Penance For His Sin
3 A kiss and I will surrender.
Notas iniciais
Taemin’s POV.
Acordei com a cabeça latejando. Estava bem desnorteado, sequer sabia que horas eram ou quanto tempo havia dormido. O apartamento estava todo fechado, as cortinas cobriam as janelas e eu sequer podia ver se ainda estava claro.
Esquentava água para fazer um chá, aproveitando pra olhar que horas eram. Onze da noite. Mecanicamente, peguei meu celular e liguei para MinHo: caixa postal. O celular dele nunca caía na caixa postal, exceto quando ele estava comigo. Isso significava que ele estava com alguém, e esse alguém deveria ser uma das garotas que Donghae comentou vê-lo praticamente comendo em público.
Abri meu notebook enquanto dava uma golada no chá. Antes eu estava com muita raiva e com muito sono para pensar direito, mas agora me lembrei da cena do rapaz do apartamento ao lado. Eu precisava vê-lo melhor, não parava de pensar em como eram suas expressões, seus olhos quando abertos, seu sorriso. Será que tinha algo nele que poderia completar aquela perfeição? Eu tenho certeza que não é exagero meu pensar assim. Aquele rapaz, definitivamente, chamou minha atenção, se não ficasse tão bobo falar assim, eu poderia dizer que estava quase apaixonado apenas por seu rosto sereno inundado de um profundo e calmo sono. Lembrei-me também de seu nome no desenho. Ele realmente desenhava, ou apenas comprou os desenhos? Eu precisava pensar. Precisava descobrir alguma coisa sobre ele.
Abri o Google e resolvi procurar por Key, tendo quase certeza de que não encontraria nada a seu respeito. Eu tinha razão. Passei as mãos por meus cabelos, bufando, um pouco nervoso. Engoli todo o chá de uma só vez e fui ver TV, esperando por mais sono. Eu precisava voltar a dormir, afinal, as coisas não andavam nada boas.
Key’s POV.
Quando cheguei ao apartamento, já passava de sete da manhã. Eu havia bebido e fumado durante o resto da noite, depois de MinHo ter ido embora e me deixado sozinho lá, sob os olhos daqueles caras que eu sequer fazia idéia de quem eram.
Sentei no sofá, analisando se iria ou não até a confeitaria da frente para tomar café da manhã, e então dormir. Eu sorria sozinho lembrando de MinHo, como um adolescente bobo, mas aquela fora a transa mais intensa da minha vida, e, minutos antes disso acontecer, eu estava me lamentando pela ausência de Jonghyun.
Eu estava tão cansado e com sono, que sequer meu maço de cigarros tinha vontade de pegar. Mas eu estava com fome demais para cozinhar alguma coisa, então me levantei, peguei um casaco pesado e grosso e um cachecol, pois as marcas vermelhas em meu pescoço estavam evidentes demais, então precisaria escondê-las. Saí de casa trancando a porta e jogando a chave no meu bolso. Andava de cabeça baixa pelo corredor mal iluminado, apertando ainda mais o casaco contra meu corpo graças ao frio, quando trombei em uma pessoa.
Taemin’s POV.
Não preciso nem dizer que estava atrasado. Esperava que MinHo ligasse para me incomodar, ou apenas marcar território, como ele sempre fazia, mas isso não aconteceu. Confesso que estava enfurecido. Organizei meus livros na mochila, levando mais dois nos braços, colocando minhas luvas de qualquer jeito no caminho até o corredor. Tranquei a porta, e, quando me virei, o vi. Minha respiração parou por um momento, creio que meus olhos tenham se arregalado, mas eu não conseguia controlar muito bem. Ele estava andando em minha direção, olhando para o chão, sem notar minha presença, e eu não conseguia me mover. Em menos de um segundo, tínhamos trombado e, pateticamente, derrubei meus livros no chão. Nos encaramos por um instante, minhas pernas bambearam. Ele estava ainda mais lindo.
Key’s POV.
Era um garoto que havia acabado de sair de seu apartamento, que tinha as janelas laterais do apartamento ao lado das minhas. Eu tinha acabado de fazê-lo derrubar dois livros, que caíram confusamente no chão, algumas folhas talvez estivessem amassadas, ele me observava com um olhar intrigado, ao invés de recolher suas coisas e me praguejar. Na verdade, isso era o que eu esperava que ele fizesse. O menino continuava imóvel, então, mecanicamente, recolhi tudo, entregando para ele em seguida.
