Penance For His Sin
1 I am black-eyed, a product of a broken home.
Notas iniciais
Taemin’s POV.
Todas as manhãs, eu abria os olhos, pedindo à mim mesmo por respostas. Eu queria descobrir por qual força eu era movido, porque eu deitava e levantava todos os dias, como se tivesse um propósito.
Acontece que eu não tinha um.
Era só mais um desses garotos na universidade que buscam por um sentido na vida. Eu costumava achar que todas as pessoas podiam encontrá-lo, mas esse era um privilégio que não me era cabido. Eu sequer tinha com quem conversar, com quem contar, com quem partilhar as coisas com uma irrevogável confiança. Era apenas eu e eu mesmo.
Meus pai morreram quando eu tinha quinze, e, apesar da ida precoce deles, tinha muita gente ao meu redor. Eles preocupavam-se demais fingindo que sentiam uma dor que, na verdade, não existia. No fundo, sabia que eles só tinham pena do pobre Taemin, o garotinho que ficara órfão tão jovem. Talvez desde muito novo eu tenha sido digno de pena.
Fui criado pelos meios tios, que sempre estavam mais preocupados com minha herança que com o sobrinho desamparado e agora sozinho no mundo. Hoje, quatro anos depois, a única coisa que me resta é um apartamento fodido em uma péssima localização de Seoul, que preciso me virar pra pagar o aluguel. A faculdade é por conta deles, que pagam com má vontade e reclamando, dizendo que isso não vai me levar a nada e que vou depender deles ou de alguém pra sempre, já que serei um artista fracassado. Eles não deixavam de ter razão, mas eu nunca me importei. O dinheiro deixado por meus pais tinha ido embora com alguns luxos desnecessários, nunca usufruídos por mim. Agora, como castigo, o mínimo que eles mereciam era ter de tolerar o sobrinho bastardo.
Saí do conforto da casa deles pra não ser um estorvo, ou, como diriam, uma cruz. Eles pagariam minha faculdade contanto que eu me virasse com o aluguel, mas eles mal podiam imaginar como eu consigo tal dinheiro.
Key’s POV.
Hoje deve ter sido o primeiro dia que não chorei. Mal me lembro da última vez em que estive sóbrio e bem. As lembranças antes me faziam querer lutar ainda mais para tê-lo de volta, mas agora me repelem, como se me dissessem que era o fim. E talvez fosse mesmo.
Não podia mais ficar naquele mesmo lugar que ele, na mesma cidade. Cada detalhe que eu olhava, cada quadro, cada escultura cara, todos seus instrumentos, seu estúdio o qual ele mesmo montara – tudo me lembrava ele.
Não quis nada de lá. Jonghyun me deixara sozinho naquele lugar e fora para um hotel, como se estivesse com nojo de mim, como se minha presença fosse um problema, do qual ele precisava fugir.
Ele havia montado o apartamento, eu é que deveria sair, não ele. Mas a urgência que ele tinha em fugir, em escapar da minha presença repulsiva era tão grande, que creio que ele mal teve tempo de pensar nisso, ou teria esfregado na minha cara, como sempre quando estava com raiva. Da noite para o dia, não tinha mais nada além de seus instrumentos, que talvez fosse pegar depois. Mas isso não me importava, afinal, eram dele, e nada mais me dizia respeito.
Juntei todas as minhas peças de roupa numa mala qualquer, embalei meus desenhos inacabados e as pequenas telas que havia tentado começar, e de todo aquele estúdio que ele montara, trouxe só meu piano, o único instrumento que eu tocava, que era realmente meu e fora comprado com meu dinheiro e meu trabalho.
Queria esfregar na cara da família dele que eu nunca, jamais iniciei um relacionamento com Jjong por seu dinheiro. Nos conhecemos desde a adolescência, mas, desde que passamos a morar juntos, eu era alvo de piadas venenosas por parte da família dele. Como se o desenhista pobretão do Kibum não fosse ninguém além de um interesseiro filho da puta metido à artista.
Agora eu estava sozinho, voltando pra Seoul. Lugar de onde eu nunca deveria ter saído desde que pisara pela primeira vez.
Taemin’s POV.
