro, Donghae!” Comecei a falar devagar, segurando-me para não gritar. “Você acabou de dizer que se sente atraído por mim, e eu disse que me sinto por você. Somos adultos, pelo amor de Deus!”
“É justamente por sermos adultos que estou te dizendo isso. Uma atração não é o bastante para estragar a amizade que temos. Eu amo o Hyuk, não posso misturar as coisas. As outras pessoas com quem dormi, foi tudo por sexo. Com você é diferente, você é meu amigo e quero que continue assim.”
Encarei de volta aqueles olhos que eram tão bonitos, mas refletiam coisas que eu não queria ver, não naquele momento. Tive raiva de Hyukjae. Depois de Donghae, depois de mim mesmo. A única coisa que eu queria saber era o motivo de todas as coisas à minha volta serem tão erradas, e tudo o que eu amava era tirado de mim sem nenhuma cerimônia. Isso não podia estar acontecendo.
“Trouxe isso pra você, me sinto mal, estou arrependido.”
“Arrependido? Você veio até aqui para me dizer que está arrependido, é isso?” Gritei, finalmente explodindo, fazendo Donghae arregalar os olhos e cerrar os dentes, olhando-me com expressão incrédula. “Veio dizer que está arrependido por ter fodido comigo como se eu fosse uma vagabunda que estragou seu relacionamento? Juro para você que eu não estava me sentindo usado, mas isso tudo está começando a dar a entender que eu fui!”
“Eu não quis dizer isso, Taem...” Falava em tom baixo. “Você entendeu tudo errado. Eu quis fazer aquilo, mas não quero te dar qualquer tipo de esperança. Não fique chateado comigo, você é especial para mim, mas não sei se quero que isso aconteça novamente.”
“Eu não quero ser especial!” Vociferei, andando até a porta, abrindo-a em seguida. “Não quero ser especial, ser especial para você é ganhar uma maldita cesta a pedido de desculpa, tendo que ouvir que você tá arrependido? Não se pede desculpa por ter transado com alguém, Donghae, isso é ridículo, que parte você não entende?”
“Isso não precisa ser assim, você devia me escutar.” De fato, eu escutava-o, mas não conseguia executar nenhuma ação. Por que esse maldito tinha que ser tão bonito? Eu tentava, mas não conseguia fazer nada. Por que aquilo estava acontecendo? Minha vontade era de chutá-lo para fora de meu apartamento e nunca mais vê-lo na minha frente, mesmo sabendo que essa vontade era momentânea. Por que Donghae tinha que me decepcionar como todos os outros?
“Não quero escutar mais nada. Por favor, me deixe sozinho.” Suspirei fundo, ao que Donghae saía pela porta por obrigação e eu fechava-a. Logo que eu andava em direção ao sofá, pude ouvir algumas batidinhas na madeira, supondo que seria Donghae querendo explicar aquela situação novamente. Querendo me irritar novamente. Mas eu não queria saber daquilo. Era como se eu estivesse podre e começasse a apodrecer todos ao meu redor.
Deitei-me no sofá, apoiando o rosto numa pequena almofada. Chorava silenciosamente, tapando meus ouvidos a cada vez que ouvia meu nome seguido de batidas na porta. Minha cabeça levava sua voz bonita para longe, a única resposta que eu tinha para tudo era como MinHo estava fazendo com que eu destruísse minha vida e todas as coisas boas que ainda existiam ao meu redor. Um dia, uma noite foi capaz de arruinar minha vida, mesmo que indiretamente, num piscar de olhos.
Key’s POV.
O quarto ainda demorou para entrar em meu campo de visão, fazendo com que eu visse tudo muito turvo no início e, só depois de piscar repetidas vezes, pude enxergar tudo com absoluta clareza.
MinHo não estava ali, mas seu cheiro estava em toda parte, inclusive em meu próprio corpo. Sorri ao relembrar o que havia acontecido, bem como a intensidade disso tudo.
Virei de lado na cama, sentindo meu corpo amassar alguma coisa que estava ao meu lado o tempo todo, escondido de meus olhos. Um papel jazia ali, e quando o peguei e deixei meus olhos correrem por toda a sua extensão, meu rosto se tornou rubro no mesmo instante.