“Não precisava, eu mesmo fazia isso, fui eu que fiquei parado no meio do caminho...” Ele começou a dizer as coisas rápido demais, sem sequer respirar entre as palavras, enquanto recolhia os livros de minhas mãos. Sorri pelo modo como ele falava, notando sua face enrubescer imediatamente.
“Você só estava saindo e trancando a porta, eu tenho mania de andar olhando pro chão. Me desculpe.”
Ele me encarou, ajeitando os livros nos braços, jogando para o lado os fios de cabelo artificialmente loiros que caíam sobre seus olhos.
“Eu sou Lee Taemin.” Sorriu infantilmente, fazendo uma leve reverência.
“Key.” Estreitou um pouco os olhos. “Kim Kibum.” Retribuí a reverência.
“Você tá indo pra algum lugar?” Perguntou timidamente.
“Na verdade, estou indo para a confeitaria da frente para comer alguma coisa. Não dormi de noite e estou bem exausto.” Respondi, coçando a nuca.
Ele sorriu enquanto eu percorria suas feições delicadas. Os cabelos eram relativamente curtos, um pouco repicados, uma franja jogada de lado que cobria sua testa, deixando-lhe como uma criança. Olhando assim, não lhe daria sequer dezoito anos. Seus olhos eram pequenos e tranquilos, os lábios cheios, seu sorriso era bonito e me lembrou o de Jinki por um pequeno momento, justamente por ser bonito e sempre parecer sincero. Taemin não era tão pálido quanto eu, mas seu tom de pele dava uma bela combinação com o tom de seus cabelos. Me perguntei algumas vezes como alguém poderia ter uma aparência tão infantil.
Taemin’s POV.
Eu estava agindo como um retardado e tinha consciência disso. A verdade é que eu não sabia o que fazer, então parecer uma garotinha sexualmente frustrada de colegial foi a melhor opção que encontrei naquele momento. Ele ia rir de mim quando estivesse sozinho, eu tenho completa certeza disso.
Ele tinha acabado de me dizer que iria tomar café. Eu também não tinha tomado café. E, mesmo que tivesse tomado, tomaria mais duas, três, quatro vezes; quantas vezes fosse preciso por pelo menos quinze minutos perto de Key. Não me importava mais se eu estava atrasado ou não.
“Faz bem, Kibum...” Comecei, tentando manter a calma e parecer sutil. Não ia funcionar, já que meu coração batia tão rápido e o som que ele fazia parecia ser tão rápido, que era como se ele também pudesse ouvir. “Eu sequer tomei café, estou completamente atrasado.”
“Não deveria deixar de tomar café da manhã.” Nos encaramos por um segundo e ele riu, exibindo seus lindos – e perfeitamente alinhados – dentes. Seu sorriso era encantador, não pude deixar de sorrir junto. “Quer ir tomar café comigo? Vamos indo, antes que você se atrase mais.”
Ele sequer esperou minha resposta, e eu me controlei para não soltar uma risada histérica e pular. Há dois dias, eu o observava dormindo e tendo todo tipo de sonho erótico que envolvesse eu, ele e o maldito sofá. Agora nós iríamos tomar café juntos. Claro que ele só me convidou para ser educado e porque pareci carente e meio burro, mas o que importava é que ele estaria comigo. Eu teria que me controlar para deixar transparecer apenas o necessário para que ele me visse como um cara interessante.
Key’s POV.
Sinceramente, eu queria tomar café sozinho, mas Taemin era um pouco estranho. Quero dizer, ele era simpático e bonito, mas era denso. Eu queria sair dali rápido e encher meu estômago de cafeína.
“Kibum!” Taemin me chamou, um pouco impaciente. Estava distraído com meus pensamentos, então mal notei quando sentamos ou quando ele chamara a garçonete. Olhei para ele, que estava terminando de fazer o pedido. A mulher baixinha e gorducha anotava e também aguardava. Pedi apenas café.
“Faculdade de Artes?” Apontei para os livros sobre a mesa, tentando soar menos introspectivo do que já estava soando ao puxar um assunto qualquer.
“É...” Sorriu. “Estou no segundo ano.”
“Gosto bastante de Artes. Comecei a fazer faculdade, mas desisti, então me viro como posso.” Cruzei minhas pernas, apoiando os cotovelos na mesa.
