Pela Princesa - Interativa
17 Trilhas do Dever e Amor
Notas iniciais
p o r t o r e a l
Naquele dia o período chuvoso havia dado uma trégua aos habitantes da capital, deixando que o calor ameno do sol matinal entrasse pelas cortinas entreabertas e iluminasse a cama de Sieglinde. A luminosidade em suas pálpebras a acordou, ela piscou algumas vezes ainda sonolenta e sentou-se no colchão com calma para não acordar seu acompanhante.
Borys estava estirado na cama de dorso, deixando que as costas largas e musculosas também recebessem o brilho solar. Sieglinde sorriu involuntariamente, se lembrando da noite passada e de todas as outras que haviam dividido desde aquela primeira vez levada pelo vinho. Os encontros deles tinham se tornado regulares e cada vez menos secretos, já que a corte não era lugar para se ter segredos, pois todos acabam sendo revelados. Porém, mesmo com este perigo, ainda assim nenhum dos dois deu a palavra para que parassem de se ver.
Sif se sentia novamente como uma adolescente boba e isso a preocupava em parte. No início achava que apenas estava fazendo aquilo para se livrar da tensão, para sentir prazer com um alguém depois de tanto tempo. Todavia, quanto mais os dias passavam e as noites juntos se tornavam mais comuns, ela percebia que gostava verdadeiramente daquilo, que gostava do Baratheon. Ele não era como os outros casos que a Martell havia tido antes, ela não se sentia culpada como das outras vezes e ficava aguardando pelo próximo encontro sempre que o homem saia de seus aposentos. Isso a lembrava em parte de Gaemon, mas não do luto ou como forma de culpa por estar se entregando a outra pessoa novamente, porém trazia para a Princesa de Dorne o mesmo sentimento juvenil de estar apaixonada e… feliz.
Ela passou a mão pelos cabelos ainda bagunçados se perguntando onde estava se metendo e porquê não queria parar.
Borys era diferente de todos os homens de dorneses e até mesmo dos que habitavam o resto de Westeros. Era mais calado do que a maioria e era dado às ações, por isso que para ela era sempre difícil ler seus pensamentos e descobrir o que sentia já que ele nunca lhe dizia muito, como fora na primeira noite deles juntos em que a bebida libertou a língua de ambos. Sif se questionava ultimamente sobre o que ele achava de tudo aquilo, já que ela mesma não tinha pensamentos definidos em relação a toda a situação.
Dessa forma, quando ele começou a acordar Sieglinde se viu na obrigação de tirar palavras dele.
— Olá. — Borys murmurou com a voz ainda embargada.
— Olá. — Sif respondeu da mesma forma, deixando outro sorriso doce aparecer em sua face normalmente presa numa expressão comum para a maioria das pessoas. — Dormiu bem?
Ele concordou com um aceno, se levantando da cama e se espreguiçando ainda nu.
— Até demais, o sol já se levantou, eu deveria ter saído de madrugada. — O Baratheon comentou enquanto catava suas roupas jogadas pelo aposento e vestia seus calções com certa pressa.
— Volte para cá. — Ela ordenou lançando-lhe um olhar direto.
Aquilo tirou um riso divertido do Herdeiro de Ponta Tempestade.
— Princesa… — O homem murmurou com um sorriso que trazia malícia e vergonha ao mesmo tempo. — Creio que não seria apropriado, nós dois temos afazeres e…
Sieglinde gargalhou, batendo no lugar onde ele havia se deitado, o chamando de volta.
— Não para aquilo, Sor. — Ela explicou enquanto ele voltava para a cama. — Precisamos conversar.
— Sobre o quê? — Borys questionou coçando a barba, incomodado.
— Nós.
Antes, não havia existido um nós para nenhum dos dois por um bom tempo. Ela havia amado um único homem com todo seu ser e se entregado completamente para ele, mas agora havia encontrado algo diferente e algo bom, que a fazia bem. Borys era uma pessoa mais fechada do que o comum, deixando sua confiança e amizade depositadas em poucas pessoas, o amor em indivíduos mais seletos ainda. Millian Tyrell havia quebrado todas suas barreiras com sorrisos calorosos e sua personalidade dócil, por isso que ele tinha medo de se abrir de novo após perder alguém que havia amado tanto, mesmo que agora tivesse reencontrado Sieglinde e se aberto para ela também.
A questão ali era amor e quão miseráveis as pessoas poderiam ficar quando o perdiam.