MinHo tinha me desenhado. Era um desenho simples, à mão livre e lápis 2B, mas era completamente encantador. Acho que eu tinha corado de felicidade, não sabia explicar. Na imagem, eu estava dormindo displicente na cama, com uma perna sobre um travesseiro, a boca entreaberta de forma quase inotável. Não podia dizer se estava igual ou um pouco idealizado, mas seu traçado era perfeito e preciso. Era quase como estar vendo uma fotografia em preto e branco. Eu não conseguia não amá-lo.
Pensava assim quando, ao virar a folha ao contrário, pude ler algumas palavras doces em sua caligrafia desajeitada. Para aquele que sempre será meu anjo.
Larguei a folha de qualquer jeito sobre a cama, vestindo minha boxer com uma pressa absurda, correndo para a cozinha, esperando encontra-lo lá. Não errei, ele começava a procurar algumas coisas para que pudesse cozinhar. Não hesitei em puxá-lo em um beijo desesperado, esperando agradecê-lo de alguma forma pelo simples fato de estar ali comigo, sendo tão adorável como estava sendo. Eu não sabia se merecia tanta coisa, mas aquilo era bom demais para questionar ou reclamar. Beijá-lo era a única coisa que eu podia fazer naquele momento.
MinHo sorria contra meus lábios, me apertando junto de seu corpo, fazendo com que eu me sentisse realmente importante para alguém depois de tanto tempo sentindo-me exatamente ao contrário.
“Pode tomar um banho se quiser, eu cuido do café da manhã.” Acenei negativamente, fazendo questão de preparar algo dessa vez. Tomaria banho mais tarde.
~
Meia hora depois, já estávamos sentados no chão da sala, tinhamos terminado de comer, e MinHo parecia uma criança que havia derrubado comida na própria roupa. Eu já estava vestido. Sabia que, em poucos minutos, ele iria embora e a sensação me agoniava. Era como se eu precisasse de sua companhia para me manter num completo equilíbrio.
“Sabe, Key...” Ele começou, sorrindo quando teve minha atenção. “...Acho que agora é minha vez de te levar pra minha casa, o que você acha?”
Sorri ao ouvir, com uma felicidade completamente estampada na minha face, tão intensa que eu temi estar soando muito ridículo.
“Quero dizer, se você quiser. Pode até ser meio cedo, mas estive pensando nisso.”
Meu sorriso abriu-se ainda mais. “Não vejo problema algum. Eu quero ficar perto de você, MinHo.” Acariciei seu rosto, ao que ele capturava minha mão com as suas próprias para beijá-la.
“Está certo então... Pode ser hoje mesmo. Às oito?”
Meneei a cabeça em afirmativo, acompanhando MinHo – que já levantava-se – até a porta. Ele procurava as chaves de seu carro.
“Ah, desenhar você foi tão fácil. Mal precisei olhar.” Sorriu, selando os lábios nos meus.
“Seu desenho ficou muito belo. Você é um grande observador.”
“Não precisei observar tanto assim, já te memorizei o bastante para conseguir fazer outro desenho sem sequer estar te olhando...” Respondeu baixo, beijando minha testa de forma terna, abraçando-me. Deixei o peso de meu corpo ser abandonado em seus braços.
Taemin’s POV.
Levantei devagar do sofá, depois de muito tempo, secando as lágrimas com as costas das mãos, fungando levemente. Eu estava com dor de cabeça por ter chorado tanto. Eu só queria que minha dor atravessasse meus olhos de uma vez por todas e deixasse meu corpo, meu coração, mas nada disso parecia ser possível.
Caminhei devagar até o banheiro, lavando meu rosto com água gelada e encarando meu próprio reflexo no espelho. Meus olhos estavam cruelmente vermelhos, cansados, e duas olheiras acompanhavam tudo isso para acabar de desenhar minha derrota bem estampada em meu rosto. Eu estava péssimo, pior que um dia imaginei estar.
Respirei fundo, fechando a torneira e secando meu rosto, jogando a toalha em qualquer lugar. Fechei os olhos, imaginando a única coisa boa que ainda existia perto de mim, e a única coisa que vi foi Kibum. Aquele homem era a única pessoa que parecia ainda ser capaz de trazer algum calor em meu coração.