“Começou a fazer aqui mesmo?” Ele se interessou e ajeitou-se na cadeira. Apenas acenei positivamente com a cabeça. “E por que desistiu?”
“Me mudei para outra cidade e morei lá por um tempo. Acho que essa foi uma das maiores causas.”
“Sozinho?” Ele pegou um maço de cigarros e isqueiro de seu bolso. “Se não se importar...”
Fiz sinal para que pudesse acender o cigarro. “Com uma pessoa.”
“Ah, sim. E essa pessoa veio pra cá com você?”
Nos encaramos por um momento. Ele queria saber se eu tinha alguém, eu podia ver o interesse pairando em seus olhos.
“Não, eu vim sozinho assim, já que terminamos.” Tentei ser objetivo, mas sem soar bruto ou indelicado.
“Eu sinto muito.” Murmurou mecanicamente enquanto tragava seu cigarro. Não respondi nada, seus olhos deslizaram inevitavelmente por meu pescoço, eu pude notar. Eu apenas esperava que o cachecol estivesse cobrindo todo meu pescoço.
“Você também desenha? Pinta?” Indagou, quebrando o silêncio.
“Sim, eu costumo viver de arte. Não dá muita coisa, acho que você sabe, mas é o que eu gosto de fazer.”
“Isso é o mais importante.” Disse enquanto livrava-se do cigarro assim que nossos pedidos chegaram. Me apoderei da minha xícara de café.
“Pode-se dizer que sim.”
“Eu comecei a desenhar quando era menino. Depois resolvi pintar. Meus tios dizem que não vou chegar a lugar nenhum, mas algo na minha vida precisa fazer sentido. E acho que minha vida faz muito mais sentido quando estou com um lápis ou pincel na mão.”
Sorri para ele, que olhava para o relógio visivelmente nervoso.
“Você não estava atrasado pra aula?” Levantei uma sobrancelha.
“Estou completamente atrasado!” Disse com uma expressão de criança fazendo alguma coisa indevida. “Acho que tenho que ir.”
“Deixa que eu pago seu café.” Sorri fraco, acenando com a cabeça, ao que ele pegava suas coisas.
“Obrigado pelo café, Kibum. Até logo.” Saiu com um pouco de pressa, seus cabelos sendo bagunçados pela brisa do lado de fora. Suspirei, recostando-me na cadeira. Comecei a sentir um sono muito intenso, e, no mesmo instante, pedi que a garçonete trouxesse a conta.
Taemin’s POV.
Atravessava a rua, colocando novamente as luvas. Meu coração ainda estava aos pulos.
Eu nunca poderia imaginar que ele seria tão lindo quanto era. Era mais lindo que MinHo, era simplesmente encantador, sua expressão parecia esconder milhares de coisas que eu desejava descobrir. Ele demorava o olhar por meu rosto de forma tão intensa, era como se eu pudesse sentir seus olhos queimando minha pele. Confesso que quero muito que isso signifique algo, assim como significou para MinHo. Mas eles não eram nada parecidos. Key era sério e frio, incontestavelmente sedutor, balbuciando as palavras com uma voz incrível e aveludada, de forma lenta e encantadora, bebendo o café na xícara calmamente, como se a mente estivesse muito longe para se importar com a maioria das banalidades que vivíamos pensando o dia inteiro. Pensando bem, talvez ele fosse exatamente igual à MinHo.
~
Cheguei bem a tempo de pegar a segunda aula. Donghae estava sentado na cadeira ao lado da minha, os olhos presos num desenho que fazia com tanto cuidado, que sequer tive coragem de cumprimentá-lo eufórico como estava. Sentei-me, e então seus olhos escuros focalizaram em mim no instante seguinte.
“Bom dia, atrasado.” Murmurou, voltando a fitar o papel.
“Perdi algo na primeira aula?” Perguntei, abrindo minha mochila e retirando as luvas escuras.
“Nada muito importante.” Respondeu, virando-se para me fitar. Seus olhos transbordavam certa maldade. “Vejo que MinHo faltou hoje.”
Parei para pensar e notei que ele realmente não estava. “Eu deveria estar curioso?” Arqueei uma sobrancelha, rezando para que ele não estivesse pensando em possibilidades – naquele momento – absurdas.
