Notas iniciais
Eu que fiz o bolo, o Till só me ajudou u.u
Créditos à Cristiana (ex Axl_Rose =//) pelos apelidos sedutores do Flake
E boa leitura, meine Donaukinder.

PdV do Flake

–Flake... Flaakee... – eu senti umas cutucadas na minha bochecha.

Lass mich in ruhe, Aljoscha. – eu resmunguei, cobrindo minha cabeça com o lençol – Ich will schlafen!

Mas é meio-dia já! – ele me chacoalhou – E é seu aniversário!

–Já que é meu aniversário, eu posso dormir um pouco mais... – eu tinha ido dormir às 6 da manhã, junto com o Axl, no jardim. Não sei como eu fui parar na minha cama, mas eu estava muito feliz com aquilo.

Aljoscha soltou um gemido de tristeza.

–Mas eu quero que você acorde para a gente se divertir! O Till comprou cerveja, vodka, vinho, tequila...

–Ah, danke Gott! – exclamei alegremente – Eu precisava beber alguma coisa. Me traz uma cerveja?

–Tá, mas acorda. – ele riu, saindo do quarto. Eu fechei os meus olhos para tentar dormir de novo, mas não consegui porque eu estava morrendo de fome e queria a cerveja. Gemi e me sentei na cama, piscando para afastar o sono. Botei a primeira roupa que eu vi e nesse tempo, Aljoscha chegou com a cerveja.

–Você não se importa que a Sara venha para a sua festa, né? – ele disse.

–Não... – eu abri a cerveja e... – Festa?! Que festa?

–Você achou que a gente não ia fazer uma festa de aniversário pra você? – ele riu.

–Não precisa, Aljoscha! – eu estava meio envergonhado – Vocês não tem que gastar dinheiro comigo e...

–Gastar dinheiro? Ah, Flake, pára com isso! Todo mundo aqui é seu amigo e se importa com você. E eles querem te dar uma festa.

Eu suspirei, confuso, e tomei um gole da cerveja. Fazer aniversário é que nem quebrar o braço: todo mundo te pergunta o que aconteceu. Mas no caso, você recebia um monte de parabéns, o que era a mesma coisa. Depois de um tempo enche o saco.

–O que tem pra comer? – eu disse.

–Vamos na cozinha. – ele disse, e eu o acompanhei até lá.

Apenas Till estava na cozinha, tirando algo escuro do forno. Ele ficou branco quando me viu.

–Aaaah, Flake! – ele voou para trás de mim, segurando a coisa escura de um jeito que eu não consegui identificar o que era – Aljoscha, tire-o daqui! Flake, você não pode ver o bolo!

–Mas é meu o bolo! – eu choraminguei – E eu to com fome!

–Não é para comer agora, seu bobo. – Till riu – Você não devia nem estar tomando essa cerveja, porque ela é para a festa.

–Mas a festa é minha! – minha voz saiu aguda e eu me senti envergonhado. Till começou a rir muito – Till... Você cozinha?

–Claro, eu sou um chef. – ele disse com um ar de autoridade. Eu ri baixinho, imaginando-o com um chapéu de cozinheiro e um avental. Isso seria surreal demais.

–Vou te deixar em paz, fazendo meu bolo. – eu disse, pegando um pão e passando manteiga nele – Eu o quero bem gostoso, tá?

–Com ou sem Till? – ele riu.

Eu olhei para trás, levantando as sobrancelhas. Ele ficou parado lá, mexendo e remexendo no bolo, fingindo que estava concentrado. Eu dei uma risadinha.

–Podemos ver isso depois, mein Chef. – eu provoquei. Me virei para o meu pão e senti algo deslizando pela minha bunda. Era a mão de Till. Eu cerrei os dentes, me sentindo tão quente... Escorpianos estão quase sempre com tesão. E eu tinha quase certeza de que Till estava excitado também. Safado.