Eu queria ir até o apartamento e tentar ser amável, já que agi da forma mais boba que poderia ter agido no dia em que nos conhecemos e ele talvez tivesse captado uma imagem errada de mim. Não me importava se ele ainda estava dormindo com MinHo. Ele não era parte daquela sujeira toda, sequer o conhecia e com certeza ia mudar de ideia assim que eu revelasse que tipo de filho da puta Choi MinHo sabia ser, e era exatamente isso que eu queria e iria fazer.
Abri a porta num rompante, trancando-a em seguida. Parei um pouco, encostando-me na madeira para acender um cigarro, respirando fundo em nervosismo. Andei um pouco, notando MinHo e Kibum parados em frente a porta que era quase vizinha à minha. MinHo beijava-o de forma completamente carinhosa, como nunca fora capaz de fazer comigo. Meu rosto pegou fogo no mesmo instante.
Key’s POV.
Lembro-me de ter visto um último sorriso desenhando os lábios de MinHo antes daquele garoto, Taemin, aparecer. Saiu de seu apartamento a passos largos, jogando um cigarro recém-aceso no chão. Ele andava em nossa direção com uma fúria prepotente no olhar, fuzilando-me de forma que pensei só ser possível encontrar nos olhos de uma mulher tomada por ódio. Era exatamente assim que ele estava, tirando o fato de que era um homem.
MinHo provavelmente notou que eu encarava algo que vinha atrás de nós, virando-se no mesmo instante em que ele estacou muito próximo, respirando pesado.
“Ora, MinHo. Você não ia sequer se dar o trabalho de me fazer uma visitinha rápida?” Começou, falando de um jeito desagradável.
“Vocês se conhecem?” Fiz a pergunta mais óbvia que poderia ter feito. Estava claro que sim, mas precisava entender porque MinHo lhe devia uma visita. Na verdade, não tinha certeza se queria ouvir aquilo.
O olhar de MinHo se encaminhou de mim ao garoto em nossa frente, engolindo em seco, e Taemin tinha um sorriso triunfante no rosto, como se estivesse flagrando alguém.
Eu sabia que se conheciam e MinHo não gostaria de ser visto com outro homem, provavelmente, mas ele estava mais nervoso que o normal. Definitivamente tinha algo muito errado acontecendo.
O silêncio durou alguns segundos, mas MinHo finalmente disse algo.
“Sim, Kibum, Taemin estuda comigo. Eu...” Ele começou a falar devagar, sem tirar por um segundo os olhos dele, que o encarava com uma ameaça estampada em seus olhos.
“Sou muito mais que um colega dele, ou era, na verdade.” Focou sua visão em mim, sorrindo serenamente. Tive medo do modo como ele mudou a expressão. “MinHo nunca te contou quem eu sou?” Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, MinHo segurou-o firme pelo braço, lançando um olhar significativo em sua direção. E, de repente, eu tive certeza que de tinham muitas coisas que MinHo não havia me contado. Meus olhos se encheram de lágrimas no mesmo segundo, mas lutei para não deixa-las cair.
“Não, não me contou.” Tentei manter o controle e fazer minha voz soar normal, enquanto MinHo umedecia os lábios, soltando o braço do loiro muito devagar, pude até notar as marcas vermelhas que seus dedos deixaram.
“Não há nada para contar, Kibum. Vamos conversar lá dentro que te explico tudo, ok?” Dizia isso enquanto encarava Taemin, que estalou a língua em falso desapontamento.
“Acho que ele não vai querer ouvir sua versão, MinHo. Parece que Kibum não sabe nada sobre você, aliás, você não faz a menor questão que ele saiba.”
Taemin’s POV.
Doía ver Kibum com aqueles olhos tão tristes e desconfortáveis na minha frente, mas ele precisava saber que tipo de gente MinHo era. Eu não ia parar, ele precisava pagar por ter me descartado daquela forma.
“Taemin tem razão, eu quero ouvir o que ele tem a dizer.” Kibum finalmente disse, depois de alguns segundos desconfortáveis de silêncio, fazendo MinHo encará-lo com certa surpresa ou desconforto. Queria dizer tudo de forma confortável para Kibum, mas a vontade de matar MinHo continuava bem maior que qualquer outra coisa.
“Kibum, ele não é...” MinHo tentava argumentar, mas recebia um olhar letal do menor.
