Pelo Olhar de Chrissie
38 Romances Complicados
Passamos a semana indo a Hyde Park, com os meninos checando os últimos detalhes do show, e eu os acompanhando pois Brian fazia questão da minha presença e eu também gostava muito da companhia deles. É claro que para receberem todas as informações que queriam tinham que perguntar a Dominique, e agora, desde suas brincadeiras, a tensão ruim entre ela e Roger tinha se transformado numa convivência amigável.
Eu conhecia Taylor já fazia um tempo, e por isso, na maioria das vezes sabia muito bem o que ele estava pensando e sentindo, e toda vez que ele tinha a oportunidade de conversar com a assistente do sr. Branson, ficava claro como ele a respeitava e admirava. Nunca tinha visto ele agir assim com nenhuma outra garota, não é que ele não as respeitasse, ele apenas tinha uma obsessão passageira por elas, que ele deixava de sentir assim que outra garota chamava sua atenção. Embora ele tenha de fato ficado obcecado com Dominique de cara, agora eu sentia que era mais do que isso.
Ela, por sua vez, o tratava com gentileza e cortesia, e vez ou outra, Domi e Roger faziam piadas um com outro que não os faziam ficar ofendidos, apenas trocar umas boas risadas.
De novo, outra coisa que eu nunca tinha feito ele fazer com outra moça. E olha só, lá estava eu já me preocupando com o que Roger ia fazer, de novo. Não era à toa que ele me chamava de mãe às vezes. Dessa vez, eu ia deixar ele resolver o que estava aprontando por conta própria.
Finalmente o dia do show chegou, e eu estava com Dominique num camarote reservado para os organizadores e as pessoas mais chegadas da banda, o que significava que Mary e Veronica também estavam ali, e eu aproveitei para apresentar minhas velhas amigas à minha nova amiga.
—Domi, essas são Mary e Veronica — disse enquanto elas se cumprimentavam — noiva do Freddie e namorada do John, respectivamente.
—Prazer em conhecê-las — respondeu a srta. Beyrand — fiquem à vontade e se precisarem de alguma coisa é só me pedir.
—Ok, obrigada — disse Mary — e a propósito a gente queria muito te conhecer pra te dar os parabéns.
—Parabéns por que? — Dominique não estava entendendo.
—Você fez com o Roger uma coisa que todo mundo queria fazer — explicou Austin rindo — nos sentimos vingadas.
—Ai meu Deus, isso? — Dominique se juntou aos nossos risos.
—Espero que não se importe de eu ter contado a elas — dei de ombros, levemente sem graça.
—Eu confesso que me arrependi só um pouquinho depois... — justificou a assistente meio envergonhada.
—No fundo, no fundo, por trás de toda aquela marra e flertes tem um cara legal, não é? — Veronica apontou.
—É, é acho que sim — Beyrand teve que concordar.
—Olha, não sei o quanto vai estar ocupada durante o show, mas quando puder, vem assistir aqui com a gente — convidei.
—Sim, sim, eu venho Chrissie — ela me prometeu e voltou a se ocupar com o trabalho.
Nós fomos ver os meninos rapidamente, eu e Brian trocamos npsso tradicional beijo de boa sorte e voltamos pro nosso lugar, pra ver o show começar, bem ao pôr do sol e durar até boa parte da noite. O público que lotou Hyde Park pra ver o Queen vibrou o show inteiro, até o fim, sem perder o fôlego. Esperamos bastante tempo até a multidão se dispersar, antes de vermos os meninos. Nós todos fomos cada um pra casa, exceto Roger, que ficou mais um tempo, e a última coisa que vi antes de ir embora, foi ele conversando com Dominique.
Dias depois do show em Hyde Park, recebi a visita de um Roger muito diferente do habitual, o coitado estava tão abatido que parecia um espantalho, e o cabelo claro bagunçado e a camisa xadrez que usava ajudavam mais a manter esse visual.
—Pelo amor de Deus, mas o que é que aconteceu com você? — eu estava muito assustada de vê-lo daquele jeito.
—Chrissie — ele agarrou meus ombros, mortalmente sério — você precisa me ajudar.