Terminei de comer e fui para a sala. Um Izzy alegre pulou no meu pescoço, me derrubando no sofá.

–Feliz aniversário, Flakezinho lindo! – ele cantarolou – Te comprei um presente! Abre, abre!

–Mmh! – eu resmunguei por baixo dele. O cara estava em cima de mim, botando todo seu peso (que não era muito, mas eu sou só pele e osso). Eu o empurrei com força e ele caiu no chão, sorrindo sarcasticamente – Qual é o seu presente?

–Aqui! – ele me deu um embrulho fino e quadrado.

–Aww, um LP e uma camisa do Ramones! – eu sorri, abraçando-o – Isso é muito fofo! Obrigado, liebchen!

–De nada, meu Flakezinho-sedução! Eu achei que ela ia ficar linda nesse seu corpinho de modelo!

–Modelo do cemitério, né? Eu sou pele e osso! – eu ri, vestindo a camisa. Era uma camisa preta com o logo no centro. Lá na Alemanha Oriental nunca venderia isso, porque é dos Estados Unidos. Mas às vezes eu encontrava umas fitas de umas bandas punks. Achei a do Never Mind the Bollocks lá.

–Eu já dei o presente do Flake! – soou a voz de Axl. Ele tinha uma lata de cerveja numa mão e um baseado na outra. Eu já sabia no que aquilo ia dar.

–O que é? – Izzy disse.

–Maconia. – ele riu.

–Claro que é. – Izzy disse, revirando os olhos.

De repente, eu senti algo cobrir a minha cabeça e tirei aquilo dela, assustado. Aí eu vi que era só um gorro amarelo-claro e preto. Me virei e lá estava um Duff loiro, sorrindo.

–Parabéns, Flake! – ele me abraçou com força.

–Ah, obrigado. – eu sorri. O gorro era bonitinho, até. Dava pra usar nos dias frios.

–Você tá muito sexy de gorro amarelo e camisa do Ramones. – Izzy disse, rindo.

–Por cima da camisa do pijama. – eu completei, rindo.

–Vamos começar essa festa? – Axl disse, pegando meu LP do Ramones e colocando-o para tocar no máximo volume.

–Abaixa isso! – Izzy choramingou.

–Seu fresco. – Axl riu. Não demorou muito para que os dois saíssem no tapa. Eu e Duff ficamos rindo, olhando a cena.

–Se matem aí enquanto eu vou pegar mais cerveja. – Duff disse, indo para a cozinha.

Só sobrou eu e o Aljoscha. Olhei para ele e ele sorriu.

–Flake, eu não tenho um presente para você. – ele disse tristemente.

–Ah, Aljoscha! – eu estendi minha mão para ele, que a pegou – Não precisa, sério.

–Algum dia eu te dou um presente. – ele riu.

–Mas não precisa! – eu ri.

Quando a Sara chegou, o Aljoscha passou o resto da festa com ela. Ela era uma ruiva magrela, de olhos azuis de gato. Eu não liguei, fiquei curtindo com o Izzy, o Axl e o Duff enquanto eles colocavam para tocar todos os LP’s que tinham na casa do Duff, um atrás do outro. Till ficou mais ocupado na cozinha, repondo os salgados, as bebidas, etc. Coitado. Mas eu sabia que ele só estava aquecendo para me dar meu presente de aniversário.

As horas se passaram e logo já era de noite e todos estavam muito bêbados, inclusive eu. Eu me vi sentado no sofá, com um Izzy no colo e uma garrafa de licor barato na mão, quase dormindo. Aí Till veio e anunciou que era hora de cantar parabéns para mim. A pior parte. Me arrastei cambaleando para o centro da mesa, o meu bolo estava na minha frente. Era um bolo grande de chocolate, decorado com calda de chocolate e uns M&M’s. Tinha uma vela em formato de “17” no centro. Till as acendeu e começou aquele coro. Zum Geburtstag viel Gluck, zum Geburtstag viel Gluk, zum Geburtstag Lieber Flake, zum Geburtstag viel Gluck. Izzy, Axl e Duff cantavam em inglês e Aljoscha e Till em alemão. Ficou bizarro. Eu me inclinei e apaguei as velas. Till as tirou do bolo e antes que eu pudesse virar o rosto para vê-lo, ele já tinha enfiado minha cara com tudo no bolo de chocolate.

