Penance For His Sin
4 Please give me a chance
Notas iniciais
Espero que não tenha nenhum erro de betagem nesse, já que o outro estava cheio. ;~;
Key’s POV.
Dois sentimentos, dois impulsos brigavam dentro de mim naquele instante. Eu senti vontade de chorar e pedir pra que ele largasse tudo e corresse pra Seoul, onde iríamos fazer amor por dias, até que eu me cansasse tanto que não pudesse tentar mais nada por um bom tempo. Mas, mesmo assim, eu questionava o motivo pra ele estar ligando. Quer dizer, por que merda Jonghyun estava fazendo isso se me deixou sozinho, como se eu fosse um monte de lixo, com tanta repulsa a ponto de achar que eu não merecia uma mínima explicação, um mísero Key, filho da puta, eu tô indo pra um hotel e deixando você aqui, morando de favor em um apartamento que eu comprei. Nem isso ele tinha decência de me falar, olhando nos olhos ou não. Diretamente ou não. E era exatamente por isso que eu acabava ficando em dúvida.
“Que tipo de problema você tem? Por que você foi embora?” Começou a falar em um tom estranho, como se pudesse decidir o que poderia ou não fazer.
“Eu não fui embora. Só voltei pra onde nunca deveria ter saído.” Respondi, tentando soar indiferente, mesmo estando explodindo por dentro.
“Você só pode estar brincando.” Bufou “Você se arrependeu de ter deixado Seoul pra morar comigo? Certo? Todos esses anos não foram nada pra você?” Ele praticamente gritou.
“Eu é que te pergunto, Jonghyun! Eu tava perto da minha família e junto com você. O que poderia ser melhor?” Gritei de volta. “Mas acho que não adiantava nada eu estar lá assim que você começou a me deixar. Eu é que pergunto: todos esses anos não foram nada pra você? E eu mesmo posso responder. Não! Não foram. Eu passei dias chorando e esperando você voltar. Tem dúvidas de que você é, pelo menos foi um monstro?”
Alguns segundos depois de ficar em silêncio, Jjong voltou a falar.
“Eu precisava de um tempo sozinho. Eu não podia mais ficar ali, com tudo o que vinha acontecendo.” Murmurou. Eu não tinha certeza se ele estava chorando.
“Você poderia ter feito isso de um modo menos... Cruel. Egoísta. Você só pensou em você e na sua família ridícula, que fica enchendo seus ouvidos com essas histórias sobre mim, e você acredita em cada uma. Mas que porra!”
“Isso não é verdade. Você sabe que não é verdade, Kibum!” Jonghyun gritou, parecia desnorteado. “Se fosse verdade, eu não teria te levado comigo pra qualquer lugar que eu fosse. Você sabe disso, eu fui contra todos eles, pare de falar assim...”
“Eu tinha uma vida aqui, eu deixei tudo por sua causa, Hyun.” Acabei usando um tom um pouco amargo, por mais que eu pudesse controlar. “Eu deixei... O Jinki e um sonho dele aqui. Deixei pra sempre, por isso não tem volta. Deixei tudo pra te acompanhar. Você simplesmente abriu mão de tudo.”
“Eu nunca abri mão de nada. Nunca abri mão de você. O melhor dia da minha vida... Bom, você sabe. Você realmente sabe que foi quando eu conheci você.” Sua voz era terna e macia. Jjong era tão apaixonante que precisei fechar os olhos, tentando lutar contra uma lágrima que ameaçava cair. “Bastou um, um único dia, para que eu tivesse certeza de que eu queria passar o resto da minha vida com você. Foi por isso que você deixou o Jinki, não se lembra? Pra passar o resto da vida comigo. Você se arrepende?”
Um silêncio constrangedor se abateu sobre nós. Permiti as lágrimas correrem fartas pelo meu rosto.
“Não me arrependo. “Disse, apenas. Não queria que ele percebesse que eu estava chorando, mas fora um esforço inútil.
“Eu não quero mais te ver chorar, Key.” Ele murmurou em um tom calmo.
Respirei fundo. Enrolava o fio do telefone em meus dedos, mordendo meu lábio inferior, desejando que aquilo nunca tivesse acontecido e pensando no que falar.
“Eu te amo tanto... Tanto, Jjong. Tanto que chega a machucar, e você só aumenta essa dor. É idiota, muito idiota, mas é incontrolável e involuntário. Eu não posso mais conviver com isso.”
