Pelo Olhar de Chrissie
29 A festa
Meu pai dirigiu o carro que nos levou para a festa na casa de Jim Beach. O lugar não era uma mansão enorme e luxuosa, mas tinha um tamanho família e conforto na medida certa. Com certeza era maior do que qualquer um dos apartamentos dos meninos e o nosso. Brian segurou minha mão até descermos do carro e chegarmos à festa.
Havia mesas espalhadas pelo jardim, e uma mesa para o buffet, bolo e docinhos. Tudo aquilo bancado por Jim Beach, eu nunca saberia como agradecer a generosidade do advogado, que não parava de me surpreender. Os nossos amigos aplaudiram a nossa chegada, e antes que eu e Brian pudéssemos sentar para aproveitar a festa, recebemos os parabéns de todo mundo, e eu fiquei feliz por ver que todos que eu tinha convidado compareceram (não eram muitas pessoas que eu tinha chamado, então não era tão difícil pra todos eles irem).
—Jo, que bom revê-la! — Brian disse quando ela veio até nós — já faz tanto tempo, eu sei que foi por... Bem, você sabe...
—Não se preocupe Brian — minha amiga balançou a cabeça, despreocupada — eu já superei tudo que aconteceu. Aliás, eu nem acredito que vocês já tem três discos gravados! Isso é muito bom, vocês estão crescendo...
—Isso assusta um pouco, mas obrigado — Bri sorriu e apertou a mão dela mais uma vez.
—Eu espero que você não suma e venha me ver mais, está bem, Jo? Ainda somos amigas — eu pedi, já que sentia falta de estar com ela quase todos os dias, como antigamente.
—Não, a senhora que sumiu — Jo riu — não, estou brincando, é que nossas vidas tomaram rumos diferentes, mas você sempre foi uma amiga muito querida pra mim.
—E você também Jo, obrigada por ter vindo — agradeci mais uma vez.
—Eu que agradeço por lembrarem de mim — ela nos cumprimentou mais uma vez e voltou para o seu lugar.
Quase não acreditei ao ver o próximo convidado que veio falar com a gente.
—Tim! — deixei escapar, um pouquinho mais alto do que queria.
—Tim Sttafell? É você mesmo? — Brian riu e abraçou seu velho amigo — eu não achei que você vinha...
—Achou mesmo que eu ia perder o casamento do casal mais fofo e sensato da nossa turma? — Tim riu — meus parabéns, eu bem que falei que vocês eram iguaizinhos, perfeitos um pro outro.
—Obrigada, Tim — eu sorri, ele era outro amigo que eu também sentia muita falta — e você? Como vai a vida?
—Bom, eu... — ele suspirou, soando um pouco chateado — Humpy Bong não deu certo, desfazemos a banda...
—Ah que pena... — Bri lamentou.
—Mas estou trabalhando como produtor na televisão, nada mal pra um cantor e baixista — Tim remediou — mas estou feliz por vocês, eu vi vocês na TV, "Killer Queen" é uma obra prima como eu nunca tinha visto...
—Ah, isso é mérito do nosso vocalista — Bri explicou — mas não conta pra ele que eu elogiei, Freddie é muito convencido.
—Freddie Bulsara, né? Eu conheço ele da faculdade — Tim contou — mas agora é Mercury, não é? Combina com a banda.
—É sim, muita coisa mudou depois que Freddie entrou — Brian confirmou.
—Mas estou vendo que foi pra melhor, pelo visto — Tim deu um tapinha no ombro de Brian e voltou para o seu lugar.
—Acho que Tim foi o último, né? — me esforcei pra lembrar se tínhamos falado com todo mundo.
—Sim, sim, falamos com todos — ele me confirmou — e agora?
—Não sei Bri — dei de ombros — pra ser sincera eu queria muito me sentar...
—Ah eu que o diga — confessou ele.
Nos olhamos concordando com o nosso plano de nos sentar, mas fomos impedidos pelo resto do Queen.
—Como assim vocês vão aproveitar a festa sem nem dar um discurso antes? — Freddie cobrou de nós.
—Discurso? Mas eu não preparei nada — Bri se desesperou um pouco — eu não sabia que tinha que fazer um discurso...
