Notas iniciais
um pouco de introdução do herdeiro da tempestade :) boa leitura!

b a í a d o s n a u f r á g i o s

Borys estava visitando a Ilha Safira junto de seus companheiros, filhos de Lorde Tarth, quando um mensageiro veio direto de Ponta Tempestade. O homem franzino, baixo, mas resistente, trabalhava há anos para o pai dele e tinha vindo com uma ordem direta do Lorde Baratheon. Fora por isso que Borys havia deixado a ilha às pressas, se despedindo de seus amigos de longa data e rumando ao Fúria, seu navio de guerra e sua embarcação mais rápida.

Agora ele rompia as ondas turbulentas em meio a uma tempestade leve, que não era nada comparada com as experiências de quase morte que ele havia testemunhado durante seu tempo no mar. As luzes de Ponta Tempestade podiam ser vislumbradas rapidamente do convés como pequenas estrelas translúcidas. Ele chegava mais uma vez em casa.

As ondas faziam com que a embarcação se curvassem de tempos em tempos. Borys gritava ordens para sua fiel tripulação e eles obedeciam rapidamente, todos atuando como um grande órgão de madeira pulsante que rompia mais uma vez por aquela baía traiçoeira. Um trajeto que ele e seus homens já estavam acostumados a fazer, pelas inúmeras vezes que tinham enfrentado as águas que rodeavam a casa ancestral dos Baratheon. Principalmente após Borys ter perdido Milian e passado a maior de seu tempo sob o convés.

Milian…

O nome de sua falecida esposa era como água salgada, sempre deixando um sabor ruim em sua boca. Por isso que ele gostava de evitar o assunto a todo momento, seja quando via uma garota Tyrell em Porto Real que o lembrava dela ou quando sua irmã, mãe ou seu ainda pai comentavam no assunto dele ainda estar solteiro. Borys não era bom em falar sobre sentimentos, ainda mais quando eram os dele que estavam em tópico. Era mais fácil para o herdeiro Baratheon apenas embarcar no Fúria e velejar contra os problemas do continente.

Entretanto, agora ia ele mais uma vez cumprir com a honra e dever com seu pai e sua Casa. Seja qual fosse o mais recente pedido de Ottis para seu filho mais velho, já que Borys não fazia ideia do que seu pai desejava de tão importante e que não podia esperar nem mais um dia. O mensageiro também não sabia do que se tratava, apenas que ele era esperado em casa.

O lugar que ele chamava de lar, mas que agora parecia tudo menos aquilo. Ponta Tempestade ficava vazio sem Roberta por perto para lhe provocar e tentar lhe tirar um sorriso difícil de ser alcançado com suas piadas indecentes, agora que a irmã mais nova estava realizando seu sonho de viver na corte ao lado de tudo que ela apenas imaginava vindo das palavras dele. Ou Warren, seu jovem irmão que agora já estava quase com seus dezoito anos e tinha ido para a Cidadela para seguir com sua vocação de ser um meistre, isso em grande parte por conta do intermédio dele e de sua mãe. Agora restavam apenas ele e seus pais, dividindo um castelo imenso e vazio.

Talvez aquele fosse outros dos motivos dele sempre se jogar ao seu amor pelo mar.

De qualquer forma agora estava de volta e o pequeno porto da fortaleza estava visível, assim como as muralhas redondas no alto. Tudo da mesma forma como ele havia deixado e, ainda assim, talvez trazendo mudanças que ele não fazia ideia.

p o n t a t e m p e s t a d e

A noite e o céu tempestuoso impedia que ele vislumbrasse as estrelas, o vento forte podia apenas ser ouvido como uivos leves e as chamas que não estavam protegidas por lampiões lutavam para se manter vivas no meio da chuva agora poderosa.

Ele fora recebido por seu tio, Wendel, irmão de sua mãe e de Lorde Connington. O homem robusto e barbudo que era o Castelão e bem próximo de sua família, ele havia ensinado muito da vida para Borys e o Baratheon seria para sempre muito grato. Os dois caminharam juntos pelo pátio cheio de poças e adentraram na grande torre que de longe parecia um grande punho levantado aos céus, enquanto conversavam sobre a pequena viagem dele a Tarth.

— Sabe por que meu pai me chamou de volta tão abruptamente, tio? — Ele questionou assim que teve oportunidade de mudar dos assuntos convencionais.

— Oh, aquele velho porco nunca me conta nada de importante. — Wendel respondeu com sua risada rouca e grave, se referindo ao cunhado como apenas ele podia e da forma que o pai de Borys também falava com o irmão da esposa. Algo conquistado com anos de batalhas, bebidas e caçadas na Mata da Chuva. — Ele apenas pegou os homens e partiu para Porto Real.

— Meu pai não está aqui?

— Oh não, ele não te falou? — Wendel parou diante de uma porta que Borys conhecia muito bem, sendo o quarto do lorde. — Sua mãe está aí dentro, ela mandou te trazer aqui assim que chegasse, deve ser com ela que você deva tratar.

