Pelos Séculos
9 Demons In You
Notas iniciais
“Como um milhão de gêiseres, ainda está dormindo
Demônios em você
Perdido na luz
Eterna busca pelo paraíso
Com medo de perder a luta com o que está em mim
Encontrado outro lado
Os pensamentos mais sombrios
O mar profundo
Onde o sol e a lua surgem
Essa sou eu
Caos
E isolamento
Sua única verdade
O que podemos ouvir ninguém pode entender
Loucura
Em desespero
Uma explosão de raiva
A própria sombra está tomando conta”
Os elfos se afastavam conforme a presença negra caminhava entre eles, por onde ela andava parecia tudo morrer, Valfenda nunca esteve tão contaminada pelo mal quanto naquele momento, Cordélia mantinha uma expressão fria batendo seu cajado contra o solo sagrado que pisava sua aura negra não suportava o que era oferecido por aqueles elfos, seus pés descalços envenenavam o que ela desejava, o mesmo caminho que ela faria para ir embora permaneceria morto até que ela saísse daquele lugar, sua aparência mesmo sem sua habitual capa de penas negras era imperial, o vestido de um tecido negro quase translucido deixava seu corpo quase a mostra, suas pedras que ornamentavam o ouro que usava mostravam a riqueza que possuía.
Sua beleza enchia os olhos dos elfos, podia fazer qualquer um deles cometer o pior dos atos por ela, mas Cordélia nunca se interessou pelos elfos, nunca teve interesse naquela espécie desprezível que tirou as Silmarils de Melkor e provocou sua queda, seus olhos brilham ao ter a visão da feiticeira branca, tão iluminada, mas com um coração tão negro quanto o dela, sua irmã de sangue, que foi a responsável por tirar sua atenção de Melkor e a fez escolher entre proteger a cria que trazia em seu ventre ou a criatura que amava, aquele dia quase extinguiu as brancas, o ainu se foi para o vazio, mas a cria deles caminhava por aquelas terras e Bree ainda carrega a humilhação de não ser o suficiente.
Bree via o brilho que rodeava a irmã mais velha, seus poder encobria toda Valfenda afetando os elfos, a maioria estava sob o seu encanto, uma única palavra bastava para que um cruel genocídio se iniciasse, nada se igualava a beleza de Cordélia e sua linhagem, não era pelo físico, mas os poderes a tornavam em evidência, quem as olhassem veriam em sua forma pura e genuína de poder e ascensão, já havia visto a irmã enlouquecer até mesmo o mais fiel e puro dos homens, e sua neta não parecia ser diferente, olha para Elrond ao seu lado, o elfo que tanto amava Celebrían e que por tantos anos lhe fora fiel, traiu a esposa que o espera em Valinor.
— Que honra ser recebida por Lorde Elrond. – O sorriso de Cordélia possuía um misto de ironia e diversão.
— Não me faça ficar arrependido por ter lhe dado permissão para entrar Cordélia. – Mantinha-se sério.
— Elrond é um grande prazer vê-lo também. – Toca os logos cabelos do elfo, embora os desprezasse Cordélia não negava a beleza deles e ela apreciava o que era belo usava do corpo e a vitalidade sugando até a última gota de sua essência para depois mata-los, diferente de suas irmãs negras não comia qualquer carne, seu paladar foi refinado e polido para aceitar apenas o mais puro gosto cru e vivo de elfos, humanos e feiticeiras, Elrond a ela era suculento, sábio, forte e tudo que ela apreciava, sua boca salivava, mas ainda não era hora de torna-lo seu jantar, ele tinha uma missão por aquelas terras e Cordélia era paciente.
— Suas mãos derramaram mais sangue inocente do que se pode contar. – Afasta a mão dela de si.
— Não posso lhe atribuir nenhum crime contra minha espécie Elrond isso é injusto, você nunca caçou ou matou uma feiticeira... Mas os elfos possuem tanto sangue magico manchando suas mãos quanto eu tenho os dos seus. – Seu olhar era frio para o elfo diante de si.