Meu celular não parou de tocar a porra da manhã inteira. Enquanto eu tomava café, trocava de roupa, escovava os dentes... É claro que não atendi. Só senti vontade de jogá-lo na privada e dar descarga. Eu sabia que, caso fizesse isso, teria que arcar com as consequências e ia me foder completamente por ter que comprar outro aparelho, pagar a faculdade e conseguir viver com o dinheiro que ganhava, então logo desisti de tal ideia. Guardei o celular no bolso e praticamente corri para chegar o mais rápido possível na Universidade.
A aula já tinha começado quando cheguei. Tentei entrar discretamente na sala, obviamente não deu muito certo, mas ignorei e sentei em uma carteira no fundo. Eu tinha sorte de mal ser notado ali.
Arte Moderna me irritava. Eu não sabia o que ‘tava fazendo ali. Aliás, ultimamente, tudo me irritava. E, pra ajudar, MinHo persistia numa merda que não tinha futuro nem sentido. Ele ficava me olhando de um jeito estranho o tempo todo, assustaria se eu não tivesse me acostumado. E, por mais estranho que fosse, muita gente queria senti-lo sobre si. E isso seria até engraçado, se não fosse tão complicado lidar.
Descansei o lápis sobre meu caderno, observando cada uma das explicações do professor extremamente gostoso que falava coisas sobre Francis Picabia com a ajuda do slide show. Eu até me concentrava na aula, confesso que não era uma das mais fáceis tarefas. Mas, de qualquer forma, me admirava a forma como ele explicava tudo de uma forma tão bela e como tinha sempre uma resposta concreta, sem possuir sequer uma pequena pitada de dúvida em nenhum, nenhum daqueles esclarecimentos que ele dera pra qualquer aluno, pelo menos nesses dois anos em que me dava aula, ou era o que parecia.
O sinal tocou após algum tempo infinito, liberando-nos de toda aquela enxurrada de novas informações sobre como representar luz e espaço através de uma pintura e das cores nela presentes. Minha maior vontade era de voltar pra casa, dormir, dormir muito, largar aquela vida e ficar sem fazer nada por toda a eternidade.
Assim que me levantei, tentei me misturar à massa de alunos que saíam da sala, mas foi meio inútil. Senti dedos familiares segurarem-me discretamente pelo braço. Seria uma carícia se não fosse um toque tão firme e autoritário. Segundos depois, Choi MinHo já tinha me arrastado até um lugar menos movimentado, ainda segurando de forma dolorosa em meu braço.
“Te liguei várias vezes essa manhã, Taeminnie.” Sua mão livre tocava os fios de meus cabelos, fazendo uma leve carícia.
“Eu acho que não ouvi, acordei um pouco atrasado, e você deve ter ligado enquanto eu dormia.” Tentei usar o tom de voz mais convincente, porque isso era praticamente uma verdade, ou praticamente uma mentira.
“Não estava dormindo com nenhum outro, estava?” Senti uma pressão ainda maior em meu braço, ocasionando uma dor maior, fazendo assim um gemido baixo escapar de meus lábios e, por instinto, tentei livrar-me daquilo.
“Me. Solta.MinHo.” Declarei de forma incisiva, puxando meu braço com mais força, fazendo-o, assim, soltá-lo depois de soltar uma risada irônica. Marcas vermelhas começaram a tomar conta do local antes violentamente pressionado.
“Pense em tudo que já fiz por você até agora. Eu te consegui coisas as quais você nunca pensaria em ter sem minha ajuda. Não quero outro homem naquele lugar além de mim, certo? Isso não te soa justo?” Ele me encarava, seus olhos pareciam estar em brasa.
“Nenhum homem vai lá além de você. Eu sequer falo com muitas pessoas, você sabe muito bem disso. Quer saber? Não vou ficar me explicando.” Me virei e dei uns passos para a frente, ficando um pouco mais distante dele.
“Você é um mal-agradecido, Taemin. Não deveria continuar assim, ou vou ter que mover os pauzinhos.”
Ri sarcasticamente de seu comentário, ainda sem tirar a expressão séria e irritada de meu rosto. “Sem ameaças nada convincentes. Isso nunca funciona.” Vociferei e, involuntariamente, meu tom de voz havia aumentado.
Rapidamente já havia se aproximado novamente. Seus dedos tocaram meu queixo, fazendo com que eu olhasse diretamente em seus olhos, querendo ou não.
