Pele E Lábios
10 Capítulo 10
PdV do Izzy
Eu gemi tristemente ao olhar para o nome na lista pregada ao mural.
–Ah, eu fiquei de Química…
–Hahaha, eu não fiquei! – Axl me cutucou no ombro de um jeito bem irritante – Eu e o Flakezinho!
–Mas o Flake é nerd, ele tira 9,5 em tudo. – eu resmunguei – Eu estudo e não tiro nem um 6!
–Colar é o segredo. – Axl riu – Não que eu faça isso em toda prova. Eu sou um cara responsável que estuda também.
–Seeeei. – dei uma cotovelada nele, que riu – Bem… Quem vai ficar comigo a tarde na escola?
–Eu fico. – Flake levantou os ombros – Não tenho nada melhor pra fazer hoje…
–Mas eu acho que eles não vão deixar você ficar na sala comigo.
–Tudo bem, eu não ligo em esperar do lado de fora. E eu poderia te atrapalhar… – ele sorriu malignamente.
–Tem razão. Axl, sabia que o Flake adora me provocar?
–Inclusive – Axl disse – Do que vocês estavam rindo na aula de religião?
–A gente vai casar. – eu entrelacei meu braço no de Flake – Em outubro desse ano ainda. Você vem, né Axl?
A expressão no rosto dele era uma mistura de desapontamento e confusão. Aí ele ficou vermelho.
–Tira o olho, Flake. Esse aí já é meu.
Flake explodiu em risos, apesar de Axl ter falado sério.
–Tá com ciúmes!
–Não to! – Axl o empurrou. É, ele estava com ciúmes.
–Tá sim!
–Idiota! – Axl deu outro empurrão nele – Pára de rir senão eu quebro seu nariz de novo!
–Ok… – Flake disse, tentando parar de rir.
O dia correu normalmente. Axl estava morrendo de ciúmes e eu, particularmente, não sabia quem escolher. O Axl era meu melhor amigo e eu sempre quis ficar com ele, mas eu também estava me interessando pelo Flake. E outra, o Axl nunca quis ficar comigo, por que ele vai querer agora? Ou então ele escondeu isso de mim o tempo inteiro. E eu conhecia Flake há dias, mas parecia que eu já o conhecia há muito tempo.
–Você tem dinheiro para o almoço? – eu perguntei para Flake quando a aula acabou.
–Não to com vontade de comer... – foi tudo o que ele disse. Eu levantei uma sobrancelha.
–Você vai passar mal, Flake... Eu pago pra você, não tem problema.
–Nah, não precisa... Eu só não to com fome.
–Ok... Mas quando você começar a chorar de fome eu vou rir.
Flake riu suavemente. Mas aí seu rosto ficou sério novamente.
–Que foi? Tem alguma coisa errada? – eu passei meu braço ao redor dele.
–Nada. – ele balançou um pouquinho a cabeça – Só estava pensando...
–No que?
–Nada, nada... – ele me beijou na bochecha. Depois disso, ficamos em silêncio por um bom tempo. – Eu gosto de você, Izzy. – ele começou – Mas se você quiser ficar com o Axl não tem problema.
Eu ri.
–Você tá com medo de que ele te dê porrada?
–Não! – ele levantou a cabeça – Eu só sinto com se eu estivesse atrapalhando alguma coisa de vocês.
–Não está não. Flake, o Axl nunca te machucaria, você sabe disso.
–Esse não é o problema. Eu acho que ele gosta de você.
–Eu tenho certeza disso. Mas você sabe como ele é, né... Ele tem muita vergonha disso tudo. Ele quer ficar comigo, mas ao mesmo tempo ele não quer que as pessoas o chamem de “bicha” ou “gay”. Você sabe como ele fica quando ele está irritado. – eu ri suavemente.
–Vocês podem namorar escondidos. Ninguém precisa saber. Nem eu preciso saber.
Foi como se uma luz tivesse se acendido na minha mente.
–Flake, você é um gênio! – eu o abracei com força e ele sorriu.
–Neeh, não sou. Então... Você vai ficar com o Axl?