O outro lado da linha estava em silêncio, só quebrado pela respiração de Jonghyun. Ele parecia tão atordoado quanto eu. Mas eu nunca pude desvendar como ele estava se sentindo, e dessa vez não foi diferente.
“Eu também te amo, Key. Quero que perdoe se não consegui demonstrar isso da melhor maneira.”
Outra lágrima se formou em meus olhos, escorrendo por meu rosto e indo parar em meus lábios, que se contraíram inevitavelmente em um bico. Mas que inferno, eu só sabia chorar. Afastei novamente o telefone, fungando algumas vezes, pigarreei novamente, tentando fazer com que minha voz saísse pelo menos um pouco mais digna.
“Espere, Bummie.” Sua voz estava tão embargada quanto a minha. Há tempos que não ouvia-o me chamando daquela forma. “Ah... Fica bem, okay?”
“Vou ficar.” Menti fracamente, instantes depois ouvindo o som do telefone do outro lado sendo desligado. Fiquei ouvindo aquele toque por mais algum tempo, acabando tendo a convicta sensação do quão fodidamente sozinho eu estava.
~
Havia adormecido numa posição completamente desconfortável. Agora, meu corpo todo doía de uma forma inexplicável. Por sorte, eu havia colocado o telefone no gancho antes de dormir, ou estaria abraçado com ele até agora, lutando contra minha carência estúpida e minha mente repassando infinitas memórias ridículas e que apenas me incomodavam como... Talvez como um filme em sequência. Não que eu estivesse me sentindo de outra forma, mesmo que sem o telefone em mãos, pelo contrário.
Eu conheci Jonghyun da forma mais estúpida, e desde aquele dia sua mãe me julgava e me fazia despertar um ódio enorme por ela.
Lembro que Jonghyun praticamente me atropelou enquanto andava por uma das principais ruas da cidade, fazendo com que eu machucasse meu braço em um muro próximo que usei para me apoiar. Estávamos conversando, ele insistia em me ajudar, quando ela chegou, berrando e dizendo que o filho ia se perder no meio de tantas pessoas. Acontece que ele já era grande o bastante para saber o caminho de volta, onde quer que ele morasse. Eu senti vontade de faltar-lhe com o respeito e mandá-la para qualquer lugar quando senti seus olhos sobre mim pela primeira vez, medindo-me de cima à baixo.
Jonghyun ainda tentava me ajudar com o pequeno ferimento, ela dizia que eu estava “inteiro” enquanto puxava-o de volta em sua direção. Quem aquela mulher pensava que era? Eu sabia que não precisava de ajuda alguma, e que ele poderia seguir seu caminho tranquilamente, mas ela não sabia o que estava falando. Era injusto que ela tivesse um filho completamente apaixonante como aquele.
Esfreguei meus olhos com ambas as mãos, notando o sol já começava a tornar-se visível.
O telefonema de Jonghyun havia me pego desprevenido, e, num momento estúpido de fraqueza, cedi à extrema saudade e o sentimento que parecia não querer sair de dentro de mim. Isso me fazia sentir raiva. Era tão óbvio que ia dar errado, foi completa falta de racionalidade de minha parte, e eu estava pagando por isso. Foram cinco anos me dedicando a uma mesma pessoa, para não ter absolutamente nada no final.
Taemin’s POV.
Abri os olhos e desejei não ter acordado de novo. Eu estava insatisfeito com tudo e estava cercado de gente maldita, que nunca prestou e só faz coisas extremamente nojentas, proibidas, consideradas uma anomalia. Claro, eu também não prestava, só fazia coisas extremamente nojentas, proibidas, consideradas uma anomalia; então não tinha muito do que reclamar.
Eu tinha que fazer alguma coisa. Pra começar, eu tinha decidido que não ia ser mais permissivo com MinHo como andava sendo. Eu não podia falar nenhuma verdade na cara dele, afinal, eu precisava dele para muita coisa. Eu precisava ser cauteloso, e não seria nada fácil.
Lavei um rosto na água fria, arrepiando-me um pouco com a diferença de temperatura, espalhando a pasta pela escova de dentes. Andei por meu quarto, me posicionando em frente à janela de vidro, onde podia ter uma visão boa do apartamento de Kibum. O que meus olhos contemplaram, involuntariamente, me fez sorrir de imediato.
