Pela Princesa - Interativa

18 Resguardar o Futuro


Notas iniciais
oi gente! primeiramente, perdão pela demora imensa, espero que não vejam isso como falta de interesse da minha parte, eu amo escrever essa história e debater com vocês as teorias, ler os comentários ♥ minha demora se deve em parte pelo fato de eu não ter tido muita inspiração ultimamente, e eu não tento mais forçar a escrita, pq eu acho que o texto acaba ficando ruim no final. bom, os próximos capítulos vão ser bem mais movimentados haha meus planos são grandes e eu espero ainda poder contar com todos vocês, mesmo com meu pequeno sumiço agora, desculpa novamente :( enfim, eu espero que vocês gostem! perdoem qualquer erro tbm! boa leitura :D

f o r t a l e z a v e r m e l h a

Existiam desvantagens e vantagens no fato de Roberta Baratheon ter sido criada num castelo cheio de homens, e tendo sido cercada por eles ao longo de boa parte da sua jovem vida.

Nos corredores mais profundos do palácio da memória ela conseguia se lembrar de estar sentada no colo de seu pai dentro do grande salão de Ponta Tempestade, ele bebia cerveja preta, como sempre, e ela beliscava tudo o que podia da mesa de banquete pós-caça, pois o Lorde nunca negava nada a sua pequena princesa. Lambuzava os dedos com os molhos da carne de veado ou javali, deixando as mãos gordurosas e limpando em seus belos vestidos dourados, para que assim sua mãe brigasse com ela mais tarde e suas amas ficassem deprimidas por terem que lavar as manchas de seda tão fina.

Borys normalmente estava por perto naqueles momentos, lançando um sorriso brincalhão para ela ou impedindo que a mesma fugisse o salão para fazer alguma arte longe dos olhares de adultos, pois ela sempre tivera uma índole eufórica. Isso antes dele ser mandado para treinar em Poleiro do Grifo e depois em Dorne. Nesses anos sem o irmão mais velho ao redor e sem ter alguém para seguir, Roberta se viu na obrigação de se tornar a influência para Warren. Ela normalmente era a única que conseguia fazer o mesmo sair de perto das vestes do meistre e se aventurar, mesmo que momentaneamente para fora do castelo. A irmã do meio se lembrava de sair para a Mata da Chuva a cavalo e instigar o mais novo a fazer o mesmo, fora ali naqueles momentos divididos juntos, que ela percebeu o quão seu irmão mais novo era diferente e de que ele nunca iria se encaixar nos moldes impostos pelo pai deles.

Assim, ela plantou a ideia dele ir para a Cidadela.

Foram tempos tempestuosos naquele lugar, em ambos os sentidos. O pai dela nunca aceitaria ver um filho largar os títulos para se tornar servo em outro lugar no futuro, aos olhos de Ottis era uma vergonha, decepção e algo que ele abominava. A mãe deles também tentou, sempre procurando apaziguar as brigas e problemas naquela família, mas nada adiantou. Isso tudo até Borys intervir, fora ele quem convecera o pai deles que Warren nunca seria feliz se continuasse preso em Ponta Tempestade sendo moldado para algo ao qual ele não era.

Roberta não sabia ao certo quais foram as palavras exatas de seu irmão, porém no outro dia Borys estava pronto para se casar com uma moça da Campina e dar continuidade a linhagem.

Era isso o que ela achava que todos não conseguiam ver sobre seu irmão. Ele mesmo havia criado uma armadura perfeita ao redor de si mesmo que escondia tudo o que era protegido por ela, poucos conseguiam levantar o visor daquela armadura e ainda menos ver ele sem ela. Dessa forma, ela acreditava que Borys vivia intensamente demais, fazia tudo e nunca deixava que as emoções escapassem, a não ser em momentos rápidos, como em batalhas ou em seus treinos diários.