— Você quer parar com nossos encontros? — Ele foi direto, colocando os braços contra o peitoral.
Sif discordou balançando a cabeça e o cabelo bagunçado em conjunto. Ela se aproximou mais, pegando a mão dele e apertando contra as suas. Beijou ali, tentando demonstrar o carinho que sentia por ele e talvez algo a mais que nem a própria Martell havia explorado totalmente em seu coração. O Sor a encarou com um par de olhos claros e rígidos.
— Não, queria poder continuar com eles livremente. — Sieglinde sorriu e então suspirou com certo pesar. — Porém, nossa vida não é tão simples assim, não é mesmo?
— Aonde quer chegar, Sif?
Ela piscou, se surpreendendo por ele usar seu apelido após tanto tempo. Entretanto, continuou com o tópico delicado.
— O meu ponto é, eu sou a Herdeira de Dorne, futura Senhora de Lançassolar. — Sif começou sentindo o peso das palavras levar os dois para baixo da formalidade e das leis que condenavam aquele mundo guiado pelo poder. — Você é o herdeiro de seu pai, um dia será Senhor de Ponta Tempestade. Nós dois temos responsabilidades e não vamos ficar para sempre nesta corte, então qual será nosso futuro?
Borys se incomodou ainda mais, se levantando da cama e apertando as mãos contra as axilas. Tal como o mar, a personalidade dele podia ser maleável, como a maré mais calma repentinamente tomada pela tempestade.
— Por que temos que discutir isso agora? Por que não aproveitamos enquanto podemos?
— Exatamente porque não sabemos quando tudo isso vai acabar! — Ela exclamou com mais força do que pretendia, se levantando e batendo de frente com ele. — Você será Lorde e eu Princesa, mesmo se um dia quiséssemos ou chegássemos a tal ponto de intimidade, não poderíamos nos casar com você abdicando do nome Baratheon, não com seu irmão na Cidadela e você também não tendo herdeiros.
— Casamento?! Era nisso onde você queria chegar? — Ele perguntou já perdido quanto ao rumo de tudo aquilo e o que ela queria.
Borys Baratheon gostava das coisas simples e diretas, sem complicações ou conversas fiadas. Então, todo aquele diálogo o incomodava, já que não era bom com as palavras como seu irmão mais novo ou Roberta, ou ainda Sieglinde. Não entendia muito de mulheres e aquela ali era uma das mais complicadas que já havia encontrado em sua vida. Estava se sentindo acuado contra todas as suposições e verdades que ela jogava contra ele abruptamente.
— Argh! — Ela se empertigou enquanto resmungava contrariada. — É claro que não! Isso nunca foi meu objetivo, isso tudo nunca esteve em meus planos!
Ele encarou o chão por alguns segundos e ela começou a andar de um lado para o outro tentando fazer sua mente trabalhar com mais agilidade. Borys não sabia o que dizer, ou pior ainda, o que fazer! Por isso que decidiu sair dali quanto antes, para que a situação não ficasse pior do que já estava.
— Bom, eu espero que possa continuar com seus planos sem mim. — Murmurou quase já se arrependendo imediatamente de sair daquele cômodo.
Sieglinde não teve tempo para rebate-lo, não quando ele pegou o que restava de suas roupas e saiu dos aposentos dela batendo a porta atrás de si. Ela suspirou pesarosamente, vendo como havia perdido o controle da situação, não apenas naquela conversa, mas também no próprio coração. Sif havia ficado chateada e com raiva, pois Borys era um cabeça dura que não havia dado tempo e espaço para ela se explicar. Entretanto, não era do feitio da dornesa se deixar levar pelas emoções facilmente, então não sabia se devia ir atrás dele e terminar aquela conversa ou deixá-lo tomar seu tempo.
Optou pela segunda opção, vestindo seu roupão dourado adornado de pequenos sóis radiantes e não uma roupa formal.
Ainda era uma manhã bonita, mesmo após a discussão. Pensou que poderia seguir com Daevon para os jardins ou ainda pegar uma escuna e velejar pelo Água Negra, como faziam em Dorne para observarem as aves brancas contra o céu azul e as ondas quebrando na costa. Por isso, adentrou no quarto dele, observando que já estava acordado em sua cama e com um livro em mãos.
Sieglinde sorriu, se aproximando e sentando ao lado dele.