—Não precisa de discurso... — fiquei apavorada com a ideia — vocês sabem o quanto a gente ama todo mundo e somos gratos por vocês, não precisa falar...
—Vai, Chrissie, queremos ouvir o que tem pra falar pro nosso guitarrista — Roger cruzou os braços e riu — os votos de vocês foram tão clichês, queríamos ouvir uma coisa mais original...
—Até você quer nos expor desse jeito, John? — apelei para o outro tímido da turma.
—Estou aqui só porque eles insistiram muito — se justificou o baixista.
—Discurso, discurso, discurso! — cortou Freddie e logo o coro de convidados o seguiu.
Brian me olhou dizendo "não vai ter jeito. Quer que eu falo primeiro?"
"Se não se incomodar " devolvi, fazendo uma careta sem graça.
Ele sorriu pra mim, segurou minha mão e ficamos na frente de todo mundo.
—Tudo bem, tudo bem, pessoal — Brian ergueu uma mão para pedir silêncio — é... Não preparei nada pra falar, eu sei, eu sei, não é do meu feitio, e eu me sentiria mais confortável se me pedissem pra fazer um solo de guitarra, mas, não entenderiam totalmente a emoção que estou sentindo. Eu só agradeço cada um de vocês por estarem compartilhando da nossa alegria hoje, e eu te agradeço Chrissie — ele virou pra mim — você sabe que é a garota dos meus sonhos, minha doce dama, e hoje eu sou mais feliz por poder chamá-la de minha esposa. Eu te amo.
Todos aplaudiram o discurso e antes que eu percebesse já estava chorando de novo. Ah como eu era boba... Mas tudo que meu marido (meu marido! Ainda estava me acostumando, maravilhada) me dizia me emocionava. E foi por pensar em tudo que Brian fazia a meu respeito que encontrei minhas palavras para o discurso. Se havia um momento para contar a ele como ele era importante, desde o momento que nos conhecemos, era agora. Eu ignorei a vergonha de falar em público, afinal aquela era a minha família.
—Bom, eu acho que vocês estão esperando eu falar também — é, não foi um começo tão bom assim, prossegui — eu me lembro a primeira vez que eu vi o Brian, se apresentando, e eu fiquei encantada com o jeito que ele tocava guitarra, e quando conversamos, só de olhar pra ele eu percebia o quanto ele era inteligente e apaixonado pelas coisas que amava, e o jeito como ele sempre foi gentil e atencioso comigo, e me entendia quando eu não estava bem, e eu fui aos poucos amando conversar com ele, estar com ele, e mesmo assim, demorei pra perceber que eu já o amava, porque por muito tempo, eu pensei que nunca encontraria alguém que me completasse perfeitamente, mas às vezes eu tinha esperança, pensava que alguém por aí esperava encontrar alguém como eu, mesmo eu sendo assim, e o Brian, é essa pessoa. E eu o amo tanto, por tudo que ele é, exatamente assim, como nós o conhecemos.
Eu me virei pra ele e as lágrimas caíam pelo seu rosto.
—Ai meu Deus Bri... — eu pus as duas mãos na boca — não queria te fazer chorar...
Eu tentei enxugar as lágrimas dele tocando seu rosto.
—Eu nunca achei que seria capaz de conseguir conversar com uma garota — ele respirou e sorriu — e mesmo assim, eu casei com uma que acha que eu sou tudo isso que você falou, mesmo eu não achando isso de mim...
—Mas você é Brian... — eu confirmei e o beijei, o que rendeu mais palmas de todo mundo.
Depois notei lágrimas dos convidados mais emotivos. Então os meninos foram tocar um pouco, era impossível ter o Queen reunido numa festa e eles não fazerem um pouco de música. Então houve um momento mais calmo, Brian confiou sua querida Red Special a John e pediu que ele tocasse Some Day, One Day, uma das minhas músicas preferidas dele.
Meu marido me tirou para dançar, enquanto os meninos interpretavam a canção. Brian era muito mais alto que eu, então basicamente encostei minha cabeça em seu peito, minha mão direita segurava a sua esquerda, sua mão direita apoiava minhas costas. Eu fechei os olhos, sentindo as batidas do seu coração, guardando no meu coração cada momento daquele dia lindo.
Fale com o autor