—Tudo bem — eu lhe dei um abraço e ele entrou em casa, sentou-se no sofá, mas não parava de tremer.
—Menino, desembucha logo antes que também tenha um treco! — falei pra ele, aflita.
—É que eu... — ele respirou fundo — sabe que os dias que passamos em Hyde Park, eu conversei bastante com a Dominique, e sério Chrissie, eu não sei porque mas eu sempre queria estar perto dela quando a gente tava lá, era tão bom ouvir ela falando sabe? Numa confiança, numa inteligência, e também o jeito que ela ria quando contava uma coisa engraçada, então, eu queria muito conversar com ela num lugar mais reservado, sem nenhuma correria de show, sem eu ser o baterista do Queen e só o Rog...
Ele fez uma pausa, sua expressão era de puro encantamento. Sabia bem o que tava acontecendo. Por enquanto não sabia julgar se era algo bom ou ruim.
—Hã e o que mais? — perguntei, agora me sentindo mais calma.
—Eu disse isso pra ela — Roger fungou — que a levaria onde ela quisesse ir, só que...
—O que Roger? — voltei a ficar agoniada.
—Ela falou que nós somos só amigos e que agora ela está muito ocupada pra sair com alguém, desse jeito — ele não se aguentou e começou a chorar.
Eu quis rir, mas logo me compadeci da situação dele.
—Pelo menos ela já considera você um amigo — pus uma mão no ombro de Roger.
—É, porque também, agora eu percebo que eu atazanei ela demais né? — ele se virou pra com os olhos inchados e vermelhos — mas eu pedi desculpa...
—Roger — eu disse o mais docemente possível — não percebe o que tá acontecendo com você? Será que você nunca sentiu isso antes?
—Eu... — ele olhou pra frente, franzindo as sobrancelhas — só quando a Eileen terminou comigo, mas isso foi séculos atrás.
—Então, você sabe o que é, vamos, admita em voz alta que você vai começar a se sentir melhor — eu pedi a ele, vendo uma pequena melhora no seu estado abalado.
—Deus do céu! — exclamou Roger de repente — eu tô... Realmente... Apaixonado... Pela Dominique!
—Hum hum — eu assenti.
—Mas... Mas... O que é que eu faço com isso agora? — ele voltou ao desespero.
—Seja sincero! — Brian surgiu do nada, o que assustou um pouco eu e Roger — foi o que funcionou pra mim.
Bri fez uma cara de espertalhão pro melhor amigo, e beijou minha bochecha, pra provar a eficácia da sua declaração de amor. Era verdade que tinha funcionado, eu casei com ele afinal de contas.
—Faz quanto tempo que tá aí ouvindo? — Roger se irritou.
—Ei, não pode me culpar por isso, eu tô na minha casa — Brian rebateu — mas falando sério Rog, tenta fazer o que eu falei.
—E se ela não sentir o mesmo que eu? — nosso amigo se preocupou muito.
—Bom, vocês continuam sendo amigos — eu aconselhei dessa vez — dói, mas é o certo a se fazer.
—De qualquer forma, Roger, estou feliz por você — Brian comentou.
—Está feliz por mim? — o baterista soou com raiva e confuso — mas eu tô sofrendo, cara... Muito...
—Estou feliz porque o meu melhor amigo finalmente se apaixonou de verdade por alguém — Brian explicou sorrindo — é sofrido, isso faz parte, mas é a melhor sensação do mundo.
Assim que terminou, meu marido olhou diretamente pra mim, me fazendo corar.
—Eu tenho uma ideia Rog — voltei ao dilema dele — eu posso convidar Dominique pra uma das nossas noites de filme, se ela vir, depois o resto é com você, o que acha?
—Parece um bom plano — ele suspirou — obrigado Chrissie.
—De nada — eu sorri pra ele e deixei os meninos conversando qualquer coisa para aliviarem a tensão daquele momento, enquanto fui fazer um chá.
Embora chá não fosse muito a praia de Roger, a bebida ajudaria a acalmar seu coraçãozinho apaixonado.
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