“Acho melhor você se comportar um pouco mais, ou vou te castigar.” Um sorriso sacana abriu-se em seu belo rosto, não pude deixar de sorrir junto.
“Você é um maldito. Pervertido.”
“Hm?” Sua expressão mudou completamente, deixando-o com um ar falsamente confuso. “Quem é mais pervertido aqui? Eu, que poderia estar em um lugar melhor, fazendo outras coisas, um garoto que poderia estar tendo benefícios com qualquer um ou uma aqui dentro ou o garotinho que se vende pra ganhar o aluguel de um apartamentinho qualquer?” Puxou-me descaradamente para perto de seu corpo.
“Tenho vontade de fazer atrocidades com sua cara quando você insiste em falar isso. Sempre os mesmos argumentos. Você sabe que eu não preciso de você e desse maldito dinheiro que você me dá pra pagar o aluguel, ou qualquer outra porra que eu queira fazer. Eu faço isso porque quero.”
“Não duvido que seja porque você quer. Mas será que, caso eu parasse de te bancar tudo, você iria direto pro meio da rua? Ou preferia voltar pra casa dos titios?Acho que não é bem isso que você quer pra sua vida.” Sua grande mão descera até meu traseiro, dando um tapa naquele local. “Eu tô com vontade de fazer tanta coisa, Tae. Se eu dissesse o que quero fazer com você, aqui e agora... Você me chamaria de pervertido de novo.” Sorriu.
“É isso que você é.” Eu disse enquanto sentia suas mãos massagearem o local onde estavam antes, apertando-o como bem lhe era conveniente. Moveu os dedos com o propósito de me tocar pela frente, deixando-me inevitavelmente excitado, mesmo com o grosso tecido do meu jeans.
“Você é uma vadia.” Sussurrou próximo ao meu ouvido, dando um leve tapinha em meu rosto em seguida. Eu adorava aquilo. “Que horas eu passo no apartamento?”
“Às nove?!” Respondi, mesmo que tenha soado mais com certo tom de pergunta. Ele assentiu, depositando um beijo em meu maxilar. Fechei meus olhos, suspirando pesadamente.
“Às nove, então.” Confirmou. “Levo algo pra beber.”
Virei-me, começando a andar, sentindo mais um de seus tapas estrondosos em uma de minhas nádegas, fazendo-me balançar a cabeça negativamente e deixar aquele corredor vazio.
Key’s POV.
Tinha medo que minhas coisas estragassem na mudança. Eu não tinha dinheiro o bastante pra pagar por um bom serviço de frente de Daegu até Seoul. Vim me maldizendo durante a viagem toda, mas, ao chegar no meu destino, me senti relativamente bem, pela primeira vez em tanto tempo.
O dinheiro que eu tinha mal dava para pagar os primeiros dois meses de aluguel num prédio caindo aos pedaços que ficava praticamente no subúrbio da cidade. Aquilo não fazia diferença, meus planos basicamente se concentravam em desenhar cada vez mais, tentar ganhar algum dinheiro dessa forma, terminar meus quadros inacabados e completamente amadores para vendê-los também. Eu ia viver de arte, como sempre quis. Na verdade, isso só vinha depois da vontade de viver de música.
Entrei no apartamento, carregando minha bagagem. Deixei os quadros e desenhos sobre uma cômoda ao lado da porta, e deixei as malas sobre o sofá. Depois, com certa dificuldade, carreguei-as pra dentro, já que era um pouco impossibilitado – por minha falta de força – de carregar muito peso.
Uma vez que tudo estava menos incômodo, e a sala praticamente toda livre, corri minhas mãos até o maço de cigarros que havia largado na mesa central e capturei um, acendendo-o e tragando automaticamente, caminhando devagar até a sacada, tentando ter pelo menos uma vista interessante naquele lugar sem graça.
Nada. Crianças jogando bola de forma idiota na entrada do edifício, suas mães berrando para que não acertassem as senhoras frágeis e desprotegidas. Não pude deixar de sorrir com aquela visão, lembrando-me de Jonghyun.
Ele sempre me dizia que queria ter um filho. Queria uma menina, é claro que teríamos que adotar uma para que fossemos pais dela.