Borys concordou e deu dois tapinhas no ombro do tio antes de bater na porta e receber permissão para entrar.

A mãe dele, Lady Barbrey, estava vestida em suas roupas de dormir e com os pesados cabelos castanhos escuros soltos, sendo que ela parou de pentear as madeixas assim que ele adentrou no cômodo amplo e de vista para a Baía.

— Meu filho! — Ela o chamou para mais perto e Borys beijou sua mão em respeito, ela retribuiu beijando sua bochecha com carinho de uma mãe.

O Baratheon se ajoelhou perante ela, como ele e os irmãos faziam quando era mais novos e queriam ouvir a história de Durran e como ele havia construído Ponta Tempestade.

— O que aconteceu?

Ela passou uma mão pelos seus cabelos grandes que ele mantinha presos a todo momento, soltando apenas quando ia se deitar.

— Muito, meu querido… — Barbrey começou colocando as mãos do filho mais velho em seu colo, captando toda sua atenção para o que viria a seguir. — Eu e seu pai ficamos sabemos assim que sua irmã ouviu do próprio rei, junto de toda a corte. A Princesa Alyssana sumiu, dizem que foi raptada nas sombras da noite.

— Impossível. — Foi a primeira coisa que veio a sua mente e a primeira que saiu de sua boca.

— Seu pai pensou o mesmo e ainda desdenhou achando que era sua irmã querendo brincar com tal notícia. Mas é a pura verdade e isso não é tudo.

Ele continuou atento, os olhos azuis comum entre os Baratheon observando o que a mãe ainda tinha a dizer.

— O Rei anunciou que aquele que achar a Princesa, seja essa pessoa qualquer um, ganhará terras e ainda a mão de Alyssana. — Ela parou por um segundo, parecendo pensar rapidamente sobre como continuaria com suas palavras. — Seu pai saiu rumo a capital assim que pôde e quer que você faça o mesmo, ele e todos os homens que convocou vão começar a buscar pela Princesa.

Houve mais uma pausa dramática da Lady da Tempestade.

— Ottis não vai descansar até achá-la, ele a quer casada, casada com você.

As mãos enlaçadas entre mãe e filho se partiram com as palavras finais.

Barbrey entendia, ela havia observado enquanto Borys passou dias ao lado da cama da pequena garota Tyrell, com quem ele havia se casado. A Senhora Baratheon sabia que o filho mais velho, que era sempre tão calmo e inflexível, havia aprendido a amar Milian e que algo havia se quebrado quando a garota partiu devido à febre e ido para um dos Sete Céus junto do pequeno bebê que carregava no ventre. Barbrey entendia muito bem, por isso que ela nunca questionou quando ele partiu para o mar e começou a viver no convés do Fúria.

Entretanto, ele não era mais um garoto, não iria demorar tanto assim para completar os quarenta dias de seu nome e ainda não tinha um herdeiro para dar continuidade a linhagem Baratheon. Borys precisava se casar, ainda mais se sua nova esposa fosse a Princesa dos Sete Reinos.

— Eu sei, sei como é difícil, meu filho. — Ela se levantou e o virou mais uma vez em sua direção. — Mas você sabe que tem um dever e que com seu irmão ligado às correntes dos meistres não poderá se casar, ter filhos ou assumir esse castelo quando seu pai se for. Por isso cabe a você Borys, arranjar outra noiva, principalmente se tal moça fosse a princesa.

Borys se lembrava de velejar com Milian nos dias ensolarados e quando a maré estava branda, dela cantar para ele no pequeno barco em que velejavam e como a sua esposa conseguia tirar dele sorrisos tão facilmente com seu jeito falante e animado. Ambos tinham entrado em êxtase de pura alegria quando descobriram do primeiro filho. Tudo isso tinha sido tirado dele como uma onda avassaladora junto da morte de Milian e agora ele sentia que estava traindo o legado dela apenas por considerar ir atrás da princesa e ainda se casar com ela.

O herdeiro Baratheon era sempre direto e gostava das coisas simples, e ele sabia que o dever sempre vinha antes de tudo. Dever com a Coroa e com os Targaryen. Dever principalmente para sua Casa e sua família. Ele teria que cumprir com aquele dever, mesmo que sua consciência fosse machucada por um martelo de guerra feito com as memórias da esposa que ele amou e perdeu.

e s t r a d a d o r e i

Ele havia partido de Ponta Tempestade na manhã seguinte com uma pequena comitiva composta por homens de confiança. Agora o pequeno grupo de homens seguia rumo a Porto Real, onde ele cumpriria para com seu dever e iria fazer o que era melhor para sua casa. Isso de certa forma tranquilizava sua consciência perturbada enquanto Borys ia à frente em seu corcel negro.

Aquela viagem por terra levaria pouco tempo, já que a casa ancestral dele e a capital eram próximas. Os cavalos seguiam a trote rápido, mas os cavaleiros tinham precaução por conta da chuva fraca que tomava a Mata naquele dia, deixando o terreno lamacento e perigoso para os cascos dos animais. Por isso que Borys ia à frente, cuidando que não teriam nenhum problema pelo caminho, como um bom líder faria.

