PdV do Axl

Andamos praticamente Lafayette inteira, e nada. Quando disseram que o Flake tinha sumido, eu achei que era só andar um pouco e você o acharia numa esquina, enrolado num cobertor furado e sujo. Eu ainda não entendi porquê ele resolveu fugir. O Izzy tá muito mal, ele pensa nele todo dia (e chora fazendo isso). Ele fica se culpando, mas eu nem acho que é culpa dele. O Flake sumiu porque quis, não porque o Izzy pediu.

E eu estava lá, imerso nos meus pensamentos, chupando um cigarro de maconha, quando as palavras do Izzy me tiraram desse mundo:

–Eu desisto.

Eu engasguei na nuvem que tinha acabado de respirar.

–Quê?! – eu disse entre um ataque de tosse. Respirei profundamente, tentando não tossir. Quando me acalmei, continuei – Você vai desistir?!

­–Foi o que você ouviu. – ele disse friamente. Eu conseguia sentir a frustração na voz dele.

–Mas Izzy... – eu gaguejei um pouco, pensando no que dizer – Você não pode desistir! O Flake...

–Eu o odeio! – Izzy gritou e começou a chorar – Por que ele tá fazendo isso comigo? Ele não tem consideração? Por mim ele pode morrer agora!

­–Merda! – eu gritei, dando um tapa no braço dele. Eu parei de falar, porque não sabia o que dizer.

Izzy começou a gritar, de tanto que chorava e arrancar os cabelos com as mãos. Eu o segurei suavemente, sabendo que ele ia se arrepender de cada palavra e gesto que ele estava fazendo naquela hora.

­–Vamos para casa. – eu disse – Você tá cansado, andou durante horas.

­–Quando eu achar esse filho da puta, eu vou bater tanto nele que ele não vai nem conseguir andar!

Eu ri, imaginando a cena de um Izzy raivoso (em chibi) socando um Flake magrelo até a morte.

Beijei a cabeça de Izzy e ele se acalmou um pouco. Ok, eu tinha que dar amor a ele para que ele se acalmasse.

Levei-o para casa, enxuguei as lágrimas restantes dele, escovei o cabelo bagunçado dele, paguei um boquete pra ele, nós nos acariciamos na cama... Enfim, eu fiz dele o meu boneco (em um bom sentido). E ele se acalmou, felizmente.

–Não quero o Flake, eu quero você. – ele disse quando nós estávamos apenas deitados na cama, acariciando um ao outro.

–Ok. – eu beijei a testa dele – Mas a gente vai ter que acha-lo. A polícia não tá fazendo nada, e você já viu o frio que está lá fora?

­–Sim, tá bem frio. Pelo que eu sei, o Flake fica doente com facilidade. Por isso ele é tão magrinho.

­–É...

­–Uma vez ele me contou que teve uma intoxicação alimentar e perdeu 25% do peso.

­–Muito tenso...

­–É...

Ficamos em silêncio por mais um tempo.

­–Acho que você ainda gosta dele. – eu ri sarcasticamente. Nenhuma resposta. Eu achei que ele só estava me ignorando, mas quando eu olhei, ele tinha pegado no sono.



Sorrindo, eu puxei o lençol sobre a
gente, me ajeitei lá e dormi.