Ele estava de costas para mim, tocando piano. Estava sem camisa, só trajando algo escuro que imaginei ser uma calça. Vez ou outra fazia alguma anotação, talvez de alguma nota que tirava do instrumento. Eu podia ouvir vagamente o agradável som do piano, então percebi que ele repetia as mesmas notas algumas vezes. Estaria compondo algo? A melodia era tão suave, bonita, a forma como tocava era de uma leveza tão intensa, eu não conseguia parar de sorrir e poderia ficar observando-o durante todo o tempo que fosse preciso.
Não sei quanto tempo fiquei ali, parado, mas o toque de meu celular quase me fez derrubar a escova de dentes no chão. Corri para o banheiro, enxaguei a boca e o aparelho continuava tocando. Finalmente atendi, a respiração meio ofegante por fazer tudo rápido demais.
“Taemin, meu amor.” Era MinHo, praticamente cantarolando com sua voz cínica. “Sua respiração está entrecortada. Estou te atrapalhando a fazer coisas que não devia?” Suspirei pesadamente, revirando os olhos.
“Estava no banheiro.” Declarei. Ainda ouvia, ao longe, o som do piano de Kibum.
MinHo riu do outro lado da linha. “Você não costumava fazer essas coisas no banheiro, já esqueceu o quão exibicionista você é?”
“Vá se foder, MinHo.” As obscenidades que ele dizia acabavam me deixando excitado. Era incrível e constrangedor.
“Será que agora você tomou jeito e resolveu se comportar, Taemin-ssi?”
“Acho que você deveria vir conferir.” Tentei provocá-lo. Para ser sincero, que tinha vontade de fazer sexo com MinHo. Além disso, bem no meu íntimo, eu tinha vontade de provar que eu poderia ser melhor que qualquer outro com quem ele saía. Eu tinha certeza que, se eu desse meu melhor, ele não teria vontade de ter nenhuma outra pessoa. Assim como eu não tinha. Quero dizer, eu queria Kibum, mas ele era sublime demais pra ser enquadrado na mesma categoria de MinHo.
“Hoje não dá, yeobo. Estou cansado demais, aliás, já depositei o dinheiro do aluguel esse mês, pode ficar tranquilo.” Ele respondeu de forma calma, e aquilo fez meu estômago afundar. Eu não queria o dinheiro, eu queria sua companhia. Eu estava com saudade. Qual parte ele não conseguia entender?
“Eu estou tranquilo, hyung. Eu sei que você nunca me deixaria na mão, eu só estou com saudade de você.” Tentei soar sensual, e ele deu uma risada abafada do outro lado da linha.
“Está com saudade, Taemin? Logo você que vive reclamando de minhas exigências? Deveria estar feliz, afinal, agora estarei te deixando um pouco em paz.
“Não estou feliz. Estou sentindo sua falta, e é sério. Eu tô sendo sincero.” Fechei os olhos, pedindo para que ele acreditasse.
“Tae, Tae, Tae.” Riu novamente. “Não faça isso. A última coisa que você é, é sincero.” Porra! “Mas não precisa se preocupar, afinal, eu amo esse seu lado, só não estou querendo muito essas coisas hoje, tudo bem? Não precisa se preocupar com nada, não vou te deixar na mão.”
“Você não acredita em mim...” Trinquei os dentes. “Qual o seu problema? Aigoo, MinHo. Não quero saber de nada, só quero você. Não estou te prestando nenhum favor, nem quero um favor seu!”
“Tudo bem então. Só liguei para avisar sobre o cheque, preciso ir atrás das coisas pra achar um emprego mais tarde.” Semicerrei os olhos. “A gente se vê na aula. Aliás, já não passou da sua hora de sair de casa?”
Antes que eu respondesse, só podia ouvir o tom de ocupado do telefone.
~
Confesso que saí chorando pela rua como um babaca, eu não sabia qual era o motivo exato, mas era mais forte que eu. Não sabia se era por raiva de MinHo ou de mim mesmo, eu só queria uma explicação. Por que MinHo tinha mudado tanto comigo? Mesmo que ele nunca tenha sido um exemplo de pessoa carinhosa ou algo assim, eu estava sendo dolorosamente rejeitado, e isso doía.