Donghae ponderou por um momento, sorrindo. “Está vendo minhas olheiras?”
Acenei positivamente com a cabeça. Estavam péssimas.
“O MinHo deve estar com umas iguaizinhas as minhas.” Sorriu largamente, revirando o lápis entre os dedos.
Mil coisas passaram em meu cérebro, acabei praticamente berrando: “Vo-você dormiu com o MinHo?”
Alguns alunos olharam instantaneamente em nossa direção, Donghae se contorceu e praticamente voou para tapar minha boca.
“Pshhhh, Taemin! Ficou louco?” Se agitou, franzindo a testa. “Claro que não! De onde você tirou essa idéia?”
Fiquei em silêncio, escorregando pela cadeira, respirando fundo, aliviado, até que minha nuca pousasse no encosto. Eu tinha dado a maior bandeira da minha vida, tinha certeza que, agora, ele estava desconfiando de alguma coisa. Eu estava abobado por conta de Key, e mal sabia o que estava falando. Tentei me recompor, sentando corretamente na cadeira.
“Então me diga o que suas olheiras têm a ver com ele.” Perguntei em tom muito baixo, para que ninguém conseguisse ouvir, já que haviam ouvido o bastante, percebi isso pelo aumento de burburinhos desde que eu havia gritado.
“Teoricamente, não tem nada a ver. Mas eu o vi ontem, num bar perto do seu edifício. É, ele estava lá ontem...”
Tossi um pouco, tentando parecer despreocupado. “Ah, só isso?”
“Com um cara maravilhoso.” Completou, sorrindo perversamente, ainda rodando o lápis nos dedos.
Pisquei algumas vezes, controlando-me para não abrir a boca em um perfeito “O”. Pelo menos ele estava com outro homem.
“E em que parte você entra nisso?”
Ele franziu os lábios, batendo a ponta do lápis nestes. “Bem, eu estava no banheiro, eu e o Hyukkie estávamos nos beijando. E ele estava em uma das cabines com o tal garoto. É um cara, deve ter mais ou menos nossa idade, ou talvez seja até mais velho.”
Umedeci os lábios, respirando fundo mais uma vez, tentando fingir que era apenas alguma fofoca que havia despertado meu interesse. “Mesmo?”
“Eles estavam gemendo, Tae. Tipo, demais.” Arregalou os olhos, sorrindo em seguida. “Eu não conseguia detectar quem gemia mais... Mas tenho certeza que MinHo era o ativo. O cara era mais feminino que qualquer garota aqui dentro dessa sala, sem contar que tinha pernas lindas. Mas, nossa, completamente feminino. Os olhos pequenos, na verdade, nem prestei muita atenção no rosto... A bunda dele era mais interessante.”
Dei uma risada fraca, como se achasse mesmo seu comentário engraçado, mas eu estava queimando por dentro. Mas que merda era aquela que estava acontecendo? MinHo ia se ver comigo quando eu o encontrasse. Meu cérebro já não processava nenhuma informação que Donghae me passava, de como ele já havia praticamente ficado excitado só de ouvir os dois, que também adoraria imaginar como havia sido a transa entre Hyukjae e MinHo, e... Eu não havia escutado direito, mas entendi muito bem o que ele disse. Estava vindo tudo de uma só vez, afinal, eu ainda não sabia disso.
Sentia minha cabeça praticamente explodindo. Suspirei, bufando discretamente. Eu estava perdido, cheio de raiva e tinha que manter-me controlado como se nada estivesse acontecendo. Eu não podia ou conseguia imaginar MinHo e Eunhyuk juntos.
“Acho que isso explica, então. Mas o que temos a ver com isso, mesmo?” Comentei, tentando pensar em outras coisas e manter o tom de voz.
“Confesso que não sei. Mas, se eu tivesse tido uma foda daquelas ontem, certamente estaria incapacitado de sair de casa pela manhã.” Gargalhou baixo, a franja acabou caindo sobre seus olhos. Sorri amarelo.
“Aliás, por que você se atrasou, Taeminnie?”
Pensei rapidamente em uma desculpa.
“Meu despertador quebrou.”
Donghae apenas arqueou as duas sobrancelhas, encerrando nossa conversa já que o professor do segundo horário entrou na sala de aula.