— Lendo os escritos do Septão Barth? — Ela questionou observando a lombada rica em detalhes e o desenho da capa adorando com um dragão.
— Sim, ele dizia que os dragões não eram nem masculinos ou femininos.
— Muitos mistérios acerca dessas criaturas se mantêm até hoje. — A mulher respondeu tentando esboçar um sorriso divertido.
Daevon a encarou com o par de olhos azuis idênticos aos do pai.
— Vocês brigaram?
Sif piscou, pega de surpresa.
— Quem brigou, querido?
— Eu sei sobre Sor Borys, não precisa esconder de mim.
A Herdeira de Dorne abriu a boca para responder algo, entretanto a fechou em seguida, abrindo um sorriso nos lábios. Algumas poucas vezes até ela mesma se esquecia o quão observador e esperto seu filho poderia ser, se saindo melhor do que todos os outros meninos de sua idade.
— Eu acho que nunca vou conseguir esconder segredos de você.
Daevon não sorriu junto, se mantendo sério.
— Você gosta dele como gostava de meu pai?
Sieglinde novamente foi tomada pela surpresa. Ela mesma não havia pensado nisso com verdadeira clareza até aquele momento. Todavia, a primeira resposta que vinha a sua mente era não. Pois, o que sentia por Borys era algo totalmente diferente do que tinha cultivado com Gaemon. Os dois eram completos opostos em inúmeros sentidos, mas fizeram e faziam o coração dela palpitar de ansiedade, paixão e desejo. Borys era emoção, toque, certeza e ação, Gaemon era…
Ela não tinha uma resposta para dar.
— Não se preocupe com isso.
— Tia Elrie me disse que é possível se apaixonar mais de uma vez. — Ele comentou com a calma de um ancião e ela percebeu que estava tentando fazê-la se sentir melhor.
Sieglinde não pôde deixar de ter os olhos marejados, abraçando Daevon com força e beijando sua cabeça com carinho. Seu único filho e seu maior tesouro naquele mundo, daquilo ela nunca teria dúvidas em momento algum. Não era certo que ele ficasse envolto nos problemas dela, tinha que ser uma criança enquanto ainda podia, afinal já havia tanto com o que se preocupar apenas pela bastardia.
Ela mudou de assunto rapidamente.
— E você, como está?
Daevon olhou por alguns segundos para o livro agora fechado, antes de falar com sinceridade.
— Sinto falta de casa, da nossa família, das outras crianças, dos Jardins de Água. — Disse com um tom baixo, como que para não magoá-la de qualquer forma ou fazer ela se aborrecer, porém não conseguiu conter a pergunta que tinha dentro de si. — Quando poderemos voltar?
Ela sorriu novamente, dessa vez com um semblante triste e teve que limpar os olhos com as costas da mão para que as lágrimas não caíssem na frente dele. Sif sentia falta dos Jardins na mesma intensidade, do mar de Dorne, da brisa fresca, do lugar que ela chamava de casa. E especialmente de sua família que havia ficado para trás. Tinha Elrie ali, mas a irmã mais nova, por mais amorosa que fosse, não poderia sozinha suprir toda a saudade e Sif nunca conseguiria se adaptar a Porto Real como a outra havia feito.
Entretanto, como quase sempre, ela tinha que se manter forte por eles dois.
Como a Princesa Dornesa que era.
— Não se preocupe, tudo isso vai acabar logo. — Sieglinde não tinha certeza daquilo, mas precisava que ele tivesse. Sabia que ela não estava mais próxima do que nenhum dos outros de achar a Princesa perdida, porém tinha que tentar mais um pouco. Por Daevon, por seu filho e pelo que ele poderia ser no futuro caso ela tivesse sucesso.
Sif se lembrou de seu pai, do falecido esposo de Selaena Martell e do que ele sempre dizia para ela.
Levantou o queixo de seu filho, fazendo ele encarar seus olhos.
— Agora, me dê um sorriso.
Fuchs estava quase perdendo as esperanças.
A Princesa Alyssana não estava na capital, disso ele tinha total certeza. Ninguém havia visto um vislumbre de seus passos por ali de acordo com todos os espiões Tyrell que ele havia infiltrado pelos quatro cantos da cidade, além de todos os rumores não passarem disso, apenas fofocas que iam de boca em boca e não levavam a lugar algum. A possibilidade dele se casar com a Princesa e se tornar Rei Consorte parecia escapar de suas mãos como areia e era tudo isso que ele relatava a sua avó na carta que iria para Jardim de Cima.
