Pele E Lábios
32 Capítulo 32
PdV do Axl
Andamos praticamente Lafayette inteira, e nada. Quando disseram que o Flake tinha sumido, eu achei que era só andar um pouco e você o acharia numa esquina, enrolado num cobertor furado e sujo. Eu ainda não entendi porquê ele resolveu fugir. O Izzy tá muito mal, ele pensa nele todo dia (e chora fazendo isso). Ele fica se culpando, mas eu nem acho que é culpa dele. O Flake sumiu porque quis, não porque o Izzy pediu.
E eu estava lá, imerso nos meus pensamentos, chupando um cigarro de maconha, quando as palavras do Izzy me tiraram desse mundo:
–Eu desisto.
Eu engasguei na nuvem que tinha acabado de respirar.
–Quê?! – eu disse entre um ataque de tosse. Respirei profundamente, tentando não tossir. Quando me acalmei, continuei – Você vai desistir?!
–Foi o que você ouviu. – ele disse friamente. Eu conseguia sentir a frustração na voz dele.
–Mas Izzy... – eu gaguejei um pouco, pensando no que dizer – Você não pode desistir! O Flake...
–Eu o odeio! – Izzy gritou e começou a chorar – Por que ele tá fazendo isso comigo? Ele não tem consideração? Por mim ele pode morrer agora!
–Merda! – eu gritei, dando um tapa no braço dele. Eu parei de falar, porque não sabia o que dizer.
Izzy começou a gritar, de tanto que chorava e arrancar os cabelos com as mãos. Eu o segurei suavemente, sabendo que ele ia se arrepender de cada palavra e gesto que ele estava fazendo naquela hora.
–Vamos para casa. – eu disse – Você tá cansado, andou durante horas.
–Quando eu achar esse filho da puta, eu vou bater tanto nele que ele não vai nem conseguir andar!
Eu ri, imaginando a cena de um Izzy raivoso (em chibi) socando um Flake magrelo até a morte.
Beijei a cabeça de Izzy e ele se acalmou um pouco. Ok, eu tinha que dar amor a ele para que ele se acalmasse.
Levei-o para casa, enxuguei as lágrimas restantes dele, escovei o cabelo bagunçado dele, paguei um boquete pra ele, nós nos acariciamos na cama... Enfim, eu fiz dele o meu boneco (em um bom sentido). E ele se acalmou, felizmente.
–Não quero o Flake, eu quero você. – ele disse quando nós estávamos apenas deitados na cama, acariciando um ao outro.
–Ok. – eu beijei a testa dele – Mas a gente vai ter que acha-lo. A polícia não tá fazendo nada, e você já viu o frio que está lá fora?
–Sim, tá bem frio. Pelo que eu sei, o Flake fica doente com facilidade. Por isso ele é tão magrinho.
–É...
–Uma vez ele me contou que teve uma intoxicação alimentar e perdeu 25% do peso.
–Muito tenso...
–É...
Ficamos em silêncio por mais um tempo.
–Acho que você ainda gosta dele. – eu ri sarcasticamente. Nenhuma resposta. Eu achei que ele só estava me ignorando, mas quando eu olhei, ele tinha pegado no sono.
Sorrindo, eu puxei o lençol sobre a
gente, me ajeitei lá e dormi.
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