— Lady Cordélia. – Escutam a voz de Cora que se curva perante a negra, a mulher sorri com aquela atitude, um dia Cora havia gritado e achado que podia lhe matar, mas terminou gritando nas chamas negras de Cordélia perante as demais feiticeiras, aquele dia a branca mais jovem se curvou perante a suprema.
Estende a mão para a morena que se aproxima pegando beijando sua mão, Bree sente sua garganta secar, raiva, ódio. Sarah que se aproximava não tinha a mesma devoção que Cora pela negra, porém faz a mesma reverência pegando sua mão levando aos seus lábios. – Lady Cordélia, é sempre uma honra para o Conselho Branca receber a matriarca de todas as feiticeiras. – Fala cordialmente se afastando da mulher.
— Vejo que você não se recuperou ainda completamente. – Segura com firmeza o rosto de Sarah que carregava ainda a marca por desafiar Elessa, diferente das outras feiticeiras, ela tinha os olhos esbranquiçados, não era cega, mas quem a visse pensaria que sim, um dia tivera belos olhos rosados que contrastavam com sua pele dourada, mas hoje era tudo sem vida, seus poderes recuperaram a visão e fizeram com que não perdesse os olhos, mas jamais teria a beleza que um dia teve.
— Nunca será recuperado. – Embora demonstrasse calma, seu desejo era de implorar para que lhe restituísse o que um dia teve, Sarah amava aparência, amava mais do que a qualquer coisa, perder sua beleza foi brutal e enlouquecedor, ela daria o que fosse as negras em troca da reversão daquela situação, sentir aquilo no coração da branca deixava Cordélia satisfeita.
— De fato nunca o recuperará Sarah, sua sina será permanecer eternamente sem a beleza das feiticeiras. – Sorri de canto soltando bruscamente seu rosto, deixando seu olhar pousar em Bree. – Você está tão bela quanto a noite irmã, Varda, nossa mãe estaria tão orgulhosa de te ver. – Toca o rosto da mais nova acariciando seu rosto.
— Você é tão brilhante e bela quanto as estrelas Cordélia, com todo mal que carrega ainda consegue ser abençoada com uma neta que carrega o nome Elbereth, o nome dela de nossa mãe. – Bree mantinha o olhar fixo no azul de Cordélia, a branca via tudo o que os ainur sempre viram na mais velha, todo aquele horror que ela causava não conseguia apagar o brilho profundo que trazia em sua aura, aquilo a sufocava.
— Elbereth. – Aquele nome lhe parecia tão desprezível por alguns instantes, se afasta olhando a branca. – Nos deixe a sós Lorde Elrond. – O olha.
— Estarei com meus filhos. – Olha para ela uma última vez, pedido licença para as brancas “se precisar chame Bree”, lança um olhar intenso para a morena que só assente sorrindo para ele, vendo-o sair.
A negra olha a irmã com um brilho intenso no olhar via o seu interesse pelo o senhor de Imladris, mas não era um interesse genuíno, era o mesmo interesse que tinha por Celeborn, apenas desejava o que nunca poderia possuir o que já era de outra pessoa, cujo coração e cuja alma já guardavam um amor que nunca seria apagado. Cordélia tinha muitos defeitos, mas a inveja nunca foi um deles, nunca invejou o que outras espécies ou suas irmãs tinham, aquele defeito ela tanto tentou arrancar de Melkor, mas viu consumi-lo, a inveja podia provocar uma grande queda e sabia que Bree cairia por sua aura contraminada, não era pura, não era tão branca e intocável como se dizia, seus olhos percorrem as três mulheres a sua frente, nenhuma delas era intocável, todas traiçoeiras que se escondiam através de um manto de bondade e uma aliança com elfos.
