–Eu quero ficar com você. – Flake disse com a voz trêmula.

–Eu não to pedindo! – eu rosnei para ele. Ele deu um passo para trás, mas não saiu. Eu me virei para Death e continuei – Você veio aqui para me matar na frente de todo mundo?

–Mais ou menos isso. – ele sorriu. Flake gritou sem querer quando ele caiu em cima de mim, tentando me esfaquear.

Nós rolamos no chão, brigando pela faca. Flake agarrou Death pelos cabelos e o levantou, mas Death virou a faca nele e o acertou no braço. Eu fiquei muito puto quando vi o meu Flake no chão, com o braço ensangüentado. Eu esmurrei Death com toda a minha força e o sangue voou do rosto dele enquanto ele gritava. Ele me chutou na perna e eu caí para o lado, soltando-o. Ele tentou me esfaquear novamente, mas eu consegui segurar o pulso dele. Eu o chutei no estômago e ele saiu de cima de mim. Consegui me levantar e vi que o Flake não estava mais ali. Ele devia ter entrado na casa, provavelmente. Isso me deixou mais tranqüilo.

–Olha, Death – eu disse, ofegando por causa do cansaço – O Christian precisa de mim. Não me mata agora.

–Ah, e eu te mato depois? – ele zombou, empunhado a faca.

–Merda! – eu gritei quando ele voou em cima de mim e quase acertou meu estômago com a faca. Minha resistência estava acabando, mas eu sabia que se eu desistisse naquela hora eu ia morrer. Eu não conseguia chutá-lo, porque ele tinha conseguido prender minhas pernas nas dele e estava deitado em cima de mim, tentando esfaquear o meu peito e os meus braços estavam cansados de agüentar o peso dele em cima de mim. Mas eu não desistiria, porque eu tinha que ficar vivo pelo Flake. Então eu juntei o resto das minhas forças e empurrei Death de cima de mim. Ele caiu sentado no chão e me deu um sorriso malicioso.

–Não vou deixar você sair vivo dessa. – ele disse e veio correndo até a mim.

Ouvi um baque surdo e Death caiu na minha frente, gritando. Christian bateu mais duas vezes na cabeça dele com um taco de baseball, enquanto ele se contorcia no chão. Ele soltou um gemido estranho e Christian bateu nele de novo, para que ele ficasse quieto. As batidas podiam ser ouvidas do outro lado da rua e abafavam os gemidos de dor. Junto com as batidas, também se ouvia o barulho dos ossos se quebrando. Uma poça de sangue se formou embaixo de Death, enquanto ele parava de se mexer. O meu salvador tinha acertado o crânio e já começava a afundar o cérebro. A barra da calça dele estava manchada de sangue, mas ele não parou. Ele só parou quando o crânio já havia afundando até o limite e Death já não tinha mais rosto.

Flake jogou o bastão ensangüentado na grama, ofegando de cansaço. Eu olhei para ele calmamente, como se oferecesse conforto com o meu olhar. Flake enterrou as mãos na cabeça, desesperado, e eu corri até ele e o segurei nos braços. Ele estava frio, devia ser de medo.

–T-Till... – ele gaguejou, me apertando. Eu conseguia sentir o cheiro de sangue e suor nele.

–Tá tudo bem agora, meu amor. – eu segurei a cintura fina dele e dei um beijinho no pescoço.

–O que vamos fazer com ele? – Flake sussurrou. Eu fiquei sem resposta.

Logo, Izzy veio. Ele deve ter escutado a gritaria e acordado.

–O que vocês estão fazendo aí fora? – ele disse. Seus olhos se transformaram em duas esferas de pavor quando ele viu o cadáver deformado perto de nós – MAS QUE PORRA É ESSA?!

–Izzy, calma. – Flake se soltou de mim e foi até ele. Izzy deu um passo para trás quando Flake foi abraçá-lo. Isso fez com que ele explodisse em lágrimas, olhando para seus sapatos e calças ensangüentados – Não tenha medo de mim! – ele gemeu, tentando abafar os soluços com a mão sobre a boca – Ich bin ein Mörder! Ein verdammtes Mörder!

–Flake... – eu tentei segurá-lo, mas ele me empurrou.

Nein! Nie mehr! – ele gritou e saiu correndo.

–Christian! – eu gritei para ele, mas ele continuou correndo. Lágrimas começaram a descer dos meus olhos. Izzy ainda estava em estado de choque. Eu chutei o cadáver, com raiva. Só o deformei ainda mais.

–Você quer cavar uma cova? – Izzy disse suavemente.

–Pode ser. – eu suspirei.


Notas finais
GLOSSARIO:
Ich bin ein Mörder - eu sou um assassino
Ein verdammtes Mörder - um maldito assassino
Nein - não
Nie mehr - nunca mais