~
Quando a noite chegou, eu estava jogado na minha cama, apenas pensando em milhares de coisas que não eram coerentes. Eu praticamente havia afastado a lembrança da manhã com Kibum para reavaliar minha relação com MinHo. O que eu sentia, era que há muito tempo já tinha desvinculado a imagem de que ele era o cara que pagava meu aluguel em troca de sexo. Isso fazia de mim apenas outra prostituta suja, era exatamente isso o que eu era. Ele não me devia satisfação, muito menos fidelidade. Mas por que então ele exigia isso de mim, de forma autoritária e até mesmo violenta? Essas mesmas ações, muitas vezes, me faziam acreditar que ele gostava mesmo de mim, e por isso agia de tal forma. Eu era um ingênuo, e ele um maldito egoísta. Eu estava morrendo de nojo daquilo tudo.
“Desde quando você é tão amiguinho assim do Lee Donghae?” Ele gritou brutalmente contra meu rosto.
“Desde que eu entrei na Universidade!” Bufei. “Se você prestasse um pouco de atenção em mim, teria percebido.”
“Eu ainda preciso prestar atenção em você, Taemin? O que você ainda quer de mim? Já não basta o que eu faço?” Ele gesticulava e andava pela sala do meu apartamento, completamente irritado.
“E o que você faz, MinHo? Paga o aluguel dessa merda? Acha o quê? Que esse lugar caindo aos pedaços é algum tipo de palácio? Porque isso é uma grande merda, se você quer saber!”
Ele crispou os lábios, seu rosto começava a enrubescer de raiva. “Pois peça ao filhinho-de-papai Donghae para pagar essa porcaria pra você. Só não sei se ele aceitaria a mesma forma de pagamento, embora ele goste dessa... Moeda de câmbio que você tem no meio das pernas.”
Sem raciocinar, avancei para cima dele, mas MinHo segurou meu braço antes que acertasse seu belo rosto com a palma de minha mão, mantendo meu corpo firme, perigosamente próximo.
“Me solta, MinHo.” Gritei, me debatendo em seus braços. Ele conseguia me fazer odiá-lo por tão pouco.
“Fica quietinho, Tae. Não queremos que os vizinhos escutem o vizinho histérico que têm.” Murmurou com sarcasmo. Seus lábios pairando há uma partícula do meu.
“Me solta.” Murmurei de volta, a respiração pesada pela raiva. Eu tinha vontade de matá-lo da pior forma.
“Não precisa ficar tão bravo. Para sua sorte, Choi MinHo gosta bastante da sua forma de pagamento aqui.” Senti sua mão traçar um caminho entre minhas coxas cobertas pela calça que eu usava.
“Eu não estou brincando, MinHo.” Comecei, trincando meus dentes. “Eu vou gritar.”
“Oh, claro que você vai gritar. Como sempre. Todos os vizinhos já estão acostumados a ouvir seus gritos.” Fez uma careta extremamente sedutora e sínica. “Aqueles seus gritos me pedindo pra ir mais rápido, mais forte... Lembra quando você me pediu pra bater nesse seu rostinho filhodaputamente delicioso? Eu lembro, e eu bati. Foi bom demais.”
Me debati mais uma vez. Foi inútil, ele se jogou no sofá e me puxou junto. Caí em cima dele, engatinhando sobre seu corpo. Ele fechou os olhos, dando vez a sua maravilhosa expressão de prazer. Aquilo era a cena mais deliciosa que ele me proporcionava. Empurrou-me levemente, passando a abrir vagarosamente o zíper de sua calça com seus dedos eroticamente lindos e longos, revelando seu membro quase que instantaneamente abaixo de meus olhos.
“Chupe-me.” Ordenou com certa naturalidade, como se essa fosse a coisa mais normal e simplória a se dizer para alguém. Eu o envolvi pela base e então passei a sugá-lo com vontade, como ele havia mandado, sentindo seu gosto delicioso atiçando meu cérebro como uma corrente elétrica.
Não havia nada que MinHo pedisse que eu negaria.
Naquela época, eu tinha um único pensamento em mente: que MinHo se importava comigo, pois tinha ciúmes. Agora tudo fazia mais sentido, era tão óbvio como a soma de dois e dois ser quatro. Ele não gostava de me ver com Donghae porque tinha medo que, mais cedo ou mais tarde, ele descobrisse que ele havia saído com Hyukjae e viesse me contar, por acaso.