Por isso Roberta achou estranho ver ele sentado no parapeito de uma janela e não lá embaixo no meio dos outros cavaleiros e escudeiros.

Novamente, uma das vantagens de ter sido criada ao redor de homens foi a de saber se impor e dizer o que pensava. Outra dama teria dado as costas e seguido para seus afazeres, ela tratou de confrontar o irmão, talvez já sabendo o motivo de tal estranheza.

— Será que hoje vai chover novamente? — Ela questionou se aproximando do irmão e se sentando ao lado dele no parapeito de pedra, em seguida apontando para o pátio que ficava no campo de visão de ambos. — Ou melhor, chover granizo? Pois eu nunca vi você pular um bom dia de exercícios antes, nem mesmo debaixo da mais valente tormenta.

Ele riu, um riso opaco e nada comparado com as verdadeiras gargalhadas que ele costumava dar quando estava realmente bem. Roberta normalmente se preocupava mais com ele do que os outros, pois achava que apenas ela conseguia ver as verdadeiras emoções encobertas.

— Não acordei disposto. — Respondeu sem olhar no rosto dela, preso em pensamentos e isso a preocupava mais ainda.

Os Baratheon daquela geração eram dados aos embates e de não fugir de uma boa batalha, com exceção de Warren obviamente. Borys, por exemplo, não era do tipo que parava casualmente para pensar profundamente ao menos que estivesse liderando um exército ou frota.

— E isso teria haver com uma certa princesa dornesa? — Roberta questionou, conseguindo prender toda a atenção dele e sabendo que estava correta em sua pergunta.

— É tão óbvio assim? — Borys respondeu bufando e cruzando os braços, enquanto encostava as costas largas na parede. — Todos já sabem? Nosso pai?

— Bom, todos os que sabem onde encontrar boas fofocas e também todos que tenham olhos. — Ela riu, porém se segurou quando percebeu que o herdeiro permanecia sério. — E não, nosso pai não sabe de nada, ou então ele já teria feito uma grande cena. Você o conhece tão bem quanto eu!

Borys apertou ainda mais os braços contra o peito, voltando a atenção para as poucas pessoas no pátio. Ela o segurou pelo queixo, fazendo os dois pares de olhos ficarem fixos um no outro.

— Por que está assim?

Ele levou alguns segundos para responder, antes de suspirar e contar.

— Nós brigamos… — O Baratheon coçou a barba um pouco antes de continuar. — Eu briguei, basicamente.

— Não me surpreende. — Roberta confessou e ignorou o olhar de falsa raiva dele. — Mas, se ter brigado com ela te faz tão miserável, por que está aqui sozinho e não de volta nos braços da sua amada? Ela é por acaso mais orgulhosa do que você?

— Porque é complicado, Roberta. — Ele explicou incomodado, sem saber muito bem como explicar o que sentia e o que não poderia fazer. A irmã mais nova dele sempre tivera uma facilidade em expressar todas as opiniões que tinha sobre tudo, ele era o completo oposto. — Nosso pai quer que eu me case com Alyssana, porém não sabemos se estamos procurando por uma princesa ou um corpo sem vida. Sieglinde quer saber o que será de nós, mas eu não sei se teremos um nós no futuro.

Homens, ela pensou suspirando.

Sempre gostavam de complicar as coisas mais do que deviam e seu irmão, por mais nobre e bondoso que fosse, não era diferente. Ela poderia culpar a criação que os três tiveram por ele ser assim, tão fechado e taciturno, mas ela mesma e até Warren haviam se tornado pessoas diferentes mesmo vindo das mesmas origens.

— E… — Ele continuou, com as sobrancelhas grossas descendo em uma expressão repentina de tristeza. — Millian, ela sempre surge na minha cabeça.