“Se não é nada importante, por que não deixa Taemin falar? Ele parece empenhado em fazer isso.” Suas palavras soavam frias e faziam MinHo me fuzilar com olhos venenosos. Mas eu não sentia medo.
“Na verdade, se esse for o problema, MinHo pode te contar tudo.” Disse devagar, e MinHo abriu a boca para dizer algo, mas acabou desistindo, olhando para o menor como se pedisse desculpas. Kibum continuava encarando-o com uma expressão séria.
“Tá bom, MinHo, vou te ajudar.” Olhei Kibum diretamente nos olhos, enquanto ele olhava para MinHo. Eu tinha certeza que nem precisava dizer algo para que o casinho dos dois acabasse ali, mas eu fazia questão de terminar aquilo tudo. “MinHo nunca achou estranho vir até este edifício?” MinHo encarou Kibum com um olhar de súplica. “Tenho certeza que não. MinHo é tão frio que sequer se importa em transar com alguém que mora no apartamento ao lado do de quem ele dormiu por meses, não é?”
“Key, não ouça o que ele diz, você não pode acreditar em algo que uma pessoa que você nem conhece diz sobre mim. Estou sendo sincero com você, acredite em mim, não ouça a ele! Eu posso te explicar tudo isso.” Kibum continuava me olhando enquanto MinHo tentava convencê-lo. Notei lágrimas em seus olhos, ele tinha realmente se apaixonado pelo maldito?
“E, por sinal, Kibum, é MinHo quem paga o aluguel do meu apartamento. Isso ele te contou? E sabe por que ele paga? Para que, em troca, eu transe com ele. Por sexo barato.” Eu não me importava mais se estava machucando qualquer um dos dois. “Seja sincero, você consegue imaginar um homem como MinHo pagando por sexo? Acho que era só um pretexto para ele mesmo descobrir se conseguia se manter com uma só pessoa depois de tanto tempo passando cada hora por um cara diferente. Mas eu tenho minhas dúvidas...”
“Cala a boca, Taemin!” MinHo gritou, seus olhos injetando fúria diretamente nos meus, como uma ameaça de morte. Sorri cinicamente de volta para ele, para só então retornar o olhar para Kibum, que chorava silencioso, tentando não ser notado. “Que tipo de pessoa você é? Olha só o que você está fazendo com ele!” Enquanto isso, MinHo continuava gritando.
“Deixe-o falar!” Key cortava suas palavras.
“Ele já disse tudo.” Rebateu no mesmo instante, tentando segurar Kibum em seus braços, mas ele esquivou antes que pudesse ser tocado. Em seguida, MinHo segurou meu braço outra vez, ainda mais firme do que de costume. “Suma daqui, você já teve o que queria, não teve? O que te leva a fazer tudo isso?” Encostou-me na parede que ficava entre duas portas de outros apartamentos no corredor. “Seja lá o que você quer fazer com tudo isso, eu sei que é comigo. Pois resolva isso comigo e deixe Kibum fora disso.”
“Eu só quero que você sinta na pele o que você me fez sentir, Choi MinHo. Você pode me machucar o quanto quiser, isso não é novidade para mim. ”
“Meu Deus, você é repugnante. Me diga o que quer com tudo isso! O que você ganha dizendo todo esse tipo de coisa?” Ele gritava ainda mais, a veia de seu pescoço quase saltava.
“Eu quero fazer você perceber que as pessoas têm sentimento e que você não pode sair descartando-as como faz. Quero que você tenha vergonha na cara antes de me humilhar assim, transando com uma pessoa que mora do meu lado! MinHo, você é um calhorda maldito. Ele é melhor que eu, melhor que o Hyukjae?” Virei-me para Kibum.
Quase não terminei a frase, pois senti o punho de MinHo atingir meu rosto com muita precisão. Cambaleei com força, apoiando-me na parede que antes fora encostado, ficando levemente estonteado. Tudo isso aconteceu bem a tempo de ver as demais portas se abrindo e nossos vizinhos começavam a espiar o que estava acontecendo, provavelmente graças ao escândalo que eu estava fazendo. Mas MinHo não parecia se importar com nada disso.
“Você é louco.” Vociferou. Seus dentes estavam tão trincados pela raiva que seus lábios mal se mexiam. “Você não sabe nem o que está dizendo. Olhe como está falando do Kibum!”