Ele temia o que a matriarca Tyrell pudesse dizer em sua resposta futura e ainda tinha mais medo da decepção dela.
Inicialmente, o Senhor da Campina havia se dado bem na capital, aquele lugar era dado para todas as artimanhas da política que ele já dominava, então o rapaz não teve dificuldades. Achara que traria orgulho para sua avó e sua Casa, achando Alyssana como um grande herói usando apenas sua influência e poder. Entretanto, ele havia falhado e não tinha tido qualquer resultado. Ainda sentia falta de sua casa, de sua família e de sua rotina no castelo mais belo de Westeros. Lá ele não tinha que se preocupar em guardar segredos e falar apenas o que poderia ser ouvido, uma liberdade que havia perdido assim que tinha colocado os pés no pátio da Fortaleza Vermelha.
Ele deixou de fechar o envelope quando a porta se escancarou e foi fechada com brutalidade.
— Fuchs. — Não poderia ter sido outra pessoa senão Eleonora, apenas ela teria a coragem e falta de respeito de entrar daquela forma nos aposentos dele, além de lhe dirigir tal tom totalmente fora da formalidade.
— Poderia ter batido na porta, irmã. — Respondeu voltando sua atenção em lacrar o envelope com a cera verde.
— Vai fingir que não fez nada? Como ousa cortar a minha renda? — Ela esbravejou com a face avermelhada de raiva.
Fuchs continuou cuidando de seus afazeres enquanto respondia à irmã.
— Você acha que eu sou algum bobo da corte? Você vem gastando uma fortuna todos os dias com coisas fúteis apenas para se vingar por eu não fazer suas vontades tolas.
Não dirigiu o olhar a ela enquanto falava e isso a levou até o limite. Eleonora pegou a carta de suas mãos e a rasgou imediatamente, jogando em seguida na lareira apagada e cheia de cinzas. Fuchs também perdeu a paciência com a futilidade da irmã, se levantando de sua cadeira de supetão e a encarando firmemente.
— Quando você irá crescer? — Ele questionou apertando os punhos para conter sua raiva. — Você já é uma mulher crescida e ainda age como se fosse uma garotinha atrás de algo impossível! Você não vai se casar com Borys Baratheon e essa é a última vez que eu lhe digo isso!
A essa altura ambos já gritavam para que os guardas Tyrell na porta pudessem ouvir e fofocar para o resto da guarda e criados depois.
— Quem você acha que é? Quem te deu autoridade sobre mim e o que eu posso ou não fazer? — Ela bradou se aproximando e parecendo ter mais do que sua pequena estatura. — Você não passa de um capacho de nossa avó, nunca será nada sem ela. E principalmente, nunca será como nosso pai!
Ele perdeu toda a paciência, a segurou pelos braços com força e grunhiu pela pura raiva que apenas ela poderia ascender dentro dele. Eleonora o olhou satisfeita por ver o irmão perder toda a compostura que tentava manter a todo momento, mostrando que até ele poderia perder a pose de perfeição da mesma forma que ela.
— O que vai fazer? — Questionou acidamente e com nenhum medo dentro de si, sem tirar os olhos dos dele. — Me bater como fez após meu casamento?
Fuchs a largou, se lembrando do peso de sua mão contra a face de Eleo. Ele havia feito aquilo apenas uma vez na vida, logo após descobrir que Andrus havia sido morto por conta da irmã e de suas atitudes impensadas. Havia prometido a si mesmo e a avó que nunca mais perderia a postura e o bom-senso como naquele dia, por isso que tentava a todo tempo permanecer sólido, com um sorriso na face e sem se deixar levar pela raiva crescente.
— O que foi, Fuchs? Perdeu sua coragem? — A irmã de Lorde Tyrell questionou circundando-o. — Toquei na sua ferida, não é mesmo? O fato que você nunca será grande ou respeitado como nosso pai, sempre precisando ficar debaixo dos espinhos de nossa avó.
Ele fechou os olhos com força, tentando conter a emoção dentro de si.
— Você sempre foi a preferida dele! Ele sempre fez tudo o que você quis! Nada do que eu fazia era bom o suficiente… — Murmurou por fim, agora a raiva havia se misturado com as lágrimas de memórias do passado, Eleo olhava para o irmão em um misto de raiva ainda presente e choque. — Ele me mandou embora e você nunca me perguntou como foi ter de passar tanto tempo longe de casa! Nosso pai nunca me amou como amara você, Eleonora.