Eu não sabia se MinHo tinha consciência de que Donghae já o havia visto mais vezes com outros rapazes além de Hyuk, mas uma coisa era certa: havia algo muito errado nessa história.
Key’s POV.
Estava deitado no sofá da sala. Já estava bem tarde e eu não tinha sono, depois de ter dormido o dia inteiro. A TV estava ligada exibindo um filme qualquer, mas eu não prestava atenção, mantendo o olhar preso em qualquer lugar enquanto eu expirava a fumaça do meu cigarro com uma garrafa de whisky na mesa ao lado de meu corpo. Era meu terceiro dia em Seoul e eu já estava cedendo a coisas que eu tinha jurado para mim mesmo que não me assombrariam mais. Fechei os olhos e vi a figura de Taemin, os braços sobre a mesa de madeira clara, os olhos fixos em mim.
“Sozinho?” Ele pegou um maço de cigarros e isqueiro de seu bolso. “Se não se importar...”
Fiz sinal para que pudesse acender o cigarro. “Com uma pessoa.”
“Ah, sim. E essa pessoa veio pra cá com você?”
No mesmo instante, a figura dele deu lugar a de outra pessoa. Maldito Jonghyun. Apertei a almofada contra meu corpo, sentindo meus olhos começarem a arder. No decorrer dos meus dias, eu evitava pensar nele, porque, sinceramente, era inútil e eu só queria evitar a dor. Não sabia por que, mas agora eu estava me sentindo fraco e isso voltava a invadir minha mente.
Lembrei-me do dia em que Jjong me levou ao nosso apartamento pela primeira vez. Em pouco tempo, eu já havia me acostumado, e minha felicidade parecia estar completa. Eu adorava ouvir o som de seu contrabaixo vindo do semi-estúdio, que, na verdade, era um quarto livre com alguns equipamentos de música. Eu chegava na porta e ele parava de dedilhar as cordas do baixo com aquela devoção, acabando por me olhar e sorrir. Vez ou outra, ele pegava seu violão. Mas, mesmo assim, eu sempre preferi sua voz. A cada vez que ele começava a cantar, era como se alguma coisa mudasse eu meu corpo. Sua voz sempre me acalmou, em qualquer situação.
Eu nunca me interessei muito por instrumento nenhum, mas ele sempre insistia pra que eu voltasse a praticar piano, mesmo que fosse por pouco tempo. Eu sempre cedia a tudo que ele pedia, ou melhor, exigia, então não demorou muito para que, algumas semanas depois, eu comprasse meu piano.
Eu estava em Seoul, o piano tinha vindo comigo, mas só isso. Eu havia deixado tudo lá. Eu não era interesseiro, e, com isso, pretendia deixar bem claro que nunca estive com Jonghyun pelos presentes que ele me dava, ou o conforto que eu desfrutava em nosso apartamento. Esse sentimento, essa força maior que nos unia parecia não ser levada em consideração pelas outras pessoas. E parece que por ele também não.
Eu me sentei no sofá, secando as lágrimas que traçavam um longo caminho por meu rosto, e meus olhos acabaram encontrando o pequeno pedaço de papel que MinHo havia me entregado, jogado próximo à garrafa, também sobre a mesa. Respirei fundo, pensando se deveria fazer aquilo. Claro, eu não deveria fazer. Hesitei um pouco, dei de ombros e peguei o papel, imaginando o que ele pensaria quando eu ligasse. Que se fodesse. Eu não conseguia esquecer Jonghyun e tudo que acontecera em Daegu com a bebida. Mas MinHo me ajudaria muito a esquecer qualquer tipo de coisa.
Levei minha mão pra tirar o telefone do gancho, quando ele começou a tocar instantaneamente. A campainha estridente e irritante enchia o apartamento. Assustei-me, meu corpo parou. Peguei o aparelho lentamente no segundo toque. “Alô?” Ouvi uma respiração pesada no outro lado da linha. Durou alguns segundos. Quase desliguei, pois poderia ser algum trote estúpido.
“Key, graças a Deus! Key, é você?”
Estremeci por um segundo quando reconheci sua voz. Por Deus! Se eu não estivesse sentado, provavelmente teria caído. Fiquei mudo, afastando o telefone e pigarreando. Logo, pude ouvi-lo me chamando novamente:
“Kibum?”
“Jjong?” Engoli em seco.
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