–Vou. Vou tentar, né. Mas antes, eu queria fazer uma coisa. – meu coração bateu mais rápido em pensar que eu teria que dizer aquilo. Eu segurei Flake pela nuca e sussurrei no ouvido dele – Eu queria transar com você.
Eu vi a cor deixar o rosto dele e o queixo dele caiu.
–Liebchen... Eu te amo, mas não sei se eu estou preparado... – ele começou a tremer. Eu segurei nas mãos dele para tentar acalmá-lo – Quer dizer, eu nem tenho ideia de como se faz... Eu era totalmente virgem antes de te conhecer...
Aí foi a vez do meu queixo cair.
–Você era BVL?
Ele balançou a cabeça positivamente e lágrimas começaram a cair de seus olhos.
–Ach, eu estou tão envergonhado! – ele passou uma mão pelos cabelos.
–Flake! – eu o abracei – Não precisa chorar. Não precisa ter vergonha, tá tudo bem. Sou seu amigo.
–Me desculpa. – ele disse, parando de chorar – Eu não sei porquê to agindo assim.
–Normal... Você tá nervoso. Não é todo dia que se ouve uma coisa dessas.
–Sim... – ele sorriu – Bem... Vamos almoçar?
–Claro. Eu só preciso ir ao banheiro um segundo.
–Ok. Vou pegar uma mesa para a gente. – Flake sorriu.
Eu sorri e tomei meu caminho para o banheiro. Enquanto eu estava fazendo meu trabalho, eu comecei a pensar se eu não tinha sido muito adiantado dizendo aquilo para o Flake. Ele tinha ficado assustado, coitado. É, talvez seja melhor deixar aquilo para depois. Mas eu queria fazer antes de pegar o Axl.
Eu ia sair do banheiro, quando duas mãos agarraram a minha cabeça e me puxaram de volta para o banheiro. Eu gritei de surpresa e tomei um tapa. Essas mesmas mãos me jogaram em uma das cabines do banheiro e eu quase tropecei no vaso sanitário. Quando recuperei o equilíbrio, levantei o rosto e consegui ver a cara do meu agressor. Era um rapaz grande, forte, daqueles playboyzinhos. Depois de um tempo raciocinando, eu finalmente me toquei que aquele cara não era um cara comum. O nome dele era Charles, ele era mais velho, e eu sabia da fama que ele tinha. Comecei a gritar, mas ele cobriu minha boca com a mão e me pressionou contra a parede.
–Cala a boca, vadia! – ele disse.
Vadias, era o que nós, mais novos, éramos para ele. Eu consegui sentir a ereção dele na minha coxa e lágrimas começaram a cair dos meus olhos. “Cadê o imbecil do Flake?” eu pensei enquanto tentava me debater. Mas o cara era forte, conseguia me segurar sem muito esforço. Ele começou a empurrar os meus ombros para baixo, para me fazer ficar de joelhos, mas eu resisti com todas as minhas forças. Ele ficou irritado e me deu um chute forte na canela. Meu grito foi abafado pela palma da mão dele e eu caí. Ele desafivelou o cinto e abaixou as calças. Eu entrei em pânico.
–Não... – foi tudo o que eu consegui dizer antes de selar meus lábios com força para não deixar o pau dele entrar. Mesmo assim, ele só precisou espremer a minha mandíbula para eu abrir a boca. Na mesma hora em que ele enfiou o pau na minha boca, eu dei a mordida mais forte que consegui. O urro que ele deu foi lindo. Enfurecido, ele tirou o cinto de sua calça e me bateu no rosto com aquilo. Eu chorei de dor, e acho que a marca do cinto ficou na minha bochecha
–Você só perdeu a chance de deixar isso menos doloroso. – ele riu malignamente. Me agarrou pela camisa e me puxou para cima.
Eu tentei lutar, mas ele conseguiu me virar de costas e enrolou o cinto nos meus pulsos, atrás das costas. Terminado isso, sua mão foi parar na minha boca para reprimir qualquer tentativa de grito e sua outra mão abaixou minhas calças. Meu corpo inteiro se contorceu e eu gritei e chorei quando ele entrou em mim duro e seco. Ele estava me fodendo com tanta força que o saco dele estava batendo contra o meu.
–Você é uma putinha apertada, né? – ele riu.