MinHo aproximou-se novamente de onde eu estava, segurando-me pelo agasalho. Puxava-o com muita força, imagino que levantasse a ponto de mostrar parte de meu corpo, pois sentia o vento muito gélido cortando minha pele. Semicerrei meus olhos quando seu rosto aproximou-se do meu. Estava prestes a ser esmurrado novamente, mas Kibum puxou-o, ainda silencioso.
“Você é um filho da puta. É sério, um filho da puta nato. Você é sujo demais, MinHo. Como tem coragem de agir assim? Eu sei tudo o que você já fez. Não venha negar isso agora! Eu quero que você morra!” Gritei, tentando levantar-me. Estava sob os olhos espantados das pessoas que nos observavam. Senti vontade de mandar todos para o inferno.
Quando lancei o olhar em direção ao apartamento de Kibum, eles tinham acabado de entrar lá novamente. Eu só esperava ter o resultado daquilo que tanto almejava. Levantei-me, com o rosto ainda dolorido, cambaleando em direção ao meu apartamento.
Key’s POV.
Doía. Tudo o que eu sabia era que isso tudo doía demais. Meu coração estava dilacerado em mil pedaços e eu não podia mais ouvir coisa alguma que pudesse sair da boca daquele garoto. Só de imaginar, só de fechar os olhos e ter uma mínima visão de MinHo com ele... Isso me dava um nojo imenso. Nojo de ter sido tão enganado, exposto a uma situação tão ridícula, por Deus! Meus vizinhos estavam ali ouvindo tudo e eu não merecia estar participando de algo que sequer tinha conhecimento.
Sem pensar por nem mais um segundo, voltei ao meu apartamento, sendo seguido por MinHo – que fechou a porta atrás de si de forma muito rápida, o bastante para que eu não conseguisse mais expulsá-lo.
“Acho que não preciso dizer que quero que você vá embora daqui.” Eu disse devagar, tentando manter a calma.
“Kibum.” Sua voz era tão morna, apaixonante e doce, que precisei fechar os olhos para tentar evitar que ela fizesse efeito sobre mim. “Você deveria ouvir o que tenho para dizer. Olha, Taemin não mentiu. Mas preciso que você me ouça, preciso te dizer a verdade.”
“Pelo menos você é homem o bastante para assumir que ele disse a verdade.” Suspirei pesado. “Quanto tempo mais você ia esperar até me contar? Quero dizer, se é que realmente ia me contar. Você saía daqui a ia dormir com ele? Ou...” Não ponderei nenhum segundo ao cuspir tais palavras, mas deveria.
“Pare de dizer absurdos, Key!” Aproximou-se mais um pouco, me segurando de forma delicada, embora firme, ao que me afastei dele com brutalidade. Eu não acreditava que ele iria agir como se nada tivesse acontecido.
“Você vai fazer o que fez com ele? Vai me espancar aqui dentro? Não quero que você toque em mim! Que tipo de pessoa você é?” Gritei, sentindo lágrimas queimarem meus olhos. Essa era a pior sensação do mundo, eu não sabia se preferia nunca ter conhecido o verdadeiro MinHo ou se preferia saber de tudo.
“Por favor, Kibum. Você sabe que eu não sou todas essas coisas que ele disse! Nesses dias que eu estive aqui com você, mostrei exatamente quem eu sou. Você sabe quem eu sou e eu não tenho motivos para esconder alguma coisa de você.”
“Na verdade, você já me escondeu. Não escondeu? E sabe-se lá o que ainda esconde. Não sei se devo esperar outra pessoa fazendo um escarcéu na porta do meu apartamento como se eu fizesse parte da mesma corja suja de vocês! Sou eu quem te peço por favor, MinHo. Quero que me poupe desses escândalos que sequer imaginei a existência. Eu não sou parte disso!”
“Eu sei que você não é, meu anjo! Eu dormia com Taemin, isso é verdade, mas foi antes de te conhecer. Depois daquele dia, eu nunca mais quis outra pessoa! Pare de duvidar do que eu te digo e de tudo o que fizemos, isso é muito mais importante do que qualquer coisa que qualquer pessoa possa te dizer, não deixe ninguém estragar isso.” Aproximou-se novamente em uma velocidade absurda, segurando meu rosto ternamente.