Ele não queria mais dormir comigo. Ao invés de declarar que havia se enjoado de mim, ele simplesmente me descartou como se eu fosse um nada. Continuava a depositar a merda de cheque, como se eu precisasse de uma maldita esmola; talvez eu precisasse mesmo.
Key’s POV.
Levantei tarde e corri tomar banho: eu precisava sair logo de casa. Vesti uma roupa qualquer e tranquei a porta, descendo as escadas de forma rápida. Passei pela porta do apartamento de Taemin, rezando para que ele não saísse de lá com seu olhar atento sobre mim. Para minha sorte, isso não aconteceu e pude respirar aliviado.
Assim que deixei o edifício, peguei uma rua qualquer que fosse em direção ao meu destino, andando a passos largos sem sequer olhar para os lados. Eu estava prestes a fazer uma besteira, mas não me importava com isso. O pensamento mais persistente em minha mente era sobre como eu precisava ver MinHo. Foi um erro eu não ter conseguido ligar para ele na noite anterior, porque depois de ter falado com Jonghyun, eu havia caído em milhares de contradições internas. Eu precisava me livrar desse sentimento, e eu sabia que MinHo ia me livrar de tudo isso, eu sabia que isso era possível, já que, durante o tempo em que passamos juntos naquele banheiro, eu não conseguia pensar em nada concreto. Minha mente simplesmente ficava longe.
~
O Campus da Faculdade de Artes era bem simples, apesar de imenso. Pela fachada, transitavam vários alunos com suas telas e outros materiais de pintura, com aquele estilo próprio que só quem mexe com arte pode ter.
Não pude deixar de imaginar como seria se eu realmente tivesse frequentado aquele lugar quando tinha a idade deles. Tudo seria diferente se eu não tivesse seguido a droga do meu coração, mas agora tudo ia correr de um jeito completamente oposto a isso.
Claro que era uma péssima idéia ir procurar MinHo onde ele estudava, mas o horário de aula já estava acabando e esse era o único jeito de falar com ele. Claro que ele ia estranhar, me achar um psicopata. Na verdade, eu não tinha certeza se ele estudava ali mesmo, mas ele me disse que estudava Arte. Só poderia ser ali, poucas pessoas estudavam Arte em outro lugar. Eu precisava vê-lo mais que qualquer coisa.
Andava pela entrada florida, notando alguns grupinhos de alunos que se aglomeravam pelos cantos, sem notar minha presença. Talvez a aula já tivesse acabado.
Caminhava olhando para os lados, tentando imaginar onde poderia encontrar MinHo naquele lugar tão enorme. Eu não podia simplesmente cercar algum aluno e perguntar se conhecia-o, descrevendo sua aparência. Agora, eu estava me martirizando mentalmente, me sentindo um idiota por pensar em fazer isso, até que senti uma mão me tocar levemente no ombro.
“Kibum?” Uma voz me chamou ternamente, fazendo meu estômago se afundar no mesmo instante. Eu reconhecia aquela voz como ninguém, só não sabia se aquilo era bom ou ruim.
Me virei imediatamente, meus olhos confirmando a suspeita. Céus, eu realmente estava vendo aquilo?
Jinki estava parado bem na minha frente, seus olhos cintilando como dois pontos de luz negra, o mesmo sorriso encantador se abrindo para mim como se cinco anos não tivessem se passado. Bom, pelo menos para ele, a impressão que eu tinha era essa. Continuava da mesma forma que eu havia o deixado, exceto pelas roupas mais elaboradas e seu cabelo, agora mais claro, em um corte que deixava-o graciosamente bonito.
“Onew! Nossa!” Sorri de volta para ele. Era inacreditável o rumo que minha vida tinha tomado. Eram tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que parecia mentira. Permanecemos por alguns segundos como idiotas, encarando um ao outro, como se estivéssemos analisando o que iríamos fazer, decidindo finalmente por nos abraçarmos.
“O que você faz aqui? Quando você voltou?” Ele perguntou como nos separamos. Soava natural demais para quem havia sido trocado.
“Faz menos de uma semana.” Cocei a cabeça. Ele iria entrar no temível assunto, eu sequer tinha como fugir.
“Aquele... Aquele rapaz. Veio com você?”
“Jonghyun ficou, eu vim sozinho.” Fui o mais direto possível. Era tão estranho olhar pra ele agora.
“Ah, vocês...?” Não terminou a frase.