— Sua neta impôs uma lei vermelha, existem sussurros por todas as partes de que há uma rainha entre as feiticeiras, alguém que veio para destronar-te. – Cora se manifesta olhando as feições de Cordélia.
— Seu nome significa pureza. – Fixa o olhar em Cora. – Mas não vejo nada puro em ti, seu coração carrega um desejo imenso pelo caos, você está a meio fio de se tornar um desastre... Matamos feiticeiras quando descumprem a lei, assassinamos nossas irmãs somente quando está comete um crime contra nossa espécie, o sangue mágico me custa caro, cada feiticeira que ceifo a vida Cora é uma parte da alma que perco, e para você derramar o sangue de nossas irmãs parece tão fácil? Para ti é fácil, sabendo que apenas negras são incumbidas de retirarem a vida de outras feiticeiras. – Andava ao redor das três que tinham uma expressão séria, todas elas tinham tido o mesmo pensamento, mas apenas Cora tinha dito em voz alta.
— Ela descumpriu uma lei primordial, anões são inimigos eminentes depois de roubarem a joia do poder pertencente a uma negra. – Sarah se põe em defesa da irmã, não deixaria que uma branca fosse rebaixada por causa de qualquer outra de uma hierarquia qualquer.
A risada de Cordélia ecoa pelo ressinto. – Eu derramei sangue mágico de uma dourada por causa de um anão a pouco tempo, uma dourada, tão pura e iluminada, ela era uma feiticeira digna de ser uma branca, uma alma tão inocente que praticou a bondade por quinhentos anos regou o solo e serviu de alimento para Elessa e Aurélia, uma filha de Aulë foi morta por conta de seus queridos anões. – Olhava agressivamente para Sarah que revivia como se fosse ela a dourada que via o filho morrer. – O primeiro menino havia nascido de uma feiticeira e eu o ceifei, por que esse é o meu trabalho! E vocês falam da morte de nossa espécie como se fosse um nada! – Um forte raio ilumina todo o céu.
— Cordélia... Nós sabemos que todas nossas irmãs valem muito, mas se descumprem nossas leis devem morrer sem piedade. – Bree não tinha emoção alguma ao dizer aquilo. – Sua neta a Vermelha deveria ser ceifada por suas mãos, que já levou tantas outras, o que é mais uma? – Toca o rosto de Cordélia.
— Elbereth a Vermelha não será ceifada, porque ela é uma criadora de leis, ela é o que você tanto almejou ser e nunca será Bree filha de Varda e Manwë, é uma ceifadora, é uma criadora, uma dominante nata da magia... É minha imagem e semelhança no mais puro sentido do poder e sei que da mesma forma que eu faço tudo por minhas feiticeiras e minhas leis ela fara por seus elfos e suas leis. – Segura a mão da irmã olhando no fundo de seus olhos.
Bree sente o impacto de suas palavras queria gritar, queria destruir o que estava a sua volta, nunca permitiria que existisse outra como Cordélia. – Ela é uma maldita bastarda! – A fúria transformava o que antes era belo em uma imagem pálida com olhos avermelhados e cabelos já sem tanto brilho.
— Essa é sua verdadeira imagem Bree, tomada pela inveja, sem a máscara da bondade, você pode enganar aos elfos e as demais feiticeiras, mas nunca vai me enganar, eu conheço você, conheço o seu mais profundo desejo. — Toca o peito dela.
Quando percebe que estava tomada pela fúria, Bree recobra a consciência voltando a aparência normal, Cora e Sarah só observavam conheciam a mulher e ambas sabiam do ódio que nutria por nunca ser suficiente contra as negras, queria ser uma delas, queria ser a irmã mais velha. – O que você fez? – Olha chocada.
— Só vim te avisar que Sauron está de volta Bree e uma guerra futura será decisiva na Terra Média, você pode escolher se aliar aos elfos ou ao senhor negro. – Fixa os olhos na branca.
— Como pode acreditar que nós nos aliaríamos a Sauron? – Olha com repulsa.