Roberta sorriu, um sorriso de profunda piedade e tristeza para com o irmão. Levou uma das pequenas mãos ao lado da face dele e acariciou ali, como ele mesmo fazia quando ela era mais nova. Ele ainda tinha tanto luto dentro de si, mesmo com o passar dos anos e ela não sabia se devia sentir pena. Aquilo não era mais o puro amor aos olhos dela, era um sentimento que apenas faria Borys se fechar as novas coisas que a vida poderia oferecer, a novas pessoas.

Ele parecia um homem preso ao passado, quando o futuro queria-lhe sorrir.

— Me escute com atenção, irmão. — A garota começou unindo as mãos sobre o colo e encarando o irmão novamente, para que ele sentisse o peso de cada uma das palavras, pois ela não repetiria aquilo sabendo que não poderia persuadi-lo com suas próprias opiniões. — Eu conheci Millian também, estava sempre com ela quando você não estava em casa e ouvi até mais do que você pudesse imaginar dos pensamentos dela. — Roberta respirou fundo, antes de continuar. — Ela te amava Borys, te amava tanto. Você era diferente de tudo o que ela imaginava de um marido e pessoa, mas sua esposa aprendeu a te amar da mesma forma que você aprender a amar ela, disso você não precisa ter dúvidas.

Ela tinha lágrimas nos olhos, sentindo uma emoção próxima a dele, lembrando de uma pessoa querida do passado. Também sabia que o irmão segurava as dele apenas para não chorar em um lugar não privado, por mais que não houvesse uma única alma naquele corredor além deles dois.

— Millian te amou profundamente, aproveitou os momentos que teve contigo, ficou feliz quando descobriu que vocês teriam um filho e estava cheia de pavor quando ficou enferma. A grande diferença entre vocês dois era que ela não escondia suas emoções, ela era sincera consigo mesma e com os próprios sentimentos. Eu estive ao lado dela também nos últimos dias, vi ela definhar e padecer, sentia o luto, Borys.— Roberta tocou o coração dele, sentindo as batidas aceleradas. — Eu sei, eu realmente sei que você sofreu e ainda sofre, porém você não precisa guardar tudo, irmão. Isso apenas vai te prender até o resto de sua vida. Você sempre me disse que não queria morrer como um lorde glutão em um castelo, mas se continuar da mesma forma de agora, irá morrer dentro de um navio ou no meio de um campo cheio de corpos. Completamente sozinho.

Ela secou as últimas lágrimas, se levantando e pronta para sair dali, pois sabia que não poderia levá-lo pela mão como uma criança. Borys teria que seguir o coração e andar com os próprios pés, indo atrás do que queria por si mesmo.

— Millian não iria querer que você passasse o resto da vida se lamentando pela morte dela, ela certamente iria querer vê-lo feliz. Não se preocupe com papai, ele é apenas um velho que acha que sempre está certo, mamãe e eu podemos dar um jeito nele. E por favor, não deixe sua dama dornesa esperando por tempo demais.



r u a d a s e d a

— O banquete em comemoração ao dia do nome do pequeno príncipe é em dois dias. — Kyra comentou como se fosse algo que todos já não tivessem conhecimento, o que irritou Tilda por um segundo, obrigando a bastarda Lannister a se lembrar do porque aquela aliança era necessária a ambas as partes.

Tilda e Kyra eram parecidas em alguns aspectos, isso ambas não poderiam negar por puro orgulho. As duas eram espertas, sorrateiras e donas do próprio nariz, todavia não tinham todas as cartas naquele grande jogo que a capital de Westeros e elas necessitavam de um empurrão em direção às boas águas que almejavam naquele momento. Entretanto, duas mulheres com personalidades fortes e posturas decididas não eram boas em concordar em todos os pontos ou ceder de suas posições de poder, ainda mais quando não havia confiança plena naquela relação.

Lyla conseguia ver isso com clareza plena e temia pela mulher que amava.

