Pele E Lábios
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Boa leitura ^^
PdV do Flake
Eu acordei sendo chacoalhado levemente. Abri os olhos e lá estava o rosto de Till, me encarando.
–Temos que sair do carro. E seguir o resto do caminho de ônibus. – ele disse.
–Ok. – eu saí do carro bocejando.
Estávamos todos naquele estado “zumbi” por termos dormido mal. O céu em cima de mim estava azul e as nuvens estavam rosas. Bonito. Eu percebi que a gente estava numa estrada de terra e que tinha um rio na nossa frente.
–Que lugar é esse? – eu perguntei, tentando me manter acordado e de pé. Eu estava com muito sono e aquela “missão” toda de salvar o Till tinha me cansado.
–Eu quero jogar o carro no rio. – eu ouvi a voz e Axl soar – Ele tá todo esburacado por causa dos tiros!
–Uh, Axl! – Izzy gemeu chorosamente – Eu to cansado! Vamos deixar isso aqui e ir embora!
Axl resmungou e saiu andando. Fomos todos atrás dele e eu estava tropeçando demais por causa do sono. Eu ouvi uma risada forte atrás de mim.
–Pára de rir, du Schwanzlutscher. – eu resmunguei.
–É engraçado ver você tropeçando. – Till riu suavemente – Quer ajuda?
–Ajuda com o que?
Depois que eu disse isso, eu senti uma mão agarrar o meu braço, fazendo-me parar de andar. Till se ajoelhou na minha frente e eu fiquei confuso, olhando para ele igual um idiota.
–Suba nas minhas costas. – ele explicou.
–Mas eu não vou te machucar? – eu levantei uma sobrancelha.
Till riu.
–Quanto você pesa?
–Uns... 36 quilos.
Izzy, que estava do meu lado, engasgou.
–Você pesa 36 quilos, Flake?! – ele disse – Você é anoréxico ou o que?
–Eu juro que eu me alimento direitinho! – eu levantei as mãos defensivamente – Eu só não consigo engordar. – eu ri suavemente.
Eu montei com cuidado nas costas de Till e ele se levantou. Deitei minha cabeça nas costas dele e relaxei, fechando os olhos. Eu estava me sentindo bem, até. Porque as pessoas só me pegam no colo para me girarem e depois me falarem “o quanto eu sou leve”. Eu meio que ouvi o Izzy resmungar algo como “Axl, eu quero que quando você fizer 20 anos você fique bem forte pra me carregar nas costas”. Eu não consegui ouvir o que o Axl falou, mas ele gemeu algo numa voz aguda. Eu fiquei num estado entre acordado e dormindo. Depois de um tempo que me pareceu uns 20 minutos, eu me senti escorregando das costas de Till. Eu tentei agarrá-lo de volta, mas não consegui e abri os olhos, assustado. Vi o rosto de Till e ele sorriu para mim.
–Eu vou sentar do seu lado agora. Sei nicht beunruhigt.
Olhei em volta, eu estava em um ônibus. Axl e Izzy se sentaram num banco duplo do nosso lado e Aljoscha se sentou atrás de nós. Eu deitei minha cabeça no ombro de Till e voltei a dormir. Eu dormi por um tempo que pareceu um mês. Till me acordou de novo, me chacoalhando. Nós andamos por mais um tempo, agora em um lugar mais urbanizado. Ninguém estava mais com cara de zumbi, porque todo mundo tinha dormido no ônibus. Andamos até uma casa grande e branca. Não, não era a Casa Branca; nós estávamos em Los Angeles.
–É aqui que o meu amigo mora. – Axl sorriu triunfante. Tocou a campainha. Um menino meio baixinho e loiro, de olhos castanhos, nos atendeu. Ele me lembrava o Paul, de uma certa maneira. Coisa doida da minha mente. Eu estava morrendo de saudades da Alemanha.
Axl o abraçou com força e disse:
–Esses são meus amigos.
O menino arregalou os olhos.
–Não sabia que vinha tanta gente.
–A gente tinha que levar mais alemães com a gente. – Axl riu e levantou os ombros.
–Ah, beleza. Podem entrar, meus pais foram trabalhar. Eu vou mostrar o quarto de vocês.
Esse menino saiu andando (quase saltitando) na nossa frente, enquanto ele indicava os quartos vazios. Eu ia dormir com Till e Aljoscha e Axl ia dormir com Izzy.
–Ah, esqueci de me apresentar. – soou a voz melódica dele – Eu sou o Duff. De vocês eu só conheço o Axl.
–Ah... – Izzy sorriu – Eu sou o Izzy, esses dois alemães aqui são o Till e o Flake e aquele cara suíço é o Aljoscha.
–O Axl me falou de você. Mas bem... Prazer em conhecê-los. – Duff empurrou uma mecha de seu cabelo loiro e perfeito para trás de sua orelha.
Parte de mim não estava gostando daquilo. O cara devia ter no máximo 14 anos de idade e estava deixando uns cinco estranhos ficar na casa dele por tempo indeterminado. Eu não sabia nem se os pais dele tinham concordado com isso, ou se a gente teria que ficar nos quartos em silêncio, tipo Anne Frank.
Fui para meu quarto com Till e Aljoscha. Tirei minhas roupas, ficando só de cueca, Aljoscha se deitou na cama, sem se preocupar em se despir e Till tirou apenas a camisa.
–Mais alguém além de mim acha isso tudo meio estranho?
–Eu. – Till disse.
–É... O cara não deve ter nem 16 anos. – soou a voz de Aljoscha.
–É... Só quero ver no que isso vai dar. Não quero ter que ir morar na rua de novo e pegar pneumonia. – eu resmunguei.
Me deitei na cama e notei que Till estava me observando. Assim que ele viu que eu tinha percebido, ele desviou o olhar e pigarreou.
–Till? – eu disse suavemente – Você quer me dizer alguma coisa?
Till levantou os ombros e sorriu.
–Você não está feliz com isso? Nós finalmente estamos juntos.
Meu estômago revirou de pensar nisso.
–Ja. – eu gaguejei.
–Se vocês quiserem transar, eu prometo que não olho. – Aljoscha disse casualmente.
–Que é isso. – Till balançou a cabeça, rindo – Ainda é muito cedo.
–É. – eu sussurrei. Por um momento, eu quis transar com Till naquela hora mesmo. Agora eu o tinha e nós éramos livres.
–Gute Nacht... Oder Guten Tag? – Till riu.
–Ich glaube, es ist “Tag”. – eu ri.
Puxei os lençóis sobre o meu corpo esquelético e relaxei, ouvindo os carros que passavam lá fora.
Notas finais
Du Schwanzlutscher - seu chupa-rola
Ja - Sim
Gute Nacht... Oder Guten Tag? - Boa noite... ou bom dia?
Ich glaube, es ist "Tag" - eu acho que é "dia"
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