Eu só chorei mais durante os dez minutos de vai-e-vem. O pau dele era muito grande e ele gozou dentro de mim. Tirou de lá suavemente e finalmente me soltou.
–Eu adoraria te deixar assim, mas eu preciso do cinto. – ele disse, enquanto soltava o cinto enrolado nos meus pulsos – Ah – ele se aproximou de mim – E nem pense em deixar escapar uma palavra do que aconteceu aqui porque se não, o seu amiguinho ruivo é o próximo.
Ele simplesmente destrancou a porta da cabine e foi embora como se nada tivesse acontecido. Chorando muito, eu usei o resto da dignidade que eu tinha para levantar minhas calças. Fiquei um bom tempo naquela cabine ainda, chorando de quatro, porque sentar doía. Eu senti algo molhado escorrer pela minha perna e esse “algo” agora estava molhando a minha calça. Saí do banheiro, ainda aos prantos. Flake estava há uns metros de mim, conversando com aquele professor de religião. Ele notou a minha aparência vergonhosa e veio até a mim e me abraçou.
–Izzy, o que aconteceu? – ele me soltou um pouco para me olhar. Seus olhos azuis se arregalaram quando ele viu a marca de cinto na minha bochecha – Izzy, seu rosto! O que tem no seu rosto?!
–Meu cu, Flake. Meu cu. – eu disse, desabando a chorar – Eu quero ir embora. Eu quero ir pra casa.
–Eu te levo.
Ele me abraçou para que eu não perdesse o equilíbrio e nós andamos até minha casa. Minha mãe, por sorte, não estava lá. Flake me levou até meu quarto.
–O que aconteceu, Izzy? – ele perguntou suavemente.
–Eu não posso falar... – eu disse, cobrindo o rosto com as mãos. Se eu contasse para o Flake, o Axl seria a próxima vítima daquele filho da puta.
Flake veio até a mim e tirou minhas mãos do meu rosto. Aí ele olhou fundo nos meus olhos, com seus olhos cheios de pena.
–Você tá com dor. Deixa eu só ver o machucado. Você não vai precisar me explicar nada.
Eu balancei a cabeça positivamente, ainda chorando. Morrendo de vergonha, eu abaixei minhas calças e me virei de costas. Flake simplesmente se ajoelhou atrás e mim e abriu com muito cuidado as minhas duas nádegas.
–Você tá sangrando! – ele disse e eu senti algo macio enxugar a ferida latejante na minha bunda. Virei a cabeça e Flake estava sem camisa. Ele estava, na verdade, usando sua própria camisa para enxugar o sangue e o gozo da minha perna e do meu cu.
–Não precisa, Flake. – eu disse, sentindo meu rosto esquentar – Vai melhorar.
–Hoje eu posso ser o seu médico, Izzy liebchen. – ele sorriu dolorosamente. Era óbvio que ele não estava gostando nem um pouco de me ver naquela situação – Ele te machucou mesmo... – ele disse suavemente – Eu vou matar quem fez isso com você, Izzy.
–Flake, se você for atrás dele ele te mata antes! Ah, e depois vai atrás do Axl! E o estupra também! – o medo cresceu dentro de mim só de imaginar a cena.
–Eu não ligo. – ele disse friamente – Eu não vou deixar esse cara se safar assim. Izzy, você significa muito pra mim, não quero te ver machucado. Eu trago a cabeça dele pra você numa bandeja de prata, se você quiser. Mas deixe-me me vingar. Bitte, liebchen.
Eu o abracei.
–Eu não quero que ele encoste em você ou no Axl. Não vai atrás dele, por favor. Promete pra mim? – eu o beijei na bochecha. Ele ficou em silêncio. Eu repeti a pergunta.
–Claro... – ele disse, sorrindo.
–A vida vai puni-lo, você vai ver.
–Tá. Izzy... Não sai mais de perto de mim.
Eu ri.
–Não saio...
–Eu sou o único que pode te proteger se algo acontecer.
–Você? Com braços de graveto?
Ele riu.
–Vem, eu vou te dar um banho. Você está horrível.
Notas finais
Liebchen - amorzinho
Bitte - por favor
Ach - ah
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