“Foi pelo mesmo motivo que você saiu correndo do bar aquele dia, não é? Porque o tal de Hyukjae estava lá e não podia te ver comigo... Eu imagino.” Ignorei suas mãos me tocando e quaisquer palavras que ele havia proferido.
“Ele não tem nada a ver com essa história, esse foi um dos maiores absurdos que já pude ouvir... Não sei de onde Taemin tirou isso, nós nunca tivemos nada. Se você me deixar explicar, eu esclareço tudo para você. Eu juro que não direi nada além da verdade dessa história toda. Isso foi um mal entendido que esse garoto resolveu inventar agora, só para tentar estragar nossa relação. E ele conseguiu, pelo visto... Mas eu só te peço para me ouvir. Pelo amor de Deus, Kibum.” Soltou meu rosto, continuando próximo de mim.
Era pesar que eu via em seus olhos? Ele me dizia tudo com tanta tranquilidade, como se não tivesse nada a temer, como se aquela fosse a única verdade e eu só precisava aceita-la e seguir em frente, vivendo a coisa mais preciosa que poderia ter me acontecido agora, mas não era simples assim. Eu tinha uma ferida aberta no peito, não era a primeira ou segunda vez que alguém me decepcionava, eu estava tão cansado de tudo isso. Eu precisava pensar e não sabia em quem acreditar. Por mais que deixasse isso tudo de lado, abrisse meus braços para MinHo e o envolvesse em sinal de perdão, eu teria uma desconfiança. Toda essa situação acontecera agora e ainda martelava em minha mente de um jeito tão, mas tão doloroso e incômodo, que eu não conseguia aceitar nada que ele me dizia. Eu precisava aliviar toda a tensão que me abrigava antes de tomar qualquer decisão.
“Por favor, MinHo, só me deixe sozinho.” Murmurei sem encarar seus olhos.
“Eu preciso que você me escute, Kibum. Não acha que mereço isso?” Passou seus longos dedos pela minha bochecha direita. “Não mereço que você me ouça, ao menos por consideração?”
“Antes que você mereça qualquer tipo de coisa, eu mereço um pouco de paz. Vá, eu preciso tomar um banho e dormir.”
“Você tem certeza?” Insistiu, falando devagar e em tom baixo. Esse efeito que ele tinha sobre mim era plena covardia.
Neguei com a cabeça, lutando para que lágrimas não escorressem por meu rosto. Eu sentia vergonha e isso só pioraria a situação. Eu não podia mais chorar na sua frente.
Tocou seus lábios em minha testa, fazendo-me sentir um leve arrepio. Apesar da minha relutância, ele insistiu em me abraçar e eu só sentia meus olhos queimando mais e mais.
“Mesmo que você nunca mais ouça uma palavra saindo de minha boca, um dia você vai descobrir o quanto está equivocado, Kibum. E espero que tenha oportunidade de corrigir seu erro. Eu esperar você, pode me procurar assim que achar certo.” Seus olhos estavam levemente marejados. Eu não teria percebido se não estivessem tão memorizados em minha mente e meu coração.
“Eu... Eu prometo que vou fazer isso.”
Depositou um último beijo em meus lábios úmidos por meu choro latente antes de deixar o apartamento, a porta se fechando tão devagar quanto eu me sentava no chão, entregando-me ao choro cruel que finalmente se tornou inevitável de impedir.
Uma parte de mim tinha saído por aquela porta, e, de um jeito ou de outro, eu tinha a terrível impressão de que nunca mais ia poder recuperá-la.
Notas finais
O Taemin me irrita, mesmo que ele seja só um coitado... ;^;
Coloquei uma parte da letra da música Sick Hearts do The Used, na qual também está o título do capítulo.
Espero que esteja tudo certo com a betagem, porque eu estou com sono e queria muito postar mesmo assim.
Mal posso esperar pelo próximo capítulo. ><
Queria fazer uma pergunta D: não sei se alguém vai responder, mas tá tudo claro quanto ao tempo da história? Quero dizer, parece isso tudo aconteceu por volta de três dias, ou...? Seria muito importante saber isso ;_; enfim q, vou parar de escrever ou isso aqui vai ficar enorme
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