— Por que você quer me destruir com suas próprias mãos e Elbereth vai tirar isso de você, que o Conselho Branco e o Conselho Negro se tornem unidos e recrutem um exército de feiticeiras. – Para ela aquilo era simples.
Cora toca o ombro de Bree. – Lorde Elrond parece ter se curvado para a vermelha, não vou me reverenciar para essa mulher. – Sussurra.
— Cora tem razão, não vai demorar para que os elfos nos deem as costas, enquanto a guerra não começou convivemos em paz, porém eles vão nos usar para depois descartar Bree. – Sarah vai para o lado de Cordélia.
— Querem abandonar aqueles que nos estenderam a mão? – Bree encara as duas. – Lady Galadriel nos considera amigas dos elfos. – Leva a mão na testa, não negava que estava tentada, mais do que tentava sua mente já tinha aceitado aquela proposta, mas o dever com Galadriel e Elrond ainda falavam alto.
— Galadriel não fez nada quando eu quase te matei irmã, muito menos impediu a morte de nossas irmãs pelas mãos dos elfos quando o podia fazer, por que ter tanta consideração? – Segura o queixo de Bree olhando no fundo de seus olhos. – Vamos Bree recobre a razão e venha para as trevas o lugar que sempre te pertenceu, o seu brilho já não existe mais, você o apagou quando deixou a inveja te corromper, quando deixou de sentir a morte de nossas irmãs, quando o sangue delas já não lhe doía a alma, sua alma está tão morta quanto a minha. – Acariciava com delicadeza a pele da irmã.
— Você sabe que desde que eu e minhas irmãs brancas estejamos vivas as demais não me importam, o sangue delas podem banhar todo o solo. – Era indiferente, Cora e Sarah sorriem tocando o ombro de Bree, estavam de acordo, aquilo só tinha um único significado.
— O Conselho Branco já não é mais o equilíbrio do negro, hoje vocês integram as trevas. – Cordélia diz sem desviar o olhar, a negra se lembrava de cada irmã ceifada, cada rosto, nome, cor, propósito e motivo pelo qual morrerá, mas ela sabia que o dia que fosse lavar sua irmã para a morte não sentiria remorso, a negra matava sem dó e nem piedade elfos, humanos, anões e qualquer outra espécie, mas nunca a sua, cada vida mágica lhe era valiosa, mas leis deveriam ser cumpridas.
Na floresta das trevas tudo estava silencioso, Elbereth estava dentro da piscina natural há mais de uma hora deixando que a limpasse o cheiro do orc de seu corpo, depois que Thranduil cortou a cabeça da criatura com um golpe rápido e certeiro, saiu de lá ordenando que ninguém saísse do palácio, ele não lhe dirigiu a palavras, não o culpava havia o traído, passará por cima de suas ordens tinha o humilhado diante de todo o seu reino, Legolas e Tauriel não estavam em nenhum lugar do palácio, a elfa ruiva tinha ido atrás do anão que o orc disse ter sido machucado e Legolas foi atrás dela sem o consentimento do pai, aquilo tinha irritado ainda mais o rei, fecha os olhos fortemente.
Depois de um bom tempo sai da água secando o corpo colocando uma camisola preta fina se sentando na cama que passará a dividir com o rei, toca o lençol respirando fundo “Saudações irmã Elbereth a Vermelha, grande guardiã dos elfos” escuta o sussurrar de seu nome “Esther protetora das natureza lhe chama” a voz fica mais forte, assume uma postura firme ao escutar a voz da verde “peço permissão para entrar no reino da Floresta das Trevas amanhã junto com minhas irmãs verdes, precisamos nos encontrar é importante para todos”.