“Olhe a menininha perto do canteiro de flores.” Apontou, empolgado, logo depois tentando disfarçar que se referia à menina. Era estranho dois homens apontando para uma criança em plena tarde de fim de semana no principal parque da cidade.
“É muito linda.” Eu disse, sorrindo. Ela usava um vestido cor-de-rosa, devia ter uns quatro ou cinco anos de idade. Suas mãozinhas estavam sujas de terra, porque ela colhia algumas flores. Tinha cabelos compridos, amarrados em um delicado rabo de cavalo, uma franjinha curta no meio de sua testa e olhos grandes e expressivos. “Acha que daríamos conta, caso conseguíssemos, Jjong?” Perguntei, deitando minha cabeça em seu ombro.
“Você seria o pai mais adorável do mundo. Afinal, você é o homem mais incrível que já conheci.”
Sorri ao ouvir suas palavras, respirando fundo.
“Mas, sabe, Key...” Olhei para ele quando voltara a falar. “Queria uma criança parecida com você. Com olhos como os seus, talvez. Assim eu teria pra onde olhar quando os seus estivessem fechados.”
Sorri novamente antes que ele segurasse minha mão e beijasse delicadamente essa, sem poder beijar meus lábios, já que estávamos em um lugar público em um país conservador.
Pisquei os olhos algumas vezes, engolindo em seco. Não queria chorar, mas fora inevitável, então logo senti o gosto salgado de uma lágrima tocando meus lábios.
Nós dois tínhamos muitos planos, e agora não havia restado absolutamente nada do que havíamos construído. Eu queria começar do zero, ele sequer sabia onde eu estava, e sequer queria saber, pelo visto.
Eu não havia avisado ninguém, sequer deixei uma carta de despedida ou algo assim no nosso apartamento. Até pensei nessa possibilidade, mas achei melhor não, afinal, ele poderia nem ler, rasgar, queimar, jogar em algum lugar, e provavelmente não queria saber mais nada sobre o que aconteceria comigo desde que nos vimos pela última vez.
Estava tão cansado que só queria um banho, dormir por umas boas horas e, no dia seguinte, continuar com meus planos estabelecidos há algumas horas atrás.
Taemin’s POV.
Tinha acabado de sair do banho, passei uma toalha seca brevemente por meus braços e costas, enrolando-a na cintura em seguida. Eu deveria ter arrumado o apartamento, mas nem isso eu sentia vontade de fazer.
Eu havia adormecido durante a tarde, e, quando acordei, já era quase nove. Tomei um banho rápido para despertar, pensando em como MinHo merecia ser agradado do jeito que queria, mesmo com tudo o que me fazia, ele se preocupava comigo e eu não via outra forma de recompensá-lo.
Mal havia começado a me secar, e a campainha tocou. Enrolei firmemente a toalha em minha cintura outra vez.
“Merda.” Murmurei baixo por ele já estar em minha porta quando eu sequer estava seco.
Corri em direção à porta, conferindo quem estava do outro lado através do olho mágico. Ele estava distraído com qualquer coisa, uma garrafa de whisky em uma das mãos. Olhou para a porta ao ouvir o barulho que a fechadura fez assim que fora destrancada. Seus olhos cintilavam e correram sobre meu corpo.
“Desculpa, eu acabei dormindo e acordando muito tarde, por isso me atrasei no banho e você logo chegou, mal tive tempo de me secar...”
Entrou no apartamento, fechou a porta e virou a chave em um movimento lento e paciente, como se estivesse encenando algo. Dei leves passos para trás quando ele se virou em minha direção, minhas mãos dirigiram-se até a borda a toalha que envolvia minha cintura.
Ele desviou, andando em direção à cozinha, pegando dois copos e pedras de gelo, assim completando ambos com a bebida alcoólica que trazia consigo. Entregou-me um copo e rapidamente rodeou minha cintura com um de seus braços fortes. Bebeu um gole do líquido, e eu apenas observava-o, hipnotizado por cada um de seus movimentos que tanto faziam meus olhos vidrarem-se para absorver todo e qualquer mínimo detalhe que eles produziam.
“Não precisa estar seco para que façamos o que quero muito agora.” Umedeceu os lábios, dando um sorriso maquiavélico.