O Cavaleiro dos Cravos não conseguiu encarar a irmã, se virando de costas para ela em direção às janelas de seus aposentos, enquanto secava as lágrimas persistentes. Eleonora não se apiedou de Fuchs imediatamente, não quando o orgulho dela era maior que tudo.
— E você sempre foi o preferido de nossa mãe e nossa avó! O queridinho da Campina e de todos, ninguém nunca te julga da mesma forma que eu. Ninguém nunca te chamou de vadia por levar alguém para a cama, sendo que você sempre fez isso sem o mínimo de cautela. Nunca te impediram de fazer o que queria e como queria! Sempre teve todos os privilégios do mundo!
— Mamãe nunca me amou de verdade. —Fuchs respondeu se virando para Eleo, ela viu a dor ali, porém preferiu continuar brigando, era mais fácil do que fazer as pazes, do que aceitar que ambos estavam errados em muitas coisas. — Ela sempre amou o poder que eu dava para ela, a posição segura em Jardim de Cima e o fato dela não ter que voltar para Dorne. E vovó…
— Pare! — Ela berrou. — Você não é inocente aqui, Fuchs! E isso não é uma competição para saber quem é a pessoa mais fudida!
Ele escorou-se na mesa, os olhos deveriam estar vermelhos, mas ao menos tinha conseguido parar de chorar.
— Por que você é assim? — Perguntou realmente sem saber o que se passava dentro da irmã e de seu coração venenoso junto de sua mente manipuladora. — Sem emoção, medo, remorso…
Ela piscou enquanto cravava as unhas nas saias de seu vestido, com raiva novamente por não ter uma resposta. Desde que se lembrava Eleonora sempre fora daquele jeito, toda vez que ela queria algo tinha que fazer de tudo para conseguir. Havia ficado com raiva da avó por ela ter feito o acordo dela se casar com Loren Lannister, e ainda mais de Fuchs por ele não ter feito nada para impedi-la, por isso tinha seduzido o amante do irmão e usado ele para que ela conseguisse o que queria. Não queria ter de viver o resto da vida em Jardim de Cima sob as ordens de Alerie ou casar com Garth, então derrubou a prima para tomar o lugar dela. E tinha feito tantas outras coisas antes que nem conseguia recordar mais.
Entretanto, no fim, nem ela mesma sabia por que era daquela forma, Eleonora apenas era.
A Tyrell se empertigou, encarando o irmão que ainda aguardava uma resposta.
— Pare de ser sentimental e trate de fazer minha renda voltar ao que era. — Eleo deu as costas ao irmão cansada daquela discussão, ainda sentia um aperto dentro de si após falar e ouvir tantas coisas, entretanto foi impedida de sair.
— Guardas. — Fuchs chamou e o par de homens entrou rapidamente para atender as necessidades do Lorde.
O Tyrell sabia que a irmã continuaria fazendo o que quisesse até ter o que queria e ele precisava manter o nome da família intacto de todo mal. Eleonora era um perigo para ele, a Casa Tyrell e si mesma. Ela precisava ser detida para que não causasse mais problemas, logo ali dentro da Corte Targaryen, mesmo que ele tivesse de fazer coisas que não queria.
— Levem Lady Tyrell até os aposentos dela e a não deixem sair de lá, ela não deve sair do quarto até que eu dê ordens contrárias em hipótese alguma. — A voz dele o lembrou da mesma de seu pai, dura e rígida como espinhos, sem um pingo de compaixão e ele se odiou naquele momento por isso.
— Fuchs! — Eleonora murmurou em choque enquanto os homens obedeciam ansiosos, a puxando pelos braços enquanto ela se debatia e gritava.
Ele trancou a porta quando eles saíram e se sentou no chão ainda ouvindo os protestos dela por um bom tempo, passou a mão pelos cabelos curtos e se perguntando se estava fazendo a coisa certa. Ele gostaria que a vida fosse mais simples, como na época que eram crianças pelos jardins e Eleo não era completamente daquela forma. Talvez a irmã agora o odiaria ainda mais e nunca o perdoasse novamente, mas Fuchs sabia que tinha um dever a cumprir como Senhor da Campina, mesmo que isso significasse ter Eleo o desprezando.
Sabia também que não colocaria nada daquilo na outra carta que iria escrever para Alerie.
Fale com o autor