Olha para a porta do quarto “Saudações grande guardiã verde, com honras lhe respondo, deveras deve saber que meu marido, o rei não tem apreço por feiticeiras... Comunicar-lhe-ei e voltarei a entrar em contato”, já tinha feito coisas demais sem o consentimento de Thranduil, trazer Tíssaia e outras verdes para o reino sem o seu conhecimento estava fora de cogitação, “Com ansiedade espero seu pronunciamento” a resposta vem em sua mente mais rápido do que esperava, suspira caminhando até a varanda olhando as estrelas.
Escuta a porta ser aberta vendo o marido entrando, se vira o olhando ele não a melhor das expressões estava mais frio que o normal. – Thranduil...
— Não perca seu tempo Elbereth. – É ríspido.
— Eu disse para não os mandar para as celas. – Continua mesmo assim.
— Passou por cima das minhas ordens! Você estava lá você viu que oferecia ajuda aquele anão arrogante e insolente. – Fala furioso.
— Oh claro! A troco do que? Dele dar suas preciosas gemas brancas, não foi uma ajuda genuína Thranduil. – Leva a mão na testa.
— E a sua por acaso foi? – Ri irônico. – Por Eru! Olhe para si mesma antes de me condenar, você quer algo daquela montanha só resta saber o que.
— Você saberá um dia. – Responde fria. – Lhe disse que Thorin estava ferido, ele não aceitaria acordo nenhum, ele só queria descontar a sua fúria, sua dor, nada iria fazer ele mudar de opinião.
— Todos nós temos sofrimentos. – Olha sério.
— Para quem sofreu tanto a perda da pessoa amada você não sabe compreender a dor do outro Thranduil, é lamentável. – Tinha escárnio na voz.
— Você me traiu Elbereth, disse que sua lealdade era minha e me traiu na primeira oportunidade por um bando de anões! – Joga na cara dela.
— Thorin tem que chegar naquela montanha! O destino dele está lá, você não compreenderia, não vê o que vejo, não sabe o que sei, ele aqui atrairia orcs, aquela emboscada não era nada perto do que poderia acontecer. – Mantinha os olhos nos dele. – Você acha que não me importo? Pense como quiser Thranduil e se você quer esse colar de gemas brancas eu vou dar ele para você.
— Está louca? – Arqueia a sobrancelha.
— Não, você o terá e eu terei o que tanto almejo, assim nós dois veremos que se ficaremos satisfeitos ou se eram desejos fúteis. – Se afasta dando as costas para ele.
Thranduil fica em silêncio a olhando. – Da próxima vez venha falar comigo antes de fazer algo assim, agora meu filho foi atrás daquela elfa. – Diz com desprezo.
— Legolas ama Tauriel e você não vai conseguir mudar isso Thranduil. – Volta a encara-lo. – Legolas vai quebrar o coração ao tomar ciência que o coração de Tauriel não pertence aquele anão, que ela ama fervorosamente outro elfo. – Olha intensamente seus olhos.
A respiração dos dois era o único barulho audível no quarto, Thranduil era ciente dos sentimentos da elfa, por mais que tentasse negar a si mesmo, aquele sentimento lhe era repulsivo, criará Tauriel como uma irmã para Legolas, a única forma que sempre tinha lhe visto era como sua protegida, quase como que uma filha, jamais como uma mulher. – Nunca alimentei esperança alguma em Tauriel, jamais lhe mirei de forma diferente para que me visse com tais sentimentos Elbereth. – É sincero com a mulher a sua frente, rechaçou ainda mais o que a ruiva sentia ao tomar ciência do que o filho sentia por ela, não podia permitir que Legolas ficasse com alguém que amava a ele, o próprio pai.
— Mas aconteceu Thranduil, sei que quer proteger seu filho da decepção, mas uma hora isso vai acontecer, acredite será melhor que ele descubra a verdade do que você o ter contra você por não deixar ele tentar viver um amor que pode ter com Tauriel, o amor dele é puro, mas não é um amor de alma Thranduil, ele ainda não encontrou sua parceira de vida. – Elbereth se preocupava com Legolas e queria sua felicidade, mas sabia que aquela dor tinha que ser provada pelo ellon.