Tilda nunca havia encontrado grandes impedimentos em sua vida que pudessem impedi-la de chegar ao topo. Havia nascido bastarda, mas seu pai tinha protegido e suprido tudo o que necessitava, indo contra o comum para a nobreza westerosi. Sua mãe fora uma prostituta que amara um herdeiro e depois cafetina, então Tilda fez com que os negócios fluíssem e o dinheiro transbordasse. Havia criado uma frota para atravessar o mar estreito e criar uma pequena fortuna. Tudo isso até que uma princesa sumisse e ela atravessasse o reino em busca da mesma, maquinando com outra pessoa que queria o mesmo objetivo.

Lyla temia que Kyra pudesse se tornar um obstáculo.

Torben estava sentado no mesmo recinto e tinha os mesmos pensamentos que a amante de Tilda. Sabia que aquela leoa tinha as garras apenas esperando para cortar quem entrasse em seu caminho, não temia por Kyra da mesma forma que Lyla temia por Tilda, pois acreditava piamente em sua capitã. Apenas tinha conhecimento que a mulher de ferro poderia se deixar levar pela emoção algumas vezes, porém não poderia se descuidar com aquela aliada.

Tilda encarou a capitã, esboçando um belo sorriso caloroso.

— E espero que você já tenha feito sua parte.

A nascida de ferro também sorriu, levantando sua caneca de cerveja ao alto em confirmação.

— A pólvora está nos navios e no porto, sua distração está praticamente pronta. — Kyra respondeu com firmeza, se inclinando logo em seguida na direção da dona do bordel. — Agora, eu gostaria de saber o que essa distração vai acobertar.

— Não gosta de surpresas, capitã?

— Não quando eu que estou me arriscando. — O tom brincalhão já havia sumido entre as duas, era apenas uma discussão disfarçada.

— E eu também estarei me arriscando diretamente ao entrar na corte do dragão. — Tilda respondeu ainda com calma.

Não iria contar tudo para a Greyjoy, não quando ela sozinha poderia sair dali com toda a vantagem que tanto necessitava. Já havia descoberto o suficiente daquela competidora pela recompensa que dividir não parecia um forte dela, a confiança nunca havia existido de qualquer forma desde o primeiro encontro das duas. Ainda poderia usá-la no futuro, caso ela cooperasse, mas no fundo sabia que tudo acabaria após o que aconteceria em dois dias. A queda dos Tyrell, a elevação da bastarda Lannister, poder nas ruas e dentro da corte.

E então, nada mais de bastarda, apenas verdadeiramente Lannister.

O que sempre pareceu um sonho inatingível, talvez agora poderia se tornar uma realidade para Tilda. Ela sempre havia sido uma criança, jovem e mulher conformada com suas raízes, com de onde havia vindo e de como nada de seu passado definiria seu destino. Porém, uma pulga a coçou no fundo de sua alma toda vez que via sua madrasta julgando ela por conta de um nome, quando via as pessoas em Lannisporto cochichando mesmo ela tendo se elevado em vários sentidos. Não era uma busca por respeito, isso ela já tinha das pessoas que trabalhavam para ela, Lyla, de sua mãe, pai e principalmente por si mesma. Todavia, ainda assim, quando ouviu de seus empregados na capital que a princesa tinha sumido e que uma recompensa estava sendo dada, não houve quase nenhuma hesitação dela em seguir para Porto Real.

Voltar como Lannister e não mais como Hill.

Tilda limpou a garganta e olhou diretamente para a capitã.

— Cumpra sua parte e eu cumprirei a minha, disso tenha certeza. — Não era uma mentira, porém as duas mulheres e os dois amantes que estavam naquele recinto sabiam que tudo aquilo provavelmente apenas acabaria em desgraça.

Notas finais
como eu disse, teremos mais movimentação nos próximos capítulos, mas mesmo assim temos que ter esses mais calmos e discutindo pequenos pontos das tramas que tem de ser debatidos. eu espero que ainda estejam por aí e que tenham gostado :) obrigada por todo o apoio, beijinhos ♥