–TILL LINDEMANN, DU SAUHUND! – eu gritei, tentando limpar o bolo dos meus olhos e tirar o chocolate do meu nariz. As pessoas já tinham caído na gargalhada. Assim que eu consegui, eu saí correndo atrás dele pela casa, mas eu caí no meio do corredor. Tropecei no vento, de tão bêbado que eu estava. Till me ajudou a levantar, entre um ataque de risos.

–Você tá bem, Flakechen? – eu quase não consegui ouvir por causa da risada.

–Eu vou te matar, du verdammte Schwanzlutscher. – eu rosnei, tentando me equilibrar nas minhas pernas.

–Ah, foi só uma brincadeira! – ele choramingou – Você é muito chato!

–Tem bolo dentro do meu nariz, porra! – eu gritei, irritado. Till apenas riu.

–Vem, vou te ajudar a se limpar. – ele me conduziu até o banheiro e ligou a água da pia.

–Você sujou meu gorro e minha camisa nova, seu filho da puta! – eu choraminguei, esfregando meu rosto. Mas parecia que eu estava só espalhando mais o chocolate.

–Eu vou limpar, prometo. – ele beijou minha cabeça – Agora pára de agir como uma vadia que só geme. Vamos comer o seu bolo.

–Hmpf. – eu resmunguei, me secando. A toalha ficou suja de chocolate e o meu rosto não ficou totalmente limpo.

Till cortou meu bolo e todos comemos, apesar de ele ter o formato do meu rosto. Eu comecei a me sentir sonolento.

–Quer que eu te dê seu presente agora? – Till sussurrou no meu ouvido.

–Não, eu to com sono. Só quero dormir. Mas obrigado pela festa, Herzchen. – eu o beijei na bochecha. Ele sorriu e me beijou nos lábios rapidamente.

–Gente, o Flakechen quer dormir, acabou a festa! – ele anunciou dramaticamente.

–Fraaaco! – Axl cantarolou, caindo de bêbado, tomando outro gole da cerveja.

–Boa noite, Flake-sedução! – Izzy disse, beijando a ponta de seus dedos e assoprando o beijo para mim. Eu o “peguei” e o coloquei no meu coração.

–Sua biiicha! – Axl disse, rindo em seguida.

–Tua mãe que é! – Izzy rosnou.

–Nossa meu, vem aqui se você é macho! – Axl levantou os ombros. Izzy pulou em cima dele e ele caiu da cadeira. Os dois rolaram no chão, se estapeando e se xingando. Eu ri até perder o fôlego. A segunda cena mais hilária da festa.

–Boa noite pra vocês, suas putas. – eu disse, acenando.

–Vou levar a Sara na casa dela. – Aljoscha disse – Tchau pra vocês.

Eles saíram. Axl e Izzy pararam de se bater e dormiram rapidinho um em cima do outro. Eu e Till nos ajeitamos no sofá.

–Eu queria tirar uma foto da cena. – eu ri baixinho – São dois idiotas...

Till riu e me beijou.

–Boa noite, queridinho. – ele disse, puxando o cobertor em cima da gente.

–Boa noite. – eu disse.

Fechei os olhos e adormeci. Nós cinco dormimos e não acordamos até as 3 da tarde do dia seguinte.


Notas finais
GLOSSARIO:
Lass mich in ruhe. Ich will schlafen. - Me deixe em paz. Eu quero dormir.
danke Gott - graças a Deus
mein Chef - meu chefe
du Sauhund - seu porco imundo
du verdammte Schwanzlutscher - seu maldito chupa-rola
Herzchen - querido