Por mais difícil que fosse admitir o rei sabia que Elbereth tinha razão, não queria ter que perder seu filho, já tinha perdido coisas demais. – Posso não me envolver nisso Elbereth, porém Tauriel será considerada banida do reino até segunda ordem por ter abandonado seu povo por causa de um anão. – É frio.
— Justo, e quanto ao meu castigo pela traição ao rei? – O olha séria.
— Você é a rainha, mudou minhas ordens sem me consultar, sim, porém tem o direito de libertar os prisioneiros. – Diz contra a vontade. – Me senti traído por ter agido na surdina e por não ter usado seus poderes como soberana que lhe cabia de forma clara, peço que não torne a fazer isso Elbereth, se quiser fazer algo novamente, faça da mesma forma que fez ao quebrar a lei dos anões. – Se fixa nos olhos verdes dela.
— Não tinha certeza se me deixaria agir verdadeiramente como uma rainha ou se eu seria apenas um enfeite em seu castelo e sua cama. – Responde.
— A partir do momento em que nos ligamos por esse matrimonio e seu poderes passaram a serem meus como diz, este reino também passou a ser seu para que governe ao meu lado como a rainha, única e legitima. – Segura o queixo dela de forma calma.
— Protegerei esse reino e os elfos Thranduil, mas temos que estar preparados para a guerra e não apenas uma. – Respira fundo.
Coloca a testa no peito dele, não a afasta apenas permite que Elbereth fique daquela forma, apesar de ter ficado furioso com o que tinha acontecido, ele viu todos os seus guardas vivos, nenhum deles saiu lesionado, ela tinha os protegido, Thranduil sentia que a feiticeira tinha o impulso de proteção pelo seu povo, Elbereth os tinha abraçado no momento em que colocou os pés ali, toca o cabelo dela com certo receio, feiticeiras sempre foram descritas como mulheres cruéis, ele mesmo conheceu a crueldade de uma delas, viu a fúria nos olhos de Cordélia ao matar as Serpentes do Norte e a marca que tinha lhe deixado.
— As verdes querem vir aqui amanhã Thranduil, Esther entrou em contato comigo pedindo permissão para passar. – Elbereth fala por fim se afastando.
Olha sério. – O que elas desejam? – O fato de ter que olhar para Tíssaia o dava náuseas.
— Falar sobre algo que deve ser importante, nunca tive o contato de nenhuma outra feiticeira.
— Tem certeza que isso não é nenhuma armadilha? – Pergunta ríspido
— Se fosse Tíssaia a pessoa que tivesse entrado em contato, poderia te dizer que sim, porém foi Esther, a guardiã das florestas não pisa em solo élfico, muito menos pede permissão para entrar, apenas entra mesmo que tenha outra feiticeira. – Respira fundo.
— Como desejar Elbereth, só espero que elas não façam nada que se arrependam. – Olha sério.
— Não se preocupe, cuidarei disso.
Thranduil apenas assente, enquanto Elbereth avisa a verde não recebendo nada em resposta, aquilo não a surpreendia, mas sabia que elas estariam ali pelo amanhecer e queria estar o mais disposta possível para encontra-las, afinal nunca deveria encontrar outra feiticeira cansada ou ela te confundiria. Vai deitar antes do marido que tinha uma taça de vinho em mãos caminhando até a varanda, Thranduil não vê ao certo o tempo passar só fica a observando dormir enquanto bebia seu vinho, seria um cego se negasse a beleza dela, mas seus pensamentos são desviados para as visitantes que receberiam no dia seguinte, aquilo não o agradava, mas de certa forma estava curioso para saber o que estava acontecendo.
Se aproxima da cama quando o sol começa a dar indícios de aparecer olha novamente para ela, se afasta indo tomar um banho para depois se arrumar descendo logo em seguida, a deixando adormecida, na mesa de café da manhã se junta a Amarïe e Galion, a elfa não tinha a melhor das expressões. – Bom dia majestade. – Galion cumprimenta o rei.