O Baratheon ansiava para que tudo aquilo acabasse logo. Assim ele poderia voltar a sua costumeira paz, porém ao mesmo tempo sentia que teria que passar pelas coisas que mais odiava em Porto Real. Viver ao lado de lordes glutões e mesquinhos, ter de lidar com política para a qual ele não tinha paciência e ver o Rei suprir suas necessidades por um ego inflamado. Poucas vezes ele já havia se questionado sobre os métodos de Aegon para governar, obviamente nunca em aberto a ninguém, mas sabia que ao menos resultados eram visíveis à medida que ninguém nunca tinha tido a coragem de desafiá-lo.

Ao menos até agora.

Um rugido gutural se dissipou pela Mata da Chuva, assustando os cavalos e os homens ao redor de Borys. Ele apenas cerrou os punhos com mais força ao redor das rédeas de seu corcel, controlando o animal, também estando um pouco confuso e intrigado. Pois, aquele não era um rugido qualquer, era um de animais que ele via na maioria das vezes apenas quando ia a Porto Real.

Era de um dragão

Ele voltou ao trote, dessa vez um pouco mais rápido. Seus homens o seguiram um pouco amedrontados, pois estavam se aproximando mais da origem do som estranho e feral. Chegaram até uma pequena clareira no meio da estrada onde conseguiam ver uma enorme fera escamosa lançando suas chamas pelo lugar, homens vestidos em roupas pobres e chamuscadas corriam tentando se esconder do calor emitido pelo dragão. A chuva mesmo que fraca conseguia impedir que um incêndio se inicia-se, até que o animal parou de atacar seguindo as ordens de um jovem próximo.

Borys olhou com cautela e precisão. O rapaz abaixo do dragão não mostrava medo, pois provavelmente era o dono da fera. Sua armadura imitava escamas dragônicas, toda em branco e com detalhes em dourado nas manoplas, botas, elmo e capa. Não havia dúvida que era um Targaryen, mas ele não sabia qual deles, havia muitos.

O desconhecido se aproximou devagar e tirou o elmo em um movimento gracioso, sacudindo os cabelos dourados com uma mão. Era um que Borys realmente conhecia, mas não via há muito tempo. Aelor Targaryen de Solarestival, filho da Mão do Rei.

— Borys Baratheon! — O prateado começou com um aceno leve e um sorriso carismático mostrando as covinhas que possuía nas bochechas rosadas.

— Sor Aelor. — O herdeiro de Ponta Tempestade fora mais polido, assim como mais sério. — Qual o motivo de tal confusão? — Questionou apontando com um movimento do queixo para os resquícios do que o dragão havia queimado.

— Quicksilver aqui estava caçando… — O Targaryen começou indicando o dragão que ostentava as mesmas cores de sua armadura, prateado e dourado. — Eu estava me abrigando nessa clareira quando uma trupe de saltimbancos tentou me roubar, não fora o dia de sorte deles quando o meu dragão voltou da caça e me viu sendo ameaçado. E bem, não acabou nada bem para eles.

O jovem cavaleiro esboçou um sorriso vitorioso.

— É claro que eu teria dado conta dos ladrões por conta própria, mas achei mais divertido ver eles correndo apavorados.

Borys duvidava bastante daquilo, mas não esboçou tal coisa em sua expressão.

— Por sorte nada de ruim aconteceu com o filho da Mão. — A fala do Baratheon pareceu não agradar Aelor. — Agora, precisamos continuar com nossa viagem.

Ele estava pronta para partir com seus homens quando o cavaleiro mais jovem se colocou no caminho.

— E para onde está indo? Porto Real?

Aquilo não era da conta do garoto, não importava que parentesco ele tivesse, mas Borys não iria começar uma tensão desnecessária naquele momento de transtorno.

— Sim, tenho que coisas a resolver com o senhor meu pai.

— Algum motivo em especial?

Borys estava começando a se irritar com aquele menino que se achava demais.

— Relacionado com a Princesa Alyssana.

O Targaryen pareceu estar surpreso com fala dele.

— E o que tem minha prima?

Borys cerrou o cenho perante a pergunta.

— Então não sabe o que aconteceu? — O silêncio do rapaz fora resposta suficiente. — A Princesa de Pedra do Dragão está desaparecida, o Rei colocou uma recompensa para quem achar ela.

Algo mudou mais uma vez na face do garoto de Solarestival. Borys tinha conhecido vagamente o irmão mais velho de dele, Daeron Targaryen, quando o outro tinha sido escudeiro de Lorde Baratheon. Mas aquele ali ele havia visto apenas poucas vezes e já havia percebido que era muito menos agradável que o irmão.

— Então creio que também tenho assuntos a tratar em Porto Real agora, o que me diz de irmos juntos até a capital?

Notas finais
espero que tenham gostado :D beijocas ♥