“Sim, acabou.” Forcei um sorriso fraco.
“Sinto muito, Kibummie.”
“Não tem problema.” Disse de forma sincera, arqueando minhas sobrancelhas enquanto ele me olhava.
“Okay.” Ele respirou fundo. “Você não disse o que veio fazer aqui. Não veio se inscrever, né?”
“Não!” Sorrimos juntos. “Eu desisti da faculdade. Mas eu me viro, mesmo assim.”
“Mesmo? Então você vive de arte?”
“Vendo quadros, desenhos. Depende.” Arrumei meu casaco nos ombros, eu tinha essa mania. “Mas ainda estou me instalando aqui, não decidi o que vou fazer. É complicado começar do zero quando o prazo para qualquer um de seus sonhos já venceu.”
“Você é talentoso, sempre foi. Tenho certeza que vai conseguir tudo o que deseja, só tenha paciência.”
De fato, eu sabia disso.
“Eu sei, Onew... Estou tendo toda paciência do mundo. É tudo o que me resta.”
Foi a vez de ele sorrir amarelo. “Eu desisti de viver de vender coisas, agora dou aula aqui e pelo menos meu dinheiro tá sendo estável, mesmo que não venha muito por mês.”
Balancei a cabeça, afirmando. Eu entendia o que ele estava falando.
“Quer ajuda para fazer algo aqui? Deus, há quanto tempo não nos víamos!” Cobriu a boca com uma das mãos, sorrindo em seguida. “Bom, eu gostaria que pudesse ajudar.” Concluiu, voltando ao assunto inicial.
“Na verdade, talvez possa.” Se ele dava aula ali, provavelmente saberia onde ele estudava, se ele estava ali. Isto é, se fosse professor dele, eu sabia que não custava tentar.
“Estou procurando por um amigo. Na verdade, ele é aluno, não sei se o conhece... Choi MinHo.” Tentei declarar naturalmente, Jinki me conhecia muito bem e há muito tempo, conseguiria desvendar cada um de meus sentimentos com mais facilidade que qualquer outra pessoa.
Seus olhos me focalizaram, com uma expressão que eu não conseguia decifrar. Segundos depois, me arrependi de ter perguntado algo, ficando um tanto nervoso.
“Não lembro, pelo menos de nome. Se me falasse como é sua aparência, talvez fosse mais fácil. É muito importante?”
“Não, deixe pra lá. Talvez seja só um pouco importante, assuntos... Profissionais, você sabe.” Gaguejei um pouco. Que porcaria!
“Ah, sim. Claro que sei.” Confesso que não pude evitar, senti uma leve pontada de ironia naquelas palavras. “É uma pena, Kibum, mas não sei se posso ajudá-lo. O horário de aula acabou a pouco, muitos alunos ficam aqui resolvendo algumas coisas antes de ir embora. Quem sabe ele seja um desses, sim? Eu realmente queria poder fazer alguma coisa depois de todos esses anos longe de você, justo no nosso primeiro encontro desde então.”
Fiquei um tempo olhando para ele, tentando desvendar se ele estava sendo verdadeiro.
“Tudo bem, tento telefonar para ele ou algo do tipo, mais tarde.” Sorri. “Ou vou procurá-lo.”
Eu agradecia mentalmente por ele estar agindo como se eu estivesse normal, fingindo não notar meu constrangimento. Eu não saberia o que responder caso ele perguntasse o motivo da minha expressão, que eu sabia estar estranha, com um ar de dúvida.
“Bom, foi um prazer te rever e saber que você está bem, Key-ssi. Caso precise de algo, qualquer coisa, não hesite em me procurar, me ligar.” Mexeu em um dos bolsos, entregando-me seu cartão pessoal, dando-me um discreto beijo no rosto e caminhando em direção ao prédio, ao que eu acompanhava cada um de seus movimentos, sem sequer ter tempo de responder alguma coisa.
Olhei para o cartãozinho em minha mão, tinha algumas decorações bonitinhas. Vinha intitulado Lee Jinki em cima, logo depois vinham seus telefones, endereço e e-mail. Não iria procurá-lo, queria afastar meu passado com ele. Apenas guardei o papelzinho em meu bolso, segurando-me para não amassá-lo; eu não podia deletar qualquer lembrança de minha mente, mas podia evitar que isso tivesse algum futuro.
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