— Galion, Amarïe. – Olha para ambos, está última só o cumprimenta com a cabeça.
Ficam um tempo em silêncio até que o rei se pronuncia, enquanto se servia de chá. – Galion preciso que deixe a sala do trono livre de guardas por hoje, teremos convidadas ao reino que presumo não tardarem a chegarem.
— Não entendo, por que retirar os guardas? Estão ali para sua segurança! – Exclama.
— Feiticeiras verdes estão a caminho e elas não são toleráveis aos elfos, prefiro evitar o contato delas com meus guardas e os avise para que as deixem passar. – Olha calmo para o oficial ao seu lado.
Amarïe olha friamente para o rei. – Está louco? Vai receber essas coisas insignificantes aqui? A amante de teu pai? – Tinha um brilho intenso em seus olhos azuis.
— Sim minha mãe está a caminho. – Escuta a voz de Elbereth que toca o ombro de Thranduil, que a olha vendo que ela usava uma coroa prateada com uma esmeralda no centro, o vestido preto justo de veludo lhe caia bem, seus trajes eram tradicionais de sua espécie não eram parecidos com os das elfas. – Elas estão chegando Thranduil. – Olha em seus olhos.
Galion pede licença se retirando, Thranduil faz o mesmo junto da esposa deixando a conselheira sozinha na mesa. Ao chegarem na sala do trono nenhum elfo além dele estava lá, Elbereth se mantinha ao lado do marido vendo três belas figuras caminhando descalças em direção a eles, a do meio retira o capuz olhando fixamente para a rainha. – Finalmente te vejo como sempre desejei, com a coroa da Floresta das Trevas, minha filha. – Tíssaia diz abrindo um sorriso a mulher ainda não estava totalmente recuperada do que tinha acontecido com as negras, as cicatrizes ainda eram visíveis e avermelhadas e aquilo não passa despercebida por Elbereth.
— O que desejam vindo em solo élfico? – Questiona a rainha.
— O Conselho Verde ouviu o proclame vermelho. – Esther se põe a frente de Tíssaia ao ver o olhar frio de Thranduil ela sabia a história e naquele momento compreendia a atitude do elfo. – Oferecemos aliança a você Elbereth a Vermelha e aos elfos, não nos curvaremos a Sauron e ao Conselho Negro. – Olha fixamente para mulher e para Thranduil.
— Como? – Thranduil questiona quase que incrédulo.
— Queremos uma aliança com os elfos. – Saphyr diz. – Não seremos hipócritas, não suportamos os elfos, mas vocês assim como nós vivem em harmonia com a natureza e nós não permitiremos que devastem o que Yavanna construiu, não nos curvamos para Melkor na guerra pelas Silmarils quando éramos apenas eu e Esther e novamente não seremos um fantoche das negras. – Os olhos escuros de Saphyr eram selvagens, porém traziam a sinceridade e o rei via através deles.
— Vocês nunca foram aliadas das negras... – Thranduil diz por fim quando se dá conta do que via nos olhos da mulher de cabelos negros a sua frente.
— Cordélia apenas me deu a vida. – Tíssaia me deu a vida, os olhos do rei agora eram severos perante a voz dela. – Nós somos a própria destruição, matamos sem pensar duas vezes, já dizimamos vilas inteiras, não somos boas criaturas e nunca vamos ser majestade, mas não vamos permitir que esse lugar se torne obscuro e destruído.
Não pretendiam esconder sua natureza. – Assim como Córdelia estou vagando por este lugar antes dos elfos e humanos. – Esther diz. – Eu e as negras somos as mais antigas das originais, vimos todas as transformações dessa terra, porém eu nunca vi Cordélia temer uma feiticeira em minha vida imortal. – Olha para Elbereth.
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