Retribuí o sorriso, sendo arrastado até meu quarto e empurrado brutalmente sobre minha cama. Segurei com certa firmeza o copo em minhas mãos, bebendo uma grande quantidade daquela bebida que proporcionava a ótima sensação de quase queimar minha garganta. Entreguei-lhe o objeto, que fora deixado em uma cômoda próxima a cama. A toalha úmida acabou por desprender-se um pouco, não se demorando a rolar pelo meu corpo, deixando-me completamente exposto aos olhos que pareciam me comer. Não tive muito tempo pra sentir quaisquer outras sensações, o corpo dele sobre o meu acabara me desligando de tudo. E, por Deus, como estava quente.
Movimentava-se sobre mim, assumindo completamente o controle da situação, assim prendendo-me sob ele, fazendo com que minhas pernas envolvessem-no parcialmente enquanto os movimentos de seu quadril contra o meu apenas intensificavam-se. Descansei minhas mãos sobre sua cintura, sentindo o tecido da camiseta escura deslizar suavemente por certa região de seu corpo conforme os movimentos se intensificavam.
Ele investia contra meu corpo, mesmo que ainda usasse as calças justas, me proporcionando as melhores sensações até o momento. Desci o zíper que estava mantendo-a fechada e desabotoei com falsa calmaria, logo adentrando o local ocupado por seu traseiro, apertando sua carne para assim senti-lo gemendo contra meu pescoço levemente úmido. Com uma agilidade incrível, ele já encontrava-se livre, trajando apenas aquela camiseta. Tocava-me diretamente, causando uma confusão de suor e gemidos invadir-nos.
Era delicioso. Cada vez que seus lábios tocavam meu pescoço, era como se eu perdesse o último fio de lucidez que ainda habitava meu corpo, minha mente. Os movimentos sugestivos contra minhas coxas e minha virilha eram as coisas mais excitantes que eu já havia presenciado ou sequer pensado em sentir.
MinHo retirou a própria camiseta, desafiou o autocontrole e preencheu-me de uma só vez e sem aviso prévio, logo movendo o quadril, ondulando o corpo todo, entrando e saindo – não totalmente – de meu interior. Segurava firme em meus cabelos, passando a língua por meus lábios em função de capturar os sons agoniados por certa dor, mas mesmo assim inundados de prazer, que eu deixava escapar por entre meus lábios entreabertos, como se quisesse ter tudo aquilo só pra ele. Não que acontecesse o contrário.
Eu agarrava toda sua pele ao meu alcance, sabendo que no dia seguinte os locais estariam completamente marcados pela minha violência. Seus braços bem definidos eram arranhados e apertados por minhas mãos nervosas, onde eu aplicava força para pedir mais de tudo aquilo, para que a velocidade se intensificasse ou diminuísse. Eu sempre pedia, e ele sempre atendia.
~
Passei a observá-lo a dormir. Os lábios extremamente vermelhos estavam entreabertos, os olhos fechados em uma ternura aparentemente tão inocente, isso apenas pra quem não o conhecia, é claro. Seu rosto era tão belo, claramente coreano, mas seus olhos podiam deixar a duvidar. Tão grandes, tão raros naquele país. Não por serem grandes, mas sim por serem tão belos quanto são. Aquilo o deixava tão mais apaixonante. Se não fosse tão filho da puta, seria perfeito. Afinal, sua inteligência e excentricidade eram o que mais me encantavam naquele homem.
Afastei seu cabelo escuro que caía delicadamente sobre seu rosto tranquilo, tomando muito cuidado para não acordá-lo ao que eu me levantava da cama, sentando sobre o parapeito da janela. Eu gostava de me sentar ali depois de fazer sexo com MinHo. Sequer vestia roupas, pois o apartamento defronte ao meu estava desocupado.
Eu estava distraído, olhando despreocupadamente para o apartamento ao lado. A janela de vidro estava livre de cortinas e havia caixas por todos os lados, um piano no centro da sala. Sobre o sofá, notei um rapaz que dormia tranquilamente, talvez mais tranquilamente que MinHo em minha cama. Respirava pesadamente, os cabelos igualmente aos do cara dentro de meu quarto cobrindo parte de seu rosto. Estes possuíam um tom muito escuro, contrastando com sua pele bem clara.
Eu não sabia quem ele era, quando havia se mudado ou quanto tempo ficaria. Mas eu parecia estar vendo um anjo.
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